Mostrando postagens com marcador COLUNA Flávio Rezende. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador COLUNA Flávio Rezende. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 23 de junho de 2015

O TEMPO DAS COISAS É O TEMPO DAS COISAS


Por Flávio Rezende*

         Ao longo de nossa passagem pela materialidade ao tempo em que existimos, vamos gostando de coisas e mais coisas e, depois, valorizando mais outras e, abandonando algumas, ou até mesmo deixando no cantinho para que não morram e possam voltar – ou não, em novos tempos ou em momentos a posteriori.
         E nesse gostar e odiar coisas e mais coisas, o tempo dessas coisas é o tempo dessas coisas, sem que aparentemente possamos conscientemente dizer por quais e tais motivos as coisas são importantes em alguns momentos e, em outros, são meras lembranças. A vida é assim e nenhuma filosofia mais complexa e profunda tira da transitoriedade das coisas, essa coisa das coisas serem assim e assim são e pronto.
         E essas coisas que são e essas coisas que foram e essas coisas que serão, são coisas que jogamos carinhoso olhar no retrovisor ou que no momento gostamos de falar sobre as mesmas, lembrando agora de quantas coisas já gostei e que hoje não tem mais importância alguma, citando as lutas de boxe que envolviam Muhammad Ali, Joe Frazie, Mike Tyson, George Foreman;  a Fórmula 1 com Senna; os clássicos Flamengo e Fluminense, mantendo apenas relativo interesse por futebol, mais em solidariedade a meu filho Gabriel Kalki que quer ser jogador, que mesmo por achar muito legal os jogos e pelejas atuais.
         Assuntos que já dominaram minha mente e eram temas constantes em meus “escritos”, hoje são apenas reminiscências como a questão ecológica que continuo gostando mais no aspecto de cumprir minhas obrigações para um mundo melhor, mas nada que me ocupe mais que leituras e presença em eventos pontuais. A questão da religião, onde fui entusiasta militante, hoje é interessante no que diz respeito agregar uma ética ao existir, ficando cada vez mais claro que a essência religiosa de tudo é uma postura e que todas as coisas relacionadas, são apenas experiências dos outros e, que em determinados momentos, servem ou não servem para condutas que julgo corretas em meu existir terreno.
         E nesse fluir atualmente tenho me interessado em escrever sobre a questão política nacional e, vários amigos em grupos de convivência cibernética, criticam certa constância e insistência neste setor, no que respondo, que fosse eu cirurgião, certamente passaria o dia realizando procedimentos relativos a este mister ou, fosse corretor, igualmente estaria tecendo loas sobre apartamentos e mansões, buscando potenciais compradores para os imóveis que estivessem a venda neste universo comercial tão dinâmico na atualidade.
         Como sou escritor e jornalista e movido sempre a prática da escrita, é esse assunto que me inspira e me vem à mente, pedindo perdão a quem se incomoda, mas ao mesmo tempo pedindo vênia posto que livre, posso divagar e expressar o que bem entenda, ficando a critério do leitor ler ou não, concordar ou não, sendo normal e democrático o processo de balançar a cabeça afirmativamente ou negativamente, em lagartixística participação neste relacionamento que os escritores mantém com seu público receptor.
         Pode ser que essa coisa de criticar as posturas do Partido dos Trabalhadores na atualidade seja coisa de marido traído. Como era simpatizante, votante e defensor intransigente do PT, acreditava piamente que ele mudaria todas as práticas políticas vigentes, implantando verdadeiramente posturas corretas e éticas neste mar de lama em que nos encontramos faz tempo.
O fato de descobrir que era tudo farsa, que por debaixo do pano a prática dos líderes era igual ou pior de tudo que tanto falávamos e combatíamos, tudo isso me levou a um estado de chateação tão grande, uma amargura, uma perda de esperança tão profunda, que encontrei nessa coisa de baixar o cacete, uma certa remediação, uma certa obrigação para comigo mesmo e, nesta coisa ainda presente, continuarei até que um outro assunto, se faça presente e, minha mente, naturalmente, passe a gostar, se inspirar e simpatizar com algum outro assunto.
         Enquanto isso não acontece, sigo fazendo o que gosto, expondo o que vem de dentro para que externamente, possa ter serventia para alguém ou, simplesmente, extravase algo que é natural em quem produz textos como vício e com essa coisa de satisfação pessoal e profissional.

·       * É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)

segunda-feira, 1 de junho de 2015

PETISMO, CABRA CABRIOLA E CHARLIE CHARLIE


Por Flávio Rezende*

            Os estudantes andam apavorados com um tal de Charlie Charlie,  que segundo a crença, move diabolicamente lápis entre sins e nãos,  e depois, passa ao imaginário deles como algo real, gerando pânico e medo, desaguando tudo em noites mal dormidas e estresse para os pais.
            Os jovens, assim como nossos antepassados e todos nós, buscam crer em algo, para que esse vazio que povoa nossa mente possa ser preenchido com algum tipo de certeza que existe algo pós, para fazer ter sentido o presente e, algo, superior, para que possamos diante de fardo pesado, ter esperança que esse acima, maior e potência máxima em resolutividade possa ter pena de nós e aliviar a barra.
            E acreditando em uma coisa ou outra, vamos seguindo, sem que, diante de muitos e muitos anos já por aqui, tenhamos certeza absoluta que realmente tenha algo após ou superior, posto que sendo questão de fé, essa crença como existe hoje, só tem razão de ser nesse crer sem ver e nesse acreditar sem nada de real presenciar.
            Nestas aparições que assustam, que surgem via mídia, ou naturalmente em fenômenos sociais, minha pequena e amada Mel chegou em casa temendo uma tal de Cabra Cabriola, que segundo o Wikipédia, “é um ser imaginário da mitologia infantil portuguesa, mas também surge no resto da península Ibérica, foi depois levada para o Brasil pelos portugueses. A Cabra Cabriola é a personificação do medo, um animal em forma de cabra, um animal frequentemente de aspecto monstruoso comedor de crianças, um papa-meninos. “
            Pois a minha caçula anda temendo cerrar pálpebras e dar de cara com a Cabriola, receando não ser suficientemente arrojada para encarar a danada, crente que a cabra tem força e poderes suficientes para pintar e bordar e transformar sua alegre vida num inferno precoce.
            Seja os adolescentes arrepiados com Charlie Charlie ou as crianças tremendo diante dos feitos diabólicos da Cabra Cabriola, temos também hoje no Brasil uma turma que não acredita em nada. Esses seres já começam a despertar o interesse dos mais pós pós pós doctors do planeta. É incrível como diante de tantos fatos, antes mensais, depois semanais, hoje diários e caminhando para de hora em hora, histórias escabrosas de dólares em cuecas, dinheiro em aviões e bancos de todos os paraísos, desvios, roubos, editais direcionados, gráficas que não imprimem e recebem, eventos que não existem e tem verbas, contratos superfaturados, comissões, taxas de sucesso, administração de recursos não contabilizados, uma gama infinita de técnicas e práticas que estamos tomando conhecimento diariamente e, esta turma, nem nem, simplesmente são ateus dos eventos ocorridos no Brasil nos últimos doze anos.
            E assim seguimos, tentando amenizar os terrores que narrativas cabriolísticas e charlísticas ocorrem a nossos filhos, e pasmos diante dos ateus políticos em voga no Brasil hoje, que não sabem de nada, não acreditam em nada e, assim, voando, viajando e se fazendo de doido, vão apostando naquela coisa que perigosamente repetimos sempre, tudo passa, temos memória curta, tendemos a esquecer e perdoar...
            Queria eu que essa tal de Cabra Cabriola desse um susto bem grande nesses bandidos que assaltaram e devem ainda estar assaltando o Brasil, pois depois do mensalão engataram o petrolão e quem confia agora que não tem nada acontecendo, pois parece que não vivem sem meter a mão em alguma coisa pública.
            Além do susto da cabra, torço para que o Charlie Charlie na consulta deles no sentido de se vale continuar a prática criminosa, leve o lápis para o não. Quem sabe esse conselho mediúnico faça efeito e essa turma entre nos eixos deixando o que é público para o público e perdendo a mania feia de privatizar nosso butim para seus projetos pessoais e partidários, empobrecendo o Brasil e aterrorizando nossas vidas com mentiras, roubos, falsidades e vergonha.
         
É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)

