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domingo, 19 de maio de 2013

Importação para o Brasil de médicos formados no exterior


Armando Negreiros, médico, Presidente da Academia de Medicina do RN
armandoanegreiros@hotmail.com

O governo da presidenta Dilma Roussef tem cometido erros e acertos. Por mais que se fale mal da choldra esquerdopata petista (como diz Alex Medeiros), esses onze anos do PT na Presidência da República tem acertado quando imita os governos anteriores e tem errado, com mais força ainda, quando imita os governos anteriores... que tanto criticavam. Acertam quando mantêm a economia de acordo com as regras internacionais; acertam quando preservam a democracia; acertam quando não mexem na liberdade de imprensa; a Presidenta acerta quando demite sete ministros indicados por Lula... E erram quando cometem as mesmas corrupções, os mesmos desmandos, dos governos passados com mais intensidade ainda.
Agora começou a inovar em erros grosseiros. Importar médicos, mesmo que brasileiros, formados em outros países, sem nenhuma prova de validação do diploma é uma ignomínia inadmissível. Todos os países exigem que estrangeiros se submetam a provas para avaliar a competência do profissional. Aqui mesmo no Brasil só é advogado quem é aprovado na prova da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB. Se não for aprovado não é advogado. É bacharel em direito. Mas médico, que trata da saúde e da vida, é menos importante do que aqueles que tratam das leis. Tanto é que os que trabalham na saúde não têm o mesmo tratamento dos que trabalham na justiça. Vejam a carreira do judiciário, do ministério público, dos defensores públicos, dos procuradores. Comparem com os médicos. Sequer carreira existe. Fosse pouco todo esse descaso, agora estão autorizando a importação de médicos sem nenhuma avaliação. Não adianta encher o país de faculdades de medicina e de médicos importados sem qualificação (na última validação foram reprovados noventa por cento!) sem investir nas condições mínimas de atendimento e trabalho. Mas, dinheiro para a copa do mundo não falta! É uma inversão total de valores.
Vejamos o posicionamento da Academia de Medicina do RN. Apenas copiamos o posicionamento da Academia de Medicina de São Paulo e acrescentamos o depoimento do Professor Carlos Ernani Rosado Soares:
Declaração da Academia de Medicina do Rio Grande do Norte
Frente à presença de 6.000 médicos cubanos, que o Governo brasileiro entende de receber para solucionar a ausência de médicos em municípios do país, a Academia de Medicina do Rio Grande do Norte vem a público para revelar sua posição totalmente contrária a anunciada medida.
Contrária porque não preenche o estabelecido pela legislação do próprio governo federal, que exige a comprovação de competência de um médico diplomado no exterior, através de exames comprobatórios, para permitir o exercício da profissão;
Contrária porque o governo federal omite os reais motivos da ausência de médicos em pequenos municípios e nas periferias, ou seja, a falta de condições de trabalho, de remuneração e de carreira de Estado para profissionais de saúde;
Contrária porque aos médicos estrangeiros falta o conhecimento básico da língua portuguesa, da cultura brasileira e da epidemiologia referentes às doenças endêmicas e epidêmicas, condições sem as quais não se pode exercer uma atividade médica de boa qualidade;
Contrária porque é necessário haver um debate com a sociedade, antes da tomada de decisões que envolvem a qualidade do exercício da medicina no país e alertar a população, sobre os riscos de contratação de médicos estrangeiros ou brasileiros formados no exterior sem a devida comprovação de competência para cuidar do mais importante para a vida, ou seja, a saúde;
Contrária, por fim, porque juntamente com as demais entidades médicas, a Academia de Medicina do Rio Grande do Norte tomará iniciativas para impedir essa afronta à saúde da população e à dignidade da medicina brasileira. 
 Grato ao Presidente da Academia de Medicina do Estado de São Paulo, Affonso Renato Meira, autor do texto que adaptamos para a Academia de Medicina do Estado do Rio Grande do Norte.
Depoimento do Professor Ernani Rosado:
“Essa ideia é mais um atentado ao exercício da Medicina séria e decente pela qual todos nós, pessoalmente, e como membros de Academias de Medicina propugnamos.
Adotamos sempre as soluções demagógicas, desprovidas de qualquer respaldo técnico, ético ou  científico. Foi a mesma desculpa que encontraram para criação de Faculdades de Medicina. Já temos mais que os Estados Unidos, a Rússia e a China. Contribuíram para uma melhor distribuição dos médicos, e ipso facto, da assistência à população? Não. Então claro que não estamos diante de um mero problema numérico de falsos manuseios de estatísticas.
Cubanos, etíopes, bolivianos, hondurenhos, donde quer que venham, irão enfrentar os mesmos problemas atuais, aos quais nossos profissionais estão tão acostumados e sofridos.
Repito, não li o manifesto pelas razões citadas, mas, se posto em votação e/ou discussão na nossa Academia, já aí está a minha opinião.”

