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sábado, 29 de março de 2014
Que noite é essa!
Walter Medeiros
waltermedeiros@supercabo.com.br
A Revolução nos moldes propostos por Marx, Lenin, Engels, Stalin e
outros pensadores é algo que pode tornar-se realidade algum dia, desde
que sejam criadas as condições objetivas para a sua realização. Nesse
sentido, não adianta ser general, marechal, civil, doutor, pós-doutor
ou operário para negar ou admitir a marcha das sociedades e da
humanidade nesse rumo. Pois existem fatores que nenhum daqueles
pensadores previu e certamente nos dias de hoje eles teriam opiniões
importantes a expor. Até porque, ao que parece, as orientações que
deram parece ter sido mescladas de atitudes que desvirtuam as
propostas revolucionárias. Para saber quais seriam essas atitudes, no
entanto, é preciso debruçar-se sobre suas obras e observar o que está
sintonizado ou não com os discursos socialistas e comunistas dos dias
atuais.
Esta reflexão surge quando vemos o Brasil de 2014, cinquenta anos
depois do Brasil de 1964, reunir entre 500 e mil pessoas numa Marcha
da Família com Deus, manifestação que naquele passado aflitivo reuniu
entre 200 mil e 500 mil, dependendo de quem calculou em cada época. A
realização desse evento é algo que considero estranho, triste,
lamentável, uma comprovação de que parte dos brasileiros passaram a
viver numa democracia sem saber bem o que fazer com ela. Isto era algo
temido no tempo em que se lutava pelo fim do regime militar, de triste
memória, mas cujas bases devem ser sempre lembradas para que nunca
mais se repita.
Esta abordagem poderá ser vista como uma espécie de desabafo de quem
viveu e sentiu nessa vida todos os malefícios e apreensões que a
ditadura provocou nos brasileiros politizados. Até porque venho de um
tempo em que se primava pela honestidade e legalidade, porém com base
em legitimidade das normas e instituições. Pode ter-me faltado alguma
malícia, mas disso não me arrependo, pois mesmo que pareça ingênuo,
ainda acho que até em jogo deve-se lealdade e respeito aos adversários
e às regras. Porém sei também que na revolução a coisa é outra. E para
se ter uma noção do que foi o regime militar, temos o exemplo
emblemático do deputado militar Jair Bolsonaro, que em 2013 juntou
umas quatro pessoas para defender a volta dos militares e hoje deve
estar emocionado depois de ver centenas de pessoas ao seu lado. Mas
cabe ao povo brasileiro ter sabedoria para enxergar que o caminho não
é esse da famigerada marcha.
O Brasil não pode pensar em se perder em nova noite escura do terror
do AI-5; da cassação de mandatos, de tamanha truculência, ilegalidade,
exceção e força; da censura, método medieval de submeter a
inteligência ao vulgo e à força; da Lei de Segurança Nacional, que nos
retirou os direitos e a cidadania, pois nem habeas-corpus era direito
do cidadão; do Exílio, pois lugar de brasileiro é no Brasil, se assim
o quiser; da Tortura, algo que preocupa mais ainda nos dias de hoje,
pela banalização das ocorrências policiais; da Lei de Imprensa, pois
a responsabilidade pelo que escreve deve ser de cada um; do Decreto
477, pelo qual os estudantes sentiram na pele o que era cerceamento da
voz e da manifestação do pensamento. Diante de todas essas coisas
horripilantes, que criaram uma realidade de liberdades tolhidas, nada
justifica um novo regime militar.
Entretanto, o povo brasileiro extravasa seus anseios nas ruas e a cada
dia torna-se mais inadiável uma mudança de postura dos políticos para
sintonizar seus discursos com a realidade. O povo quer verdade,
transparência, honestidade, justiça e cidadania plena. É hora,
portanto, de abandonar subterfúgios, engodos e corrupção, para que o
chamado jeitinho brasileiro tenha realmente seus dias contados. O
custo é grande e o povo quem paga a conta. Daí a necessidade de
empregar com eficácia os recursos da nação e fazer por onde os desvios
sejam extirpados. Para isto, aliás, cada cidadão precisa também fazer
a sua parte. As ruas mandam um recado de mudança e é preciso que os
políticos e demais responsáveis pela condução da vida pública entendam
esse recado não como um episódio qualquer, mas uma mostra de que o
Brasil precisa dar um salto para viver um novo dia.
sábado, 22 de março de 2014
A vida é agora
waltermedeiros@supercabo.com.br
www.rnsites.com.br
Documentos conferidos, quase cinco mil pessoas literalmente no mesmo barco, uma espécie de cidade dos sonhos onde o estresse fica fora do portal. É hora de viver uns dias circulando por cafés, cassino, corredores, saguões, apartamentos, restaurantes, teatro, cinema, shopping, clube com piscinas, boate, academia, salão de danças. Pode até embarcar numa lancha ou num ônibus e visitar monumentos históricos de cidades encantadoras.
Esse cenário é a realidade do navio Costa Fascinosa, uma embarcação nova, que proporciona uma síntese de tudo que foi incorporado durante toda a história à navegação e arquitetura náutica, nos mínimos detalhes. Mesmo com 390 metros de comprimento por 36 de largura, não poderia faltar o balanço do mar, que certamente é imensamente menor que nas embarcações de menor porte. Nessa estrutura é posta em prática uma organização imensa, com logística avançada, que proporciona tudo que se necessita como se estivéssemos numa cidade. Até uma capela para quem deseja manter suas religiões.
Em meio a esses detalhes, uma harmonia no máximo possível. Tudo muito bonito, bem projetado, com luzes, cores, sons e equipamentos confortáveis. De internet, para quem não se desliga e se dispõe a pagar bem caro para conectar-se, a brincadeiras, espetáculos , festas e inúmeras outras atividades. Até alguns – limitados, é verdade, lugares onde é permitido fumar e ainda se encontra nos dias de hoje um fumante aqui outro ali. Tudo isso dividido por onze andares, com espaços impressionantes.
O navio adota uma temática envolvente e divertida, faça sol, calor, chuva, frio ou tempestade, oferecendo tudo que é preciso para os passageiros dançarem e aprenderem a dançar tangos e milongas. Aí é feita uma verdadeira viagem no tempo através das músicas, o que já é algo inesquecível; principalmente se ao tomarmos um espresso no Bagdá Café ouvimos a orquestra tocar La Paloma, música que tive o prazer e a
sorte de ouvir em todas as cidades que visitei.
A cada momento ouvimos histórias de vida de tripulantes e passageiros, que pela riqueza de emoções nos trazem a lembrança de que a vida é agora. Gente de todas as idades dançando e aprendendo a dançar. Um professor de educação física que virou professor de dança por considerar menor a exigência de esforço físico. Gente que faz um cruzeiro atrás do outro e se diverte no dia a dia do mar. Jogos no cassino, arriscando dinheiro e quase sempre deixando o que tem nas máquinas.
Por todo lado os corredores parecem um desfile de elegâncias, do amanhecer às baladas da noite e madrugada; contatos, convivência. O navio não dorme, pois precisa atender à festa de todos e à solidão de
muitos. Como da garçonete que morre de saudade, ouve certa música do restaurante e diz que sorri com vontade de chorar. Tem o desabafo da mulher solteira que diz não estar procurando namorado ou amante, mas afirma que as mulheres casadas pensam que estão ali para tomar os maridos delas. E o homem levado por um irmão que reencontra a ex-namorada, transformando a viagem num belo romance.
Quando menos se espera, o imenso teatro apresenta espetáculo circense com palhaços, que mistura o mundo da fantasia com o mundo real e o mundo virtual – três mundos de visão possível graças aos mais
avançados recursos de computação gráfica. Trazem, inevitavelmente lembranças dos tempos em que não se usava informática, nem jogos eletrônicos ou até TV a cores; e nos filmes os olhos guardavam as sensações do cinemascope.
No caminho, Buenos Aires, onde se visita lugares memoráveis – Praça de Maio, Casa Rosada, Zoológico, Sabor a Tango – que espetáculo! – um shopping. Zarpando novamente, vem em seguida Punta Del Este – Uruguai. Visita-se a cidade com desembarque através de lanchas, e encontram-se saborosas guloseimas e belo pôr do sol.
No dia a dia, ficamos sabendo que o camareiro da nossa cabine, o mineiro Ricardo estuda música e economiza para comprar um instrumento. Tem muitos sonhos que quer realizar. A garçonete que é filha e neta única e se emociona porque está pertinho de reencontrar a família por algumas horas. O tempo passa diante de todos esses fatos e é chegada a hora do desembarque. Agora o que temos do cruzeiro de nove dias mar afora são aquelas fotos que talvez tenham o poder de nos levar novamente a bordo.
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Médicos inventam efeitos sobre a auto-hemoterapia
Walter Medeiros
Jornalista
Mais uma mentira de entidade médica chega à imprensa ao fazer abordagem sobre auto-hemoterapia. Em matéria publicada domingo, 9 de fevereiro corrente, no jornal Tribuna, de Vitória – Espírito Santo, o presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica naquele estado, médico Eurico Schimidt afirmou de forma vulgar que a auto-hemoterapia provocaria doenças autoimunes. Ele fez essa afirmação, como têm feito outros médicos de outras entidades, sem qualquer base científica, sem qualquer comprovação do que dizem, o que pode até ser enquadrado como ato criminoso, na forma do Código Penal Brasileiro.
Para afirmarem que a auto-hemoterapia não teria eficácia, eles alegam que faltaria comprovação científica, apesar dos milhares de casos citados em depoimentos por pessoas que se curaram ou melhoraram de enfermidades graças ao uso da técnica. Da mesma forma que exigem comprovação conforme os parâmetros da ciência aceitos pelos órgãos oficiais de saúde, quem alega que a auto-hemoterapia provocaria algum efeito nocivo precisa provar tais efeitos, também com trabalhos científicos. Mas o que se sabe é que têm um medo imenso de partir para s pesquisas, pois com a comprovação da eficácia da auto-hemoterapia os laboratórios que vivem da doença do povo teriam seus lucros diminuídos drasticamente.
Como se sabe, Auto-hemoterapia é uma técnica que combate e cura doenças com a retirada de sangue da veia e aplicação imediata no músculo. Esta terapia vem salvando vidas há mais de cem anos. O efeito da terapia ocorre porque a taxa normal de macrófagos é de 5% (cinco por cento) no sangue e, com a auto-hemoterapia, eleva-se para 22% (vinte e dois por cento) durante 5 (cinco) dias. Do 5º (quinto) ao 7º (sétimo) dia, começa a declinar, porque o sangue está terminando no músculo. E quando termina ela volta aos 5% (cinco por cento). Daí a razão da técnica determinar que a auto-hemoterapia deva ser repetida de 7 (sete) em 7 (sete) dias, conforme orientação do Dr. Luiz Moura, médico carioca que difunde a técnica usada há mais de cem anos.
Para saber mais sobre auto-hemoterapia, acesse o site http://www.rnsites.com.br/imunoterapia.htm
Jornalista
Mais uma mentira de entidade médica chega à imprensa ao fazer abordagem sobre auto-hemoterapia. Em matéria publicada domingo, 9 de fevereiro corrente, no jornal Tribuna, de Vitória – Espírito Santo, o presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica naquele estado, médico Eurico Schimidt afirmou de forma vulgar que a auto-hemoterapia provocaria doenças autoimunes. Ele fez essa afirmação, como têm feito outros médicos de outras entidades, sem qualquer base científica, sem qualquer comprovação do que dizem, o que pode até ser enquadrado como ato criminoso, na forma do Código Penal Brasileiro.