sábado, 14 de fevereiro de 2015

O PAVOR DO HOMEM NA PRESENÇA DAS EXTREMIDADES


Por Flávio Rezende*

         Quase todos nós vivemos uma existência que pode ser rotulada de normal. Ao longo de nossas vidas vamos cumprindo ritualmente as passagens comuns de paparicação, estudos, trabalhos, reprodução, envelhecimento, doenças e morte.
         Um ou outro tem em suas andanças coisas bem radicais como viver perigosamente e confrontar a morte ou estágios avançados de evolução espiritual. Como disse, esses são poucos.
         Nessa vida quase de gado, como um cantor já revelou tempos atrás, tendemos a existir no caminho do meio, sem problemas muito complicados e sem alguns êxtases desejados, lembrando que as referências do presente escrito não levam em conta questões financeiras e nem correlatas.
         Essa navegação humana por caminhos nem tão espinhosos e nem tão floridos, possibilita um fluxo normal de seres em passagem expiatória por este mundo material, com cada individualidade cumprindo sua sina e, imprimindo a sua história, as conquistas ou débitos que naturalmente temos devido a nosso DNA cósmico.
         Ao se aproximar dos extremos saímos dessa navegação mais tranquila e suave e passamos a experimentar picos de adrenalina que podem ser do bem ou do mal. Seja para um lado ou para o outro, o homem quando está diante do extremo, sente certo pavor e toda sua estrutura físico-química muda, com o interno buscando elementos que possuímos para fazer frente a novidade, e o emocional em estado de choque tentando entender a situação.
         No caso negativo isso pode ocorrer na iminência de um acidente de trânsito, diante de um bandido armado, numa briga mais barra ou sabendo de uma notícia bem negativa. Ficamos paralisados, trêmulos, pernas bambas, coração dispara, desmaios podem ocorrer, confusão mental, enfim, o extremo negativo desestrutura o ser e, nesta situação, não conseguimos sobreviver muito tempo. É preciso se restabelecer. Continuar muito tempo assim, é morte certa.
         Mas situações desconfortáveis também acontecem diante do extremo positivo. Quem tem familiaridade com relatos místicos, textos religiosos ou metafísicos, já leram que alguns seres evoluídos foram indo, seguindo em seus caminhos ascendentes até que diante de suas divindades, tremeram, não conseguiram olhar, ficaram cegos diante da luz, tímidos, sem voz, envergonhados e muitos voltaram ao plano normal sem conseguir dar prosseguimento a essa vivência espiritual profunda.
         Que leitura podemos fazer deste confronto do ser comum - qualquer um de nós, com altos representantes do mundo espiritual? Que vacilo é esse? Por qual motivo poucos conseguem abrir os olhos e se fundir na energia divina que o encontro proporciona?
         Não sei a resposta mas identifico isso em pequenos detalhes em meu cotidiano. Como dirigente de uma organização não governamental lisa, que vive constantemente pedindo recursos para continuar suas ações humanitárias, percebo claramente que muitas pessoas temem a proximidade com as coisas do bem. No meu caso, sou mais ajudado por pessoas que não conheço, do que por milhares e milhares que conheço e que até elogiam o trabalho, mas não concretizam o que seus lábios proferem, em forma de ajuda concreta.
         Vejo em minhas reflexões que as pessoas preferem ajudar aquelas entidades em que elas muitas vezes não conhecem seus dirigentes mais a fundo, preferindo manter certa distância. Na ONG que atuo já realizei muitos e muitos eventos e convidei todos os amigos e familiares. Conto nos dedos das mãos os que foram. Sinto então que as pessoas temem essa proximidade com o bem, temem se comprometer de alguma forma, preferindo a distância.
         Podia aqui citar muitos e muitos exemplos de como fico isolado neste ato de tentar apoio para o projeto que realizo, de como é difícil ver meus milhares de conhecidos, amigos e parentes, não prestigiando os acontecimentos, não ajudando financeiramente, não doando nada, apenas para não estar perto, pois sei que são pessoas de bem.
         Finalizo então deixando essa reflexão. Somos seres do meio, que encontram neste setor a tranquilidade que não apavora. Se para baixo as pernas tremem diante da morte iminente, para cima, para o bem, também não queremos muita conversa, não é um espaço que nos deixe tão confortáveis assim, daí muitos terem uma filosofia ativa de elogios e uma prática morna de ações concretas.
         Diante da percepção que boas amizades e milhares de amigos não movem os moinhos da caridade e da fraternidade que me propus a realizar e que venho tocando há muitos e muitos anos, estou caminhando para passar o bastão e continuar ajudando de maneira mais livre, sem o peso de uma entidade e os compromissos diários de um dirigente.
         Por enquanto continuo acreditando em dias melhores e sonhando em ganhar na loteria para deixar os amigos em paz e tocar sozinho o projeto social. Nada mais humano que sonhar, pois nossa divindade anda distante e envolvida na névoa cotidiana de nossos egos imperfeitos.
               
*É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)

sábado, 20 de dezembro de 2014

ESTOU OBSIDIADO?


Por Flávio Rezende*

             Tempos atrás sobrecarregado com tantas coisas e desencantado com a falta de mãos que pudessem ajudar na condução das ações humanitárias da Casa do Bem anunciei que fecharia a ONG e passaria tudo para a gestão do Conselho Comunitário do bairro de Mãe Luiza, em Natal/RN, onde moro e atuo.
            O tempo passou, problemas burocráticos do Conselho Comunitário impediram a concretização da ideia e sigo com a Casa do Bem esperando outros cenários futuros.
            Neste período relatado no início do presente escrito passei por um querido amigo nos corredores da UFRN, e ouvi do mesmo que esse lance de querer fechar a Casa do Bem era obsessão que estava sofrendo.
            Obsessão para quem não sabe é a pessoa que “sofre a influência perniciosa de um espírito encarnado ou desencarnado”. Pois bem, hoje de manhã lendo os jornais vejo que um artista recebeu 25 mil reais de órgãos culturais federais, um banco e outras entidades para fazer uma enorme pedra de gelo com água do mar do bairro de Areia Preta e fazê-la derreter no Centro da cidade.
            A justificativa do artista é a promoção da reflexão entre os bairros mas, o danado é que no lugar da reflexão o tal ato cultural/filosófico/moderno/intercultural etc. e tal promoveu mesmo foi indignação. O tal cubo de gelo derreteu ainda no local do congelamento e o dinheiro público esvaiu pelo ralo.
            Caros leitores, confesso que devo estar mesmo obsidiado, pois tempos atrás achava essas performances uma coisa de gênio, maravilhosas criações de mentes diferenciadas e, agora, me perdoem a sinceridade, acho é muito desperdício de dinheiro público, que podia muito bem ser aplicado em coisas culturais mais futurosas e que realmente provocassem reflexões mais entendíveis.
            Com 25 mil por exemplo, dava para publicar uns 6 ou 7 livros de autores locais e leva-los para debates nas escolas públicas com muitos benefícios para ambos os lados e um saldo magnífico de conteúdo verdadeiramente aproveitável.
            Além de me questionar sobre alguns investimentos em cultura, também acho que estou obsidiado pelo fato de ter me tornado carnívoro tempos atrás. Durante 17 anos fui vegetariano e de uma hora para outra comecei a ter uma vontade enorme de comer caranguejo, terminando realizando tal ato e ampliando para galinhas, vacas, peixes etc. Até hoje estou desconfortável com essa mudança e desconfiando que o obsessor curtidor de frutos do mar e churrascaria ainda cerca meus atos gastronômicos.
            A obsessão pode ser ampliada no espectro político do meu ser. Era um petista radical, defendia tanto Lula que até chorava quando alguém insinuava sua desonestidade e cheguei a brigar com várias pessoas num spa que iam votar contra Dilma na eleição anterior. No começo do mensalão ia todos os dias para uma padaria me juntar a um amigo petista para juntos formar banca advocatícia governista diante de outros amigos que baixavam o cacete nos bandidos.
            No meio do mensalão, ouvindo atentamente o julgamento e vendo as provas palpáveis dos malfeitos, comecei a desconfiar que meus ídolos eram mesmo canalhas, tendo o espírito obsessor direitista ou reacionário como eles dizem, se apoderado do meu ser e, hoje, acredito piamente que Lula, Dilma, Dirceu, Vaccari e esse povo todo não só sabe de tudo, como ordenaram, se beneficiaram e planejaram essa safadeza toda, querendo se eternizar no poder e, isso, não aceito que seja feito, pois foram entronizados justamente para fazer diferente, direcionar o Brasil para o lado oposto dos malfeitos.
            Então caros leitores, devo estar realmente sendo obsidiado por espíritos contrários a tudo que antes eu pensava, estando agora absorto na dúvida: os espíritos obsessores são do bem ou do mal?
            Quanto ao vegetarianismo, confesso que gostaria de voltar a ser. Quanto a avaliação das artes modernas e algumas de suas babaquices sem futuro, deixa rolar para ver onde vai dar e, quanto a questão política, sei não, duvido muito que diante de incontáveis provas tanto do mensalão, quanto do petrolão e de tantos outros que ainda virão, meu obsessor esteja enganado. Acho que ele está é certíssimo em me colocar contra essa canalha toda, afinal formei ao lado do PT por muitos e muitos anos por ser contra a bandidagem que existia e não para tirar o rato azul e colocar o vermelho, só pelo simples fato do rato vermelho posar de santo popular.
            O que precisamos hoje em dia é de progresso, emprego e renda e colocar todo o povo para trabalhar e não de uma política pseudo humanitária de submissão da população, criando massa de manobra no curral da pobreza e por debaixo do pano juntando grana para na vida pessoal luxar e na ação política enganar.
            Obsessores do bem circulem por ai e extraiam desses férteis campos nacionais, o adubo para a semeadura correta para que no futuro possamos voltar a colheita das boas práticas e de uma ética verdadeira e saudável para nosso Brasil virar com orgulho, a pátria anunciada como líder em nosso planeta azul.

·         * É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

ADORMECENDO UM, ACORDANDO OUTRO


Por Flávio Rezende*

Durante toda nossa existência na matéria vivenciamos diversas experiências e, muitas vezes, passamos largos espaços de tempo da vida dedicados a alguma atividade em especial. Ciclos giram e nem percebemos, quando num certo dia, começamos a ficar incomodados ou inquietos e, de repente, passamos a gostar e querer fazer outras coisas.

Nos últimos 25 anos além das atividades de jornalista, escritor, promotor de eventos, carnavalesco, construtor, pequeno comerciante e algumas outras, dediquei parte significativa de minha existência para trabalhos sociais, evoluindo aos poucos em abrangência, ao ponto máximo de fundar uma organização não governamental e mergulhar de corpo e alma neste projeto.

Para que tudo isso pudesse acontecer algumas coisas foram fundamentais, como a vontade irredutível de ajudar, sem nunca em tempo algum pensar em ser político e nem me beneficiar financeiramente disso e nem misturar minhas crenças espirituais neste trabalho, além do fato de ser jornalista e ter congregado um mundo de amigos que me ajudaram durante todo o processo, acrescentando aí alguns outros fatores de menor relevância.

Essa mistura de ingredientes me levou nos últimos tempos a uma série imensa de ações que passaram por horas e horas de esperas para falar com autoridades, de sentadas em bancos de repartições diversas no encaminhamento de soluções e pedidos vários com fins humanitários, muitas e muitas providências de ordem burocrática, lidando cotidianamente com questões de arrumar emprego para pessoas, ajudar financeiramente em situações de todo tipo, dar vida a projetos, executá-los, conseguir item por item coisas para que os mesmos acontecessem e me envolver na obtenção de apoio para construir a Casa do Bem, aprovar seu projeto, equipar depois do prédio pronto, fazer campanhas e campanhas para conseguir voluntários, dinheiro, equipamentos e até hoje, harmonizar situações que passam por conflitos humanos, não podendo em momento nenhum sair da linha, para que não ficasse só diante de tantas pessoas necessitadas de carinho e atenção.

