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terça-feira, 11 de janeiro de 2011
CURIOSIDADES SOBRE O FORTE
"Esse forte é o melhor que existe em toda a costa do Brasil, pois é muito sólido e belo." (Adriaen Verdonck)
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Por Walner Spencer*
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Serviu de apoio à conquista do Ceará, Pará, Maranhão e o restante do Norte do Brasil.
Possui um sistema de captação de águas pluviais que era armazenada em uma grande cisterna.
No centro da Praça de Armas, sob a abóbada que sustenta a Casa da Pólvora, existe um poço que, nas marés altas, oferece água doce, e cuja construção é, conforme alguns pesquisadores, responsabilidade dos holandeses.
A Casa da Pólvora era elevada para que a pólvora negra, usada nos primeiros séculos, não absorvesse humidade.
A Capela primitiva era a um canto da construção e possuía um alpendre. Alguns poucos vestígios deste alpendre foram encontrados na campanha arqueológica de 1994.
As escadas da Casa da Pólvora e da Cisterna são do século XVIII quando de uma das reformas da Fortaleza.
Por detrás da Casa da Pólvora foi encontrada, durante escavações arqueológicas, em 1994, parte da estrutura de um fogão, feito de pedras amontoadas e que é da época da construção do Forte. Junto havia vestígios de escória de chumbo derretido para fazer pelouro.
No pavimento superior existia um cais estratégico por onde era possível abastecer o Forte por barcos. Os volumes eram erguidos através de uma grua manual. Coincide com a abertura que chamam de ‘porta falsa’ que permitia as pessoas embarcarem em condições de cerco, pois o Forte fica isolado durante as marés cheias.
A fortificação foi residência de muitos Capitães-mores.
Vultos importantes marcaram presença no Forte, dentre eles o Conde Maurício de Nassau, Franz Post, Barleus, Eckout, Felipe Camarão, Calabar, Jaguarari, Potiguassu, Jacob Rabi, Janduí, Antônio Paraupaba, Jacumã, Pero Coelho, Padre Luiz Figueira, Padre Francisco Pinto.
Serviu de prisão a heróis e mártires, bem como viu finarem-se outros. Dela saíram tropas holandesas para massacrarem moradores portugueses no Engenho Ferreiro Torto e Uruaçu, na região de Macaíba. Pessoas sensitivas dizem já ter visto imagens fantasmagóricas circulando pelo local.
Conforme alguns pesquisadores, existiu um ‘quarto escuro’ no subsolo da Praça de Armas, construído pelos holandeses, mas que não foi encontrado na metade da Praça que foi escavada.
A parte posterior do calçamento do pátio central é, muito provavelmente, de meados do século XVIII, e adota o estilo de calçamento dito açoriano: um quadrado reforçado de pedras largas preenchido com pedras menores não encaixantes.
Segundo Raul de Valença, a construção do Forte se deu quando “as necessidades de ordem militar e econômica forçaram os portugueses a expulsar os franceses do território potiguar, a fim de tornarem mais efetivo o seu domínio sobre a terra conquistada, surge o Rio Grande como fator geográfico de acentuada importância. Por constituir uma magnífica via de penetração, que permitiria aos lusos estenderem o seu domínio terra adentro, transformou-se o Rio Grande em ponto de apoio para a fixação dos colonizadores no solo potiguar”.
*Escritor e arqueólogo
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
As estratégias do criador e da criatura
Walner Spencer
Escritor
Extraído de um observador atento e bem posicionado
O desespero com a queda de Dilma nas pesquisas é grande. Tanto é que estão chamando Lula para defender o seu terceiro mandato. Dizem que, de agora em diante, a criatura vai ceder espaço para o criador. Agora é tarde. Lula passou do ponto de saturação. Não tem mais nada a dizer sobre si mesmo e sobre a sua invenção. Torrou o saco dos brasileiros e brasileiras. Já se ouve por aí a mesma afirmação: " na boa, não aguento mais ver a cara do Lula". Aliás, este é o resultado das pesquisas qualitativas petistas, que o nosso informante, direto do ninho de ratos, enviou. O marqueteiro sabe que botar Lula no ar não adianta mais nada. Agora, quem convence o arrogante, petulante e ignorante Lula? Vejam a notícia da Folha de São Paulo:
"Em meio a um de seus piores momentos, a campanha de Dilma Rousseff (PT) voltará a recorrer à popularidade do presidente Lula para estancar a queda nas pesquisas de intenção de voto. Segundo a Folha apurou, os petistas decidiram aumentar a presença de Lula na TV e em eventos de rua para "mexer com o povão" e ajudar a mobilizar a militância. A coordenação da campanha também definiu Minas Gerais e São Paulo como Estados prioritários, para evitar que a petista perca votos nos dois maiores colégios eleitorais do país, onde o PSDB venceu os pleitos regionais.
Lula apareceu menos ao lado de Dilma no segundo turno. Suas aparições na TV também têm sido menores. Essa redução foi definida por uma avaliação de que, no segundo turno, o foco deveria ser na candidata, e Lula não deveria ofuscá-la. Mas as últimas pesquisas, que indicam uma queda na diferença entre a petista e José Serra, definiram a volta de Lula ao centro do palco.