domingo, 5 de maio de 2013

Maioridade penal: com o nascimento


Armando Negreiros – médico
armandoanegreiros@hotmail.com

É sabido que o maior estímulo à criminalidade é a falta de punição. Agora imaginem se a própria lei proíbe o judiciário de punir. O marginal, quando completa 18 anos, começa a contratar os que estão abaixo dessa idade para executarem os seus crimes, como testas de ferro. Qual a diferença de um marmanjo com 15, 16 ou 17 anos, para um com 18? A lista dos que são contra essa diminuição da maioridade penal é enorme. Acusam os que são a favor de “genocidas infantis” e outras baboseiras típicas dos cavilosos, capciosos e manhosos.
A personalidade civil do homem começa a partir do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo desde a concepção os direitos do nascituro (aquele que há de nascer, ou seja, é o nome que se dá ao ser humano já concebido e que se encontra, ainda, no ventre materno). A mesma regra deveria vigorar, também, para a responsabilidade criminal. Qual o crime que poderia cometer uma criança de tenra idade? Nenhum! Portanto, a partir do momento em que o crime for cometido, o infrator é responsabilizado e punido.
Num levantamento do que ocorre no mundo, encontramos as maiores disparidades e verdadeiros absurdos. Nos Estados Unidos, onde cada estado tem a sua própria legislação, o início da maioridade penal varia desde os 6 até os 18 anos, entretanto a maioria dos estados adota 7 anos. Na Escócia, 8 anos; Inglaterra e País de Gales, 10 anos. Nesses países a legislação adota, para estabelecer a maioridade penal, a capacidade psíquica. O Brasil adota o sistema biológico, que é a idade. México, 6 a 12 anos.
Com 7 anos, temos: Bangladesh, Índia, Myanmar, Nigéria, Paquistão, África do Sul, Sudão, Tanzânia, Tailândia; com 8, Escócia, Indonésia e Quênia; com 9, Etiópia, Irã e Filipinas; com 10, Nepal, Ucrânia, Inglaterra e País de Gales;  com 11, Turquia; com 12, Coréia, Marrocos e Uganda; com 13, Algeria, França, Polonia, Uzbequistão; com 14, China, Alemanha, Itália, Japão, Rússia, Vietnã; com 15 Egito, Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia; com 16, Argentina e Chile; com 18, Brasil, Colômbia e Peru.
O maior absurdo ocorre no Irã, como não poderia deixar de ser pela misoginia (ginecofobia, ginofobia, desprezo ou aversão às mulheres) característica dos muçulmanos: 9 anos para o sexo feminino e 15 para o masculino! Na Suécia, em 1997, havia apenas 15 jovens entre 14 e 18 anos cumprindo pena em alguma prisão. Na China, embora haja regimes especiais educacionais para adolescentes na faixa dos 14 anos, eles podem pegar prisão perpétua se cometem crimes bárbaros, chamados no Brasil de hediondos.
No Brasil, em 2005 (Unicef, IPEA) havia cerca de 40.000 menores entre 12 e 18 anos cumprindo algum tipo de medida socioeducativa (0,2 da população - um terço em instituições como a FEBEM), a metade em São Paulo. Cerca de 42% por roubo e 15% por homicídio.
Portanto, diante da gravidade crescente da criminalidade e considerando a situação no resto do mundo, urge – é emergencial – abreviar a maioridade penal. Aliás, a minha proposta é que esta se inicie com o nascimento, já que os direitos civis se iniciam intrauterinamente, com a concepção.