Para afirmarem que a auto-hemoterapia não teria eficácia, eles alegam que faltaria comprovação científica, apesar dos milhares de casos citados em depoimentos por pessoas que se curaram ou melhoraram de enfermidades graças ao uso da técnica. Da mesma forma que exigem comprovação conforme os parâmetros da ciência aceitos pelos órgãos oficiais de saúde, quem alega que a auto-hemoterapia provocaria algum efeito nocivo precisa provar tais efeitos, também com trabalhos científicos. Mas o que se sabe é que têm um medo imenso de partir para s pesquisas, pois com a comprovação da eficácia da auto-hemoterapia os laboratórios que vivem da doença do povo teriam seus lucros diminuídos drasticamente.
Como se sabe, Auto-hemoterapia é uma técnica que combate e cura doenças com a retirada de sangue da veia e aplicação imediata no músculo. Esta terapia vem salvando vidas há mais de cem anos. O efeito da terapia ocorre porque a taxa normal de macrófagos é de 5% (cinco por cento) no sangue e, com a auto-hemoterapia, eleva-se para 22% (vinte e dois por cento) durante 5 (cinco) dias. Do 5º (quinto) ao 7º (sétimo) dia, começa a declinar, porque o sangue está terminando no músculo. E quando termina ela volta aos 5% (cinco por cento). Daí a razão da técnica determinar que a auto-hemoterapia deva ser repetida de 7 (sete) em 7 (sete) dias, conforme orientação do Dr. Luiz Moura, médico carioca que difunde a técnica usada há mais de cem anos.
Para saber mais sobre auto-hemoterapia, acesse o site http://www.rnsites.com.br/imunoterapia.htm
sábado, 15 de fevereiro de 2014
O “paciente”, o médico e o remédio
Walter Medeiros*
waltermedeiros@supercabo.com.br
Imenso Céu de colorido bíblico – aquele colorido encantador das fotos que vemos nas revistas religiosas – um vento frio agradável das seis horas da manhã, muitas nuvens carregadas, grandes poças d’água resultante da chuva da madrugada, flores brilhando em suas mais belas tonalidades, o perfume de rosas que vem de vários lugares, pássaros cantando felizes com o sinal de inverno em pleno verão, assim caminhamos pelo calçadão numa manhã de quarta-feira. Ao longo de toda caminhada tem também dezenas de gatos desgarrados e sem donos que povoam o pé da cerca do belo Parque das Dunas, em Natal.
Na caminhada, gente de todas as idades, todos os tipos, alegres, felizes, sérios, carrancudos, uns andam, uns se arrastam, outros correm, alguns vão de bicicleta, todos preocupados com a saúde ou com a aparência. Os cardiologistas mandam criar esses hábitos, para evitar surpresas desagradáveis ao funcionamento do coração, cada um de acordo com o seu estado. E no passo a passo sempre surgem as conversas e relatos de experiências que tiveram, sustos que passaram, verdades que encontraram vida afora.
Refletindo sobre a vida, que está diretamente relacionada com o nosso tempo, procuro em cada passo algo inesquecível que justifique um valor para aquele momento. Ou seja, dali a minutos, horas, dias, anos, o que terei para dizer exatamente dessa caminhada de hoje, para que ela tenha valido à pena, para que a vida tenha significado, para que me sinta alguém. Se chove, aquela água me marca para sempre; se faz sol, o calor tem de ficar na memória; como ficaram na memória tantos momentos da vida.
Um amigo aproxima-se no mesmo rumo, porém com passos mais apressados e diminui instantaneamente o ritmo para perguntar como estou me sentindo com as caminhadas matinais. Digo-lhe que o resultado já está aparecendo e ele conta também sua experiência de diabético. Faz-me lembrar outro amigo de trabalho que há uns 25 anos teve um problema cardíaco e precisava emagrecer. Emagreceu somente com caminhadas e aquilo ficou fortemente na nossa lembrança. Aí veio a relação médico x paciente na história.
Costumo lembrar que o termo “paciente” surgiu no tempo em que hospital era um lugar que recebiam as pessoas prá morrer. As doenças não tinham remédio nem terapias à altura eram ainda utilizadas e existia um clima de resignação. Era, então, uma questão de paciência esperar a morte. Mas o termo foi sendo usado através do tempo e mesmo que consiga tratamento e cura das doenças, as pessoas são chamadas de pacientes. Menos pelas doenças, mas pelo estado dos serviços de saúde, tanto públicos como privados, o termo paciente finda sendo cabível e adequado; é o jeito.
Naquela rápida troca de experiência no calçadão, sem impedir os passos de cada um, lembrei que a caminhada tem efeito da mesma forma que a auto-hemoterapia, um estimulante natural do sistema imunológico, conforme explica o Dr. Luiz Moura. A natureza faz sua parte, garantindo a saúde e mostrando que os medicamentos às vezes são receitados mesmo sem as pessoas precisarem. É das doenças que vivem os laboratórios.
Mas aquele meu amigo explica imediatamente: “tenho diabetes e somente com caminhada deixei de precisar dos remédios”. Assim ele evita intoxicação para o organismo. Digo-lhe, então, que esses remédios de farmácia, quando se vê os efeitos colaterais dá medo. Ouvia atentamente, e ele rapidamente continuou: “meu médico, vez por outra me diz que tem um remédio novo, que eu devia experimentar, mas eu digo que vou continuar caminhando”. Aproveita prá dizer uma frase interessante sobre a caminhada: “isso é um remédio; é o meu remédio”.
*Jornalista
waltermedeiros@supercabo.com.br
Imenso Céu de colorido bíblico – aquele colorido encantador das fotos que vemos nas revistas religiosas – um vento frio agradável das seis horas da manhã, muitas nuvens carregadas, grandes poças d’água resultante da chuva da madrugada, flores brilhando em suas mais belas tonalidades, o perfume de rosas que vem de vários lugares, pássaros cantando felizes com o sinal de inverno em pleno verão, assim caminhamos pelo calçadão numa manhã de quarta-feira. Ao longo de toda caminhada tem também dezenas de gatos desgarrados e sem donos que povoam o pé da cerca do belo Parque das Dunas, em Natal.
Na caminhada, gente de todas as idades, todos os tipos, alegres, felizes, sérios, carrancudos, uns andam, uns se arrastam, outros correm, alguns vão de bicicleta, todos preocupados com a saúde ou com a aparência. Os cardiologistas mandam criar esses hábitos, para evitar surpresas desagradáveis ao funcionamento do coração, cada um de acordo com o seu estado. E no passo a passo sempre surgem as conversas e relatos de experiências que tiveram, sustos que passaram, verdades que encontraram vida afora.
Refletindo sobre a vida, que está diretamente relacionada com o nosso tempo, procuro em cada passo algo inesquecível que justifique um valor para aquele momento. Ou seja, dali a minutos, horas, dias, anos, o que terei para dizer exatamente dessa caminhada de hoje, para que ela tenha valido à pena, para que a vida tenha significado, para que me sinta alguém. Se chove, aquela água me marca para sempre; se faz sol, o calor tem de ficar na memória; como ficaram na memória tantos momentos da vida.
Um amigo aproxima-se no mesmo rumo, porém com passos mais apressados e diminui instantaneamente o ritmo para perguntar como estou me sentindo com as caminhadas matinais. Digo-lhe que o resultado já está aparecendo e ele conta também sua experiência de diabético. Faz-me lembrar outro amigo de trabalho que há uns 25 anos teve um problema cardíaco e precisava emagrecer. Emagreceu somente com caminhadas e aquilo ficou fortemente na nossa lembrança. Aí veio a relação médico x paciente na história.
Costumo lembrar que o termo “paciente” surgiu no tempo em que hospital era um lugar que recebiam as pessoas prá morrer. As doenças não tinham remédio nem terapias à altura eram ainda utilizadas e existia um clima de resignação. Era, então, uma questão de paciência esperar a morte. Mas o termo foi sendo usado através do tempo e mesmo que consiga tratamento e cura das doenças, as pessoas são chamadas de pacientes. Menos pelas doenças, mas pelo estado dos serviços de saúde, tanto públicos como privados, o termo paciente finda sendo cabível e adequado; é o jeito.
Naquela rápida troca de experiência no calçadão, sem impedir os passos de cada um, lembrei que a caminhada tem efeito da mesma forma que a auto-hemoterapia, um estimulante natural do sistema imunológico, conforme explica o Dr. Luiz Moura. A natureza faz sua parte, garantindo a saúde e mostrando que os medicamentos às vezes são receitados mesmo sem as pessoas precisarem. É das doenças que vivem os laboratórios.
Mas aquele meu amigo explica imediatamente: “tenho diabetes e somente com caminhada deixei de precisar dos remédios”. Assim ele evita intoxicação para o organismo. Digo-lhe, então, que esses remédios de farmácia, quando se vê os efeitos colaterais dá medo. Ouvia atentamente, e ele rapidamente continuou: “meu médico, vez por outra me diz que tem um remédio novo, que eu devia experimentar, mas eu digo que vou continuar caminhando”. Aproveita prá dizer uma frase interessante sobre a caminhada: “isso é um remédio; é o meu remédio”.
*Jornalista
domingo, 29 de dezembro de 2013
O maior amigo do cachorro
Walter Medeiros
waltermedeiros@supercabo.com.br
Minha prima, Terezinha Medeiros de Freitas criava uma cadela chamada Diana, da raça Pastor Alemão, e, numa das suas crias, ofereceu-me um cachorro novinho e belo. Assim criei o meu primeiro e único cachorro, que se chamou Hopper e viveu enquanto morávamos na rua Coronel Estêvam e, em seguida, na rua São José - Lagoa Nova. Era um belo cachorro, disposto, amigo, mas não acredito que tenha tido em mim o melhor dono. Lembro que numa disenteria que teve Alderico Leandro o colocou em seu carro e fomos para a clínica veterinária, onde recebeu os devidos cuidados. Seu fim se deu num triste acidente, por ocasião dos festejos juninos.
Depois dessa experiência nunca mais me dispus a criar outro cachorro, mas alguns fatos ligados e esses animais sempre me chamam a atenção. Principalmente quando na aula que tivemos o privilégio de assistir com a professora Miriam Coeli, nossa professora de Ginásio na Escola Industrial, foi feita a leitura da célebre e impecável crônica de Cecília Meireles intitulada “Um cão apenas”. A sensibilização com a crônica era tão grande que chegamos a decorar o texto inteiro. Fala de um cão à porta da casa que não recebe sua atenção e depois ela se arrepende por não tê-lo tratado bem, chegando ao ponto de afirmar que qualquer ser humano pode ser um dia como aquele cão ignorado e solitário.
Tempos depois veio o ministro do Trabalho do Governo Collor, Rogério Magri, dizer que “Cachorro também é ser humano”, ao explicar à imprensa porque um carro oficial havia sido usado para levar um animal ao veterinário. Não existe controle de coisas desse tipo, porque no Brasil hoje não se tem controle de praticamente nada, a não ser no que o Poder Público alopra e usurpa os parcos recursos dos cidadãos. Pois até Tribunal de Contas fiscaliza por amostragem. Daí não ter sido dada nenhuma explicação para aquela cadelinha branca que passeou numa Kombi da Presidência da República, por volta de 2004, salvo engano.
Atento a essas curiosidades, assisti há poucos dias a notícia do cão-guia Orlando, um labrador retriever preto, que saltou nos trilhos do metrô de Manhattan depois que seu dono, cego, perdeu a consciência e caiu enquanto um trem se aproximava. Seu dono, Cecil Williams, 61 anos, escapou de ficar com sérios ferimentos quando o trem passou pelos dois. O cão tentou segurar o seu dono e testemunhas disseram que ele começou a latir freneticamente e tentou evitar que Williams caísse da plataforma. Por causa do latido, o fato foi percebido e os dois escaparam; a história teve um final feliz.