No Datafolha, a diferença passou de 12 para 7 pontos percentuais, entre o final do primeiro turno e a primeira pesquisa do segundo turno. Em outras pesquisas, a diferença caiu para 6 e 4 pontos.
A participação de Lula, entretanto, será modulada pela preocupação de ele não ofuscar a imagem da candidata. Outra mudança adotada foi quebrar o "monopólio" do Vox Populi como instituto oficial da campanha e contratar o Ibope para realizar pesquisas só no Sudeste. A ideia é evitar que alterações relevantes em São Paulo, Minas e no Rio de Janeiro passem despercebidas, como ocorreu no primeiro turno, além de definir estratégias focadas nesses Estados.
Além da queda nas pesquisas, contribui para o clima tenso na equipe a desarticulação em alguns Estados, sobretudo Minas Gerais. Por isso, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, e o ministro licenciado Alexandre Padilha (Relações Institucionais) passaram por Minas.
As pesquisas internas apontam redução da dianteira que Dilma conquistou sobre Serra no primeiro turno. Em São Paulo, com a vitória de Geraldo Alckmin, o PT vê a necessidade de reforçar ações de campanha. Hoje, além de comício de Dilma e Lula na zona leste da capital, há uma reunião de lideranças políticas para articular a ação no interior. Amanhã, Lula e Dilma fazem ato público em Minas, e se encontram com prefeitos na semana que vem.
Apesar do mau momento, assessores de Dilma avaliam que a maré ruim pode acabar. A avaliação da candidata em pesquisas qualitativas, que vinha caindo, melhorou após o debate da Band. No entanto, alguns aliados e petistas questionam a eficácia da propaganda de TV, e consideram a do PSDB "mais competitiva" nesta fase".
terça-feira, 28 de setembro de 2010
O perigo da “salvadora da pátria”
Walner Barros Spencer
Escritor
Tenho escutado dizer de algumas pessoas que irão votar em Marina. Estes interlocutores são, para minha estupefação, possuidores de um bom nível social - embora não necessariamente cultural. Argumentam que ela "tem tudo para ser a 'salvadora da pátria'". Fico a pensar sobre o que os leva a pensar assim.
Primeiro, todos eles foram eleitores de Lula nas duas eleições anteriores - ou na segunda delas. Viram nele o mesmo "salvador da pátria", e tomaram uma ducha fria, pois ele foi péssimo na maior parte dos quesitos avaliativos. Em alguns deles, como na corrupção desenfreada e na defesa dos companheiros que a realizaram, 'péssimo' é elogio, pois as ações foram criminosas. A culpa cabe em quem votou nele, mesmo que seja indiretamente, por cumplicidade culposa, e, o receptador ocasional, desavisado, desatento e relapso no conhecimento das leis, usado, enfim, em sua boa-fé. Seu problema existencial: mesmo que indiretamente tenha culpa, não quer nem aceita ser conivente com o ocorrido, pois é natural e visceralmente contra esse tipo de atitude. Pretende ser um cidadão, mas não sabe o que é ser um Cidadão. Pensa que um cidadão segue a maioria, mas está enganado: um Cidadão pensa e analisa por si mesmo. Confunde democracia com voto, junção física de pessoas com maioria. A primeira representa um sistema de pesos e contrapesos, de possibilidades de fazer e de freios de não-fazer, de poderes que se cruzam e se observam entre eles, que legislam alguns, que fiscalizam outros, que realiza um terceiro. Isto nada tem a ver com o ato físico de votar, mas com o sistema que garanta a representação dos cidadãos. A 'maioria' é justamente essa representação, mas não tem nela nenhum demérito à minoria, pois os direitos cidadãos são e permanecem, os mesmos. Este conceito, é claro, torna-se problemático em um país de extensão continental como o Brasil. E é usado para bem dos políticos enganadores.
Segundo, sempre é difícil a pessoa fazer um 'mea culpa', reconhecer que errou, mesmo numa sociedade cristã como a nossa. O mais fácil é usar de subterfúgios e tentar escapar pela tangente, arranhado, mas razoavelmente ileso. No caso em pauta, eleições, o fato de votar no lado totalmente contrário à ilusão anterior - Lula - seria uma confissão de ingenuidade política, ficando claro e inegável o enorme erro que cometeu no último pleito entre as mesmas forças. Mas pode haver uma saída - saudável, bonita, esplendorosa - achar outra candidata "que salve a pátria". Assim, estariam desculpados, pois na vez passada teria havido tão somente um "erro de pessoa", e não um "erro de ideais e de inteligência". Tudo restaria consertado com um voto na 'candidata à salvadora'. Não se dão conta de que estão fazendo o mesmo raciocínio que os levou ao erro inicial. Terá certamente o mesmo resultado, mas num momento bem mais perigoso, desde que as instituições democráticas estão fragilizadas.