Nesta caminhada de dez anos enquanto dirigente da Casa do Bem nunca pude contar com nenhum funcionário por não ter dinheiro suficiente para isso, conto sim com valorosos voluntários e alguns que gratificamos para que o barco da luz continue seguindo sua rota navegatória de bem servir.

Nestes dez anos vi meu prestígio lentamente diminuir ao ponto de hoje não conseguir reunir quase ninguém nos eventos da Casa do Bem e nem nos meus pessoais. Para ilustrar, chegava a vender mil livros num lançamento antigamente, com média em torno de 350 livros, hoje não passo de 50. Olho para um lado e para outro e não vejo quase ninguém.

Nos eventos da Casa do Bem só conto com o pessoal do bairro. Faço apelos praticamente todos os dias para que as pessoas possam depositar algo em nossa conta corrente e raríssimos o fazem, chegando a contar nos dedos as empresas e os abnegados colaboradores.

No passado era repórter de tevê, tinha coluna nos jornais e muito prestígio na sociedade. Hoje sou muito elogiado, abraçado, mas nada disso se traduz em apoio prático para a causa humanitária e até para meus projetos pessoais.

Como não sou um santo e tampouco um anjo, minha frágil condição foi degradando e acabou minando a até então impetuosa e imbatível força de vontade. Hoje faço as campanhas com certa vergonha, estou cansado de pedir. Hoje quando me deparo com a necessidade de ir buscar nos órgãos públicos as certidões e as providências para o continuar da Casa do Bem, um desânimo encarna e se pudesse eu desapareceria. Estou exausto.

Confesso que já não tenho tanta disposição para correr atrás de nada. Sinto-me impotente. Não acredito mais nas campanhas, reuniões e muitas promessas continuam chegando, a grande maioria não dando em nada. Estou desesperançado. Não tenho mais forças para enfrentar a burocracia. Não tenho mais vontade de engolir um monte de coisas calado e precisar ter paciência diante de incompetências, ingratidões e acusações vagas e injustas.

Ao mesmo tempo em que fui ficando inválido para continuar servindo ao nível de dirigente principal de uma organização sem dinheiro e cheia de projetos beneméritos, foi crescendo dentro do meu ser o amor pelos filhos e pela família. Sempre fui louco por meus pais e dediquei à Casa do Bem a meu amado pai Fernando Rezende e um condomínio que tenho a minha mãe e outro a minha esposa, filhos e irmãos. Com a morte de papai creio ter morrido boa parte de meu entusiasmo também.

Creio que hoje meu grande projeto é cuidar de minha mãe enferma, encaminhar meus filhos adolescentes na vida, estar mais presente no cotidiano de minha pequena Mel e de minha esposa Deinha, além de estudar um pouco mais, o que estou fazendo num mestrado e pensando num doutorado futuro.

Diante de tudo aqui revelado, anuncio que estou conversando com pessoas que podem assumir o comando da Casa do Bem e a mesma continuar por todo o sempre. Fundei e dirigi por muitos anos. É chegado o momento de passar o bastão. Novos idealistas do bem com prestígio, boa vontade e muita disposição precisam assumir o comando.

A Casa do Bem é muito jovem. Certamente na sequência ela vai ser uma organização profissional, prestando relevantes serviços à sociedade e lá do outro plano poderei acompanhar sua trajetória na seara do bem. Fico torcendo para que ela possa ter esse destino.

Agradeço a todos que colaboraram e que colaboram. Esta passada do bastão não tem data, mas está madura dentro do meu ser a decisão de mudar o foco de minha vida. Deverei continuar ajudando e até fazendo parte da diretoria, mas não tenho condições de ser o timoneiro, estou realmente sem energia para isso, perdão.

Apelo a todos que continuem ajudando a Casa do Bem, ela é importante e realiza muitas ações humanitárias maravilhosas. A decisão é no sentido de fortalecer, não de acabar e, para que isto seja possível, precisamos desta força. Quando um dia as coisas estiverem todas devidamente amarradas, anunciarei os novos rumos e, desde já, muita luz para todos nós.

• É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A VIDA AMPLIADA PELO AMOR À FILHA QUERIDA

Por Flávio Rezende*

            Quando acordamos nossa mente logo dá início a seu processo de pensar, pensar, pensar. Poucos seres neste querido planeta azul, destinaram minutos e horas dos seus afazeres à importante arte de desacelerar a mente.

            Estudos científicos e de cunho esotérico comprovam que o processo de redução da atividade cerebral harmoniza mais o cérebro e proporciona equilíbrio e serenidade ao existir, sendo a meditação um importante aliado nesta área, tenha ela a excelência de um mosteiro zen ou a repetição mântrica da MT (Meditação Transcendental).

            Essa atividade cerebral matinal pode ter início de diversas maneiras, com alguns começando logo a pensar no trabalho, como vai estar o trânsito, os afazeres a dar conta, enquanto outros podem pensar na performance noturna do seu time preferido ou o novo capítulo daquele caso de corrupção tão cheio de detalhes.

            Apesar de muitas possibilidades, quem tem filhos e os amam devotadamente, direcionam na maioria das vezes estes pensamentos primeiros para eles, sendo este escrevinhador de artigos e livros, membro deste time, posto que apaixonadíssimo pelas crias, passo a tê-los como ampliadores de minha felicidade e multiplicadores das sensações diversas que a vida terrena nos oferta em generosas oportunidades, por quadrantes variados de nossa casa maior, a Terra.

            Concentro agora a inspiração na minha linda, amada e querida Mel, princesa que hoje (dia 21) completa 5 aninhos e que enche esse pai cinquentão de alegrias diversas. Apesar de bem casado e marido apaixonado, compartilho com Deinha o pensamento moderno da morada individual. Ela alberga Mel e eu, Gabriel e Fernando. E assim vivemos, pacifica e harmoniosamente, nos vendo todo dia e compartilhando o mesmo espaço apenas nos fins de semana e, eventualmente, em momentos especiais.

            Nos fins de semana, logo ao acordar, os pensamentos são no sentido de observar a doce Mel dormindo, depois abrindo os olhinhos, deitada no sofá pedindo para ligar a tv em seu sempre presente canal 40 e depois comendo. Cada momento desse despertar me enche de prazer e preenche meu ser com as mais energizantes e positivas energias.

            Em seguida todos os eventos nos remetem ao mundo mágico da amplificação da ocorrência. Explico melhor, se o programa é a praia, além das sensações normais que sinto no contato com a areia, o mergulho no mar, a absorção fantástica dos raios solares e todas as visões relacionadas ao mágico estar em ambiente tão salutar, tudo converge para o processo ampliativo, pois passo a pensar no prazer que tudo aquilo está causando a pequena Mel, internalizando assim o seu possível deleite,  e com isso, entrando no paradisíaco mundo nirvânico do prazer de sentir o gozo da cria e de poder estar ali em atitude cooperativa e amorosa, proporcionando tudo aquilo a uma pessoinha que tem ligação umbilical e cósmica comigo, sendo a mistura de todos os prazeres coletivamente, um dos grandes desfrutes que podemos ter enquanto seres imperfeitos em passagem expiatória por estas paragens materiais.

            A mesma sensação ocorre em outros momentos, passando a filha querida a ser agente de amplificação das boas sensações, portanto uma bateria ambulante de positividade, elevando o prazer de viver e contribuindo naturalmente para um balanço satisfatório de aprovação desta encarnação. Isso termina alçando nossa alma à condição de aspirante a níveis mais elevados de grau evolutivo, motivado pelo amor entre um pai e uma filha e ancorado na percepção de que dois seres que se amam podem ocupar o mesmo espaço e, no lugar de ocasionar desperdício no transbordar do excesso, promove sim é o ajuntamento das emoções vividas, jogando no éter universal o apurado emocional e assim, devolvendo com juros ao Criador o investimento que foi feito tanto no pai, quanto na filha, que caminhando juntos, podem tranquilamente se fundir em amorosa unidade familiar e expandir de dentro para fora a poderosa e necessária energia que tanto precisamos produzir, a energia que chamam de amor.

            Melzinha, te amo muito querida filhinha, parabéns e que possamos estar cada vez mais juntinhos na gostosa caminhada por este planeta azul.

·        É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)

sábado, 6 de setembro de 2014

QUE TIPO DE ENERGIA ESTAMOS PRODUZINDO POR AQUI?