Nesse fim de semana, outra história chama atenção e comove, pelo inusitado. Normalmente se diz que o cachorro é o maior amigo do homem. Pois desta vez quem deu altaneira demonstração de amizade pelo amigo foi o homem. Aldinei Magalhães Barbosa findou pagando com a vida a tentativa de salvar o cachorro da família, durante as enchentes de Minas Gerais. Nos dias de hoje, pode-se ampliar aquele trocadilho que diz: “melhor ter um cachorro amigo que um amigo cachorro”. Com a palavra os cães, para mostrar que o homem é o melhor amigo do cachorro. Até porque os cientistas começaram a encontrar sinais humanos nas reações daqueles animais.
waltermedeiros@supercabo.com.br
Minha prima, Terezinha Medeiros de Freitas criava uma cadela chamada Diana, da raça Pastor Alemão, e, numa das suas crias, ofereceu-me um cachorro novinho e belo. Assim criei o meu primeiro e único cachorro, que se chamou Hopper e viveu enquanto morávamos na rua Coronel Estêvam e, em seguida, na rua São José - Lagoa Nova. Era um belo cachorro, disposto, amigo, mas não acredito que tenha tido em mim o melhor dono. Lembro que numa disenteria que teve Alderico Leandro o colocou em seu carro e fomos para a clínica veterinária, onde recebeu os devidos cuidados. Seu fim se deu num triste acidente, por ocasião dos festejos juninos.
Depois dessa experiência nunca mais me dispus a criar outro cachorro, mas alguns fatos ligados e esses animais sempre me chamam a atenção. Principalmente quando na aula que tivemos o privilégio de assistir com a professora Miriam Coeli, nossa professora de Ginásio na Escola Industrial, foi feita a leitura da célebre e impecável crônica de Cecília Meireles intitulada “Um cão apenas”. A sensibilização com a crônica era tão grande que chegamos a decorar o texto inteiro. Fala de um cão à porta da casa que não recebe sua atenção e depois ela se arrepende por não tê-lo tratado bem, chegando ao ponto de afirmar que qualquer ser humano pode ser um dia como aquele cão ignorado e solitário.
Tempos depois veio o ministro do Trabalho do Governo Collor, Rogério Magri, dizer que “Cachorro também é ser humano”, ao explicar à imprensa porque um carro oficial havia sido usado para levar um animal ao veterinário. Não existe controle de coisas desse tipo, porque no Brasil hoje não se tem controle de praticamente nada, a não ser no que o Poder Público alopra e usurpa os parcos recursos dos cidadãos. Pois até Tribunal de Contas fiscaliza por amostragem. Daí não ter sido dada nenhuma explicação para aquela cadelinha branca que passeou numa Kombi da Presidência da República, por volta de 2004, salvo engano.
Atento a essas curiosidades, assisti há poucos dias a notícia do cão-guia Orlando, um labrador retriever preto, que saltou nos trilhos do metrô de Manhattan depois que seu dono, cego, perdeu a consciência e caiu enquanto um trem se aproximava. Seu dono, Cecil Williams, 61 anos, escapou de ficar com sérios ferimentos quando o trem passou pelos dois. O cão tentou segurar o seu dono e testemunhas disseram que ele começou a latir freneticamente e tentou evitar que Williams caísse da plataforma. Por causa do latido, o fato foi percebido e os dois escaparam; a história teve um final feliz.
Nesse fim de semana, outra história chama atenção e comove, pelo inusitado. Normalmente se diz que o cachorro é o maior amigo do homem. Pois desta vez quem deu altaneira demonstração de amizade pelo amigo foi o homem. Aldinei Magalhães Barbosa findou pagando com a vida a tentativa de salvar o cachorro da família, durante as enchentes de Minas Gerais. Nos dias de hoje, pode-se ampliar aquele trocadilho que diz: “melhor ter um cachorro amigo que um amigo cachorro”. Com a palavra os cães, para mostrar que o homem é o melhor amigo do cachorro. Até porque os cientistas começaram a encontrar sinais humanos nas reações daqueles animais.
domingo, 1 de dezembro de 2013
Escadas da Minha Vida
Walter Medeiros
waltermedeiros@supercabo.com.br
Uma foto do amigo repórter João Maria Alves mostra uma escada da entrada de um prédio de estilo colonial e me faz refletir sobre aquele trecho, tão importante e tão simbólico da vida. A escada, com seus batentes, que nos faz subir e descer, entrar e sair dos mais variados ambientes. Além de tudo que pode acontecer naquele lugar onde hoje, por questão de segurança, os arquitetos procuram fazer com paredes transparentes, grandes aberturas, janelas e todo tipo de ângulo de visão. Ao mesmo tempo, a amiga Tatiana Gonçalves, do Porto – Portugal, envia foto de uma escada cujos batentes foram transformados em gavetas, utilizando melhor o espaço para guardar de tudo.
A primeira lembrança de escada me vem de quando criança atravessava uma bela alameda com eucaliptos e subia para a bela igreja de Mata Grande, situada num local bem elevado. Era um percurso inesquecível, pelo perfume e beleza do local. Em seguida, na mudança para o Rio Grande do Norte, pegamos um trem em Arco-Verde, Pernambuco, direto para Natal. Para não perder o trem, minha mãe me puxou pela mão e ao subir a escada do vagão escorreguei e minha tíbia bateu forte na quina do batente de ferro. Até hoje sinto aquela dor e sei exatamente o local da pancada.
Já morando em Natal sentia-me realizado ao conversar com os amigos na escada da Igreja de São Pedro e onde aos domingos chegava o mais cedo possível para comprar “O Poti” e a “Tribuna do Norte” para o meu irmão Wellington Medeiros. Mesma época em que conheci a bela escada que dava acesso ao primeiro andar da Escola Industrial de Natal, onde prestei exame para o Ginásio Industrial em 1966. O maior detalhe é que ao término da escada existe uma porta corrediça que depois de fechada deixa isolado quem subiu e impede a entrada de quem chegou fora de hora.
Em seguida veio a Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte, com aquelas escadas lá do portão lateral, por onde os estudantes entravam como que a cada dia subindo na vida. Depois a escada do Padre Miguelinho, que nos levava ao primeiro andar do Científico de Engenharia, após passar pela inspetora Dona Antônia. A partir de 1974, vieram as escadarias do Campus da UFRN, ambiente de tantos sonhos, de tantas lutas e conquistas.
Cada escada tem sua missão, como aquela escada do Arpege, de madeira e corrimão; a escada da Brodway, boate que existiu na rua Felipe Camarão e onde um dia errei o batente no começo da descida e terminei lá embaixo mas sem arranhões, pois era acarpetada. Da mesma forma que errei também um batente na escada interna do Incra e foi um Deus nos acuda. Graça me ajudou a levantar.
Certa vez Graça e eu tivemos de esperar horas numa escada por uma empregada que tinha a chave do apartamento onde ficamos em Brasília. Mesma época em que o chique em Natal era ir á Cidade Alta conhecer a primeira escada rolante, inaugurada nas Lojas Americanas (Ou Lobrás? - indaga a amiga Lucília Lira). E depois subíamos por anos seguidos as tradicionais escadas da Companhia Editora do Rio Grande do Norte – Cern, Imprensa Oficial do Estado, onde trabalhamos desde 1979.
As escadas marcam a gente pelas suas características e momentos que nelas passamos. Como as visitas ao Forte dos Reis Magos, passando naquela escada sem corrimão, grande aflição para quem tem aerofobia. E no Farol de Mãe Luiza, com aquele formato redondo no qual se dá inúmeras voltas para poder chegar ao parapeito e apreciar as belezas do mar potiguar.
Algumas escadas levam a outros tipos de lembranças, como aquela do Hospital São Lucas, que se sobe para visitar parentes ou amigos em tratamento, no simbolismo do patrono da medicina. As escadas do Palácio Felipe Camarão, hoje tão achincalhado pelas ocupações desnorteadas. Além do que nas redações sempre chamavam atenção ao tempo em que a sede do Governo do Estado era na Praça 7 de Setembro e todos ficavam atentos quando alguém subia as escadas do Palácio Potengi. Dependendo de quem subisse, algo importante poderia acontecer para o Estado e seu povo.
Há poucos anos escrevi crônica relatando que uma amiga nossa de origem humilde chorou ao subir as escadas da Universidade de Coimbra e ser recebida como Doutora. A curiosidade e oportunidade me fizeram passar em Coimbra e contemplar aquela bela escadaria na viagem que fizemos este ano, na qual passamos dias em Portugal. Também na Europa uma das lembranças mais fortes é da escada da Catedral de Brugges, na Bélgica, onde se sobe o equivalente a um prédio de dezessete andares sem corrimão, apoiado apenas numas tiras de sola presas às linhas. Grande aflição.
Fascina também percorrer tantas escadas pelas estações de trem e metrô, que nos levam por labirintos criados pelo tempo, nas mais variadas formas arquitetônicas. Ou as escadas da Torre de Belém, em Lisboa, de onde saiu Pedro Álvares Cabral na sua nau para descobrir o Brasil. E ainda tão íngreme escadaria do Arco do Triunfo, em Paris, tantos batentes pisados por quem fez tanta história. Ali pode-se subir por etapas, pois em pelo menos dois pontos há batentes para descansar. Mas depois pode saber também que há um elevador que leva ao mesmo destino; o grande mirante para apreciar muitas belezas de Paris.
*Jornalista
waltermedeiros@supercabo.com.br
Uma foto do amigo repórter João Maria Alves mostra uma escada da entrada de um prédio de estilo colonial e me faz refletir sobre aquele trecho, tão importante e tão simbólico da vida. A escada, com seus batentes, que nos faz subir e descer, entrar e sair dos mais variados ambientes. Além de tudo que pode acontecer naquele lugar onde hoje, por questão de segurança, os arquitetos procuram fazer com paredes transparentes, grandes aberturas, janelas e todo tipo de ângulo de visão. Ao mesmo tempo, a amiga Tatiana Gonçalves, do Porto – Portugal, envia foto de uma escada cujos batentes foram transformados em gavetas, utilizando melhor o espaço para guardar de tudo.
A primeira lembrança de escada me vem de quando criança atravessava uma bela alameda com eucaliptos e subia para a bela igreja de Mata Grande, situada num local bem elevado. Era um percurso inesquecível, pelo perfume e beleza do local. Em seguida, na mudança para o Rio Grande do Norte, pegamos um trem em Arco-Verde, Pernambuco, direto para Natal. Para não perder o trem, minha mãe me puxou pela mão e ao subir a escada do vagão escorreguei e minha tíbia bateu forte na quina do batente de ferro. Até hoje sinto aquela dor e sei exatamente o local da pancada.
Já morando em Natal sentia-me realizado ao conversar com os amigos na escada da Igreja de São Pedro e onde aos domingos chegava o mais cedo possível para comprar “O Poti” e a “Tribuna do Norte” para o meu irmão Wellington Medeiros. Mesma época em que conheci a bela escada que dava acesso ao primeiro andar da Escola Industrial de Natal, onde prestei exame para o Ginásio Industrial em 1966. O maior detalhe é que ao término da escada existe uma porta corrediça que depois de fechada deixa isolado quem subiu e impede a entrada de quem chegou fora de hora.
Em seguida veio a Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte, com aquelas escadas lá do portão lateral, por onde os estudantes entravam como que a cada dia subindo na vida. Depois a escada do Padre Miguelinho, que nos levava ao primeiro andar do Científico de Engenharia, após passar pela inspetora Dona Antônia. A partir de 1974, vieram as escadarias do Campus da UFRN, ambiente de tantos sonhos, de tantas lutas e conquistas.