Terceiro, querem estar ao lado do 'povo', e aí é que a análise perde a cientificidade, pois é necessário que alguém conceitue o que é Povo. Ou esta palavra carece de sentido ou ela é o mesmo que dizer cidadãos. Pelo dicionário, para ser bem simples: "Povo é um conjunto de indivíduos que falam a mesma língua, têm costumes e hábitos idênticos, afinidade de interesses, uma história e tradições comuns". Geralmente está englobado e abrangido pelo termo Nação. Ou é assim, ou 'povo' será quem é miserável, doente, pobre, desconsiderado, tristonho, desfavorecido de tudo. Mas não é assim e todos sabem. Na realidade, são os políticos, em sua grande maioria, que assim definem povo e assim quer que as pessoas se comportem, isto é, faz questão de tirar-lhes a dignidade e a honra de ser um Cidadão. Para esses políticos, a pobreza de uma pessoa é garantia de voto. Poucos políticos consideram a pobreza material é um mal, um defeito da civilização, algo a ser realmente combatido. Sabem que, em caso contrário, perderão os votos da miséria. Não é à toa que eles preferem manter os miseráveis à meia-boca para poder comandá-los com os bridões do poder. Quem usa, portanto, a pobreza como virtude - e não conjuntura social - buscando transmitir a falsa idéia de que a pobreza e dignidade são sinônimos está sendo mentiroso, pois não são. Criação familiar e dignidade; bons pais e dignidade, religião e dignidade, isto sim é real. O resto é criação dos maus políticos, que pretendem convencer aos outros pela 'atração simpática' de meios físicos e de conjunturas desfavoráveis. Esses, tornam-se cada dia mais poderosos, mais ricos e enfatuados e adoram dizer que continuam pobres, que amam a pobreza. O interessante é que se afastam dela, fogem dela, e jamais querem voltar a ela. São pessoas falsas, interesseiras e mentirosas. Serão pobres - mental e moralmente pobres - para sempre.
Assim, muitos dos eleitores pretendem votar em Marina por razões similares às acima descritas. No meu entender, enganam-se novamente. Deveriam, até por uma questão de dignidade e de amor pela terra que é nossa, dar crédito agora para o lado ao qual desacreditaram na vez passada.
O Brasil corre o risco de ser destruído por mais "uma salvadora da pátria". Portanto, olhem para os lados e vejam o desastre dessas teorias sem lógica, inconsistentes. Teorias que, na prática, não gostam dos pobres, mas odeiam os ricos.
Eu, de minha parte, fui criado em uma família onde havia ricos e pobres (materialmente falando) e não aparecia diferença hierárquica entre eles, nem os comportamentos mudavam de uns para com os outros. Aprendi muito cedo a ver e entender a vida com suas diferenças, e não estava na melhor delas do ponto de vista econômico. Creio até hoje, num dito que meu avô dizia sobre ser digno e honrado, e que era de Sêneca, um filósofo estóico romano:
"É virtuoso o homem que come num prato de barro como se fosse de ouro; tão virtuoso quanto é o homem que come num prato de ouro como se fosse de barro".
domingo, 13 de junho de 2010
O uso indevido das pessoas na política
Walner Barros Spencer
Escritor
Uma das grandes verdades da psicologia humana é sua reação às condições de combate em uma guerra. Em situação desse tipo aflora o verdadeiro caráter da pessoa. A conjuntura é tão estressante que o raciocínio falha em manter os objetivos coletivos abstratos para salvaguardar o organismo físico. O que interessa, o que domina é a meta de sobreviver, e sobreviver a qualquer custo. Se isto acontecer, então sim, a pessoa pode retornar à personalidade dos tempos de paz, digamos, à personalidade de uso social, onde perder não representa, necessariamente, perder.
Uma campanha política é um estado similar à guerra e a exposição de um candidato, com suas expectativas, ilusões, desejos e projeções, cria igual similitude entre a derrota nas urnas e a morte física, especialmente para os neófitos, os passageiros de primeira vez.
Nessas circunstâncias, a ansiedade de perder transforma-se em pânico de morrer, a preocupação em não se expor, em terror de se movimentar, e surge então de súbito um novo comportamento, independente e contrário, o inverso mesmo, daquele que todos apostariam que a pessoa adotasse. A questão é apenas esta: a personalidade social é muitas vezes um engodo, para o bem ou para o mal, e fácil de ser dissimulada, escondida, camuflada. Enfim, uma personalidade montada, estruturada para enganar a outrem. Uma personalidade falsa, portanto. Quanto mais ‘edificado’ for o arcabouço de caráter, maior será a estupefação e o espanto dos outros ao mostrar mudanças negativas bruscas quando sob tensão extrema.
Essa é a razão precípua das ações destemperadas vindas de pessoas com personalidades de tal modo construídas, por ela e pela transferência idiossincrática de outros, que, pela deformação psíquica que causam, são quase que vazias em conteúdo quando ela é obrigada a atuar na vida real, e não ser personagem de uma peça teatral.
Tal fato aconteceu recentemente com a Marina Silva ao lançar-se candidata oficial do PV à Presidência da República. De um instante para outro, provavelmente sem força para resistir a ‘assessores’, mudou da pureza cristalina da água para o sabor avinagrado de um vinho de qualidade inferior, industrialmente falsificado.
