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sexta-feira, 9 de junho de 2017

CORPOS


(Pedro Du Bois, inédito)





Corpos ajuntados

imãs sobrepostos

único movimento



pensamento além do contato

no sexo longo amoldado

em corpos trançados



longe espíritos se reencontram

no final do ato onde nos sorrimos

em rostos descansados.

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BODIES
(Pedro Du Bois, unpublished)
(Marina Du Bois, English version)

Bodies assembled
overlapping magnets
single movement

thought beyond contact
in long sex molded
in braided bodies

far spirits meet again
at the end of the act when we smile
on fresh faces.

outros poemas:
https://plus.google.com/u/0/108438516741639533660

sábado, 3 de junho de 2017

CONCRETO


(Pedro Du Bois, inédito)



Onde desperto

concreta base

inutiliza a vista

do que avisto



paredes

vidros

janelas



concretada paisagem

em altos prédios

onde escondemos

os corpos



fosse ruim a terra bruta

conservada no frescor

do tempo em contato



concretizados

nos recolhemos

em janelas fechadas.

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CONCRETE
(Pedro Du Bois, unpublished)
(Marina Du Bois, English version)

Where I wake up
a concrete base
disables the view
of my sight

walls
glasses
windows

concreted landscape
in high buildings
where we hide
the bodies

as if it was bad a gross land
preserved in the freshness
of the time in contact

concretized
we gather
in closed windows.

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outros poemas, em:
https://plus.google.com/u/0/108438516741639533660
http://pedrodubois.blogspot.com.br/

quarta-feira, 16 de março de 2016

IGUAIS

IGUAIS

O pouco multiplicado: marca permanente
do parentesco perdido no tempo: esquecido.

Morte disponibilizada em alternativas:
guerra fragmentando o corpo
conduzido ao desconhecido.

O pouco maltratado na demonstração
atávica da igualdade.

Pedro Du Bois,



EQUAL

The multiplied little: the everlasting trait
of a time lost kinship: forgotten.

Death available in alternatives:
war disintegrating the body
leading to unknown.

The mistreated little in demonstration
equality's atavistic.

 (Pedro Du Bois, inédito)

  (Marina Du Bois, versão)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

VISTAS


A estrada
   automóveis
   caminhões

morro recortado

no barulho da obra a nova
casa desconstruída no que contém
da paisagem

(Revisito os passos do homem
 na caminhada: não habitualidade).

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

VIVER

Acordado.
Assustado.
Condenado: o barulho
                     nos aparelhos
                             (a eletricidade
                              é fonte: enérgica
                              mão sobre o rosto).

Revejo o instante em que
a metafísica se faz corpo e mente.

Aparelhos circunscritos
em órgãos no funcionamento
                   do entrelaçamento
                   entre vida
                   e morte.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

PASSOS


Falo de passos cadenciados
na dança. Dos pares.
                 Digo do peso
                 das botas
                 desfilando
                 forças.

Evito a leveza em sapatilhas
de pés deformados na graça
entranhada em dores e saltos.

                  Conservo a imagem
                  singela da mulher
                  se fazendo eterna:
                              o descompasso
                              como tema.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

SOLIDÃO


Estar só – sensação física
da dor – e ter ao lado
a face amiga voltada ao acaso
- conversação interrompida
em recados: finalizar.

Ser só e procurar no espaço
o vazio acompanhado (saber-se
único e definitivo): desencontrar.

Sonho desfeito em solidão
no destino irreconhecível de si mesmo.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

PODER


Posso indicar o mar como consolo
a vista como alcance e a companhia
como distração. Mentir amizades
e razões. Dialogar palavras
de desengano.

Posso ficar no silêncio
de escuros quartos. Desdenhar
o esquecimento e omitir
fatos desenhados.

Posso refazer as paredes
e entre tábuas enxergar
o lado de fora.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

ARCABOUÇO


Arcabouço construído: aos poucos
surge ereta construção tomando espaços
colhidos de ares desabitados. Ângulos
concretados escondem em paredes
o lado da espera. O inseto invade
o íntimo e se revela em voo. Nervosismo
na vida emparedada. Do arcabouço original
resta a ideia: aos poucos ressecam cinzas.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 8 de setembro de 2015

FICAR



Fico e me digo
contente:
alego razões resolvidas
renovadas
recuperadas
reanimadas em quadrantes:
esquadrinho o tempo
passado em busca
do espaço ocupado.