domingo, 7 de abril de 2013

Autor potiguar: preconceito e falta de respeito


Armando Negreiros, médico e presidente da Academia de Medicina do RN (armandoanegreiros@hotmail.com)

O escritor norte-rio-grandense que é autor de livro sofre forte discriminação de algumas livrarias locais. A do aeroporto é a mais radical, pois não permite a venda de nenhum livro de autor local, mesmo que isso não implique em nenhuma despesa, pois os livros são deixados em consignação e o lucro é de trinta por cento. É uma tal de “só de ler”... autores de fora. Tenho a desconfiança de que se for flagrado um autor natalense em suas dependências eles expulsam.
A “Siciliano” criou um local para autores regionais, mas vez por outra escondia os livros em locais inencontráveis, alegando falta de espaço. Foi vendida à “Saraiva” e, pasmem os senhores, permaneceram todos os livros, menos os dos autores regionais. E os livros foram devolvidos aos seus autores? Nada! Houve prestação de contas dos livros vendidos? Nonada! E, já que a “Siciliano” extinguiu-se, qual o destino desses livros! Contarei uma história inacreditável sobre o paradeiro desses livros.
Como estava com três títulos em consignação (“Poucas e boas 3”, “A folga da dobra” e “Na companhia dos imortais”) e na transferência da “Siciliano” para a “Saraiva” não fui informado de nada, fui até a “Saraiva” para saber por onde andavam os meus desprezados livros consignados. Deram-me, então, um telefone de uma senhora. Liguei várias vezes, ela nunca tinha tempo para procurar os meus exemplares. Mas, acabou me dando um endereço. Semanas depois liguei para marcar uma visita, mas já era outra funcionária. Esta disse que só me atenderia por e-mail. Não era possível por telefone, pois era um procedimento padrão da empresa. Concordei. Mandei e-mail e mensagem telefônica. Resposta? Nenhuma! Nem meus telefonemas ela atendia mais. Após várias semanas resolvi ir até o local. Não pelo valor dos livros, mas por uma questão de princípios.
Fui até o escritório na avenida Alexandrino de Alencar, no térreo de um edifício residencial, vizinho à padaria Boca de Forno (à direita de quem está entrando), próximo a avenida Ruy Barbosa (aliás, Zacarias Monteiro, naquele trecho). Havia em torno de oito a dez funcionários. Indaguei quem era a senhorita “X”. Apontaram-me para uma moça que se encontrava ao telefone. Num intervalo entre as intermináveis ligações identifiquei-me e ela disse-me que estava ocupada, que não poderia me atender. Foram quarenta minutos de espera e nada. Neste ínterim fiquei sabendo que ali era um escritório da “Claro”, cujo dono é filho do dono da Siciliano, segundo informações colhidas no próprio local. Descobri também uma estante cheia de livros de autores regionais. Calmamente, procurei os meus... debalde. Descobri um quarto anexo e adentrei-o. Uns vinte metros quadrados cheio de caixas. Dois gentis funcionários avisaram-me que eram mais livros de autores locais. Vou procurar os meus! afirmei com esperança. Em pouco tempo achei dois títulos, num total de quinze exemplares. Estavam consignados mais de trinta livros. Botei debaixo do braço e agradeci a ajuda dos funcionários. Deram-me um protocolo para eu assinar, ocasião em que questionei sobre os que estavam faltando. Não sabemos informar, foi a resposta.
A senhorita “X” continuava na sua vocação para telefonista ininterrupta. Resolvi avisá-la que havia recuperado parte do meu patrimônio, dirigi-me a ela:
- Senhorita “X” em cinco minutos encontrei os meus livros que a senhorita não conseguiu encontrar durante meses. Já estou aqui há mais de uma hora e a senhorita não teve a menor consideração para com um indivíduo muito ocupado, médico, advogado, membro de duas academias e, ainda por cima, um velho, pois já estou com sessenta e dois anos de idade e pensei que mereceria a mais mínima consideração! Vou fundar uma empresa para maltratar os meus clientes e a senhorita será contratada para ser a gerente geral!
A cena seguinte foi inacreditável. A senhorita “X”, bem jovem, levantou-se e gritou espumando de ódio:
- Esse seu currículo é uma merda! Vá você e suas academias pro inferno!
Ato contínuo, histericamente, começou a querer chorar, única ocasião em que perdi um pouco a paciência:
- Engula o choro! Pois uma pessoa estúpida e ignorante como você não pode chorar, a não ser por fingimento!
Imediatamente ela engoliu o choro. Chegando em casa fui ao site da Siciliano. Não encontrei local para contar essa história. Tinha lá um lugar, mais ou menos assim – “Deixe aqui a sua ideia”. Contei o ocorrido, tem mais ou menos um mês e não recebi resposta.
ATENÇÃO, AUTORES POTIGUARES, VÃO BUSCAR OS SEUS LIVROS CONSIGNADOS NA LIVRARIA SICILIANO!!! O endereço é: Avenida Alexandrino de Alencar, no térreo de um edifício residencial, vizinho à padaria Boca de Forno (à direita de quem está entrando), próximo a avenida Ruy Barbosa (aliás, Zacarias Monteiro, naquele trecho). O telefone é 9131-9500. O e-mail é: talita.alencar@artetelecom.com.br