Por Flávio Rezende*

         Tenho dito em conversas pessoais que a grande revolução que vai acontecer em nosso planeta, será a vinda dos seres extraterrestres.
         Tudo que já acontece não consegue mais sensibilizar e nem provocar grandes mudanças por aqui. Já nos acostumamos com crimes violentos, sistemas políticos diversos, mudanças de comportamento, estações climáticas e tudo já foi devidamente processado, queira ou não queira as indignações e rejeições a determinadas coisas não tem força para provocar mudanças, então seguimos tendo que assistir periodicamente todas as coisas, apenas mudando de cenário, de sistemas ou de pessoas, mas como dizem por ai, tudo como dantes no quartel de Abrantes.
         E em algumas ocasiões, quando cito que a grande onda vai ser essa vinda dos caras que ainda não conhecemos ao vivo e a cores, alguns interlocutores questionam o motivo deles ainda não estarem interagindo por aqui.
         Como não tenho fontes no além e as canalizações e mensagens mediúnicas ou afins disponíveis por ai podem ser questionáveis e algumas amalucadas,     tenho minhas próprias teorias que, claro, não tem nenhum embasamento real, sendo apenas viagens mentais que faço e que compartilho agora com vocês.
         Se eles, os extras, chegarem aqui um dia, fica patente que tem superioridade sobre nós, que apesar de espionarmos o cosmos, não conseguimos enxergar nada muito além das estrelas que brilham e dos astros que vagueiam.
         Não sei o tipo de superioridade. Se moral, não nos incomodarão, certamente vão querer explicar como as coisas são por ai e dissipar esse véu da ignorância que nos persegue e que nos incomoda por tanto tempo.
         Se forem malvados, vão querer nos dominar, roubar coisas de nossa natureza e, quem sabe, nos aprisionar ou detonar tudo de uma lapada só.
         Bem, então o que impede eles de se aproximarem? Na minha visão, eles são do bem e tem uma alta sensibilidade. Nosso planeta, que dizem ser do tipo “expiação”, gera muita energia negativa e isso fica como a nossa aura.
         Quando eles se aproximam pelo alto, sentem logo aquela carga pesada, a energia deletéria, ficando impossível a permanência deles num ambiente assim, até mesmo pelo fato de que essa energia muito negativa pode contaminar os extras e eles adoecerem ou até mesmo caírem em nossa malha do mal e ficarem com vontade de sair por ai falando mal dos outros, subtraindo objetos, desviando recursos e outros babados mais.
         Algumas informações espirituais dizem justamente que lá em nossa origem éramos anjos, que decaímos e que nessa vinda para este pedaço do universo, entramos nesta roda e dificilmente sairemos daqui, pois nos enredamos nessas picuinhas e vamos contraindo cada vez mais débitos (karma).
         Então almas boas, se minha tese for verdade, ou melhoramos individualmente, colaborando para que coletivamente possamos passar a gerar uma energia mais positiva, nos habilitando assim a integrar a comunidade cósmica universal, ou vamos continuar por aqui indo e voltando do material para o umbral ou para algum lugar mais ou até menos, num vai e vem sem fim, podendo até, segundo alguns, regredir e voltar a habitar mundos bem mais complicados.
         Não sei se tudo isso é um pensamento sem eira e nem beira, mas por via das dúvidas, procuro seguir o que alguns mestres andaram dizendo, que colaborar com essa boa energia é necessário e que fazer o bem sem olhar a quem e amar a todos e servir a todos é fundamental.
         Faça muito, faça médio ou faça pouco, mas faça algum bem para que possamos sair desse ciclo repetitivo de nascimentos e mortes e poder junto a nossos amigos mais adiantados, celebrar a obra divina com todo o amor que nela existe e que só pode ser acessado com um corpo material devidamente purificado e energizado com as boas práticas já devidamente divulgadas por aqui.

É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)

sábado, 16 de agosto de 2014

O BÁLSAMO CULTURAL ALIVIANDO NOSSA PASSAGEM TERRENA

Por Flávio Rezende*

         Toda viagem agrega uma série de acontecimentos. As mais comuns, que carregam nosso ser em deslocamentos curtos e locais, exigem apenas pequenas providências e, muitas delas, são realizadas praticamente no piloto automático, uma vez que ficamos tão condicionados aos roteiros repetidamente utilizados, que os seguimos sem nem mesmo pensar a respeito das curvas e sinalizações existentes.
         As viagens mais longas exigem atenção mais apurada, posto que nos remetendo ao novo, pedem um olhar mais atento, uma mala que substitui o guarda-roupa e vigilância para evitar que os malfeitores se interponham em nosso roteiro, transformando o bem bom num baixo astral daqueles.
         Tenho viajado bastante, colocando em prática real aquela música dos Novos Baianos que em bela letra revela, “vou mostrando como sou e vou sendo como posso, jogando meu corpo no mundo, andando por todos os cantos e pela lei natural dos encontros, eu deixo e recebo um tanto e passo aos olhos nus, ou vestidos de lunetas, passado, presente, participo sendo o mistério do planeta...”.
         Num desses deslocamentos, nem tão automático e nem tanto vigilante, fui bater na bela praia da Pipa, pertinho de Natal, recanto que albergou parte de minha juventude, onde maconha, surf, comida enlatada, água de coco e cerveja gelada, eram tão presentes quanto o sol e as moças bonitas, numa mistura emoldurada por rock progressivo e MPB e que deixou até hoje, boas recordações de um tempo muito interessante e bem curtido.
         Neste deslocamento pude presenciar e participar graças à bondade da amiga Yanna Medeiros, do Festival Literário da Pipa, conhecido como Flipipa. Foi puro encantamento. O desfrute da pousada Bicho Preguiça com Deinha e Mel, o banho de mar, o passeio pela rua principal e, o êxtase de ouvir palestrantes, bebendo cultura e me alimentando de conversas paralelas de teor literário, reavivaram em meu ser, o grande e fantástico prazer das coisas culturais, dando novo ânimo a minha vida e imantando potente satisfação a meu viver.
         Ouvir pessoas interessantes, falando de coisas legais, sorrir internamente em prazeroso gozo de absorção de saberes, é uma coisa extraordinária, mostrando mais uma vez para este escrevinhador, o quanto é importante e necessário este processo nutricional de alimentação cultural, tão salutar quanto as demais formas de sobrevivência, tais como respirar e comer, uma vez que um ser sem o usufruto da informação que edifica, é um ser sem essência, ficando faltando algo, como se sem alma passasse por sua existência material.
         A praia da Pipa vai nos brindar novamente com esse tipo de alimentação, agora na incrível área da música, aquele setor onde essa nutrição essencial adquire igual potência. Lá vai ocorrer, de 21 a 24 deste mês de agosto, o Fest Bossa & Jazz, tão bem organizado pela amiga Juçara Figueiredo, que promete colocar no palco gente muito boa do jazz como Street Band, Ricardo Silveira Quarteto, Mark Rapp Quartet, Rogério Pitomba, Nuno Mindelis, Camila Masiso, Marcos Valle, Roberto Menescal, Glen David Andrews Band, Sambossamba & Blues, Jaques Morelenbaum & Cello Samba Trio e o Eric Gales.
         Gente da qualidade de Dácio Galvão, Juçara Figueiredo, Yanna Medeiros e outros produtores e fomentadores culturais da cidade como Marcelo Veni, Diana Fontes, Zé Dias, Gustavo Wanderley, Zelma Furtado, Toinho Silveira, Candinha Bezerra, Jomardo Jomas, Daniel Rezende, Margot Ferreira, Claudia Soares, Alexandre Dunga, Jorge Elali, Abmael Silva, Carito Cavalcanti, Rodrigo Cruz, Alexandre Barros, William Collier, Ivonete Albano, Buca Dantas, Daliana Cascudo, Civone Medeiros, Laumir Barreto, Carlos Fialho, Marcílio Amorim, Cinthya Lopes, Yuno Silva, João Hélio, Fernando Mineiro, Hugo Manso, Neiwaldo Guedes, Franklin Jorge, Conrado Carlos, Marcos Sá de Paula, Marília Sá, Chico Guedes, Véscio Lisboa, Rejane Souza, Nalva Melo e Jeane Bezerril, entre tantos outros que me anistiem pela falta de memória momentânea, além de entidades culturais, deveriam ser reverenciados, uma vez que fornecedores de alimentação da melhor qualidade para nossas vidas tornam as passagens por estas paragens mais interessantes e agregam valor de alto nível ao nosso existir terreno.
         Quando escolhemos um destino para jogar nossos corpos, se nele estiver inserido o item cultura, pode colocar no automático e relaxar quanto à segurança, certamente você vai levitar e no fim achar, que valeu a pena ter estado ali para viajar numa fina estampa de alto valor espiritual, carnal e emocional.

* É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)

sábado, 26 de julho de 2014

VIVÊNCIAS E CONVIVÊNCIAS NOS DESLOCAMENTOS TURÍSTICOS MUNDO AFORA

Por Flávio Rezende*

                Algumas religiões aceitam a crença na vida depois da morte e, aqueles seres que conseguiram apresentar uma conduta reta, adequada e que tiveram a oportunidade de servir ao próximo e desenvolver aptidões espirituais anunciadas como corretas, podem gozar neste período livre da matéria corporal, sensações muito agradáveis, além de deslocamentos inimagináveis no espaço que ora habitamos, além de observar paisagens diferentes e paradisíacas em cenários descritos em canalizações e psicografias, como também nos livros que regem as citadas religiões.
                Enquanto não chega a hora de experienciarmos estes paraísos celestes - caso tenhamos merecimento para tais estágios superiores, vamos buscando emoções por aqui mesmo e, no leque de prazeres que a existência material possibilita, está o de viajar para terras distantes e observar cenários diferentes dos habituais que fazem parte do nosso cotidiano, tendo o viajante ainda oportunidade de conhecer novas pessoas e travar conhecimento com culturas, gastronomia e linguagens que não são conhecidas.
                Neste mês de julho resolvi dividir férias em dois períodos e neles elegi quatro destinos para jogar o corpo e levar a mente vazia para que pudesse ser preenchida com novos saberes e igualmente usufruir de novas vivências e convivências, enriquecendo assim meu viver, já bastante pleno de experiências em outros cantos e recantos deste amável planeta azul.
                A primeira semana das férias foi em Brasília e Pirenópolis, com incursões candangas em locais de trânsito popular de Brasília, sem esquecer os tradicionais pontos turísticos. Nesta parte do todo relaxante o ponto forte foi à troca de amabilidades e a proximidade com uma querida irmã, a Leila, e toda sua maravilhosa família, com a energia fluindo entre todos nós no aniversário infantil da doce Inah.
                Por ser canceriano todas as relações que envolvem familiares são sempre muito agradáveis e causadoras de prazerosas sensações interiores, curtindo cada sorriso, cada gesto de acolhimento de todos, com muita gratidão e, saindo destes contatos abastecido de cestas e cestas de carinho e de lembranças da fortaleza que é uma família com irmãos e demais parentes unidos pelo amor universal.
                Em Pirenópolis pude desfrutar da agradável companhia de antigos amigos da família, como o Dr. Neri, Cristina e outra amiga, formando juntos uma turma que compartilhou por dois dias papos agradabilíssimos, que iam das coisas da política nacional aos textos sagrados e aparições da Virgem Maria. Como é boa a fluidez de conversas edificantes, a união de seres de bem, os passeios, as apresentações de novos amigos que chegam para tornar a vida mais interessante, a ida ao mercadinho, a preparação do alimento, o jogo de cartas e, finalizando, o banho de cachoeira, uma espécie de purificação daqueles pensamentos comezinhos que o cotidiano e suas mazelas ainda produzem e que inconscientemente vamos agregando, até que em contato com a pureza da natureza, conseguimos perceber e expurgar, sem necessidade de desobsessão e nem de mandingas acessórias.
                A segunda parte das férias teve como destino a cidade de São Luiz com seus casarões antigos, com desfrute de passeios pelo centro histórico, breves e interessantes contatos com os amáveis funcionários da pousada Portas da Amazônia, encontro com uma protetora de animais e seareira espírita Cláudia Franco, além de filmes e observação do modus vivendi do maranhense da capital.
                E as férias incluíram ainda uma longa viagem aos Lençóis Maranhenses, com prazerosos mergulhos nas lagoas que se formam entre as dunas, agregando vibrações inesquecíveis ao corpo e imantando na alma através dos olhos, registros de paisagens e de passeios de jardineiras, lanchas e escaladas, tudo arquivado em meu HD espiritual para futuras recordações de alegres momentos mágicos.
                Registro ainda, para finalizar, que em Barreirinhas/Lençóis, escolhi hospedagem na casa do Alexandre, adepto do conceito de “Cama, Café e Aventura”, possibilitando a convivência com sua doce família, criando carinhoso vínculo com seu filho Paulinho e travando conhecimento com outros turistas, numa escolha acertada e muito proveitosa. A lição desta hospedagem numa casa nativa foi à constatação que o melhor de uma viagem, além das paisagens e curtição das sensações corporais e gastronômicas, é o supremo prazer de conhecer seres semelhantes, dividir experiências, conhecer a biografia dos simples e referendar a feliz constatação do grande mestre Câmara Cascudo, quando disse em sublime momento de lucidez: “o melhor do Brasil é o brasileiro”.

