Mostrando postagens com marcador COLUNA Daniel Menezes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador COLUNA Daniel Menezes. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Rosalba caminha para o centro do furacão

Daniel Menezes
Sociólogo

O mundo não é apenas linguagem como muitos preconizam. Antes de levar em consideração, apenas, a fala dos agentes, é fundamental analisar as práticas reais e os interesses envolvidos.

Enquanto o PT, após criticar as privatizações, entrega os aeroportos aos cuidados a denominada iniciativa privada; Rosalba do DEM, partido defensor da diminuição dos impostos, algo que foi novamente afirmado na última convenção nacional, aumenta o ICMS que incide sobre os combustíveis e a energia.

Se o PT conseguiu secundarizar o tema – por isto o texto não é sobre o PT -, Rosalba caminha para o centro do furacão.

Ela alegou que a medida diz respeito a herança maldita do governo anterior. Verdade? Possível. Irreversível? Pouco provável.

O fato é que, se o governo do estado continuar a culpar Vilma e Iberê por tudo o que ocorre de ruim no mundo, criará contexto semelhante ao gerado por Micarla de Sousa quando não resistiu a tentação situacional de polarizar com o ex-prefeito Carlos Eduardo.

O pdtista, pelo grande empurrão da atual prefeita, que ficou quase um ano falando do filho de Agnelo, passou rapidamente da condição de zumbi, derrotado em 2008, a super herói pronto a resolver os problemas da cidade.

A governadora precisa virar a página. Se pintar um cenário horrendo pode ser positivo para se blindar no início do governo contra as críticas, depois o discurso é enxergado como algo negativo. Perde o efeito esperado.

Carlos Augusto Rosado, mentor intelectual da gestão estadual, necessita, mais uma vez, honrar a sua fama de especialista em política. Caso contrário, Vilma, que anda quase se matando com Iberê por um cargo na esfera federal, virá por aí.

Eu não subestimaria a “guerreira”. Se os ROSAdos não estacionarem a pararem para pensar, pode ser uma questão de tempo.

terça-feira, 29 de março de 2011

PARECE MAS NÃO É: UMA ANÁLISE DOS RESULTADOS DA PESQUISA CONSULT

Quem não entende de pesquisa viu nos dados publicados pelo Instituto Consult uma verdadeira lavada de Carlos Eduardo. Ora, eu não compraria tão rapidamente esta tese. Mais. Acho que CE terá de multifacetar o seu discurso para conseguir arrebanhar outros eleitores. Caso contrário, enfrentará dificuldades.
É interessante lembrar que o pdtista, mesmo aparecendo com 50% das intenções de voto, foi beneficiado pelo Recall das eleições de 2010, em que direcionou sua campanha para um forte trabalho em Natal, e pela polarização que Micarla, numa jogada infantil e que demonstrou toda a sua inabilidade política, promoveu contra o ex-prefeito. Rosalba, por exemplo, parece que não vai cometer erro semelhante com o ex-governo. Além disso, com a retirada do nome de Fátima do pleito, ficou claro que os votos da deputada migraram para o também conhecido por Tata.
No entanto, já é possível constatar novos elementos ingressando na disputa. A base do governo estadual ultrapassou 30% das intenções de voto, isto faltando mais de um ano para a eleição ocorrer. Não é pouco.
Além disso, é válido considerar que Micarla não conseguirá reverter o cenário de desaprovação. No máximo, na melhor das hipóteses, poderá amenizar o quadro. A questão é simples. A falta de tempo hábil se soma a um crescimento do índice de impopularidade da prefeita – a cada pesquisa, mesmo com a prefeita anunciando a todo o momento milhões e milhões para Natal, a situação da borboleta só piora.
Porém, o discurso antimicarlista por si só não resolverá a parada. Ainda que tenha muita força e consiga mexer com o inconsciente das pessoas, só a pauta negativa não determina uma disputa. Urge começar a conceber um discurso a-micarla, ou melhor, pós-micarla. Não basta dizer apenas que tudo está ruim. É necessário apresentar novos caminhos. E neste quesito me parece que a base do governo estadual apresenta um bom potencial de crescimento.
Se eu fosse Carlos Eduardo acenderia a luz amarela.