Cada escada tem sua missão, como aquela escada do Arpege, de madeira e corrimão; a escada da Brodway, boate que existiu na rua Felipe Camarão e onde um dia errei o batente no começo da descida e terminei lá embaixo mas sem arranhões, pois era acarpetada. Da mesma forma que errei também um batente na escada interna do Incra e foi um Deus nos acuda. Graça me ajudou a levantar.
Certa vez Graça e eu tivemos de esperar horas numa escada por uma empregada que tinha a chave do apartamento onde ficamos em Brasília. Mesma época em que o chique em Natal era ir á Cidade Alta conhecer a primeira escada rolante, inaugurada nas Lojas Americanas (Ou Lobrás? - indaga a amiga Lucília Lira). E depois subíamos por anos seguidos as tradicionais escadas da Companhia Editora do Rio Grande do Norte – Cern, Imprensa Oficial do Estado, onde trabalhamos desde 1979.
As escadas marcam a gente pelas suas características e momentos que nelas passamos. Como as visitas ao Forte dos Reis Magos, passando naquela escada sem corrimão, grande aflição para quem tem aerofobia. E no Farol de Mãe Luiza, com aquele formato redondo no qual se dá inúmeras voltas para poder chegar ao parapeito e apreciar as belezas do mar potiguar.
Algumas escadas levam a outros tipos de lembranças, como aquela do Hospital São Lucas, que se sobe para visitar parentes ou amigos em tratamento, no simbolismo do patrono da medicina. As escadas do Palácio Felipe Camarão, hoje tão achincalhado pelas ocupações desnorteadas. Além do que nas redações sempre chamavam atenção ao tempo em que a sede do Governo do Estado era na Praça 7 de Setembro e todos ficavam atentos quando alguém subia as escadas do Palácio Potengi. Dependendo de quem subisse, algo importante poderia acontecer para o Estado e seu povo.
Há poucos anos escrevi crônica relatando que uma amiga nossa de origem humilde chorou ao subir as escadas da Universidade de Coimbra e ser recebida como Doutora. A curiosidade e oportunidade me fizeram passar em Coimbra e contemplar aquela bela escadaria na viagem que fizemos este ano, na qual passamos dias em Portugal. Também na Europa uma das lembranças mais fortes é da escada da Catedral de Brugges, na Bélgica, onde se sobe o equivalente a um prédio de dezessete andares sem corrimão, apoiado apenas numas tiras de sola presas às linhas. Grande aflição.
Fascina também percorrer tantas escadas pelas estações de trem e metrô, que nos levam por labirintos criados pelo tempo, nas mais variadas formas arquitetônicas. Ou as escadas da Torre de Belém, em Lisboa, de onde saiu Pedro Álvares Cabral na sua nau para descobrir o Brasil. E ainda tão íngreme escadaria do Arco do Triunfo, em Paris, tantos batentes pisados por quem fez tanta história. Ali pode-se subir por etapas, pois em pelo menos dois pontos há batentes para descansar. Mas depois pode saber também que há um elevador que leva ao mesmo destino; o grande mirante para apreciar muitas belezas de Paris.
*Jornalista
domingo, 29 de setembro de 2013
Caetanópolis e os nossos sonhos
Walter Medeiros
waltermedeiros@supercabo.com.br
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No rumo da Via Costeira, à nossa frente um ônibus nos traz boas lembranças de um tempo em que alimentávamos certos sonhos, alguns realizados outros impedidos pelo curso indomável da vida. Era um ônibus de turismo com a placa de Caetanópolis, Minas Gerais. A maior lembrança naquele momento era de um churrasco que comemos naquela cidade em um restaurante com bela decoração de bambu. Um churrasco inesquecível, num ambiente que era um verdadeiro encanto. O lugar parecia o portal para um belo futuro.
Até chegar àquele lugar de Minas Gerais onde passavam os ônibus de linha no rumo de Brasília, havíamos – Graça e eu enfrentado dois dias de estrada a partir de Natal, por Caicó e demais cidades por onde passavam os ônibus da Viação Planalto. Era a viagem de retirantes que seguiam em busca de seus sonhos na capital federal. Ao nosso lado um cidadão gordo com um neto de uns sete anos chamado Cristiano, que comia tudo que se pode imaginar saído de uns sacos e pacientemente diziam que estava perto de chegarem ao lar, em Itumbiara.
Redator da Rádio Planalto e free-lancer da Agência Apoio, depois de uma promessa de emprego frustrada, eu insistia em ficar em Brasília. Graça havia ingressado no SESC nacional como assistente social e se sentia realizada com atividades junto a idosos. Morávamos numa casa de cômodos – suíte - da W3-Sul, 706, em frente à Casa do Pão e a duzentos metros do Restaurante Espanhol. Para nós era melhor que a distância do Guará, onde poderíamos ter alugado um apartamento até por menos que o preço que pagávamos a seu Jonas, um paulista de sotaque carregado.
Aquela viagem em 1979 nos levou a acompanhar momentos importantes de Brasília, como as manifestações de solidariedade aos presos políticos de Itamaracá, realizadas na Praça Goiás toda semana; a primeira manifestação de professores do Governo do Distrito Federal, onde minha falta de olfato por ser fumante me fez ficar parado enquanto a multidão se dispersava, sem perceber o cheiro do gás lacrimogêneo aos meus pés; a chegada da Anistia política; e as reações do regime militar.
Os parcos recursos de que dispúnhamos nos trouxeram o benefício de conhecer Brasília e cercanias de forma espetacular. Todo fim de semana tínhamos uma cidade satélite para visita e conviver com amigos. Dona Ceci, em Sobradinho; Arlete, secretária de Henrique Eduardo Alves e seu marido, Pinto, no Núcleo Bandeirante; alguém do Gama; e colegas de trabalho do próprio plano piloto. Aí destacam-se Auxiliadora Targino e Amantino Teixeira; Alexandre Cavalcante e Dulcinéia; e Vanilza e Edinho.
Brasília era tudo isso e muito mais para nós. Uma vida de encontro no Venâncio 2000 ou no Conjunto Nacional; alguma noite no Centro Gilberto Salomão; o pastel com caldo de cana da Rodoviária; a varanda do aeroporto para assistir a partida dos conterrâneos que despachávamos. Do restaurante Roma e da Escola da 302 onde faziam saraus os jovens poetas; conhecemos e almoçamos com Sílvio Caldas, que amava Natal; e onde ouvíamos um poeta dizer: “Minha namorada / viajou para Porto Alegre / e eu fiquei aqui a ver Ministérios”.
domingo, 22 de setembro de 2013
Micheline Borges e a Justiça
Walter Medeiros
waltermedeiros@supercabo.com.br
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A comoção que se seguiu à infeliz declaração da jornalista conterrânea Micheline Borges sobre as médicas cubanas parece ter sido capaz de impedir qualquer reflexão mais equilibrada sobre o fato. Agora o episódio toma um rumo mais duro ainda, que é a cobrança que passa a ser feita no Judiciário por parte do Sindicato das Empregadas Domésticas, cuja categoria se sentiu ofendida, com razão, pelas declarações.
Neste momento é preciso olhar o episódio como algo resultante dos vícios arraigados na nossa sociedade e dele oferecer e tirar as lições que forem possíveis, por mais difíceis e lamentáveis que se configurem. Desde o primeiro momento em que vi a declaração na internet senti que se tratava de uma tentativa de fazer graça com coisa séria, o que finda se transformando sempre em brincadeira de mau gosto. Entretanto, imediatamente, certa ou errada, bem ou mal, porém a seu modo, a jornalista fez uma espécie de retratação, mesmo que enviesada. Na ânsia de repercutir, propagar e condenar com toda veemência, pouca atenção foi dada ao que ela tentou mostrar.
Inicialmente, a jornalista Micheline Borges afirmou que “Foi um comentário infeliz”. Esta frase já mostrava o início do reconhecimento de que não agira de forma aceitável. Em seguida, ela disse que “só gostaria de pedir desculpas”. Mais uma mostra de que tentava se redimir de um ato condenável e impensado, mas que já havia sido praticado; estava sem jeito. Na mesma sentença, a jornalista revelava: “fiquei muito angustiada.”. Ninguém gostaria de estar em seu lugar nessa hora de angústia, nem cabe a mim, pelo menos, duvidar do seu sofrimento. Tenho de olhar como verdadeiras as suas palavras.
“Não tenho preconceito com ninguém, não quis atingir ninguém, nem ferir a imagem nem a profissão de ninguém”, disse mais a jornalista, em palavras que não explicavam nem justificavam, mas que ninguém pode ignorar e deixar de enxergar o que disse. Da mesma forma que não foi muito feliz a explicação que tentou dar ao dizer que o fato “Ganhou uma proporção muito grande nas redes sociais, onde as pessoas interpretam do jeito que querem.”. Ali não se tratava de interpretação. A afirmação infeliz foi muito clara e não tinha nada para se achar que ninguém iria distorcer.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte (Sindjorn), em sua nota, lamentou a "postura equivocada, falta de zelo e respeito" da colega. Aproveitou para explicar que atua na vigilância constante contra "qualquer tentativa de cercear o direito de imprensa e opinião", mas "não admite nenhum tipo de preconceito".
Esse fato deve servir de exemplo, mas as pessoas, as entidades e a Justiça precisam fazer a sua cobrança com um mínimo de respeito e humanidade. Não seria porque ela foi desrespeitosa que deveria ser tratada de forma idêntica pelas instituições a quem cabe promover a reparação. Já vimos que o fato infortunado gerou para ela grande sofrimento. Pelo menos uma retratação ela já fez, imediatamente, aliás. O que mais dever, que seja cobrado de forma respeitosa.
Se a jornalista tem e externou opinião condenável, que o chamamento sirva para lhe mostrar que a sociedade e a humanidade não admitem tal postura de ninguém; não só dela. É possível acreditar que ela pode mudar e aprender a lição, passando até mesmo a buscar entender com clareza o significado antissocial da sua atitude. Esperamos que a Justiça conduza o caso de forma a sanar o problema e não a o agravar.
domingo, 25 de agosto de 2013
A noite de Khrystal
Walter Medeiros
Jornalista
Jornalista
Uma voz forte, uma mulher animada, músicos competentes, um palco e uma platéia envolvida e ávida por música de qualidade. Assim estava preparado o cenário da noite de sábado, 17/08/2013, no Restaurante Poti. Assim realizou-se um excelente espetáculo, com interpretações belíssimas de músicas próprias ou de grandes nomes do cancioneiro nordestino e nacional. Um toque diferente, surpreendente e agradável na noite de Khrystal.
Podemos dizer que foi um momento memorável. Um passeio por um belo repertório, com um molejo invejável. Cada acorde transmitia uma forte sensação de respobsabilidade. Ao lado alguém sussurrava que a cantora demonstrava saber o que estava fazendo, ou seja: não se tratava apenas de cantar algumas músicas, mas sim de interpretá-las com o coração e, acima de tudo, entendendo-as e mostrando-as como um contexto, um conjunto de mensagens que passavam um imenso recado.
Khrystal mostrava o seu segundo CD, denominado “Dois tempos”, que traz músicas novas e belas mensagens, sem deixar de abordar o quadro social contraditório em que vivemos. Ela transmite algumas surpresas que certamente ainda darão muito o que falar, entre elas, para citar apenas uma grande, a música denominada “Zona Norte, Zona Sul”, uma radiografia de Natal, bela obra de arte.
Do mesmo jeito que canta “Forró da Coréia”, de Elino Julião, ela puxa todo mundo prá dançar côco de roda e explode em seguida com outras canções que levam uma conhecida roqueira atenta a dizer que ela é um verdadeiro furacão no palco. Tudo isso com a simplicidade que a faz atender bem a todos que abordam em seguida para os mais diversos diálogos rápidos de fim de show.