·        *  É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)

sábado, 19 de julho de 2014

CONSIDERAÇÕES SOBRE O FIM DA CASA DO BEM E NOVOS RUMOS NO ATIVISMO SOCIAL

Por Flávio Rezende*

            Peço licença a meus leitores para tecer algumas considerações e explicar algumas decisões que andei tomando nos últimos dias.
            Já é do conhecimento público que em meados de novembro/dezembro a Casa do Bem encerrará suas atividades humanitárias e, os trabalhos sociais conquistados e executados com muito amor, devem continuar sob a égide do Conselho Comunitário de Mãe Luiza e Aparecida.
            Para chegar a este momento vamos retroceder ao tempo de minha juventude, fim dos anos 70, totalidade dos 80 e começo dos 90. Neste tempo não havia entre os jovens envolvimentos mais relevantes relacionados a ajudas ao semelhante, questão dos animais e do meio ambiente e, circulávamos entre festinhas diversas, romances, futebol e muito pouco nos relacionávamos com política.
            Apesar de tudo isso, desde cedo, gostava de ajudar as pessoas que batiam na porta lá de casa e, fazia amizades com carentes, causando até comentários e algumas pequenas complicações, já contornadas e que viraram história.
            O tempo passou, comecei a trabalhar muito jovem, me meti em diversas atividades e fui juntando dinheiro até que decidi comprar um terreno e levantar minha casa. Num episódio que por si só merece um artigo inteiro, decidi comprar este terreno em Mãe Luiza, causando espanto na família e entre amigos.
            Apesar de tudo levantei o lar e morando lá comecei a caminhar pela comunidade, conhecendo pessoas e seus problemas e, fui ajudando uma família aqui, melhorando um banheiro ali, levando para hospitais pois não tinha Samu, para ter filhos, até que depois de muitas ajudas pontuais, comecei a ajudar projetos já existentes e, em minha própria casa, fiz uma escola de balé, a piscina era coletiva, fundamos uma escolinha de futebol e as coisas foram aumentando, aumentando e, quando percebi, minha casa era a própria Casa do Bem de tantas coisas que já aconteciam lá.
            Aconselhado pelo amigo Paulo Campos decidi comprar uma casa e deslocar para a mesma todo o movimento que já ocorria naturalmente na minha, onde chegava a receber diariamente mais de 20 pessoas com problemas pessoais, de emprego, saúde e onde buscava com meus próprios recursos e conhecimentos, minorar aflições e conseguir colocações no mercado de trabalho, entre diversas outras ações do bem.
            Diante da necessidade de ter um novo espaço, fui igualmente aconselhado a abrir uma ONG para receber recursos para a compra desta casa. Assim foi fundada em agosto de 2005 a Casa do Bem. A luta para comprar a casa foi radicalmente mudada quando o empresário Ricardo Barros doou um terreno, vizinho onde morava e, através da Lei Câmara Cascudo, obtive apoio da Petrobras e da Cosern e construímos a sede própria da Casa do Bem, inaugurada em julho de 2010.
            De lá para cá os voluntários foram chegando e as ações acontecendo, nunca havendo interrupção e a Casa do Bem funcionando, prestando relevantes serviços, contando para seu funcionamento com depósitos financeiros de pessoas físicas e de empresas, mas sempre com somatório apertado para as reais necessidades que se apresentavam a cada dia.
            A dificuldade foi amenizada com assinatura de um convênio na administração de Micarla de Sousa, que possibilitava o pagamento de despesas básicas, livrando um pouco a conta principal do total dos gastos.
            O convênio foi renovado através de Carlos Eduardo, mas, ano passado, uma greve no órgão que analisa as prestações de contas do município atrasou tudo no meio do ano e a Casa do Bem e outras entidades ficaram sem o benefício do convênio o resto do ano.
            Depois de reuniões onde as decisões do setor jurídico iam mudando, decidimos esquecer 2013 e renovar para 2014, mas, infelizmente, chegamos em julho e o convênio não foi assinado.
            Sem o convênio a Casa do Bem foi entrando na conta normal e a fragilizando ao ponto de ter que realizar, praticamente todos os dias, campanhas através das mídias sociais e de outras formas, não obtendo êxito, com poucas pessoas depositando algo e na maioria das vezes, depósitos apenas naquele momento em que demonstrava desespero pela situação.
            Esse apertado existir financeiro, aliado as muitas decisões que tenho que tomar diariamente, relatórios a preencher de conselhos diversos, pegar pessoalmente doações em lugares distantes, enfim, muitas e muitas atividades, solicitações diversas de mil coisas para os projetos, literalmente me fragilizaram e me levaram a decisão de extinguir a Casa do Bem e continuar meu trabalho social sem o peso de dirigir uma ONG com tantas necessidades e apoio financeiro insuficiente.
            Não critico ninguém pelo ocorrido, podia ter tido a competência de tornar a Casa do Bem viável através de editais e outros convênios, mas confesso que tentei de tudo que se possa imaginar, mas não aconteceu comigo. O Cidadão Nota 10, antes uma esperança das ONGs praticamente não funciona, os convênios são difíceis de conseguir e de operar, uma vez que a legislação trata igualmente coisas de centavos e de bilhões e os editais nunca conseguimos material humano para nos inscrever a tempo em suas nuances burocráticas.
Só as pessoas próximas sabem o tempo que dediquei a muitas coisas, o dinheiro próprio que gastei no início e durante todo este tempo, atendendo com recursos meus inúmeros pedidos que a Casa do Bem não deveria se meter, além de ter que aguentar com resignação confissões de amigos dizendo que algumas pessoas acham que desviava recursos para viajar, como se eu não tivesse condições de fazer tudo que faço com meus próprios rendimentos, posto que sou funcionário de nível superior da UFRN, concursado, com especialização em Ciências da Religião e mestrado em  andamento em Estudos da Mídia, com passagens por televisões, jornais, incursões no comércio e na construção civil, com vários apartamentos populares construídos, torre de telefonia num terreno meu, enfim ganho mais que deputados, vereadores, só não consigo ter o padrão de vida que muitos tem e nem apresentar na declaração anual do Imposto do Renda os bens que os mesmos usufruem e a incrível e ascendente curva patrimonial.
Apesar de me considerar muito bem sucedido financeiramente meu carro é um Sandero, o de minha esposa um Clio, moro num apto de 52 metros quadrados e minha esposa numa casa herdada da mãe. Nossos filhos estudam em colégios simples, um inclusive com bolsa e, quando viajamos, buscamos sempre os pacotes ofertados pelos sites de busca e nos hospedamos na casa de amigos e parentes ou em hotéis de classificação mediana.  
Encerro então um ciclo de ativismo social como dirigente de ONG de maneira honesta, com toda a contabilidade da Casa do Bem exposta no link – prestação de contas, no site www.casadobem.org.br, acreditando ter feito um monte de bondades, nunca pedindo um voto sequer a seu ninguém, não colocando o fator religioso na ordem do dia e nem permitindo remuneração para nenhum dirigente da entidade.
Os trabalhos sociais vão continuar com o Conselho Comunitário, estarei por perto ajudando, devo permanecer junto com amigos com a Escolinha de Futebol que permanecerá com o nome Casa do Bem, mas sem o peso de uma entidade devidamente regularizada, vou levar a escolinha como antes, informalmente.
Todos que ajudam a Casa do Bem podem continuar até dezembro e caso desejem, repassarei contatos e conta do Conselho Comunitário para continuidade dos projetos desenvolvidos, quanto a escolinha vou buscar apoios para tocar o barco com 250 jovens em várias categorias.
Gratidão aos que estão ajudando e aos que elogiam e dizem coisas bonitas. Gratidão principalmente aos valorosos e queridos voluntários que tornaram tudo possível e que devem continuar fazendo o bem sem olhar a quem. Sem eles nada seria possível e fui apenas o mentor e o buscador de apoios, eles é que dão as aulas, cuidam do cotidiano e suam de maneira heroica e verdadeira.
 Quaisquer dúvidas passem e-mail para escritorflaviorezende@gmail.com, meu envolvimento com o ativismo social apenas chega a uma nova fase, continuo com boa vontade para ajudar, só adequarei o fardo a minha capacidade de suportar o peso, vamos que vamos, luz e paz.