PS.1. A deputada federal Fátima Bezerra, eterna candidata, começa a se movimentar bem no tabuleiro. Suspendeu as falas antimicarlistas, pois compreendeu que se continuasse com o ataque direto a gestão municipal poderia ser acusada de ter dificultado a vinda de recursos para Natal. Daria o discurso que os verdes estão precisando. A moderação vem lhe fazendo bem.

PS.2. Fátima também já deu a linha do discurso contra os candidatos do governo estadual. Lembrou que eles apoiaram a candidatura de Micarla. Será que funciona? Carlos Eduardo e Iberê usaram a estratégia contra Rosalba em Natal, durante as eleições de 2010. No entanto, a mossoroense foi a mais votada da capital.

Daniel Menezes - Sociólogo e Professor

quinta-feira, 24 de março de 2011

QUAL NATAL QUEREMOS DEPOIS DE SEDIAR A COPA DE 2014?

Daniel Menezes
Sociólogo e Professor

O valor total para a construção do estádio Arena das Dunas, como o futuro elefante branco vem sendo chamado, a cada pronunciamento do governo, só aumenta – as cifras iniciaram em R$ 300 milhões. Agora, acrescido os juros, já se fala em 1,2 bilhões.
É válido salientar que natal já tem tradição nesse tipo de oba-oba. O processo funciona mais ou menos assim: cria-se a necessidade de algo que irá nos levar a modernidade, empenhamos até o último fio de cabelo, a obra é concluída para depois ser rapidamente esquecida.
Lembram do papodromo? Em tese, além de servir para receber o papa, seria um importante centro de shows, palestras e convenções. Cadê as convenções? E as palestras? Será que a agenda de shows deste ano já foi divulgada e eu ainda não vi? Acho que não. Hoje o equipamento é dominado pelo mato. Dinheiro jogado fora.
E a ponte Newton Navarro? arquitetada para resolver o problema do trânsito e acabar de vez com a desigualdade entre a zona sul e a zona norte, nos levou um caminhão de dinheiro, beneficiou alguns, garantiu a bonança de quem comeu do bolo, mas a população não teve acesso nem as migalhas. Talvez nos tenha servido para tirar algumas fotos. Porém, o engarrafamento pouco foi alterado. Mesmo com laudos técnicos já apontando que a ponte não iria resolver o problema da mobilidade, ela foi levada adiante. Depois que viram que o trânsito não seria desafogado, vieram com a desculpa que seria uma atração turística. Ora, nada poderia soar mais falso, como a realidade vem cruelmente demonstrando.
Entretanto, em matéria de desperdício e de atitude esquizofrênica nada se compara ao estádio Arena das Dunas e a participação de Natal como uma das sedes da copa do mundo de futebol de 2014: não apenas pela magnitude do recurso destinado ao devaneio, mas pelo processo sistematizado de desinformação que a população vem sofrendo.
Não custa nada descabelar a ladainha:
1. O estádio, de início, seria bancado por uma empresa privada, que depois passaria a fazer uso da arena para shows, eventos, etc. Nesta lógica, Natal passaria a receber Madonna, Pink Floyd e, quem sabe, já que há quem acredite que ele esteja vivo, Elvis Presley. Ora, era mais do que claro que a lorota não aguentava meia hora de um diálogo minimamente razoável. Depois se falou numa parceria público-privada, como se continua a dizer. No entanto, não passa de outra farsa. O governo do estado irá garantir os recursos para a construção da arena, empenhando a alma, quer dizer, os royalties (não dá no mesmo?). Que djabo de parceria é esta em que um lado empenha até a roupa do corpo, enquanto o outro lado vem só para lucrar com a construção e com os juros cobrados?