Se ela pensa que pedir que as pessoas rezem para que uma mulher preconceituosa e racista seja a mandatária maior da Nação, lhe dará votos, é um gambito no jogo de xadrez, quando o jogador sacrifica uma peça para tentar ganhar o jogo. Alguém devia ter avisado-a que se acautelasse, pois essa tática enxadrística é tão perigosa que apenas grandes jogadores a utilizam em jogos decisivos. E Xadrez não é o jogo de Damas, onde as peças podem ser recuadas.
Dizer que deve ser votada porque é negra não tem lógica num país em que as diferenças raciais – e não as diferenças econômicas – não existiam antes desse atual presidente petista, cujo cabelo de um prateado escandinavo diz bem de sua descendência.
Dizer que é pobre e sempre foi é criar uma ‘classe’ eleitoreira, pois o objetivo de todos deve ser acabar com a pobreza. Pobre não é classe, é situação desfavorável de vida. Nascer sem nada, todos nascem. Quem, por acaso, perdeu tudo não vira pobre? Ou ela está se referindo à falta de cultura, a um comportamento típico e estereotipado de ‘pobre’ de novela?
Seja como for, nenhum Senador é pobre, muito antes pelo contrário. Depois, ela é culta e estudada, formada academicamente em História, Professora de História, a minha profissão, o que piora sensivelmente os fatos por causa do manuseio e da escamoetação de elementos históricos. Nesse caso, ela esqueceu-se de dizer, todavia, que a família – rica, remediada ou pobre – é fruto do caráter dos pais, dependendo quase nada da condição econômica, mas da vergonha na cara.
Ser negra - se é um problema de vergonha e atraso para ela -, não o é para milhões de cidadãos negros brasileiros, que vão à luta sem choramingar esmolas e benefícios por causa da cor de sua pele. Por sinal, ela é mistura de tons de pele e, como a maior parte do povo brasileiro, descende de uma maravilhosa mistura genética de todos os continentes, e este negócio de dizer que mestiço é indolente e inferior, é uma tese eugenística abandonada pela academia no final do século XIX, com a exceção, para simples confirmação da regra, das terríveis considerações racistas do NSDAP, o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães.
Pobre desse país em que uma enorme massa humana tem de ser mantida miserável para que os “falsos profetas’ a use em seus desígnios egoísticos e mentirosos.
Escritor
Uma das grandes verdades da psicologia humana é sua reação às condições de combate em uma guerra. Em situação desse tipo aflora o verdadeiro caráter da pessoa. A conjuntura é tão estressante que o raciocínio falha em manter os objetivos coletivos abstratos para salvaguardar o organismo físico. O que interessa, o que domina é a meta de sobreviver, e sobreviver a qualquer custo. Se isto acontecer, então sim, a pessoa pode retornar à personalidade dos tempos de paz, digamos, à personalidade de uso social, onde perder não representa, necessariamente, perder.
Uma campanha política é um estado similar à guerra e a exposição de um candidato, com suas expectativas, ilusões, desejos e projeções, cria igual similitude entre a derrota nas urnas e a morte física, especialmente para os neófitos, os passageiros de primeira vez.
Nessas circunstâncias, a ansiedade de perder transforma-se em pânico de morrer, a preocupação em não se expor, em terror de se movimentar, e surge então de súbito um novo comportamento, independente e contrário, o inverso mesmo, daquele que todos apostariam que a pessoa adotasse. A questão é apenas esta: a personalidade social é muitas vezes um engodo, para o bem ou para o mal, e fácil de ser dissimulada, escondida, camuflada. Enfim, uma personalidade montada, estruturada para enganar a outrem. Uma personalidade falsa, portanto. Quanto mais ‘edificado’ for o arcabouço de caráter, maior será a estupefação e o espanto dos outros ao mostrar mudanças negativas bruscas quando sob tensão extrema.
Essa é a razão precípua das ações destemperadas vindas de pessoas com personalidades de tal modo construídas, por ela e pela transferência idiossincrática de outros, que, pela deformação psíquica que causam, são quase que vazias em conteúdo quando ela é obrigada a atuar na vida real, e não ser personagem de uma peça teatral.
Tal fato aconteceu recentemente com a Marina Silva ao lançar-se candidata oficial do PV à Presidência da República. De um instante para outro, provavelmente sem força para resistir a ‘assessores’, mudou da pureza cristalina da água para o sabor avinagrado de um vinho de qualidade inferior, industrialmente falsificado.
Se ela pensa que pedir que as pessoas rezem para que uma mulher preconceituosa e racista seja a mandatária maior da Nação, lhe dará votos, é um gambito no jogo de xadrez, quando o jogador sacrifica uma peça para tentar ganhar o jogo. Alguém devia ter avisado-a que se acautelasse, pois essa tática enxadrística é tão perigosa que apenas grandes jogadores a utilizam em jogos decisivos. E Xadrez não é o jogo de Damas, onde as peças podem ser recuadas.
Dizer que deve ser votada porque é negra não tem lógica num país em que as diferenças raciais – e não as diferenças econômicas – não existiam antes desse atual presidente petista, cujo cabelo de um prateado escandinavo diz bem de sua descendência.