·         É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)

sábado, 21 de junho de 2014

MOBILIDADE DE SENTIMENTOS NOS ACONTECIMENTOS COTIDIANOS

Por Flávio Rezende*

         Quem acompanha minha trajetória de escritor, lendo alguns dos meus livros e “escritos” produzidos constantemente, pode perceber claramente o meu crescente amor pela vida, com êxtase sempre presente em diversas ocorrências comuns ao cotidiano de muitos seres.
         Além do eterno casamento com a natureza e suas fantásticas plantas, montanhas, rios e lagos, temos satisfação em contemplar os animais e os seres humanos em suas atividades, ficando feliz em ver o tempo passar e a existência se manifestar, mesmo com suas diferenças e pluralidades, o que pode ser motivo de reflexões e de atitudes, mas são realidades sempre presentes que não me cabe aqui filosofar.
         E neste fluir existencial os sentimentos vão se alternando, com mobilidade ininterrupta, posto que expostos a variadas nuances, seguem navegando entre alegrias e tristezas, sempre de acordo com o enredo apresentado no aqui e no agora.
         Atualmente o Facebook tem servido como fórum de discussões políticas – o que considero saudável e interessante, proporcionando a exposição de posições e de opiniões, com o clima variando do educado para o exacerbado, promovendo consequente fluidez de sentimentos, que igualmente migram do feliz para o preocupante, passando pelo neutro e até o chateado.
         O problema da questão política hoje é que os argumentos são sempre os mesmos para ambos os lados e, venho percebendo que as posições já estão cristalizadas, havendo raríssima possibilidade de mobilidade, o que torna o clima às vezes pesado, agressivo, e o papo começa a ficar chato e até perigoso.
         Perigoso no sentido de amizades que vão sendo desfeitas, atitudes tomadas em decorrência dos posicionamentos como negativas de apoios culturais e sociais, xingamentos e até brigas físicas.
         O sentimento antes prazeroso em torno da questão política migra lentamente e tende a piorar para o campo das batalhas verbais e posições radicais, elevando a temperatura e entristecendo no lugar de alegrar.
         Então começo a arrefecer e a ter preguiça de argumentar e debater, ao mesmo tempo em que observo minha pequena filha, de apenas quatro anos, brincando com sua cadelinha chamada de Chica Linda Donzela, visão esta que alquimicamente transmuta meu sentimento entristecido com o acirrado debate político, fazendo-o migrar rapidamente para a seara do carinho, o campo do amor, o espaço da beatitude.
         Se numa espécie de mágica pudéssemos transpor o puro amor que sentimos por nossos filhos, para todos os campos da vida, estaríamos nos aproximando celeremente para o que chamam por ai de paraíso, posto que esse genuíno sentimento que temos por nossas crias, carrega em seu DNA, a pureza dos mestres e a postura dos deuses, encerrando em sua essência, a magnificência da existência.

É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)

sábado, 14 de junho de 2014

O QUE É EXEMPLO E O QUE É ENROLAMENTO















Por Flávio Rezende*

            Os seres que cultivam os valores humanos tais como fraternidade, tolerância, amizade, pureza, generosidade, paz, serviço voluntário e os demais que já sabemos, ficam encantados com lindas fotos, vídeos enobrecedores, frases edificantes e buscam ajudar ou fazer parte de ações humanitárias, pois, sentem prazer e júbilo no envolvimento com as coisas do bem.
         Esses seres, que existem espalhados pelo planeta, gostam dos arquitetos que trabalham unindo conhecimento técnico com projeção de suas obras impregnadas de respeito à natureza e formas que elevem o pensar e a boa mobilidade de todos. Esses seres curtem quando todos os profissionais liberais executam seus ofícios levando em conta todas as nuances positivas e ofertam serviços diversos com o tempero do amor e o açúcar do humanismo.
         Os seres de bons hábitos e pensamentos altruístas vibram quando pessoas decidem direcionar suas existências para o universo político, pois acreditam que a difícil decisão, precisa necessariamente agregar valores missionários, uma vez que esse rumo constrói ou destrói vários outros caminhos, daí ser fundamental que a política seja o espaço de almas boas e verdadeiramente servidoras do bem-estar coletivo.
         Quando esses seres observam os movimentos de um semelhante chamado Mujica, que habita ao sul do continente, entram em êxtase com sua simplicidade, com a dispensa de aparatos exagerados de segurança, de transporte e de moradia, que apesar de ocupar o mais alto cargo de seu País, o Uruguai, vive da mesma maneira que antes, não perdendo nenhuma oportunidade de estar com as pessoas, ouvindo, abraçando, sorrindo, como um cidadão qualquer, vestindo as mesmas roupas de sempre e buscando a todo custo melhorar a vida do coletivo.
         Seres da seara política como Mujica, Gandhi, Luther King, Mandela, Lincoln e tantos outros, elevam a alegria planetária dos seres de bem, que nutrem nestes exemplos suas vidas, buscando amparo em suas posições, falas e posturas, tornando o planeta mais lúcido e a história mais bela.
         Aqui no Brasil, os seres do bem ficaram todos animados quando tempos atrás surgiu uma estrela no céu da política nacional, anunciando uma constelação de novas maneiras de agir e um modus operandi ético e cheio de esperanças para um novo cenário.
         O tempo passou, importantes e salutares políticas públicas foram implementadas, o céu estava em constante êxtase até que as nuvens negras começaram a surgir encobrindo o límpido e apreciado azul celeste.
         No começo os seres acreditavam que aquele extraordinário líder não sabia de nada, ouviam suas desculpas e promessas de afastamento das nuvens negras, mas, infelizmente, a tempestade foi aumentando, novos temporais surgindo de todos os lados, enchentes, todo tipo de precipitação apareceu e, o líder, encharcado, começou a vacilar, uma conversa aqui, outra diferente ali, até que a nação, vítima do dilúvio, entendeu que o meteorologista sabia sim de tudo, mas não podia informar e nem medidas tomar para estancar as águas, pelo simples fato de estar todo molhado, impossível fazer algo, era parte do temporal e só lhe restava bazofiar.
         Hoje os seres de bem lamentam a perda de um Mujica verde e amarelo. O que se apresentou como um possível líder do bem, não anda mais como antes, perdeu a humildade no caminho, prefere a companhia dos companheiros filósofos do esquerdismo ineficiente, buscando inspiração em mumificados sistemas falidos e em decomposição, do que a companhia do povo, do qual se aproxima apenas para pedir, justo o povo que tanto lhe deu.
         Hoje o que poderia ser o nosso Mujica distribui frases desconexas e compartilha alegorias vazias para parte de uma plateia eletrizada e anestesiada, virou um ilusionista, ainda prometendo requentados paraísos, que teve oportunidade de criar, mas cedeu a tentação de dominar a tudo e a todos e governar sob o signo da subordinação e da coação.
         Mujica é um homem do povo e dá sem querer nada em troca, nem para si e nem para os seus, pois não os tem. Não se apossa dos seres, serve-os com dignidade e humildade crescentes.  O nosso arremedo de líder perdeu todas as características de suas origens, no vestuário, na aparência, nos hábitos, sendo hoje um traidor da esposa e da pátria, a mãe maior, posto que cheio de conversa fiada, não faz um “mea culpa” corajoso e assume que junto com seu stablishment, equivocadamente projetou tomar posse do Brasil, no lugar de governá-lo com os valores que alguns acreditam que já teve um dia.
         Agora é tarde. A esposa ainda aguenta a farsa da fidelidade, mas a pátria, acordada, brada aos quatro cantos: queremos o prometido e não concordamos que práticas condenáveis ontem e sempre, sejam ainda utilizadas sob o manto da mentira, deixando os seres de bem decepcionados e os demais sem o mínimo que um bom gestor deve ofertar: segurança, saúde e transporte de boa qualidade.
         Dinheiro tem e muito, mas o líder se faz de doido e o povo já atento pode sentenciar que doido também apanha (nas urnas).

·         É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)

sábado, 31 de maio de 2014

TENTAÇÕES E TENTATIVAS, NEGATIVAS E RENDIÇÕES. O PREÇO E O APREÇO DE CADA UM















Por Flávio Rezende*

         Confesso a vocês que me leem que uma mulher bem gostosa e sensual nunca me chamou para um escondidinho e me tentou com poderosa sedução e exibição nua e crua do seu escultural corpo desnudo. As pequenas tentativas que passaram por minha vida, enquanto homem casado em qualquer tempo, foram facilmente escanteadas e passei incólume até agora por este terreno.
         Digo aqui publicamente que nunca chegaram a oferecer grana alta ou comissão em elevada porcentagem, para que desviasse dinheiro da entidade que dirijo ou de alguns lugares que trabalhei em cargo de comando. As raras ofertas eram pinto e não tive nenhuma dificuldade em dar as costas e negar.
         Escrevi os parágrafos acima para afirmar que é fácil tirar onda de santo quando as propostas são ínfimas e desprezíveis. Quero ver o camarada segurar a onda com o universo da corrupção quando a proposta chega no nível do oferecido ao deputado André Vargas: de fazer a independência financeira para o resto da vida.
Quero ver também o cabra recusar uma proposta de traição sexual tendo diante de si uma “potranca” daquelas. Ai sim, o cara foi tentado por uma maça de alto poder sedutório.
Para que possamos ir recusando inicialmente as pequenas tentações e em seguida as grandes de cooptação, em todos os níveis da vida, precisamos ao longo de toda caminhada ir formatando uma personalidade calcada na ética, precisando contar para isso com ferramentas como os pais, as escolas, as religiões, todos trabalhando em sintonia, para que a educação, a informação e os bons dogmas, consolidem dentro dos seres um edifício sólido de correção e bons costumes.
Hoje estava pensando no presidente uruguaio Mujica. O cara veio de baixo, chegou ao maior cargo do seu país, continua com a mesma simplicidade e não vejo relato de que tenha se corrompido em nenhuma área.
Em várias partes do planeta, pessoas chegam a altos cargos governamentais, passam a ter acesso a um mundo de convites para tudo, sempre com lustres vitorianos, camarões empanados, bebidas mundiais, mulheres que chegam de avião para farras privadas, ai não tarda para que os lobistas encostem com propostas diversas, sempre bilionárias e, aquele sujeito fraco, sem personalidade firme e nem valores morais, religiosos ou vergonha na cara mesmo, se entrega facilmente ao sexo ilícito, farras, aceita propostas e vira uma escória, trabalhando unicamente para a satisfação dos seus sentidos e burilando oratória mentirosa, como manto para sua vida corrupta e indecente.
Em todos os países assistimos desde sempre o desfile de pessoas verdadeiramente malignas, corrompidas, desprovidas de humanidade, nos enganando, matando milhões com políticas trabalhadas nos bastidores para privilegiar grupos e, o pior, muitos que tinham um começo de pureza, batalha, com todos os indícios que seriam pessoas com intenções do bem, cooptados pelo capital, entregues a prazeres mundanos e trabalhando unicamente para a implantação da eternização dos seus nestes podres poderes oficiais.
Não redijo o presente escrito apontando o dedo para ninguém em especial, mas rogo as divindades que nos auxiliam nesta expiatória e difícil travessia terrena, para que consigamos visualizar ou intuir quem são as bestas feras que rondam nossos pastos, para que possamos minimizar seus atos predatórios e, com muito esforço, fazer valer a ética que move os bons, a da igualdade, da liberdade e da fraternidade.
Orai e vigiai alertou Jesus e tantos outros que por aqui estiveram em corajosa missão de fazer valer o Sanatana Dharma, a eterna verdade universal.