Dali ela sai com agenda invejável: dia 23 em Pipa cantará ao ar livre com Ivan Lins. Depois tem dois shows no Ceará. E segue por caminhos misteriosos que com certeza a transformarão numa estrela maior do que já é. Os palcos por onde está andando estão ficando pequenos para a dimensão do seu trabalho, cujo resultado não poderá ser outro senão acontecer em todos os lugares. Sucesso, Khrystal!
domingo, 11 de agosto de 2013
Uma bandeira suprapartidária
Walter Medeiros
waltermedeiros@supercabo.com.br)
waltermedeiros@supercabo.com.br)
Recentemente voltaram à tona imagens das campanhas pelas diretas já, anistia e constituinte, que nos remeteu aos anos oitenta, quando o Brasil buscava seu novo rumo e o encontrou. Vendo a foto do comício da Praça da Sé realizado em 25 de janeiro de 1984, aniversário de São Paulo, lembrei que eu estava naquela multidão, calculada em 500 mil pessoas pelo Estado de S. Paulo e 300 mil pela Folha.
É preciso refletir e agir com base no fato de que não houve nenhum incidente, ninguém saiu arranhado e nenhum bem público ou privado foi depredado em ações descontroladas durante aquela manifestação embora tenham ocorrido incidentes esparsos durante esses anos. Mas ultimamente as manifestações têm descambado para atos criminosos cujo enfrentamento e prevenção tem sido tardia por parte dos órgãos responsáveis pela segurança.
Devemos observar que os serviços públicos no Brasil, no Rio Grande do Norte, em Natal, são bem pagos pelos contribuintes, mas funcionam de forma incompleta, insuficiente, precária e descontrolada. Aqueles que querem ser respeitados como autoridades deixaram de dar as respostas apropriadas às necessidades da população e isto tem levado ao caminho do caos.
Pior e mais lamentável ainda é o extremo absurdo que se espalha pelo Brasil, onde a disputa entre políticos de variados partidos e tendências é para mostrar quem é mais corrupto, quem é mais desonesto, quem desviou mais recursos públicos.
Em meio a tudo isso, cabe uma prevenção maior: PT, PMDB, PSDB, PC do B, PSTU, todos, enfim, tem suas aspirações históricas e do momento, mas para coibir qualquer retrocesso sobre o regime democrático precisam estar unidos - de forma suprapartidária - em defesa da liberdade e das garantias da democracia brasileira.
Esse compromisso precisa ser definido e praticado, para fazer face a coisas estranhas e esquisitas que estão acontecendo Brasil afora, inclusive relacionadas com as comemorações do 7 de Setembro. Dentro desta confusão que beira o caos, que fique clara a determinação do povo brasileiro de seguir em frente nas suas conquistas.
É importante ter atenção inclusive para decisões judiciais equivocadas que findam configurando-se verdadeiros atos de censura aos meios de comunicação social e cerceamento à liberdade de expressão.
Se não se percebe o que ocorre e permite o abuso de autoridade junto com o desrespeito aos princípios mais sagrados da democracia, corre-se o risco de achar normal a convivência com a violência e o cerceamento das garantias e dos direitos individuais.
domingo, 4 de agosto de 2013
Liberdade para os médicos
Walter Medeiros
Jornalista
waltermedeiros@supercabo.com.br
A categoria dos médicos tem sido uma das mais cotejadas pelo comportamento, postura, atos e fatos ligados ao seu trabalho diário no que diz respeito à ética e legislação. À ética, devido ao surgimento frequente de situações que levam os médicos a responderem diante dos Conselhos Nacional e Regionais de Medicina, para explicar ocorrências e reclamações. À legislação, porque muitos dos problemas abordados em processos éticos terminam transformando-se em processos judiciais, levando o Poder Judiciário a se pronunciar, absolvendo ou condenando os profissionais por ações inadequadas ou crimes cometidos.
O Código de Ética é desrespeitado por muitos, basta ver as estatísticas dos Conselhos e os relatos dos livros de ocorrências ou informações que chegam através de pessoas enfermas, parentes e imprensa. Na maioria das vezes esse desrespeito parte de maus profissionais que não deviam fazer parte da categoria, tanto que têm seus registros cassados; como por outros que agem mal e recebem punições menos graves. Nesse caso a norma interna cumpre papel importante na categoria e na sociedade.
Mas é importante observar que o citado código pode, em muitos casos determinar o que os médicos não podem fazer, e para isto estão estipuladas punições, porém uma coisa que o Código de Ética Médica não faz é proibir os médicos de pensar, de ter opinião e defendê-la. Para ter opinião e defendê-la livremente existe a liberdade de expressão em princípio, e a própria Constituição Federal que assegura esse direito não somente aos médicos, mas a qualquer cidadão.
Percebe-se, entretanto, um temor exagerado e assombrado da maior parte da categoria dos médicos em tratar da técnica denominada auto-hemoterapia. Esse temor leva a um clima um tanto medieval para o meio profissional, decorrente das reações autoritárias, truculentas e absurdas do Conselho Federal de Medicina, que proibiu o uso da AHT pelos seus filiados com base em um parecer incompleto, distorcido e cheio de falhas, que devia causar vergonha aos profissionais, pelo mal que a decisão tem feito aos cidadãos há mais de cinco anos.
O fato é que a auto-hemoterapia foi proibida de forma ilegal e a ninguém é dado como digno seguir uma norma que considere injusta. Se a considera injusta, mesmo que cumpra a contra gosto o mais razoável e contestá-la e ajudar a derrubá-la. Os médicos estão cerceados no direito de exercer a arte de curar, mas não estão proibidos de estudar, analisar, avaliar, pesquisar e defender a auto-hemoterapia quando tiverem convicção de que ela é eficaz. Sua eficácia vem sendo comprovada há mais de cem anos, basta acessar toda documentação existente e que teve parte considerável e importante desprezada pelo CFM em seu parecer com a desculpa descabida de que estavam escritos em outros idiomas.
A sociedade brasileira precisa de médicos corajosos, competentes e humanos suficiente para entender a auto-hemoterapia como parte da sua profissão, aplicar, recomenda e defendê-la com base nos fatos inegáveis. Os que assim não agem podem ser considerados desinteressados com o que poderia ser melhor para sua clientela, omissos ou adeptos do grande grupo de médicos que optaram por uma vida de capacho das indústrias farmacêuticas, em troca de dinheiro, presentes ou vantagens sempre decorrentes da desgraça do povo. A auto-hemoterapia não interessa a quem vende os remédicos que os pacientes deixam de comprar.
Precisamos de médicos corajosos, sérios e honestos como Dr. Luiz Moura, Dr. Alex Botsaris, Francisco Rodrigues, Dr. Tarcísio Gurgel, Dr. Luiz Mattoso, Stênio Barros, Gilberto Lopes da Silva Júnior, Marcus Mac-Ginity, Ronaldo João, Júlio Bandeira, Jorge Martins Cardoso, Karina Oliveira Drumond, Alessandra Mandaloufas, Francisco Humberto, Wu Tou Kwang, Alberto Carlos David, Jessé Teixeira, Ricardo Veronesi. É hora de outros tomarem a frente e empreenderem alguma ação no âmbito da categoria ou reforçarem as fileiras dos mercenários.
Sejam quais forem os elementos que tiverem em mãos, cabe aos médicos derrubarem esta ordem enviesada que prejudica a categoria. É hora de externarem um grito de liberdade contra essa injustiça. Defender a auto-hemoterapia por tudo que cada um tem vivenciado em seu ambiente de trabalho será um grande serviço prestado à humanidade. Conclamamos todos os médicos a se manifestarem sobre o assunto, entre eles todos aqueles inúmeros que usam a auto-hemoterapia e estão se dando bem ao cuidarem da própria saúde, os que usam de forma clandestina e sabem que a técnica funciona e os que indicam mesmo sem carimbar e assinar a receita, por saberem que a auto-hemoterapia é eficaz. Liberdade para os médicos.
Jornalista
waltermedeiros@supercabo.com.br
A categoria dos médicos tem sido uma das mais cotejadas pelo comportamento, postura, atos e fatos ligados ao seu trabalho diário no que diz respeito à ética e legislação. À ética, devido ao surgimento frequente de situações que levam os médicos a responderem diante dos Conselhos Nacional e Regionais de Medicina, para explicar ocorrências e reclamações. À legislação, porque muitos dos problemas abordados em processos éticos terminam transformando-se em processos judiciais, levando o Poder Judiciário a se pronunciar, absolvendo ou condenando os profissionais por ações inadequadas ou crimes cometidos.
O Código de Ética é desrespeitado por muitos, basta ver as estatísticas dos Conselhos e os relatos dos livros de ocorrências ou informações que chegam através de pessoas enfermas, parentes e imprensa. Na maioria das vezes esse desrespeito parte de maus profissionais que não deviam fazer parte da categoria, tanto que têm seus registros cassados; como por outros que agem mal e recebem punições menos graves. Nesse caso a norma interna cumpre papel importante na categoria e na sociedade.
Mas é importante observar que o citado código pode, em muitos casos determinar o que os médicos não podem fazer, e para isto estão estipuladas punições, porém uma coisa que o Código de Ética Médica não faz é proibir os médicos de pensar, de ter opinião e defendê-la. Para ter opinião e defendê-la livremente existe a liberdade de expressão em princípio, e a própria Constituição Federal que assegura esse direito não somente aos médicos, mas a qualquer cidadão.
Percebe-se, entretanto, um temor exagerado e assombrado da maior parte da categoria dos médicos em tratar da técnica denominada auto-hemoterapia. Esse temor leva a um clima um tanto medieval para o meio profissional, decorrente das reações autoritárias, truculentas e absurdas do Conselho Federal de Medicina, que proibiu o uso da AHT pelos seus filiados com base em um parecer incompleto, distorcido e cheio de falhas, que devia causar vergonha aos profissionais, pelo mal que a decisão tem feito aos cidadãos há mais de cinco anos.
O fato é que a auto-hemoterapia foi proibida de forma ilegal e a ninguém é dado como digno seguir uma norma que considere injusta. Se a considera injusta, mesmo que cumpra a contra gosto o mais razoável e contestá-la e ajudar a derrubá-la. Os médicos estão cerceados no direito de exercer a arte de curar, mas não estão proibidos de estudar, analisar, avaliar, pesquisar e defender a auto-hemoterapia quando tiverem convicção de que ela é eficaz. Sua eficácia vem sendo comprovada há mais de cem anos, basta acessar toda documentação existente e que teve parte considerável e importante desprezada pelo CFM em seu parecer com a desculpa descabida de que estavam escritos em outros idiomas.
A sociedade brasileira precisa de médicos corajosos, competentes e humanos suficiente para entender a auto-hemoterapia como parte da sua profissão, aplicar, recomenda e defendê-la com base nos fatos inegáveis. Os que assim não agem podem ser considerados desinteressados com o que poderia ser melhor para sua clientela, omissos ou adeptos do grande grupo de médicos que optaram por uma vida de capacho das indústrias farmacêuticas, em troca de dinheiro, presentes ou vantagens sempre decorrentes da desgraça do povo. A auto-hemoterapia não interessa a quem vende os remédicos que os pacientes deixam de comprar.
Precisamos de médicos corajosos, sérios e honestos como Dr. Luiz Moura, Dr. Alex Botsaris, Francisco Rodrigues, Dr. Tarcísio Gurgel, Dr. Luiz Mattoso, Stênio Barros, Gilberto Lopes da Silva Júnior, Marcus Mac-Ginity, Ronaldo João, Júlio Bandeira, Jorge Martins Cardoso, Karina Oliveira Drumond, Alessandra Mandaloufas, Francisco Humberto, Wu Tou Kwang, Alberto Carlos David, Jessé Teixeira, Ricardo Veronesi. É hora de outros tomarem a frente e empreenderem alguma ação no âmbito da categoria ou reforçarem as fileiras dos mercenários.