(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 15 de agosto de 2015

CORPO E LUZ


A luz mostra o corpo
- demonstra o pouco –
abandonado (calçada
                       cama
                        lama
                         estrada
                          casa
                           entrada).

A luz contempla o corpo
desacordado (acordado
no âmago intimidado).

O corpo dispensa na luz
a sombra projetada.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

LUZ


Minha é a estrada
em derradeira trajetória:
          não carrego medos
     não conduzo saudades.

Despeço-me do horizonte
no além desencontro.

Habito o firmamento
ao me desfazer luz
e calor. Energizo o todo.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 18 de julho de 2015

LADOS


Na peça dos fundos
deposito o que não quero
que me acompanhe

no fundo do quarto
depósito as jóias

aos interesses maiores
deposito flores plastificadas
nas memórias arquivadas
dos inoxidáveis seres
desprovidos de passado

nos desinteresses
reverbero cânticos
e desprezo no rito
a sensação vazia
do conflito: entre
orações descubro
o texto analisado
no espúrio tempo
desconexo da vaidade

Faço o que me é pedido
perdido em estrelas
vistas em céus
anilados: anilhado
o pássaro se descobre
em céus abandonados

do que faço a pedido
relembro a ensolarada
tarde das tradições:
       antes do poente
     na desorientação
                 do corpo

Quando é hora
acordo em sonhos
e me desfaço do corpo
ao relento: na afirmação da gratidão
sou descrente emotivo

sendo hora do quando
me encontrar no bastante
faço do enjôo o sábado
aferido em descanso

Irrealizado termo
usado no subterfúgio
dos automóveis
em estreitas estradas:
o cotovelo do lado de fora
na sequência quilométrica

o termo correto na irrealização
do esteta no conforto da história:
habito a vida anterior do trajeto
e me recuso em novidades

ao morrerem malvadezas
se estendem sob o solo
no aguardo do perdão

malvadezas morrem
em perdões e se reabilitam
nas bondades contrariadas

Busco a fotografia publicada
na revista há tantos anos:
testemunho no aguardo
do desvelo com que notícias
praticam vaidades

a fotografia busca
representar em ânsia
a permanência: desbota
e envelhece personagens

Arrasto o tronco caído
sobre ao leito: não posso
estragar a rodovia no permitir
a interrupção da viagem

o tronco arrastado
permanece: leito desdobrado
na fluidez do trânsito
concatenado das saídas.


(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 17 de julho de 2015

PÚRPURO


Ser a túnica púrpura
no vazio do discurso

                   (traição)

                   filho resoluto
                   no destino
                   trançado: traçado
                                    corpo
                                    repetido
                                    em estilos.

Túnica tingida em sangue.


(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 30 de junho de 2015

ESCOLHER




Escolho ser da geração o estigma
               e da terra o magma
                  na oração do devoto

         o coração se despedaça
         ao solo. Beijo o solo
         em homenagem.

Anos passados representam
a hora da jornada. O que falta
ao espírito. O que se deduz
em luz. A escolha.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 23 de junho de 2015

VIVER


Vivo na ilusão
da água infinita
e da sede
saciada em goles.

vivo como intruso
destruindo o que não me pertence.

Alcanço o fruto e o desfruto.
Deixo o sumo escorrer pelas mãos.

Vivo na desilusão
de me intrometer
como abuso.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 13 de junho de 2015

REGULARIDADE



Habito a regularidade
dos vizinhos: levanto
        em encaminhadas manhãs.

              Alimento o pássaro
              encarcerado.
              Alimento paixões
              desenfreadas.
              Aumento o volume
              do rádio.

Almoço e janto. Tomo remédios
proscritos em visitas habituais.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 2 de junho de 2015

VIVER



Observo o contexto
desentranhado

sobre o construir
da casa desabo
em estruturas

no olhar da criança
                      creio
             encontrar
                  o gesto
       ainda presente

            observo o estranho
             mundo vivenciado.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 26 de maio de 2015

IGUALAR


Desperto
o homem
e o convoco
à luta: inglória hora
dos acertos.

A paz decomposta
em negócios: trâmite findo.

Não há conquista
      nem combate: a igualdade
                          exala derrotas.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 18 de maio de 2015

TEMA


Repasso o tema: amanhã serei cobrado
                sobre o assunto.
              Esqueço o momento. O devaneio
            intervém no tema. Tremo
        o saber inexistente.

Apresado ao sábio: sei o tempo
represado em redundâncias.


(Pedro Du Bois, inédito)