Dizer que é pobre e sempre foi é criar uma ‘classe’ eleitoreira, pois o objetivo de todos deve ser acabar com a pobreza. Pobre não é classe, é situação desfavorável de vida. Nascer sem nada, todos nascem. Quem, por acaso, perdeu tudo não vira pobre? Ou ela está se referindo à falta de cultura, a um comportamento típico e estereotipado de ‘pobre’ de novela?
Seja como for, nenhum Senador é pobre, muito antes pelo contrário. Depois, ela é culta e estudada, formada academicamente em História, Professora de História, a minha profissão, o que piora sensivelmente os fatos por causa do manuseio e da escamoetação de elementos históricos. Nesse caso, ela esqueceu-se de dizer, todavia, que a família – rica, remediada ou pobre – é fruto do caráter dos pais, dependendo quase nada da condição econômica, mas da vergonha na cara.
Ser negra - se é um problema de vergonha e atraso para ela -, não o é para milhões de cidadãos negros brasileiros, que vão à luta sem choramingar esmolas e benefícios por causa da cor de sua pele. Por sinal, ela é mistura de tons de pele e, como a maior parte do povo brasileiro, descende de uma maravilhosa mistura genética de todos os continentes, e este negócio de dizer que mestiço é indolente e inferior, é uma tese eugenística abandonada pela academia no final do século XIX, com a exceção, para simples confirmação da regra, das terríveis considerações racistas do NSDAP, o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães.
Pobre desse país em que uma enorme massa humana tem de ser mantida miserável para que os “falsos profetas’ a use em seus desígnios egoísticos e mentirosos.
domingo, 16 de maio de 2010
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Algo preocupante na campanha presidencial
Walner Barros Spencer
Escritor
Há algo muito preocupante nessa campanha à presidência do Brasil, para um cidadão que tem sessenta anos de idade, viu de tudo um pouco, assistiu a mudanças políticas radicais, a tentativas ingênuas de transformação do sistema político, a criação de mitos e lendas na consecução de novos mandatários, aos esgares raivosos de um cão defendendo o seu quinhão de comida.
É preocupante o desinteresse sobre os destinos da nação, bem como é preocupante a tendência de fortes setores – inclusive bancários e empresariais – em flertar com regimes de exceção, de “exceção democrática”, como foram o de Hitler e o de Mussolini, algumas décadas atrás. Ambos também dependiam do apoio financeiro desses setores no financiamento de suas campanhas eleitorais. Parece que já esqueceram de que os dois citados sempre foram homens de partido (na realidade, tornaram deles os partidos que os elegeram). Valeu enquanto ganharam, mas não esqueçam de que suas bandeiras partidárias ficaram rotas e amarfanhadas quando perderam o poder.
Noto justamente isso atualmente. Os setores que possuem poder decisório no governo, e que abertamente escolheram, apontaram e apóiam um candidato, sabem que não podem perder as eleições. Não podem permitir que outros, que não os de casa, tenham acesso ao sótão e aos porões da ditadura de colegiado que tentaram implantar, e da qual ainda não desistiram. Falar de cobras e lagartos seria pouco. O Poder Executivo criou um sistema de proteção interna que permitiu – e facilitou enormemente – o descalabro com o dinheiro público. Nunca antes na história desse país houve tal descarada mistura entre o público e o privado. Gente muito despreparada para gerir os interesses nacionais usou de maneira torpe o poder que lhe foi entregue para dispensar benesses aos apaziguados, aos partidários do esbulho, aos colegas de malversação, a todos aqueles com quem ‘reparte o pão’. Assim, não pode admitir uma devassa em seus livros, uma auditoria em suas operações, uma abertura de suas contas. Isto destruirá não somente a imagem fictícia de suas lideranças, mas trará máculas indeléveis á malfadada, terrífica e equivocada política ‘bolivariana’ (pobre Bolívar, que se negou a ser ditador), e à qual a atual política exterior nacional – decadente, ingênua, e despreparada – rende homenagens e se curva. A débâcle do atual governo brasileiro terá a força destrutiva de um ‘tsunami’ em um primeiro momento, e, em sua regressão obrigatória, irá levar de volta ao mar da mediocridade, todo um sistema artificialmente montado na América Latina, cujos alicerces se enterram na lama da corrupção e cuja estabilidade lembra a mesma das palafitas.
De onde, a indiferença na má atuação de seus candidatos. Não esperam ganhar nas urnas, sabem que não ganharão. Sabem que é preciso fazer algo, e urgentemente. De qualquer forma uma coisa é básica: deve ser mantida a ilusão de que, de uma para outra hora, os índices de aprovação da candidatura apoiada pelo governo subirão às alturas. Para isto, vale tudo: as pesquisas fajutas, as entrevistas com ‘especialistas’ políticos, as previsões de repasse de popularidade, a pressão sobre os meios de comunicação, e diversos outros. Tem que ser mantida uma ‘chance’ de vitória da candidatura ungida oficialmente para que não cause surpresa uma virada ou resultados inesperados.
Há algo de muito estranho nessas eleições presidenciais. Apelo, portanto, para um velho ditado: “Caldo de galinha e prudência não fazem mal a ninguém!”