Sejam quais forem os elementos que tiverem em mãos, cabe aos médicos derrubarem esta ordem enviesada que prejudica a categoria. É hora de externarem um grito de liberdade contra essa injustiça. Defender a auto-hemoterapia por tudo que cada um tem vivenciado em seu ambiente de trabalho será um grande serviço prestado à humanidade. Conclamamos todos os médicos a se manifestarem sobre o assunto, entre eles todos aqueles inúmeros que usam a auto-hemoterapia e estão se dando bem ao cuidarem da própria saúde, os que usam de forma clandestina e sabem que a técnica funciona e os que indicam mesmo sem carimbar e assinar a receita, por saberem que a auto-hemoterapia é eficaz. Liberdade para os médicos.
Aflição e morte nos hospitais
Walter Medeiros
Jornalista
Jornalista
A vida da população brasileira que tenta cuidar da sua saúde através de terapia alternativa que tem mais de cem anos de eficácia comprovada - a Auto-hemoterapia - em muitas ocasiões finda sendo aflitiva. A terapia está proibida de forma esdrúxula desde 2007 e sua proibição tem explicações: por um lado, pelo fato de não gerar lucros para as empresas da área de saúde nem maiores impostos para o governo; por outro, resolveria muitos problemas de saúde, o que acarretaria a diminuição das vendas de medicamentos e sofisticados equipamentos médicos.
A citada aflição ocorre em situações como a que vive, por exemplo, uma internauta que postou mensagem no Facebook com o seguinte conteúdo: “Amigos me ajudem, a irmã do meu melhor amigo está com câncer na coluna e fígado, internada no INCA (Instituto do Câncer) e segundo ele os médicos já desenganaram. Falei muito da AHT (Auto-hemoterapia), ele até conhece, por ser também enfermeiro, mas disse que os médicos nunca aceitariam, e como ela esta internada eles jamais permitiriam fazer. Ela faz radioterapia, vocês acham que a AHT funcionaria nesse caso? Ela está muito mal mesmo!”.
Esta mensagem leva diretamente a uma reflexão: desenganado pode morrer, mas não pode usar AHT. Aí, só podemos concluir que o CFM (Conselho Federal de Medicina) e a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) fazem mal a saúde. Pois a doente está desenganada, poderia usar AHT, mas aqueles órgãos de saúde preferem que morra. Por causa desses órgãos, os médicos não admitem que tente sobreviver com auto-hemoterapia. A ordem médica decorre de obediência a um Parecer precário do CFM e uma Nota Técnica autoritária da Anvisa. Assim, na prática o que ocorre é que o doente pode morrer, mas não pode usar auto-hemoterapia.
Mais grave ainda é que a pessoa doente tem 20 anos e convive com o câncer desde os 13, e está com metástase. Muitas pessoas comentaram a mensagem da internauta, sugerindo o uso da auto-hemoterapia e uma delas afirma que “se fosse parente meu, nessa situação, eu daria o jeito que fosse, mas tentaria!”. Outro diz que “Se os médicos dizem que já não podem fazer mais nada, eles não podem nem achar ruim a tentativa. Eu tentaria”. Só que não se trata do primeiro caso desse tipo. Enquanto estiver no hospital, o doente morre, mas não permitem, porque aquela ordem desumana e injusta prevalece.
Um dos participantes da discussão informa que conhece um caso de uma pessoa que fez auto-hemoterapia e curou câncer de medula, o que fez o seu médico ficar abismado ao constatar que não tinha nada depois de um mês. Por outro lado, uma internauta defende que já que eles a desenganaram, poderia trazê-la para casa, ai sim começar a fazer a AHT e “esperar a vontade de Deus”.
Participei da conversa opinando que “Aí está uma situação na qual o enfermo tem direito de escolher inclusive a auto-hemoterapia. Tem médicos (Uma parte da categoria) que prefere ver os paciente morrerem a deixar testar a AHT, pois com certeza terão grandes surpresas na melhora do quadro do doente”. Eu mesmo ofereci informações sobre a técnica para uma amiga que preferiu atender à proibição do médico, não usou a técnica alternativa, definhou e faz uns três anos que está no cemitério.
domingo, 7 de julho de 2013
Ailson Bonifácio – O propagador de sonhos
Walter Medeiros
Jornalista
Jornalista
Ao anoitecer nessa quarta-feira, 03 de julho de 2013, Natal recebeu com tristeza a notícia da morte do radialista Ailson Bonifácio, 78 anos, conforme disse uma notícia “um dos mais antigos e conhecidos técnicos em radiodifusão no Rio Grande do Norte”. Convivi com Ailson Durante o período em que trabalhei na Rádio Cabugi, mas já o conhecia de muitas outras histórias e continuei acompanhando sua fascinante trajetória durante todo esse tempo.
Sobre o trabalho de Ailson, posso dizer muitas coisas, para tentar estabelecer a sua real importância. Quando Aluízio Alves cruzou o Rio Grande do Norte para ser governador em 1960, lá estava ele, com seu trabalho de retaguarda garantindo as transmissões da Rádio Cabugi para os pronunciamentos, as passeatas e os comícios. Assim fez durante todo esse tempo, colocando no ar a Rádio até sob a escolta dos militares quando o obrigaram certa vez, de madrugada a colocar a rádio no ar para divulgação de um comunicado.
Era Ailson quem comandava a parte técnica quando a Cabugi resolveu modernizar sua programação e colocou no ar a chamada “Vitrola Mágica”, com a famosa “unidade móvel de frequência modulada”. Era um transmissão dentro de um carro, que levava junto um locutor, para proporcionar a interação com os ouvintes. Nos carnavais, lá estavam equipes da rádio nos clubes e nas ruas com microfone na mão e sinal garantido por ele. O mesmo sinal que fez a Cabugi tansmitir, com Celso Martinelli, ABC x Fenebarche da Turquia e outros jogos. E o povo potiguar o conhecia muito bem, pois seu nome era festejado e sempre citado durante toda a programação.
O trabalho de Ailson não era fácil nem menos complicado como hoje, quando os equipamentos são consertados através da substituição de circuitos inteiros e pronto. Ailson navegava pelos meandros da eletrônica sabendo o que significava a corrente que seguia pelo filamento das válvulas, da resistência de tracinhos coloridos, da energia acumulada nos capacitores, na intensidade dos hertz proporcionada pelo movimento dos condensadores variáveis. Era algo fascinante vê-lo com um ferro de soldar na mão diante de um chassi de qualquer equipamento, garantindo a circulação dos ohms, picofaradys, watts, amperes e volts.
Depois de tudo isto, era uma explosão de belos, potentes e agradáveis sons, com vozes, músicas e até ruídos, quando necessários ou incontroláveis. Ailson viveu desde o tempo da galena – aquele radinho feito no fundo do quintal com uma bobina improvisada e uma quenga de coco, até a emocionante página da AM 640, que diz na Internet – “Assista ao vivo”.
Cada potiguar tem alguma boa lembrança de Ailson Bonifácio. Eu, felizmente, tenho muitas. Além de todas essas citadas, lembranças das festas do Clubinho TN RC na Churrascaria Dom Pedrito, nos transmissores e nas viagens inesquecíveis à Lagoa do Bomfim e Tibau. Daquela sua voz, do seu sorriso e do seu jeito tão pacífico, que compreendia o ser humano como ninguém. Os problemas não tiravam sua paciência e para muitos ele era mesmo uma espécie de conselheiro, amigo, irmão. Siga em paz, amigo.
domingo, 10 de março de 2013
UNIMED – Luxo e falta de médicos
Walter Medeiros*
waltermedeiros@supercabo.com.br
A UNIMED – Cooperativa de Trabalho dos Médicos vem há alguns anos repetindo práticas perigosas para quem pretende manter-se e realizar o seu objetivo mais importante, que seria prestar serviços de saúde. Ao invés de investir e desenvolver esforços para atender as necessidades dos clientes, investe na aparência, criando diuturnas e seguidas situações de conflito e crise com pessoas que precisam do atendimento. Ao invés de facilitar a vida de quem paga caro pelo plano de saúde, opta por sempre dificultar esse atendimento, irritando muita gente.
Os clientes sabem que quando precisam fazer certos exames, procedimentos ou cirurgias são obrigados a se deslocar até uma unidade da cooperativa localizada à rua Joaquim Manoel ou na Apodi, dependendo do assunto. Sabem que lá chegando encontrarão prédios caracterizados, climatizados, com estacionamento pago (nem isso oferecem), portas automáticas, móveis modernos, monitores de última geração, controle automático de fichas. Encontrarão também muitas pessoas vestindo trajes elegantes, a maioria expondo beleza natural e maquiagens.
Tudo isso, no entanto, de nada serve quando o usuário chega para marcar o que poderia ser marcado no consultório, sem essa relação de desconfiança que poderia ser resolvida por outro estilo de auditoria que não aquela que leva toda clientela a se humilhar aos pés do médico auditor. Além da humilhação, em meio a tanta beleza existe uma grande desorganização, que faz com que sócios de atendimento preferencial sejam atendidos depois, em vista de falta de controle e gerência. Além do que, se o sistema de informática falha, a pessoa morre à míngua, pois os funcionários não utilizam o método manual para atender essas emergências, inclusive nas faltas de energia. Aí está outra aberração: falta de energia suspende atendimento, ao invés de manterem o serviço através de no-break ou geradores.
Parece muito, mas tem coisas mais graves: as remunerações dos médicos credenciados e cooperados, que é irrisória e está afastando muitos profissionais dos quadros da UNIMED, em todas as especialidades. Aí sobra para os clientes, que pagam o plano de saúde e em muitos momentos têm de pagar consultas e procedimentos particulares aos médicos de confiança, que a cooperativa mantinha como cooperados mas tiveram de deixar o vínculo, recusando-se a trabalhar por remuneração aviltante. Basta permanecer minutos num desses pontos ou outros prédios suntuosos da UNIMED, para tomar conhecimento da vasta lista de médicos bons que deixaram os quadros da cooperativa. Consequentemente, essa situação do plano de saúde no qual as pessoas confiaram - muitas delas desde a sua fundação – levam os cidadãos a se sacrificarem financeiramente, se quiserem continuar sendo atendidas pelos médicos de sua confiança.
Esta abordagem faço na qualidade de cliente Unimed desde data próxima à sua fundação – com um pequeno hiato involuntário de alguns dias de Agmed. Já cheguei a escrever cartas para a direção que resultaram em melhorias no atendimento e nos tratamentos do seu hospital. Torço sinceramente para que a cooperativa encontre um rumo menos preocupante que este, onde o sinal vermelho para a sua saúde como plano é a debandada de muitos bons médicos. A UNIMED jamais deveria considerar normal essa situação. Mas trata como se nada de importante estivesse acontecendo.
domingo, 27 de janeiro de 2013
Rodolfo é fera!
--- Walter Medeiros – waltermedeiros@supercabo.com.br
Uma noite de música memorável. Um passeio numa trilha musical de surpreendente primor. Assim podemos definir em pequena parte o espetáculo liderado pelo cantor potiguar Rodolfo Amaral em 17 de janeiro de 2013 no Teatro Riachuelo. Um palco que não é para qualquer um, que foi ocupado em toda sua magnitude por ele e seus convidados Ângela Rô Rô e Glorinha Oliveira. Todos acompanhados por um grupo de músicos de alta qualidade.
A apresentação de Rodolfo Amaral envolve incontáveis gestos da história da nossa música, aliados a melodias que atravessaram épocas e se juntam a outras que têm menos tempo de compostas, porém trazem a impressão de que teriam vindo de priscas eras. Assim ele faz uma síntese de canções de repercussão universal, algumas do romantismo e da fossa, outras da saga popular, e finda sendo aplaudido de pé pelo teatro lotado de gente de todas as idades, inclusive meu sogro, de 96 anos, a quem observei várias vezes aplaudindo com entusiasmo.