2. Natal, com a copa, seria, segundo se ouvia, invadida por bilhões e bilhões de reais. Chegou-se a falar em 50 anos de desenvolvimento antecipados para Natal até 2014. Megalomania maior do que a do finado presidente Juscelino. E ainda tem mais! Tudo viria a fundo perdido, ou seja, município e governo do estado receberiam as verbas do governo federal sem contra partida. Hoje os jornais dão conta de um empréstimo de 300 milhões aprovados pela câmara municipal de Natal junto a Caixa Econômica Federal para as obras de mobilidade urbana. Poxa, mas se é empréstimo, então, teremos de arcar com um carnê mais grosso do que uma bíblia, ou será que estou falando besteira?!
3. O entulho gerado pela demolição do estádio seria utilizado, conforme um secretário fantástico afirmou, para fazer estradas e rodovias. Bingo! Neste escopo, até o refugo é positivo. Traz desenvolvimento. No entanto, está ficando claro que não se sabe, sequer, aonde esse “lixo” será colocado. Tenho certeza de que na sede da empresa construtora é que não será.
4. A FIFA teria colocado o cumprimento integral do projeto original como condição fundamental para Natal ter direito a receber os jogos da copa. Isto era regra para todas as cidades. No entanto, outras capitais mexeram em seus projetos e, nem por isso, foram retiradas da lista. O próprio Arquiteto do Machadão, que alegou ser possível adequar o chamado “poema de concreto” as condições da FIFA com R$ 100 milhões, disse que fez uma consulta direta a FIFA e a mesma enfatizou que não há a obrigatoriedade do projeto ser exatamente o que estão pregando. Como nenhuma autoridade apareceu para contestá-lo, continuo achando que sua opinião tem verossimilhança com a verdade.
As contradições discursivas e práticas se somam a não reflexão do impacto que estas construções terão sobre o futuro financeiro do nosso estado e sobre as nossas vidas.
Que tipo de cidade a copa irá criar? Quais serão as dificuldades enfrentadas? Estas questões básicas continuam sem resposta. A não ser que acreditemos ingenuamente, como o personagem Pangloss do ótimo livro “O cândido” do filósofo francês Voltaire, que os transtornos passam e os benefícios ficam e que vivemos no melhor dos mundos.
O interessante é que enquanto se ouve nos cafés da cidade que fulaninho, cicraninho e beltraninho vão ser beneficiados desta e daquela forma, que os jornalistas, com algumas exceções (Alex Medeiros e Felinto Rodrigues encabeçam a lista dos que mais corajosamente vêm enfrentando, a bem da verdade, o tema), não estão fazendo de conta de que nada está acontecendo gratuitamente (isto tem um quê de conspiratório, mas retirando os absurdos, alguns movimentos vem se comprovando), os natalenses, como no ensaio sobre a cegueira de Saramago, embriagados com a falsa ilusão de que estamos galopando para um futuro de desenvolvimento, ficam zanzando por aí. Caminhando sem rumo na escuridão de todo este contexto criado.
A questão, antes que alguém venha com o argumento ditatorial de “ame ou deixe”, não pode ser se somos a favor ou contra a copa. Mas que tipo de copa queremos. Ou melhor, qual Natal queremos depois de sediar a copa do mundo de futebol de 2014.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Vilma e os dissidentes do PSB: uma jogada de mestre