Walner Barros Spencer
Escritor
Há algo muito preocupante nessa campanha à presidência do Brasil, para um cidadão que tem sessenta anos de idade, viu de tudo um pouco, assistiu a mudanças políticas radicais, a tentativas ingênuas de transformação do sistema político, a criação de mitos e lendas na consecução de novos mandatários, aos esgares raivosos de um cão defendendo o seu quinhão de comida.
É preocupante o desinteresse sobre os destinos da nação, bem como é preocupante a tendência de fortes setores – inclusive bancários e empresariais – em flertar com regimes de exceção, de “exceção democrática”, como foram o de Hitler e o de Mussolini, algumas décadas atrás. Ambos também dependiam do apoio financeiro desses setores no financiamento de suas campanhas eleitorais. Parece que já esqueceram de que os dois citados sempre foram homens de partido (na realidade, tornaram deles os partidos que os elegeram). Valeu enquanto ganharam, mas não esqueçam de que suas bandeiras partidárias ficaram rotas e amarfanhadas quando perderam o poder.
Noto justamente isso atualmente. Os setores que possuem poder decisório no governo, e que abertamente escolheram, apontaram e apóiam um candidato, sabem que não podem perder as eleições. Não podem permitir que outros, que não os de casa, tenham acesso ao sótão e aos porões da ditadura de colegiado que tentaram implantar, e da qual ainda não desistiram. Falar de cobras e lagartos seria pouco. O Poder Executivo criou um sistema de proteção interna que permitiu – e facilitou enormemente – o descalabro com o dinheiro público. Nunca antes na história desse país houve tal descarada mistura entre o público e o privado. Gente muito despreparada para gerir os interesses nacionais usou de maneira torpe o poder que lhe foi entregue para dispensar benesses aos apaziguados, aos partidários do esbulho, aos colegas de malversação, a todos aqueles com quem ‘reparte o pão’. Assim, não pode admitir uma devassa em seus livros, uma auditoria em suas operações, uma abertura de suas contas. Isto destruirá não somente a imagem fictícia de suas lideranças, mas trará máculas indeléveis á malfadada, terrífica e equivocada política ‘bolivariana’ (pobre Bolívar, que se negou a ser ditador), e à qual a atual política exterior nacional – decadente, ingênua, e despreparada – rende homenagens e se curva. A débâcle do atual governo brasileiro terá a força destrutiva de um ‘tsunami’ em um primeiro momento, e, em sua regressão obrigatória, irá levar de volta ao mar da mediocridade, todo um sistema artificialmente montado na América Latina, cujos alicerces se enterram na lama da corrupção e cuja estabilidade lembra a mesma das palafitas.
De onde, a indiferença na má atuação de seus candidatos. Não esperam ganhar nas urnas, sabem que não ganharão. Sabem que é preciso fazer algo, e urgentemente. De qualquer forma uma coisa é básica: deve ser mantida a ilusão de que, de uma para outra hora, os índices de aprovação da candidatura apoiada pelo governo subirão às alturas. Para isto, vale tudo: as pesquisas fajutas, as entrevistas com ‘especialistas’ políticos, as previsões de repasse de popularidade, a pressão sobre os meios de comunicação, e diversos outros. Tem que ser mantida uma ‘chance’ de vitória da candidatura ungida oficialmente para que não cause surpresa uma virada ou resultados inesperados.
Há algo de muito estranho nessas eleições presidenciais. Apelo, portanto, para um velho ditado: “Caldo de galinha e prudência não fazem mal a ninguém!”
domingo, 25 de abril de 2010
ALGO PREOCUPANTE NA CAMPANHA PRESIDENCIAL
Walner Barros Spencer
Escritor
Há algo muito preocupante nessa campanha à presidência do Brasil, para um cidadão que tem sessenta anos de idade, viu de tudo um pouco, assistiu a mudanças políticas radicais, a tentativas ingênuas de transformação do sistema político, a criação de mitos e lendas na consecução de novos mandatários, aos esgares raivosos de um cão defendendo o seu quinhão de comida.
É preocupante o desinteresse sobre os destinos da nação, bem como é preocupante a tendência de fortes setores – inclusive bancários e empresariais – em flertar com regimes de exceção, de “exceção democrática”, como foram o de Hitler e o de Mussolini, algumas décadas atrás. Ambos também dependiam do apoio financeiro desses setores no financiamento de suas campanhas eleitorais. Parece que já esqueceram de que os dois citados sempre foram homens de partido (na realidade, tornaram deles os partidos que os elegeram). Valeu enquanto ganharam, mas não esqueçam de que suas bandeiras partidárias ficaram rotas e amarfanhadas quando perderam o poder.