domingo, 3 de março de 2013

Raimundo Nonato da Costa


Armando Negreiros, médico 
(armandoanegreiros@hotmail.com)

                Partiu na madrugada desta segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013, o grande primo, tio e amigo Raimundo Costa. Casado com Maria Luzia, irmã do meu pai, tiveram Cynthia, filha única, casada com Rafael Filho, meu irmão. São quatro os netos: Marcelo, Marcos, Saulo e Rafael Neto. Os três primeiros advogados e o último terminando medicina. O dia 17 de dezembro era uma data com tríplice comemoração: aniversário de Raimundo, de Maria Luzia e de casamento. Este ano seria 85, 80 e 60, respectivamente.
                Na década de cinquenta o casal veio morar em Natal. Costa era gerente da Casa Gomes, na Ribeira, que negociava com tecidos. Moravam na Avenida Prudente Morais, vizinho onde foi uma escola de natação (Tutubarão, de Raimundinho meu cunhado, como dizia Bosco, salvo engano). Mas na época quem morava nessa casa era Guiomar, irmã de Costa. Lembro-me que a rua sequer tinha calçamento, era barro mesmo.
                Esse casal hospedava toda a família, que não é pequena, de Mossoró. A acolhida era tão afetuosa que nos sentíamos realmente em casa. Todas as sobrinhas de Maria Luzia que residiam em Mossoró moraram na sua casa em Natal. Ione, filha de Gabriel, Maria Helena e Tânia, filhas de Ruth e Lavínia, filha de Rômulo. Passamos, todos os sobrinhos, várias férias em sua casa. Depois se mudaram para a Rua Miguel Barra. Não sei qual era o milagre, mas a casa abrigava toda a família que chegasse.
                Muito religioso, ex-seminarista, sabia não só a missa toda em latim, como conhecia latim e português em profundidade. Qualquer dúvida sobre o assunto ligava para ele e a resposta era imediata. Calmo, quando havia alguma divergência de opinião, encerrava logo com uma frase em latim: gustus et colorum non disputatum. No que eu discordava, argumentando que, se todo o mundo concordasse com todos, ninguém conversava.
                Quando a Casa Gomes fechou, Costa foi trabalhar na Guararapes, onde ocupou uma das mais importantes diretorias, a financeira. Trabalhador incansável, aliava a seriedade e retidão à competência. Mesmo depois de aposentado continuou trabalhando no Conselho Diretor por muito tempo. Era um exemplo a ser seguido por toda a família.
                Grandes anfitriões, foram inúmeras as festas e recepções organizadas pelo casal, sempre num clima de alegria e confraternização. Quando resolvemos formar um grupo para construir o Condomínio Residencial Rafael Negreiros, foi Costa quem tomou a frente, organizou todas as reuniões e ficou responsável pela contabilidade. Acabou sendo o síndico perpétuo, enquanto a saúde permitiu.
                Quase todos os finais de semana eu e André Newton o visitávamos. Newton acabou indo primeiro em 27 de julho do ano passado. A última vez que conversei com ele foi no sábado, dia 16. Estava bastante edemaciado, mas mantendo o bom humor, chegou a recitar poemas e ao final brincou: a velhice é uma merda. Raimundo Nonato da Costa já começou a deixar muitas saudades, pelo homem agradável e acolhedor que era. Descanse em paz, meu caro e dileto amigo.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Trânsito Tiririca invertido: Pior do que está vai ficar