Nova roupagem para “Súplica cearense”, bela performance com o fado “Casa das Mariquinhas”, estonteante interpretação de “Brasileirinho”, emocionante sutileza em “Ne me quitte pas” e a retumbante releitura de “Fera Ferida” surpreenderam a muitos que viram pela primeira vez o novo astro da música surgido em terra potiguar. Tudo isso somado aos momentos inesquecíveis em que cantou com Glorinha Oliveira, mulher de história ímpar no cancioneiro brasileiro, e Ângela Rô Rô, que comprova o sucesso que começa a fazer e sem dúvida fará no cenário nacional.
Por um momento ele teve de relatar a triste situação pela qual passou em 2012, quando foi a uma consulta médica e saiu de lá com uma paralisia facial, vítima de um erro médico que chocou, preocupou e ameaçou a sua carreira de cantor. O problema está no âmbito da Justiça. Quanto ao artista, as dúvidas foram tiradas na sua apresentação, que teve uma produção primorosa, digna dos grandes astros da música, dos grandes palcos e das grandes platéias.
Conhecia Rodolfo Amaral das suas apresentações e entrevistas na TV. Desde a primeira música que o vi cantando percebi que se tratava de um fenômeno. Apesar do contratempo acima referido, sua carreira será muito além do que almejam alguns iniciantes. Natal terá de aceitar a sua ida para outros centros, onde já se vislumbram portas que se abrem para ouvi-lo e encontrar nele uma nova voz digna do seu espaço no meio artístico.
Enquanto saía para o estacionamento, ouvia as opiniões espontâneas do público: “muito bom”, “ele é eclético”, “dinivo”, “maravilhoso”, “emocionante”. O próprio Rodolfo Amaral disse que considerava aquela momento o seu “réveillon”. Reveillon que vem depois de um período tão difícil de tratamento e que deságua nada mais nada menos que no maior palco que poderia encontrar em solo potiguar e, para sua maior emoção, com o casarão cheio e aplaudindo de pé.
domingo, 16 de dezembro de 2012
“Queremos Aluízio em 70”
--- Walter Medeiros* – waltermedeiros@supercabo.com.br
Na efervescência política dos anos sessenta, quando a disputa no Rio Grande do Norte se dava principalmente entre os seguidores do ex-governador Aluízio Alves e do senador Dinarte Mariz, firmava-se a preferência pela corrente democrática e populista que garantira a eleição do Monsenhor Walfredo Gurgel para o Governo do Estado. Havia uma sintonia que já levava às ruas uma palavra de ordem que ganhava corpo junto ao eleitorado entusiasmado da corrente denominada de “Bacuraus”, a qual dizia nos quatro cantos: “Queremos Aluízio em 70”.
Aquela demonstração de desejo do retorno de Aluízio Alves ao Governo não era nada contra o governo do Monsenhor Walfredo, mas a antecipação do que o grupo político e seus seguidores desejavam. Ela vinha como resultado de um governo que havia mudado o Rio Grande do Norte, estabelecendo modernas relações no âmbito da energia elétrica, telefonia, habitação e outros setores de forma nunca antes vista. Havia sido um grande salto para o nosso estado.
Lembro bem do meu avô, Francisco Bezerra e minha avó, Dona Constância, caracterizados do verde da Cruzada da Esperança e do retrato de Aluízio na oficina de arte onde ele (meu avô) trabalhava. Do outro lado da minha casa, a minha tia, Mariêta, que guardava orgulhosa um disco de 78 rotações com a Marcha da Esperança e outra música, com Jackson do Pandeiro, enaltecendo Aluízio. O disco ela deixou para mim e eu achei que ficaria melhor guardado no Memorial do ex-governador.
Naquele entusiasmo, ouvíamos Erivan França apresentando o programa “Falando Francamente” na rádio Cabugi, início da noite. Não deixávamos de dar uma passada e ouvir enraivecidademente Eugênio Netto fazer o seu programa na Rádio Nordeste, com aquela característica que cantava “O velho tinha razão”. E a síntese daquilo era meus parentes, entre eles Wellington Medeiros, meu irmão, radialista, já na Rádio Cabugi, comentando o que diziam: que na fronteira da Paraiba os paraibanos pediam que empresássemos Aluízio para mudar o estado vizinho.
Era a época em que os livros didáticos popularizavam o poema de Drummond que anunciava: “Tinha uma pedra no meio do caminho”. Inesperadamente, inacreditavelmente, supreendentemente, eis que vem a notícia de que os militares haviam decidido cassar o mandato e suspender os direitos políticos de Aluízio Alves e outros. Não sei e jamais saberemos o que o povo diria nas urnas de 1970, mas aquele gesto de força, arbítrio e injustiça mudou a história do Rio Grande do Norte. Calava-se o grito ensaiado do povo, que não poderia mais dizer “Queremos Aluízio em 70.
Por esses dias, a Câmara dos Deputados devolveu, simbolicamente, os mandatos de 173 deputados federais cassados ao longo de quatro legislaturas entre 1964 e 1977, durante o regime militar (1964-1985). O presidente da Câmara, Marco Maia, disse que a solenidade foi um ato que busca apagar a nódoa causada pelos gestos autoritários que muito nos envergonham. Ele lembrou que os deputados cassados foram calados não pelo debate, mas por imposição e força da ditadura.
O presidente da Comissão Nacional da Verdade, ex-procurador-geral da República Claudio Fonteles disse que o ato deve servir para “que nunca mais venhamos a permitir que nossas divergências sejam decididas pelo arbítrio, pela truculência e pelo desaparecimento”. Para a ministra da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, a restituição simbólica dos mandatos “é um compromisso para que jamais permitam que a democracia, a justiça e a paz sejam aviltadas como foram no golpe de 1964”.
Ao tratarmos aqui dessa realidade que havia no Rio Grande do Norte em meados dos anos 60 pinçamos uma pequena mostra do que ocorreu Brasil afora. Os ambientes políticos em que viviam 173 parlamentares, cujas palavras foram cerceadas, cujas trajetórias foram violentamente obstruídas, contrariando a decisão antes tomada pelo povo que os elegeu, foram todos mutilados. De todos esses tristes episódios, restam, pelo menos, as lições. A cena que a sociedade desejava à época jamais será recomposta. Entretanto, ficou comprovado que os canhões do arbítrio deixam seus rastros de sangue, mas são derrotados e a democracia ressurge mais forte.
*Jornalista
domingo, 4 de novembro de 2012
OUTUBRO ROSA E AUTO-HEMOTERAPIA
Walter Medeiros*
waltermedeiros@supercabo.com.br
Durante todo o mês de outubro, instituições e comunidades de todas as origens e localizações vêm intensificando e tornando cada vez mais abrangente a luta contra o câncer de mama, que vem se tornando uma importante causa no âmbito da saúde. Entretanto, esse período de 31 dias parece não estar sendo aproveitado com a plenitude que deveria, em vista dos anseios da humanidade por medidas mais concretas e firmes no enfrentamento desse problema. A impressão que se tem é de que se trataria de um evento anual que dura um mês e cada um procura disputar publicamente, a fim de mostrar quem brilhou mais com luzes cor-de-rosa ou quem fez o enfeite mais chamativo, que resulta em belas imagens a ocupar espaços nas revistas, jornais e TV. É importante que tudo isso seja feito, porém sem perder o foco do problema, que é o tratamento e a cura da doença que atinge principalmente as mulheres de forma muitas vezes fatal.
Enquanto as luzes estavam acesas e as belas imagens eram distribuídas, comentadas, festejadas, algumas notícias de pessoas notáveis ou anônimas chegavam dos quatro cantos, entre elas a notícia da morte, neste Outubro Rosa, da atriz baiana global Regina Dourado, vítima do câncer de mama desde 2003. Tristeza no meio artístico, como tristeza também em todos os meios onde faleceram outras vítimas dessa doença. Tristeza também para pessoas que perderam familiares sem sequer terem o direito de experimentar uma terapia alternativa que vem ajudando muitas pessoas a superar efeitos colaterais, desconforto e até o próprio mal: a auto-hemoterapia. Trata-se de uma técnica que combate e cura doenças com a retirada de sangue da veia e aplicação imediata no músculo, que vem salvando vidas há mais de cem anos. No Brasil a chamada AHT vem sendo difundida pelo Dr. Luiz Moura, do Rio de Janeiro.
Para ir além do simples colorido de tonalidades de rosa Brasil afora, o outubro rosa deveria ser um marco também para as pesquisas científicas e buscar a documentação dessa técnica que é comprovadamente eficaz, mas que autoritária, ilegal e injustamente tem seu uso proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa, sem motivo justificado, e pelo Conselho Federal de Medicina - CFM, através de parecer incompleto e tendencioso. Pode ser a hora de unir tantas forças que compõem a campanha para patrocinar a tão exigida pesquisa científica, e trazer a comprovação da eficácia da auto-hemoterapia, que multiplica por quatro as defesas do organismo pouco tempo depois da primeira aplicação e vem sendo o lenitivo para muitos enfermos de câncer que a utilizam mesmo sem conhecimento dos médicos, pois uma parte deles desaconselha o uso da técnica sem nem mesmo fazer por onde a conhecer.
A essas mulheres que morreram nesse outubro e às que estão em tratamento não foi dada a oportunidade de experimentar uma terapia que poderia ajudar no tratamento e na cura. Para ter uma ideia de como as autoridades de saúde têm tratado de forma errada o assunto, dezenas de trabalhos científicos sobre auto-hemoterapia deixaram de ser considerados pelo CFM pelo simples fato de terem sido feitos em outros países e estarem escritos em idiomas diferentes do português. Mas existem inúmeros trabalhos sérios sobre o assunto, da mesma forma que podem ser encontrados milhares de relatos do uso da AHT para tratar e curar doenças, entre elas o câncer de mama, dos quais não devemos duvidar e quem quiser exercer o justo direito da dúvida, que caia em campo em busca da verdade, pois encontrará cidadãos e cidadãs satisfeitos e curados, com exames e documentos comprobatórios da eficácia da auto-hemoterapia.
Sabemos que os que são contra a auto-hemoterapia não querem pesquisar, para não dar a mão à palmatória e preferem ficar apresentando justificativas burocráticas, enquanto por um lado muitas pessoas se beneficiam da técnica e por outro lado muitas outras morrem porque os médicos preferem vê-las morrer a deixar que utilizem a técnica, mesmo como cuidado paliativo. Por tudo isso esperamos que os que apoiam o Outubro Rosa tenham mente aberta para se deter sobre esse assunto e ver que as decisões da Anvisa, CFM e outros órgãos são absurdas. Para beneficiar as pessoas acometidas do câncer de mama, o correto e ideal seria partir para pesquisar os efeitos da auto-hemoterapia no organismo. Conforme dizia Chico Xavier, “Se ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”. O máximo que poderá ocorrer será os doentes terminais deixarem de ser terminais e recuperarem sua saúde.
*Jornalista
domingo, 28 de outubro de 2012
Um Doutor humilde e humano
Walter Medeiros*
waltermedeiros@supercabo.com.br
Fim da tarde de domingo saímos de casa pela estrada de Ponta Negra, Via Costeira, Praias, Ponte Newton Navarro, Estrada da Redinha rumo ao Panatis e Av. Maranguape, para chegar a Rios Recepções, uma aconchegante casa de eventos da Zona Norte. Graça, Walter Filho, Raquel – sua namorada, Mércia, uma das minhas cunhadas, Andreas, um alemão que está em visita a Natal, e eu atendíamos a um convite de aniversário de um amigo que completava sessenta anos de uma grande história de vida: Dr. Francisco das Chagas Rodrigues.