Noto justamente isso atualmente. Os setores que possuem poder decisório no governo, e que abertamente escolheram, apontaram e apóiam um candidato, sabem que não podem perder as eleições. Não podem permitir que outros, que não os de casa, tenham acesso ao sótão e aos porões da ditadura de colegiado que tentaram implantar, e da qual ainda não desistiram. Falar de cobras e lagartos seria pouco. O Poder Executivo criou um sistema de proteção interna que permitiu – e facilitou enormemente – o descalabro com o dinheiro público. Nunca antes na história desse país houve tal descarada mistura entre o público e o privado. Gente muito despreparada para gerir os interesses nacionais usou de maneira torpe o poder que lhe foi entregue para dispensar benesses aos apaziguados, aos partidários do esbulho, aos colegas de malversação, a todos aqueles com quem ‘reparte o pão’. Assim, não pode admitir uma devassa em seus livros, uma auditoria em suas operações, uma abertura de suas contas. Isto destruirá não somente a imagem fictícia de suas lideranças, mas trará máculas indeléveis á malfadada, terrífica e equivocada política ‘bolivariana’ (pobre Bolívar, que se negou a ser ditador), e à qual a atual política exterior nacional – decadente, ingênua, e despreparada – rende homenagens e se curva. A débâcle do atual governo brasileiro terá a força destrutiva de um ‘tsunami’ em um primeiro momento, e, em sua regressão obrigatória, irá levar de volta ao mar da mediocridade, todo um sistema artificialmente montado na América Latina, cujos alicerces se enterram na lama da corrupção e cuja estabilidade lembra a mesma das palafitas.
De onde, a indiferença na má atuação de seus candidatos. Não esperam ganhar nas urnas, sabem que não ganharão. Sabem que é preciso fazer algo, e urgentemente. De qualquer forma uma coisa é básica: deve ser mantida a ilusão de que, de uma para outra hora, os índices de aprovação da candidatura apoiada pelo governo subirão às alturas. Para isto, vale tudo: as pesquisas fajutas, as entrevistas com ‘especialistas’ políticos, as previsões de repasse de popularidade, a pressão sobre os meios de comunicação, e diversos outros. Tem que ser mantida uma ‘chance’ de vitória da candidatura ungida oficialmente para que não cause surpresa uma virada ou resultados inesperados.
Há algo de muito estranho nessas eleições presidenciais. Apelo, portanto, para um velho ditado: “Caldo de galinha e prudência não fazem mal a ninguém!”
quarta-feira, 3 de março de 2010
Macroeconomia brasileira – Considerações preocupantes
Walner Barros Spencer
Escritor e historiador
É necessária uma pequena introdução sobre as dificuldades encontradas em relação a um correto e seguro entendimento macroeconômico do Brasil, tendo em vista a disparidade das informações encontradas, muito em razão da perda de independência de pesquisa e informação do instituto oficial de coleta e interpretação de dados – o IBGE -, mormente aqueles que dizem respeito aos elementos da Economia Nacional. Além disso, artifícios variados são utilizados para dar impressão positiva ao público em geral e mesmo para a as publicações especializadas, em que pese que essas últimas identifiquem as tentativas de encobrimento de problemas, de mascaramento de números, ou de embaçamento e desfocagem de algumas imagens da realidade.
Exemplo claro são os artifícios utilizados na demonstração do ‘superavit primário’, isto é, o resultado positivo das contas públicas, sem a consideração dos juros pagos. No caso do ano de 2009 houve uma maquiagem das contas para que não demonstrassem um ‘deficit’, dado os exorbitantes gastos do Governo. Elevados montantes de programas governamentais não foram levados como despesas ou transferidos de exercício fiscal e, de outro lado, houve intensa troca de empréstimos e compras de títulos entre companhias estatais e o BNDES, também não consideradas no cômputo geral.
Os índices de emprego não vêm acompanhados do número dos empregos perdidos; assim, os de carteiras assinadas. Na realidade, os empregos industriais apresentaram queda; o setor que cresceu foi o de serviços e, naturalmente, o do funcionalismo público, recorde histórico, incluindo o de serviço militar obrigatório.
Não há informação sobre a depreciação da indústria nacional, dado importante para a correta apreciação da saúde econômica da Nação através do PIL (Produto Interno Líquido), pois se pode estar exportando a nossa capacidade vital de produzir, tanto da indústria quanto do solo.
Isto deve bastar para comprovar as dificuldades de apreciação do panorama econômico nacional. A insegurança em relação a dados básicos é enorme. O Brasil saiu da crise financeira global? Alguns juram que sim - sempre aqueles que auferem vantagens que se pense dessa maneira. Tal informação é baseada em que? Em desejos e apostas do Ministro Mantega? O mesmo que disse que o País cresceria em 2009? Se – ainda é dúvida - o Brasil conseguiu sair da crise, essa escapada é sustentável? Da maneira como foi feita, quanto custou à Nação? Os beneficiários devolveram os empréstimos como aconteceu, em grande parte, nos Estados Unidos? De onde surgiu o dinheiro, se o governo não mexeu em suas reservas? Onde havia ‘gorduras’ se a arrecadação caiu vertiginosamente, enquanto os salários dos funcionários públicos subiram? A tal ponto foi o aperto de caixa do Governo que ele autorizou o Tesouro Nacional a fazer uso dos depósitos judiciais dos processos envolvendo empresas versus União, o que é preocupante, além de segurar a devolução do Imposto sobre a Renda. Aumentou-se, então, a emissão de moeda. E, se a produção não responder, gerando mais empregos e agregando mais consumo, essa emissão não será inflacionária? Aquela maneira simples de farejar inflação: menos produto, mais dinheiro.