Danil Menezes*

Uma dúvida dominou a arena política potiguar nos últimos dias – os PSBistas, da cozinha de Vilma, indicados e já nomeados pela prefeita Micarla de Sousa para duas secretarias municipais, Claudio Porpino (Semsur) e Vagner Araújo (Segelm), aceitaram o convite com a anuência daquela que se intitula guerreira, ou sem estabelecer um diálogo com a ex-governadora? Vilma, ao criticar os seus (ex)liderados, estaria apenas fazendo jogo de cena, já que havia um entendimento prévio, ou, de fato, demonstrou o seu descontentamento? Alguns se posicionaram a favor da primeira versão, enquanto que outros tentaram fundamentar as suas argumentações em consonância com a última tese.
Ora, a visão unitária (ou é uma coisa ou outra) não ajuda a capturar a multiplicidade que caracteriza a disputa política. Neste sentido, as duas análises têm elementos explicativos importantes, mas são, quando pensadas isoladamente, falsas. 
Vilma sabia da jogada e foi informada da articulação vermelho e verde. Os dois vilmistas não iriam para o borboletário sem manter a possibilidade de um retorno para o grupo vilmista. Com os históricos índices de impopularidade que a prefeita apresenta, seria uma loucura. A política é a arte de multiplicar os feixes de ação. É a arte de manter várias portas abertas para fazer uso daquela que, no momento oportuno, se mostrar como a mais interessante. A ida dos filhotes pode, quem sabe, representar também uma porta para a própria ex-governadora. Porque não?
No entanto, Vilma – esta que é a sacada – não concentra, hoje (não sei amanhã), força suficiente para vetar a aproximação dos PSBistas da administração da borboleta. Ela sabe que não teria a condição de dizer e sustentar um definitivo “Não”. Poderia aparecer como uma liderança enfraquecida e teria o inconveniente de se ver obrigada a mexer no seu capital político e, quem sabe, entrar no cheque especial.
Neste sentido, os PSBistas combinaram-informando. Não informaram, pedindo a anuência dela. O gordinho e o twitteiro perceberam que não precisavam da autorização dela para fazer o que produziram. Sabem que Vilma, hoje – importante sempre lembrar –, não está com essa bola toda.
Porém, porque, mesmo sabendo da manobra e não tomando uma iniciativa mais enérgica, Vilma, se fazendo de doida, condenou o fato? Ora, porque ela sabe que o PSB não é composto por apenas uma platéia. Era preciso jogar também para outra torcida, que é justamente aquela formada pelos vereadores, reunidos recentemente na casa da governadora para fazer uma oposição de faz de conta, e outros membros do partido que se sentiram ameaçados por um possível fortalecimento dos vilmistas, micarlistas de última hora. 2012 já bate a porta.
Ao agir desta maneira, Vilma atuou com o faro político que lhe faltou durante o final do seu governo – manteve e afirmou a liderança do partido, não criou uma situação de rompimento com Claudio Porpino e Vagner Araújo, construindo, inclusive, uma ponte com a gestão municipal e, de quebra, arrefeceu os ânimos dos descontentes da legenda que comanda. Uma jogada de mestre.


Daniel Menezes - Sociólogo, Professor da UFRN e Responsável pelo Instituto Seta
84-8809 7897

quinta-feira, 3 de março de 2011

O site Carta Potiguar / Instituto Seta produziram uma sondagem sobre a avaliação da administração municipal e a corrida eleitoral em Natal de 2012

O link de acesso aos números da pesquisa:

http://www.cartapotiguar.com.br/?p=6414

Por Daniel Menezes
Sociólogo

84-8809 7897

APRESENTAÇÃO
           
A pesquisa produzida foi aplicada durante os dias 26 e 27 de fevereiro pelo site Carta Potiguar (http://www.cartapotiguar.com.br/) em parceria com o Instituto Seta, liderado pelo sociólogo Daniel Menezes. Foram investigados dois pontos básicos – avaliação da prefeitura do Natal e a corrida para a sucessão municipal que ocorrerá em 2012. Foram entrevistadas em pontos de aglomeração 800 pessoas. O controle amostral se processou através das variáveis de sexo, idade e região dos entrevistados. A margem de erro é de 2,5% e o intervalo de confiança é de 95%.

ANÁLISE, Por Daniel Menezes – Responsável Técnico do Instituto Seta, Doutorando em Ciências Sociais e autor do livro “Pesquisa de opinião e eleitoral: teoria e prática”.

 A prefeitura vem produzindo uma administração ruim, conforme opinião dos natalenses – 77,9% dos entrevistados não aprovam a prefeitura e, quando perguntados sobre a avaliação, apenas 7,8% dos eleitores de Natal afirmam que conceituam a gestão municipal como boa e ótima.