·        É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)

sábado, 17 de maio de 2014

O ENORME PODER DOS RICOS E FAMOSOS















Por Flávio Rezende*

       
Peguei a revista Veja e entre outras coisas li as páginas amarelas com a senhora Zilu, agora ex do famoso cantor Zezé.
        Num dos trechos a Zilu afirma que nos últimos anos não teve nenhuma relação e que estava apostando tudo na volta com o cantor. Disse ainda que para conseguir manter o casamento, fez o possível e o impossível.
        Ai como nossa mente é macaca, pula de um galho para outro atrás conexões e buscando sentido para as coisas, lembrei que ela foi super exposta na mídia, tempos atrás, com uma foto jantando com um cara e, todas as matérias insinuando que aquilo podia ser uma amizade colorida.
        Como ela na verdade continuava casada com o Zezé, mesmo que de fachada e tentava a todo custo reviver os bons momentos da relação, aquela foto certamente foi plantada por ela mesma e sua equipe de marketing, com a clara intenção de tentar balançar o coração do sertanejo no reavivamento do amor fugido.
        Essa conexão me levou a outra, de como os ricos e poderosos conseguem coisas incríveis. Lembro que até no Fantástico isso saiu, provando que uma pessoa rica e poderosa no sentido do que o capital e a fama podem fazer, removem montanhas e satisfazem seus desejos de maneira até fácil, digamos assim.
        Neste mundo dos ricos e poderosos ficamos sabendo da obtenção de ingressos para os eventos mais fechados do mundo, para a compra de carnes raríssimas e aquisição de regalias em aviões governamentais, palácios reais, embaixadas internacionais e aparições midiáticas nos veículos de comunicação mais cobiçados da Terra.
        Esses caprichos dos ricos e poderosos estão em todas as áreas e setores. São políticos, empresários, artistas, jogadores de futebol e dondocas que usam e abusam da mídia com suas questões pessoais e anseios de crescimento ininterrupto, plantando notícias, mesmo que falsas, buscando facilidades no cotidiano, furando filas, entrando em diversos ambientes por portas especiais, utilizando hospitais de ponta com dinheiro público e comprando, me permitam a expressão popular: Deus e o mundo com dinheiro ou com influência.
        Na questão da mídia, por exemplo, ela é utilizada de forma indevida diariamente, seja pela manipulação da informação por grupos ideológicos, seja por notinhas em colunas sociais destacando pessoas em áreas profissionais para que elas possam atingir um determinado cargo ou ascender profissionalmente, enfim, as universidades hoje, entre elas a nossa UFRN, oferecem até mestrado para o estudo da mídia.
        Diante de tantas armadilhas, plantações e falsas verdades expostas por ai, para todos os gostos, ideologias e interesses, além do processo natural de alfabetização que passamos, precisamos no mundo atual de dois novos saberes, o de informática e suas nuances e o de entendimento da mídia, pois, se não formos alfabetizados nestas coisas, corremos o risco de sermos bem mais ludibriados, do que naturalmente já somos.

É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)

sábado, 10 de maio de 2014

PARECE SER MAIS PRUDENTE CALAR O BICO. OU NÃO?















Por Flávio Rezende*

         Hoje (dia 1º de maio) é feriado no Brasil e estou curtindo preguiça em família, com a pequena Mel aperreando a mais nova componente da casa, uma cadelinha chamada Chica Linda Donzela, enquanto Gabriel festeja a formatura da mãe.
         Nesta preguiça ociosa ou até criativa, tenho um tempinho para ler umas coisas e outras do mundo virtual. Um dos textos foi de um crítico de TV, baixando o pau no programa de Regina Casé, dizendo que o mesmo é racista, pois só mostra negros e pardos e que eles só aparecem de maneira estereotipada e que essa exposição leva o telespectador da periferia a achar legal usar shortinhos curtos, óculos espelhados, entre outros babados citados.  
         Se tiver tempo volto para ver os comentários no futuro e certamente, muitos vão defender o programa, dizendo que é dos poucos espaços para estes seres que gostam destas coisas e que a periferia nunca tem vez e que quando tem, aparece alguém para achar ruim e coisa e tal.
         O que quero dizer neste meu “escrito” é que todos que se expõem na mídia em geral, emitindo opinião, correm o risco de contestação e até de linchamento moral, sendo este fato absolutamente aceitável, só tirando alguns excessos cometidos por radicais de áreas religiosas, políticas, futebolísticas, raciais, educacionais, enfim, de quase todos os setores da sociedade.
         Diante do intenso e generalizado patrulhamento ideológico e das reações muito agressivas de ambos os lados em todos os ângulos das discussões atuais, confesso que às vezes dá vontade de não escrever mais assuntos polêmicos e nem ficar postando minhas opiniões nas mídias sociais.
         Ao mesmo tempo em que é prazeroso o diálogo fraterno e o confronto sadio dos argumentos, às vezes é cansativo, pois quase ninguém muda de posição ou aceita um milímetro do pensamento alheio, tornando os fóruns mais ringues que escolas.
         Lembro ainda o fato de que a verdade não é absoluta, ela é relativa e camaleônica, pois se não temos certeza de quase nada e no decorrer de nossa existência terrena muitas coisas mudaram em todas as áreas, quem arrisca seguir a risca, o que seja?
         Encerro reproduzindo uma mensagem do educador e mestre espiritual indiano Sathya Sai Baba, que diz: “Não entrem em discussões e disputas; aquele que clama em voz alta não compreendeu a verdade, acreditem! O silêncio é a única linguagem do realizado. Pratiquem moderação no discurso; isso os ajudará de muitas maneiras. Isso desenvolverá Prema (amor), pois a maioria dos mal-entendidos e facções surge de palavras faladas descuidadamente. Quando o pé escorrega, a ferida pode ser curada; mas quando a língua escorrega, a ferida provocada no coração do outro se inflamará por toda vida. A língua é susceptível a quatro grandes erros: proferir falsidade, escandalizar, encontrar defeitos nos outros e conversa excessiva. Estes devem ser evitados para se haver paz para o indivíduo e a sociedade. O vínculo de fraternidade será mais estreito se as pessoas falarem menos e docemente. É por isso que o silêncio (Mounam) foi prescrito pelas escrituras como um voto aos aspirantes espirituais. Como aspirantes espirituais em vários estágios de estrada, esta disciplina lhes será muito valiosa.”
         Diante de algumas reações muito ásperas e de alguns problemas pessoais que estou tendo por expor posições políticas, principalmente no campo da obtenção de apoios que antes tinha para coisas que tento continuar fazendo, começo a refletir sobre a importância do silêncio, mas ao mesmo tempo não suporto o teclado parado, a tela vazia, o texto morto, por isso serei dúbio, às vezes me expressarei, às vezes me calarei, seguindo
William James, "o exercício do silêncio é tão importante quanto à prática da palavra", afinal Sêneca já dizia, “ do homem eminente podemos aprender, mesmo quando se mantém em silêncio. "

·        * É escritor, jornalista e ativista social em Natal /RN (escritorflaviorezende@gmail.com)