E o gigantesco déficit público previsto para este ano de 2010? E se o Governo brasileiro, num exótico surto de construção de imagem imperialista continuar a financiar outros governos africanos e latino-americanos, a fundo perdido? Ou meter-se a perdoar dívidas públicas de outros países, ou a renegociar desvantajosamente contratos e acordos internacionais sacramentados, como já fez? É claro que, para um país que apresenta modesto crescimento econômico, e com problemas internos de toda ordem no atendimento de sua população, não haverá disponibilidades financeiras a serem utilizadas, a não ser aumentando o meio circulante, gerando pressão inflacionária.
Enfim, para mantermos o equilíbrio das contas públicas, não dependeremos de nossos esforços, mas dos investimentos estrangeiros diretos – aplicações na produção de bens e serviços. Na realidade, não basta que eles continuem, mas devem crescer em volume.
Desde que os dados que servem de parâmetros nos exercícios estatísticos públicos – comércio, transporte, educação, tecnologia, indústrias, mineração, agricultura - ficaram sob a vigilante (e comprometida) supervisão e liberação da Casa Civil do Governo, os números e porcentuais apresentados não inspiram mais confiança, atingindo diretamente uma ciência como a Economia, que depende da divulgação de índices e números corretos para a devida interpretação dos fatos econômicos.
Não obstante, não há de onde coletar os dados requeridos, restando, portanto, usá-los, mas sempre com grande cuidado crítico.
Dessarte, é difícil prever o futuro ao longo prazo , devido principalmente “ instabilidade do sistema político brasileiro e, atualmente, sul-americano, mas vejamos:
A relativamente insegura economia mundial é um fator preocupante, embora pareça que os traumas maiores já passaram, o que muitos duvidam. Mesmo assim, espera-se um crescimento de baixo a moderado nas economias dos países mais desenvolvidos, e algo um pouco mais otimista nos emergentes, onde poderá estar o Brasil.
A partir de 2010 os Estados Unidos deverão exercer uma poderosa pressão para exportarem seus produtos, competindo mais com os manufaturados brasileiros que hoje encontram nichos antes desprezados pelos americanos do norte.
A concorrência chinesa pelos mesmos mercados – hors concours no confronto, pelos seus baixos preços devidos a baixos salários pagos dificultará ainda mais a venda dos produtos nacionais.
O Brasil deve continuar a exportar bastante minério, principalmente bauxita e ferro, e deverá continuar suas enormes vendas de produtos agrícolas, principalmente soja e carnes diversas, dependendo, é claro, de que não hajam mudanças radicais e extremadas na legislação do uso e propriedade do solo. Ambos, frutos de seus enormes recursos naturais
O problema cambial e seu gerenciamento são importantíssimos, pois o dólar flutuante – lâmina de dois gumes - pode afetar a economia brasileira em seus mercados de exportação, a depender, mais uma vez, da interferência ou não de parâmetros políticos ideológicos, isto é, a independência das decisões do Banco Central. Se o Real valorizar em demasia as mercadorias perdem competitividade, embora, de outro lado, barateiem alguns insumos básicos para a agricultura, como os fertilizantes e os agrotóxicos. Se valoriza demais, faz inchar as importações, ajudando a corroer a produção nacional.
Ainda tem a imponderabilidade dos juros. Para garantir o fluxo de capitais que financiam o Governo através da compra de papéis públicos; ou que alimentam as Bolsas de Valores, nesse caso, especialmente, o capital financeiro especulativo, os juros devem ser convidativos. Este tipo de capital é danoso à economia, no médio prazo, em que pese salvar a casa e a cara em momento emergencial, postergando os problemas para mais adiante. Em outras palavras: armando uma bomba-relógio.
Os juros atualmente pagos são tão díspares internacionalmente, que permitem que empréstimos sejam tomados em dólares na rede bancária norte-americana – com juros em torno de um ou dois por cento ao ano, e aplicados no Brasil à taxas em torno de 8-9 %.1% . Como tais volumes de dinheiro têm de ser transformados em Reais, existe um novo lucro gerado pela falsa valorização do Real em frente à moeda norte-americana, a qual ainda é – e o será por muito tempo – moeda de manutenção de valor. Esta operação saqueia o País da mesma maneira que nossos bancos saqueiam a população através dos empréstimos pessoais: juros exorbitantes e criminosos em uma conjuntura de inflação contida em torno de 5% ao ano. De onde os gritantes e assombrosos lucros dos bancos brasileiros.
Essa política de juros elevados – permitindo a manutenção fantasiosa de sucesso econômico, o ‘empurrar com a barriga’ - freia duplamente a economia, pois encarece o crédito de produção e de consumo, além de elevar a dívida publica e o serviço da mesma. Na realidade, uma sinuca de bico de difícil previsão e de uma enorme fragilidade. Um movimento em falso e quebram-se os cristais.
Pior, ela não consegue nem mesmo emular o tão mal falado “milagre econômico brasileiro” da década de 70, quando o governo conseguiu, com endividamento externo, criar a infra-estrutura (especialmente transportes e energia) que ainda dá sustento ao Brasil atual, mesmo que o País tenha sido descoberto somente há cerca de oito anos atrás.
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