sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Senadores em audiência: O retrato do trabalho

Paulo Correia
Jornalista

paulo.correia@r7.com

Esses dias, os grandes jornais de São Paulo e do Rio de Janeiro divulgaram matérias esclarecedoras sobre os nossos senadores e a freqüência dos mesmos nas audiências no Congresso Nacional durante os últimos quatro anos. Nas reportagens, a informação que os nobres somente encheram a casa legislativa na sua totalidade, com a participação dos 81 senadores, nas duas ocasiões em que tiveram que votar, e absolver, o então presidente do Senado, Renan Calheiros. Nada mais patético que isso. Nada mais esclarecedor que essa notícia.
Fora isso, o Senado Federal comeu muita mosca e viu a sua fauna de pavões sumir, ficando apenas os gatos pingados de sempre. Sobre a saída do senador Renan Calheiros? Tudo como dantes no quartel de Abrantes. Acusado de desvios públicos, o cínico Calheiros saiu bem da história e ainda posou com a esposa para todos os fotógrafos, mesmo ela sabendo da deliciosa amante do parlamentar, a jornalista Mônica Veloso.
Lendo isso, me lembrei da frase do escritor François Silvestre: “Uma tenda de califas no acampamento de Brancaleone”.
Até quando o Brasil e sua população irão tolerar esses nobres senhores, que na maioria esmagadora do tempo não fazem nada e que cospem pedantismo por onde passam? Até quando iremos agüentar esses ex-governadores e ex-alguma coisa mamando nas tetas gordas da Nação, prestigiando e fazendo conchavos secretos com outros iguais?
Quando o país irá acordar para esses 81 fidalgos que vivem de mordomia e tendo toda a chance do mundo para propor bons projetos para todos, somente querem é saber de prestigiar os poucos de seu convívio?
Quando deixaremos de torcer pelo vencedor do BBB e, ao invés disso, cobraremos os nossos direitos básicos? Quando cobraremos uma saúde decente, uma escola que prepare de verdade e uma segurança pública que respeite o cidadão seja ele pobre ou rico? Quando o Ficha Limpa irá realmente entrar em vigor?
Acredito que daqui a 100 anos o Brasil será um país de verdade, democrático e progressista. Uma pena que esse pensamento sempre se apaga quando imagino que ainda teremos os nossos políticos de sempre no poder.

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