Armando Negreiros
negreiros@digi.com.br

O trânsito em Natal é orientado pelo filósofo José Abelardo Barbosa de Medeiros, aquele que não veio para explicar e sim para confundir, o famoso Chacrinha: Terezinha!; na televisão nada se cria, tudo se copia; quem quer bacalhau?; quem não se comunica se trumbica. Entre os muitos absurdos perpetrados, sempre em detrimento de motoristas e pedestres, um dos mais inacreditáveis foi, mais uma vez, na Bernardo Vieira, depois do cruzamento com a Salgado Filho, no sentido da Rui Barbosa e Xavier da Silveira. Tiraram todos os retornos. Para retornar o pobre do motorista tem que passar por um sinal, na Rui Barbosa (de ida e volta) e enfrentar um tumultuado “PAREM OS QUATRO” (o STOP FOUR, como querem os inglesistas) na Xavier da Silveira. A rotatória é cheia de desenhos geométricos ininteligíveis, beirando a obscenidade, como observou o colega Domício Arruda Câmara. Conseguiram deixar pior do que o que estava, no contrafluxo do discurso de Tiririca.
Quando há o encontro de duas vias de mão dupla, como no caso da Bernardo Vieira com a Xavier da Silveira, faz-se um círculo na interseção e, em cada uma das quatro mãos, há um sinal de “dê a preferência” (aquele triângulo com as bordas vermelhas e o fundo branco, com o vértice apontando para baixo – R2). A rigor, pela interpretação literal da sinalização, os quatro veículos eram para ficar parados, cada qual dando a preferência ao outro e o trânsito ficaria eternamente (!) obstruído. Daí o termo STOP FOUR, que nas ruas de Americana, cidade do interior paulista, pintaram assim mesmo, em inglês, em letras garrafais, o que gerou a maior polêmica. O termo técnico é “interseção em círculo” (é uma placa amarela com setas pretas indicando o giro no sentido anti-horário – A-12).
É importante saber que existem regras – que pouca gente conhece – para que o trânsito não fique paralisado, ou, o que é mais comum, avancem uns sobre os outros, de forma desordenada, caótica, provocando acidentes. No caso de rotatórias (Interseções em círculo, stop four), o veículo que estiver na rotatória, terá preferência sobre aqueles que intentam adentrá-la; Nas vias que apresentem o mesmo tipo de pavimentação e características geométricas, ou seja, de igual categoria, a preferência de cruzamento será do veículo que vier pela direita do condutor, tal preceito encontra-se exarado no CTB, Art. 29, Item III, alínea C e ainda pela CTV (Convenção do Trânsito Viário) de Viena e que popularmente é conhecido como a regra da mão direita.
No cruzamento em discussão, quem trafega pela Xavier da Silveira no sentido norte (centro) se acha com irrefreável preferência e coitado de quem ousar seguir as regras, mesmo a mais elementar – que é o direito do veículo que já se encontra na rotatória – pois será literalmente abatido pelos ônibus enfurecidos.
A saída é que as regras sejam divulgadas nesses locais, verbalmente e através de impressos explicativos, durante um tempo suficiente para o aprendizado dos brutamontes, ou seja, permanentemente.
Segue um exemplo bastante elucidativo:
       Analisando o esquema de um cruzamento não sinalizado e aplicando a regra da mão direita, percebe-se claramente que B tem a preferência sobre A, por sua vez A tem a preferência sobre D, este sobre C, que por sua vez tem preferência sobre B.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Guia OAB para sexo seguro