A nossa expectativa era muito grande, pois queríamos estar solidário em tudo nesse momento tão importante para o aniversariante. Até porque ele informava logo no convite que a intenção era se divertir numa ambientação estilo anos 60, o qual desejava ver transformado num momento lúdico. Para tanto havia elaborado uma programação impecável, com recepção e acolhimento, música da citada época, arte e afeto, jantar fraterno, socialização dos reencontros, bolo e doces.
Na chegada já era possível ultrapassar o tempo e sentir as energias captadas pelo Conjunto musical que levou todos para os anos 60. O traje do aniversariante, impecável e com uma joia reluzente que parecia algo hipnotizante e a decoração com notas musicais, discos de vinil, vídeo com imagens da época e outros objetos característicos completavam o clima da festa. Estava dada a partida para grandes emoções.
A sucessão de músicas – “Giramundo”, “A volta”, “Última Canção”... era abrilhantada com a evolução de todos que iam para a pista dançar completamente entregues ao tempo de tantas décadas atrás. Saltos, trejeitos, rodopios, passos vibrantes de um tempo que pelo menos naquelas circunstâncias parece voltar momentaneamente.
Graça, minha companheira observou que aquele evento foi uma lição de como se faz uma festa de tal porte, reunindo tanta gente – dezenas de pessoas, regada a sucos, refrigerantes e água, sem uma dose de bebida alcoólica. Para ela, isso prova que Alegria, Diversão, Dança, Discursos... podem acontecer natural e espontaneamente, sem o 'estímulo' do álcool.
Para quem não sabe, o aniversariante, Dr. Rodrigues, é médico psiquiatra portador de um currículo muito qualificado, doutor em dependência química, que é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN e já foi, entre muitas outras coisas importantes, Diretor-Geral do Hospital Psiquiátrico Dr. João Machado. Apesar de todas essas qualificações, a começar pela profissão de médico - que na maioria das vezes faz as pessoas achar que são alguma coisa superior aos outros - Rodrigues é uma pessoa simples e humilde e um profissional humano.
Tão humano, simples e humilde, que em meio à animação pediu licença para dizer algumas palavras, citando trechos bíblicos referentes a Bem-Aventuranças. No final, todos cantaram a conhecida e bela Oração de São Francisco. Aí chegou o momento de cantar os parabéns. Foi um momento extasiante de felicidade, bem visível nos gestos do aniversariante, resultado de uma certeza: ele estava vendo a sinceridade da homenagem entusiasmada de quem cantava os parabéns e lhe desejava muitos anos de vida.
Parabéns, Rodrigues!
---
*Jornalista
domingo, 14 de outubro de 2012
A PERVERSIDADE DO ASSÉDIO MORAL
Walter Medeiros
waltermedeiros@supercabo.com.br
Um casal de servidores públicos com mais de trinta anos de serviços prestados ao estado e com realizações importantes na sua trajetória funcional é atingido duramente pela perversidade do assédio moral no trabalho. Os servidores tinham se aposentado pelo INSS, mas optaram por continuar trabalhando, com a concordância da empresa estatal através da qual ingressaram no serviço.
Redistribuídos para a Secretaria Estadual de Saúde, os servidores passaram a fazer jus a uma gratificação de produtividade. Mas a área de recursos humanos do órgão resolveu ignorar e não pagar o direito dos servidores. Eles resolveram requerer formalmente e tiveram o pleito acatado pela Assessoria Jurídica e o Secretário mandou pagar. Porém apareceram chefes intermediários que acharam de descumprir a determinação superior.
Na busca de informações sobre as razões da omissão funcional, o coordenador de recursos humanos, atropelando a determinação superior e de forma autoritária mandou resubmeter o assunto à Assessoria Jurídica. Os servidores discordavam da determinação, mas mesmo assim anexaram mais documentos e repassaram todas as informações necessárias ao esclarecimento do assunto. De nada adiantou. Ignorando tudo e numa clara mostra de predisposição, o novo parecer negava o direito aos servidores.
Durante cerca de um ano aqueles servidores tentavam explicar seus direitos, mas não lhe eram dados ouvidos. Ao contrário, passaram a se sentir chacoteados cada vez que entravam nas salas das chefias intermediárias para tratar do assunto. Cada tentativa que faziam recebiam sempre não e afirmações absurdas como “vocês são aposentados” e “vocês não têm direito”.
Diante de tanta arrogância e violência, resolveram fazer um último apelo, escrevendo uma carta ao novo Secretário, supondo que por estar há pouco tempo no cargo poderia não ter informações suficientes sobre o ocorrido. Nova frustração: o secretário mandou anexar a carta ao processo, mas assinou despacho que não levava em conta nada do que os servidores alegaram e lhe informaram.
Depois desse despacho, tudo piorou: os servidores foram chamados de volta do órgão onde estavam trabalhando para a coordenadoria de Recursos Humanos e a coordenadoria simplesmente os deixou sem lotação. Não teriam mais lugar para trabalhar, enquanto o assunto seria submetido à Secretaria da Administração, para se pronunciar a respeito. Ou seja, mais uma forma de protelar o pagamento do direito dos servidores, que seria desnecessária tendo em vista que tudo que precisava sabre sobre a condição dos servidores estava no processo. Bastava fazerem uma leitura atenta e menos descuidada.
Os servidores não tiveram outra alternativa, senão buscar os seus direitos na Justiça do Trabalho, onde entraram com reclamações mostrando que os seus vínculos estavam corretos, pleiteando o pagamento da devida gratificação e, em consequência de todos os constrangimentos, humilhações, estresse e problemas de saúde, pedindo indenização por danos morais, decorrente do assédio moral experimentado.
Mais lamentável ainda naquilo tudo era o fato de passarem por assédio moral na Secretaria da Saúde, exatamente o órgão que seria responsável pela criação de políticas públicas capazes de evitar, enfrentar a coibir tal conduta ilegal, arbitrária e criminosa. Para tanto, aquele órgão teria por obrigação seguir a orientação da uma Cartilha do Ministério denominada “Assédio Moral”. Agia na contramão da história aquela Secretaria.
A tramitação do processo, com despachos, audiências, instrução com documentos e testemunhas, passou a ser mais um período de espera aflitiva para os servidores. Uma longa caminhada indesejada, desde o momento em que foram forçados a procurar um escritório de advocacia até a hora da Sentença Judicial.
As vítimas do assédio são este jornalista e esposa, uma assistente social - casados há 36 anos. Estes momentos, atos e fatos surpreendentes, que findaram compondo um exemplo bastante esclarecedor sobre a injusta negativa de direitos e a prática e o enfrentamento do assédio moral no trabalho devem ter um ponto nesta data: hoje a juíza publica a sentença no primeiro processo.
domingo, 23 de setembro de 2012
DEPUTADO BAIANO PROPÕE USO DA AUTO-HEMOTERAPIA NO SUS
Walter Medeiros
Jornalista
O deputado estadual baiano Deraldo Damasceno, do PSL, propôs ao governador Jaques Wagner através de indicação dirigida que a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia adote a auto-hemoterapia nas unidades hospitalares do Estado. Auto-hemoterapia é uma técnica que combate e cura doenças com a retirada de sangue da veia e aplicação imediata no músculo. Esta terapia vem salvando vidas há mais de cem anos e nos últimos anos vem sendo difundida através do relato de experiências do Dr. Luiz Moura, do RJ e milhares de usuários.
Na indicação o deputado explica que o tratamento é antigo e simples, acrescentando que foi usado pela primeira vez em 1911, mas sua utilização foi mais intensa na década de 1940, quando passou a ser usado para combater doenças infecciosas. Foi a década de 40, no entanto, mais exatamente o ano de 1941, que introduziram na medicina a inovação que levaria ao abandono quase absoluto da auto-hemoterapia – o uso da penicilina no tratamento de seres humanos. Descoberta “por acaso” em 1928, a partir de um fungo, pelo escocês Alexander Fleming, a penicilina foi pela primeira vez utilizada em um ser humano em 1941, para tratar um caso de septicemia (infecção generalizada a partir da infestação do sangue por bactéria). Salvou muitas pessoas durante a Segunda Guerra Mundial e abriu a porta para a criação e uso da ampla gama de antibióticos hoje disponível e em expansão.
UNIÃO
O deputado considera que o abandono da auto-hemoterapia por causa do surgimento dos antibióticos foi uma estupidez. As duas terapias não são iguais no efeito – o antibiótico enfraquece a bactéria, dificulta sua reprodução ou a mata, enquanto a ação da auto-hemoterapia reforça extraordinariamente o sistema imunitário, o que os antibióticos não fazem. Se, portanto, o sistema imunitário de uma pessoa com infecção ou risco de ser contagiada estiver enfraquecido, por idade ou outros fatores, a auto-hemoterapia vai eliminar essa fraqueza e unir-se ao antibiótico no combate.
Além disso, há casos inacessíveis para o tratamento com antibióticos e que a auto-hemoterapia, se aplicada continuadamente, pode resolver, a exemplo da eliminação gradual de coágulos, segundo explica o Dr. Luiz Moura, que pratica a auto-hemoterapia e é citado na indicação dirigida ao governador Jaques Wagner, apresentada na Assembléia Legislativa pelo deputado Deraldo Damasceno.
LUCROS
Segundo o parlamentar, como passaram a existir os antibióticos, pesquisados, inventados, produzidos e vendidos a bom preço, dando grandes lucros a tantos, para que mais serviria a auto-hemoterapia, humilde tratamento que só custa uma seringa com agulha e só exige uma pessoa habilitada a tirar 10 ml de sangue de uma veia do paciente e injetar esse sangue nos músculos bíceps ou glúteo (neste, de preferência, pois no bíceps seria necessário dividir a dose pelos dois braços). Como lugar de sangue é artéria, veia e coração, o sangue vazado no músculo será reconhecido como corpo estranho e o sistema imunitário imediatamente (em oito horas) multiplicará suas defesas (entre outros elementos, os macrófagos – que combatem bactérias, vírus, células cancerosas – quadruplicam) para combater o suposto intruso. E estará disponível, assim, para combater também o intruso verdadeiro, a bactéria responsável por infecção existente ou provável (se a pessoa está em um hospital, o risco de infecção hospitalar é grande, bom que esteja com o sistema imunitário funcionando a mil).
DESCASO
Como se sabe – e observou o articulista Ivan de Carvalho em artigo no site “Bahia em Pauta” - temos um Ministério da Saúde, 26 secretarias de saúde estaduais e a secretaria de saúde do Distrito Federal, centenas de secretarias e serviços de saúde municipais, escolas de medicina em muitas universidades federais, estaduais e municipais e centenas de hospitais públicos e privados. Muitas dessas instituições lidam com pesquisas médicas. Além disso, há um Conselho Nacional de Medicina e conselhos regionais de medicina. Mas a proposta veio através do deputado estadual baiano. Isto só mostra o descaso de todos os órgãos públicos da área para com a saúde da população.
O Deputado Delegado Deraldo Damasceno é formado em Direito pela Faculdade Teófilo Otoni, pós-graduação em Processo Penal e Direito Penal pela Faculdade do Vale do Rio Doce e Docência para Ensino Superior - ABECM, Faculdade Visconde de Cairu, Salvador. Foi eleito deputado estadual pelo PSL, para o período 2011-2015. É titular das Comissões de Defesa do Consumidor e Relações de Trabalho (2011), Direitos Humanos e Segurança Pública (2011); Coordenador da Sub-comissão de Prevenção as Irregularidades nas Relações de Consumo (2011); e Membro da Sub-comissão de Segurança Pública Defesa Civil (2011).
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