sábado, 3 de maio de 2014

O MUNDO DOS PARENTES E SUAS MARAVILHOSAS INTERAÇÕES















Por Flávio Rezende*

         Na história ainda em construção neste belo planeta batizado de Terra, já tivemos diversos momentos em que as famílias passam por situações diversas, tendo o tempo, por exemplo, em que os pais optavam por ter vários filhos, criando assim, uma enorme rede de parentes, com tios, avós, primos e irmãos, ofertando assim a possibilidade de muitas interações para todos.
         Hoje as famílias são menores, talvez pelo fato do planeta ter chegado a certo ponto de saturação, tornando a disponibilização de matéria prima mais complicada e, o fator econômico, que inibe a expansão familiar.
         Alguns estudiosos do assunto citam ainda a inserção das mulheres em novos ambientes, tirando-as da obrigação, quase religiosa, de apenas cuidar da prole, ocasionando com isso menos disposição para a maternidade e mais foco na busca da satisfação pessoal no mercado de trabalho e em atividades como política e gestão.
         Sou fruto de uma época - os anos 60, onde os pais tinham em média 5 a 6 filhos e eles também descendem de pais com uma média até superior. Para minha satisfação e alegria, isso me presenteou com uma enorme parentada, pois lembro de uma infância completamente ligada a vários deles, com reminiscências muito legais de férias, diversões e visitas, permeadas de uma energia toda especial e muito boa de se recordar.
         As famílias e suas grandezas numerais possibilitavam mudanças em decorrência de casamentos e de novos empregos, levando alguns para outras cidades. Para minha felicidade pessoal, parte da família de minha mãe foi para Salvador, lugar que passei a frequentar nas férias de fim de ano, com lembranças dos trios elétricos, das mortalhas usadas nos carnavais e da busca por velas e perfumes na ressaca das oferendas para Iemanjá nas águas da Penha, na Ribeira baiana.
         E a ida da família de tia Altiva para Salvador fez com que a prima Nadja ficasse em Natal para continuar seus estudos, tendo esse fato nos dado uma nova irmã, muito querida, estudiosa, fato esse que deve ter ocorrido em muitas famílias, com filhos sendo adotados por motivos diversos, proporcionando novas formas de relação neste fantástico e maravilhoso mundo das famílias afins.
         E as recordações seguem em direção aos grandes aglomerados para almoços fraternos, as viagens, aniversários, afinidades, tendo eu sido muito próximo dos primos Francisco Eduardo e Lula Barreto, que navegam junto comigo pelo mar das 52 primaveras. Juntos curtimos muito aquele período onde todos se relacionavam muito bem e onde o sorriso brotava fácil e todos os parentes vibravam numa harmoniosa e positiva relação.
         Hoje as famílias são menores, nossos filhos cumprem a pena da prisão domiciliar e vivem anestesiados em suas telinhas mágicas, mantendo contato com os demais parentes via WhatsApp, Instagram ou Facebook e, se encontrando sim, vez por outra, para conversar sobre as postagens mais curtidas e os vídeos mais comentados.
O que é certo é que brincando de carrinho de rolimã ou navegando nas redes sociais, com muitos ou poucos primos e tios, todos estamos intimamente ligados aos parentes, que são os seres mais próximos, aqueles que podemos pedir socorro com mais segurança e, que em última análise, são sangue do mesmo sangue e que por serem partes do que chamamos de família, a princípio são queridos e amados, como de resto deve ser todos os demais seres, pois se amplificarmos a tradução de família, podemos chegar sem medo de errar, ao coletivo humano, posto que feitos a imagem e semelhança do Criador, somos todos filhos de um mesmo pai, portanto: parentes.
Daí vem a sábia recomendação do amai-vos uns aos outros, afinal somos todos: UM.
       
·         * É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)

sábado, 26 de abril de 2014

A DOR E A DELÍCIA DE SER ESCRITOR














Por Flávio Rezende*

        O ser humano tem tendência ao 0800 negativo, reclamando de certas coisas e deixando de aproveitar muitas e muitas possibilidades que o planeta oferta para alegria individual e coletiva.
        Além da família, caridade, caminhar, amar, mar, viajar, ler, futebol, cinema e pizza, adoro de paixão escrever e, quando passo um tempo sem poder exercitar esta atividade, fico como se algo estivesse faltando em meu ser.
        Este prazer ocorre quando estamos produzindo algum “escrito”, como o que ocorre neste exato momento e, depois, quando compartilhamos o texto com o possível público leitor, seja através do envio por e-mails, pelo Facebook ou via publicação em jornais e sites diversos.
        O prazer neste momento ocorre principalmente quando o texto produzido, encontra do lado de lá, ai onde você se encontra, uma serventia, produz uma satisfação ou provoca uma positiva reação, ao ponto, muitas vezes, do leitor interagir com o escritor, respondendo, questionando, elogiando e até discordando, claro.
        Ao longo de minha trajetória de escritor, principalmente no que diz respeito aos artigos, vou percebendo as reações e tirando algumas bobas e óbvias conclusões, que revelam a vida como ela é.
        Quando escrevo sobre meu deslumbramento com a natureza, das caminhadas, da fusão entre meu eu interior e o universo, do amor pela família, pelos filhos e por servir a sociedade através da Casa do Bem, surgem muitos e-mails maravilhosos, de leitores muito felizes por estar compartilhando sentimentos tão queridos. Este momento é o de êxtase do escritor, a delícia sem igual.
        Já os textos mais políticos ou com algum teor espiritualista, ao mesmo tempo que geram posições assemelhadas dos que me leem, proporcionam também uma certa ira dos que pensam diferente, com pedidos para que não envie mais os “escritos” e, alguns, muito brabos, discordando e escrevendo coisas impublicáveis.
        A dedução que faço é simples: muitas pessoas não gostam de confrontar suas posições. Não querem de maneira nenhuma observar, analisar e nem ouvir falar de algo diferente daquilo que acreditam. Neste momento, o escritor sente dor, posto que não escreve para ofender e sente a intolerância se apossando de alguns, cegando e eliminando a possibilidade do contraditório produzir reflexão ou, no mínimo, informação a mais.
        No meu último escrito uma senhora, diante da proposta que fiz de pôr fim aos partidos políticos em decorrência do comportamento errático dos mesmos hoje no Brasil, mandou um e-mail pedindo apartheid de minha produção e, dizendo, sem meias palavras, que tinha ódio do meu ser.    
        E assim vou, entre dores e delícias, fazendo o que gosto muito, escrever, que dividindo espaço com o amor por tudo e por todos, a prática da caridade e o usufruto das maravilhas que o planeta azul me oferta, somam o sentido de minha atual encarnação e nesta missão que está em curso, espero estar fazendo algo de útil para alguns e produzido de sentido, para outros.
     

·         * É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)

sábado, 19 de abril de 2014

PROPONHO O FIM DOS PARTIDOS POLÍTICOS














Por Flávio Rezende*

            A história do homo sapiens por este lindo planeta azul soma cerca de 200 mil anos para os considerados anatomicamente modernos. Neste significativo período de tempo fomos inventando bilhões de coisas para que nossa existência seja mais confortável, ética e alegre.
         No campo dos arranjos coletivos, inventamos a representatividade, para que enquanto alguns coletem alimentos, organizem tarefas e manufaturem produtos, outros cuidem de leis e de normas para que possamos ter as coisas em ordem e as obras feitas dentro de regras que achamos corretas.
Dentro deste sistema todo, decidimos em algum momento criar os partidos políticos, que segundo texto consolidado no Wikipédia, está assim anunciado: “na Grécia e Roma antigas, dava-se o nome de partido a um grupo de seguidores de uma ideia, doutrina ou pessoa, mas foi só na Inglaterra, no século XVIII, que se criaram pela primeira vez, instituições de direito privado, com o objetivo de congregar partidários de uma ideia política: o partido Whig e o partido Tory. De fato, a ideia de organizar e dividir os políticos em partidos se alastrou muito, no mundo todo, a partir da segunda metade do século XVIII, e, sobretudo, depois da revolução francesa e da independência dos Estados Unidos. Até porque, a partir daí, a própria percepção da natureza da comunidade política se transforma dramaticamente.”
A boa ideia serviu no passado e sobrevive até hoje em praticamente todos os cantos e recantos do planeta, o problema é que a divisão ideológica da sociedade chegou a um ponto de mutação tão acentuado, que hoje já não se sabe de fato quem é de direita, de esquerda e de centro, inviabilizando a divisão por ideias dos representantes da coletividade.
No Brasil, de hoje, por exemplo, os antigos esquerdistas mais parecem aguerridos liberais, os direitistas incorporam discursos a esquerda, parecendo que buscam mais alinhamento com o poder, ficando suas supostas ideologias a reboque de interesses pessoais, tornando inócuos seus posicionamentos partidários, visto que escancaradamente, não se identifica verdadeiramente pureza nestes ajuntamentos de políticos vagando a esmo pelas diversas siglas.
Diante da constatação da falência das ideologias, proponho o fim dos partidos políticos. Qualquer pessoa, preenchendo os requisitos eleitorais, poderia se candidatar e os vencedores seriam pela ordem natural dos votos obtidos. A exposição nas mídias seria de todos, se temos uma hora, dividia pelo número de candidatos, que apareceriam individualmente falando sobre seus planos de ação.
Nas casas legislativas não seria preciso votar em bloco partidário. Os dirigentes das casas seriam escolhidos em eleição direta dos membros, os votos seguiriam normais, acabando com estes votos de líderes e as obstruções que os partidos promovem, tornando o rito mais ágil e o perfil geral da casa mais verdadeiro.
Partidos estão servindo para emparedar governantes com chantagens e para a busca febril de cargos para a indicação de negociantes que uma vez instalados em ministérios, órgãos de regulação e estatais, cuidam de obter fundos para a permanência eterna dos partidos apadrinhados no poder e a distribuição de “sobras” que tornam os recém eleitos em milionários em menos de um mandato, viciando os sujeitos e emporcalhando a nação que já carente de recursos, vê sua riqueza ser compartilhada com uns poucos em detrimento dos muitos que realmente necessitam.
Hoje percebemos que os partidos políticos se transformaram em cabides de emprego, balcão de negócios, organizações criminosas e ajuntamento de ensandecidos seres totalmente cegos pelo capital. Claro que não podemos generalizar e que existem partidos e seres do bem, ainda comprometidos com causas boas: amém!
O problema é que a santidade inicial parece só sobreviver na oposição, longe dos louros do poder e da força da grana que ergue e constrói obras belas para usufruto das comissões. Temos percebido que ao beber da fonte governamental, os santos viram pecadores e parece não escapar quase ninguém neste inferno dantesco consumidor de idealistas e de sonhadores.
Por essas e outras que proponho o fim dos partidos aqui no Brasil. Conversando por ai ouço todo mundo dizendo que vai votar em pessoas, muitos não acreditam mais em partidos, que servem a conveniências pessoais e são portais para a corrupção e a obtenção de vantagens pessoais.
Isso é loucura? Não acho. É perfeitamente viável. Loucura é continuar abastecendo esses partidos gulosos com verbas, para que continuem sugando nossa riqueza para usufruto com potentes carros, viagens em jatinhos, compra de votos nas campanhas eleitorais e o preenchimento de cargos como o de presidentes, secretários e um monte de galhos que só recebem jabutis para trabalhar não pelo Brasil e sim pela manutenção de suas próprias estruturas, alienígenas aos interesses nacionais e totalmente desnecessárias.
Acabar com os partidos resolve alguma coisa? Não sei, mas como está a coisa só tende a piorar.

É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)