Armando Negreiros, médico
negreiros@digi.com.br

A Internet tem coisas maravilhosas. Há algum tempo recebi uma apresentação bem ilustrada sobre o perigo de aventuras sexuais com pessoas conhecidas. E o camarada fazia um cálculo bem interessante. Farei um resumo.
O título era “um caminhão de mulheres” e era assinado pela “Associação das Prostitutas do Estado de São Paulo”. Conta que tudo começou quando Marcello engravidou Celline, uma estagiária. O cara fez algumas contas, mas Marcello jamais poderia ver, pois seria incitação ao suicídio. Vejamos os cálculos. Marcello ganha seis mil reais por mês. O juiz da vara de família condenou Marcello a pagar um terço do seu salário, durante 21 anos, para sustentar o seu rebento. Em números redondos Marcello desembolsará, todo mês, dois mil reais. Ao cabo de 21 anos ele pagará quinhentos e quatro mil reais. Se ao invés dessa aventura ele tivesse saído com profissionais, ao preço de quinhentos reais, cada uma, daria para ele “conhecer” mil e oito mulheres diferentes. A apresentação é feita com muito bom humor e termina com o seguinte conselho: Você pensou bem, não é? Estagiária, vizinha, cunhada, secretária: FUJA!!!
Agora recebo do colega Armando Fortuna, anestesiologista e advogado em Santos, São Paulo, um texto que ele recebeu de Deusdedit Pinheiro. Vale a pena.
Antes de transar, consulte SEMPRE um advogado. Você se lembra do tempo em que "sexo seguro" significava usar camisinha para evitar doenças sexualmente transmissíveis e gravidez? Esqueça, os bons tempos terminaram. Confira aqui as dicas para sexo seguro que um homem deve observar no maravilhoso mundo feminista moderno!
A coisa está ficando assim: sabe aquela gatinha que você conheceu na balada, que deu a maior mole, você convidou para um motel e ela topou? Primeiro leve a garota a uma emergência hospitalar e solicite um teste de dosagem de álcool e outros entorpecentes, para evitar acusação de posse sexual mediante fraude. (Art. 215 CP);
Depois passe com ela em um cartório e exija que ela registre uma declaração de que está praticando sexo consensual, para evitar acusação de estupro. (Art. 213 CP);
Exija também o registro de uma declaração de que ela está praticando sexo casual, para evitar pedido de pensão por rompimento de relação estável. (Lei 9.278, Art. 7);
Depois vá a um laboratório e exija o exame de beta-HCG (gonadotrofina coriônica humana) para ter certeza que você não é o pato escolhido para sustentá-la na gravidez de um bebê que não é seu. (Lei 11.804 Art. 6);
No motel ou em casa, use camisinha e nada de "sexo forte" pra evitar acusações de violência doméstica e pegar uma Maria da Penha nas costas;
Além disso, você deve paparicá-las, elogiá-las, jamais criticá-las ou reclamar coisa alguma, devem ser perfeitos capachos, para não causar qualquer "sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral", sem que tenha obviamente os mesmos direitos em contrapartida. (Lei 11.340 Art. 5);
Na saída do motel leve-a ao Instituto Médico Legal e exija um exame de corpo de delito, com expedição de laudo negativo para lesões corporais (Art. 129 CP) e negativo para presença de esperma na vagina, para TENTAR evitar desembolsar nove meses de bolsa-barriga caso ela saia dali e engravide de outro. (Lei 11.804 Art. 6);
Finalmente, se houver presença de esperma na vagina da moça exija, imediatamente, uma coleta de amostra para futura investigação de paternidade (Lei 1.060 Art. 3 inciso VI) e solicitação de restituição de eventuais pensões alimentícias obtidas mediante ardil ou fraude. (Art. 171 CP).
Fazendo tudo isso, agora você pode fazer "sexo seguro".
Se ainda estiver interessado!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Abraham Lincoln X John Fitzgerald Kennedy


Armando Negreiros
Médico 
(armandoanegreiros@hotmail.com)

         Depois de cerca de dois anos sem ir ao cinema resolvi assistir a alguns filmes candidatos ao Oscar 2013. Realmente há filmes que só valem a pena no cinema. O grande problema é que os telespectadores não têm a menor educação. Ficam amassando sacos de pipoca e mastigando com ruídos mais apropriados para um estábulo. Vi Django Livre de Quentin Tarantino Com Jamie Foxx, Christoph Waltz (ator austríaco que faz o papel do cruel poliglota alemão Hans Lander de “Bastardos Inglórios”) e Leonardo DiCaprio. Excelente filme. Outro muito bom, porém monótono, é Lincoln de Steven Spielberg com Daniel Day-Lewis, Sally Field, David Strathairn. Não é o que se espera de Spielberg, entretanto, como diz Isabela Boscov, para quem gosta de história (e tem paciência, acrescento eu) os diálogos são fantásticos.
Lincoln, o décimo-sexto presidente dos Estados Unidos, conseguiu acabar com a Guerra da Secessão, ou Guerra Civil Americana, que ocorreu entre 1861 e 1865 e concomitantemente com a escravidão. Era o norte do país industrializado contra o sul escravocrata. Morreram quase um milhão de americanos, cerca de 3% da população americana à época. Alguns conselheiros achavam que Lincoln deveria ganhar a guerra e deixar a questão da décima-terceira emenda, que acabava com a escravidão, para segundo plano. Entretanto, ele insistiu que uma coisa era consequência da outra, usou de todos os métodos possíveis, muitos dos quais criticáveis – beirando a corrupção -, mas justificável por defender uma boa causa. O filme é bom, mas como dizia meu avô Manoel Negreiros, “deveria ser melhor”. Uma das falhas do filme é não mostrar o assassinato de Lincoln no teatro Ford. Chega apenas a notícia de que ele fora baleado.
Numa época em que ainda não existia Internet, guardei algumas anotações que referiam coincidências incríveis entre Lincoln e Kennedy. Cheguei a publicá-las numa crônica que está reproduzida no meu livro “A folga da dobra”. A primeira versão foi publicada em 1964, logo após o assassinato de Kennedy. Plagiando a Globo, vale a pena ler de novo. Reproduzo a lista. O trigésimo item foi acrescentado por mim, portanto é somente uma opinião.
1. Abraham Lincoln foi eleito para o Congresso em 1846.
2. John F. Kennedy foi eleito para o Congresso em 1946.
3. Abraham Lincoln foi eleito presidente em 1860.
4. John F. Kennedy foi eleito presidente em 1960.
5. Os nomes Lincoln e Kennedy têm sete letras.
6. Ambos estavam comprometidos na defesa dos direitos civis.
7. As esposas de ambos perderam filhos enquanto viviam na Casa Branca.
8. Ambos os presidentes estavam preocupados com os problemas dos negros norte-americanos.
9. Ambos os presidentes foram baleados numa sexta-feira.
10. Ambos os presidentes foram assassinados com um disparo na cabeça.
11. Ambos os presidentes foram assassinados na presença da esposa.
12. A secretária de Lincoln chamava-se Kennedy e lhe disse para não ir ao teatro.
13. A secretária de Kennedy chamava-se Lincoln e ela avisou a ele para não ir a Dallas.
14. Ambos os presidentes foram assassinados por sulistas.
15. Ambos os presidentes foram sucedidos por sulistas.
16. Ambos os sucessores chamavam-se Johnson.
17. Andrew Johnson, que sucedeu a Lincoln, nasceu em 1808.
18. Lyndon Johnson, que sucedeu a Kennedy, nasceu em 1908.
19. John Wilkes Booth, que assassinou Lincoln, nasceu em 1839.
20. Lee Harvey Oswald, que assassinou Kennedy, nasceu em 1939.
21. Ambos os assassinos eram conhecidos pelos seus três nomes.
22. Os nomes de ambos os assassinos têm quinze letras.
23. Booth saiu correndo de um teatro e foi apanhado num depósito.
24. Oswald saiu correndo de um depósito e foi apanhado num cinema.
25. Booth e Oswald foram assassinados antes de seu julgamento.
26. O assassinato de Kennedy foi filmado por um homem chamado Abraham.
27. O teatro de Ford era propriedade de um homem chamado John.
28. Lincoln foi morto no Teatro Ford.
29. Kennedy foi morto num carro Ford, modelo Lincoln…
30. Ambos os filmes sobre os dois presidentes, Lincoln e Kennedy, são longos e monótonos.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A ciência, a política e o dinheiro

Armando Negreiros
negreiros@digi.com.br
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Pergunto ao caro leitor: com qual desses três itens é mais fácil enganar o povo? Venho refletindo sobre o assunto há muito e até agora não tenho uma resposta satisfatória, a não ser a do empate técnico. Alguns fatos recentes nos ajudam a raciocinar. Comecemos pelo dinheiro. Apesar dos famosos “contos do vigário”, observamos que toda vez que um incauto é enganado, ele estava querendo levar vantagem. Mas, enganar em Nova Iorque, em Wall Street? Pois foi o que aconteceu com o banqueiro Bernard Lawrence "Bernie" Madoff, 73 anos, que fundou em 1960 uma sociedade de investimento com o seu nome, uma das maiores de Wall Street. Madoff foi uma das principais figuras da filantropia judaica.Em dezembro de 2008 Madoff foi detido pelo FBI e acusado de fraude no valor de 65 bilhões de dólares (111 bilhões de reais), considerada uma das maiores fraudes financeiras levadas a cabo por uma só pessoa. Madoff, com fama de filantropo, não só enganou entidades bancárias e grupos de investimento. Também são vítimas da sua fraude fundações e organizações caritativas. Usando um esquema de pirâmide (semelhante à famosa “corrente”) enganou grupos financeiros como o Santander (2,87 bilhões de dólares) e o HSBC (1 bilhão de dólares), para citar apenas dois conhecidos nossos.
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Com a política não precisamos perder muito tempo. Não podemos nos deter nas ditaduras, Stalin, Generalíssimo Franco, Getúlio Vargas, Fidel Castro, Hugo Chavez, pois nos são impostas. Mas, temos observado ao longo da história políticos que enganaram muitos, durante muito tempo, Napoleão, Hitler, Mussolini. Vejam a popularidade de Lula: manteve o plano de estabilidade econômica traçado por FHC e mudou o nome de alguns programas sociais,também do governo FHC. Infelizmente o povo acredita que ele criou alguma coisa. Mas, como dizia Winston Churchill "A democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras que têm sido tentadas de tempos em tempos." E não é só o povão que é enganado, dois prêmios Nobel de literatura, o português José Saramago e o colombiano Gabriel Garcia Marquez apóiam esses pseudocomunistas tupiniquins e ultrapassados. “Quanto maior for a mentira, mais pessoas acreditarão nela” (Hitler, por experiência própria).
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Agora vamos pisar num terreno mais melindroso... delicado, escrupuloso, isento de malícia e ao mesmo tempo difícil, complicado, árduo, muito suscetível. A ciência. A soma dos conhecimentos humanos considerados em conjunto. Existiria fraude em trabalho científico, alimentada pela fogueira das vaidades?
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Lembremos a polêmica entre o americano Robert Gallo e o francês Luc Montagnier entre 1983 e 1984: Montagnier teria sido o primeiro a isolar o vírus HIV e enviado amostras para Gallo. A partir disso, o norte-americano teria descoberto que aquele vírus era o causador da Aids, a doença desconhecida que alarmava o mundo na primeira metade da década de 80. A história, ainda nebulosa, terminou apenas na década seguinte, após um acordo entre os governos dos dois países.
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Imaginem agora, meus caros amigos, se concentrarmos na mesma pessoa, a capacidade de arrecadar muito dinheiro (projeto de dois bilhões de reais) em prol da ciência; publicar carta de um presidente em revista científica - Lula na revista Scientific American (a primeira vez em cento e vinte anos); criticar acidamente governadores e prefeitos, colocando notas humilhantes; ser várias vezes indicado para o Nobel de Medicina; criar um currículo para educação científica que beneficiará um milhão de crianças; escolher uma cidade do interior do nordeste, Macaíba, no Rio Grande do Norte, onde, segundo a revista Veja, ainda se pratica o escambo, para ser a Capital Científica do Mundo; garantir que suas pesquisas irão controlar doenças como Parkinson e Alzheimer; prever que seus estudos farão um menino brasileiro quadriplégico, com uma veste robótica comandada pelo próprio cérebro, subir andando o túnel do Maracanã, para dar o pontapé inicial da copa do mundo de 2014; ser várias vezes motivo de reportagem em revistas e jornais de circulação nacional e ainda reclamar da mídia brasileira por ignorá-lo, enquanto no exterior é reconhecido, publicado e cortejado...
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Não estamos diante de um candidato a Nobel de Medicina. Estamos diante de um gênio, desses que só aparecem de 509 em 509 anos, desde Leonardo da Vinci (1452-1519)...