Esta avaliação negativa beneficia eleitoralmente Carlos Eduardo, já que, além de contar com o recall das eleições de 2010, em que foi candidato a governador e privilegiou sua campanha em Natal, uma forte polarização entre ele e a prefeita foi sendo produzida no decorrer da disputa política municipal. O revés avaliativo da atual gestão implica, neste sentido, em um fortalecimento eleitoral, hoje, de Carlos Eduardo.
Além disso, o voto contrário a prefeita, quando somados os votos dos candidatos que fazem oposição aberta à gestão municipal, se aproxima do índice de desaprovação da prefeitura do Natal. Cerca de 70% dos natalenses afirmam que, se as eleições fossem hoje, votariam num candidato que não integra a base de apoio da prefeita, conforme pode ser constatado no gráfico que aponta a corrida eleitoral em Natal.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

UMA ARMA POLÍTICA

 Daniel Gonçalves de Menezes*

Tentando fazer uma retrospectiva sobre o uso estratégico da veiculação das pesquisas eleitorais e de opinião durante o último ano, para reunir material para a publicação do meu segundo livro sobre o assunto, nada me chamou mais atenção do que a sondagem divulgada pelo Instituto Consult/Portal Nominuto no dia 23 de Novembro de 2010.
Feita com o intuito de medir a intenção eleitoral e a avaliação da prefeita Micarla de Sousa, a pesquisa trouxe um impacto devastador para a administração da borboleta. Até então, o Partido Verde vinha tentando se aproximar do PMDB e de setores da esquerda com o intuito óbvio de fortalecer a governabilidade e, quem sabe, criar uma ampla frente política para a sucessão em 2012.
O movimento enxadrístico era claro. Se a aliança com o governo federal garantiria as verbas que andavam sumidas, o PMDB traria o plus político que estava faltando. A intrincada equação poderia ser o caminho para a reversão do quadro adverso pelo qual passam os verdes.
Como impedir a configuração deste cenário nada positivo para a oposição?! “Mostrando”, pensaram os oponentes, que a administração municipal não tem apoio popular e que caminha para o esquecimento.
Mas como? É aí que entra o papel estratégico desempenhado pelas pesquisas. O levantamento publicado, pouco antes da reunião em que os PMDBistas decidiriam se fariam parte da prefeitura ou se recusariam a proposta de aliança com a prefeita, trouxe um forte clima de opinião de que o acordo não era positivo.
Esquecendo que a pesquisa de opinião retrata apenas um cenário conjuntural e que a avaliação negativa da administração municipal pode ser perfeitamente revertida, os paquerados, assombrados com os números, rechaçaram a aproximação e encerraram o assunto.
Ora, quem difundiu os dados da pesquisa tinha dois objetivos definidos e que foram amplamente atingidos. O míssil teleguiado impediu a tentativa de reação da prefeita e ajudou a consolidar a sofistica idéia de que a atual gestão não tem mais jeito.
Foi, sem sombra de dúvida, um exemplo genial de como utilizar todas as potencialidades políticas que a pesquisa de opinião carrega em seu seio.
Os demais, destreinados no uso estratégico das sondagens, ficaram a mercê de uma arma política que ainda precisa ser melhor conhecida.

*Sociólogo

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Alguns pontos explicativos sobre a derrota do vilmismo

Daniel Menezes
Sociólogo e Professor


A quem interessa a discussão que invadiu os jornais locais que procura enquadrar os supostos culpados da derrota do grupo de Vilma nas eleições de 2010?
Sinceramente não sei. Mas talvez a explicação esteja no fato de que a derrota ainda não tenha sido digerida por muita gente.
Vou tentar oferecer uma resposta, pontuando algumas questões que, ao meu ver, são fundamentais, mas que não estão sendo devidamente relevadas.

1. Não é possível encontrar um único culpado. O processo de deterioração do grupo político foi longo e se iniciou em 2008. A desastrada estratégia de 2008 deu início ao desmoronamento do vilmismo. Fátima ajudou a desarticular fortemente a base naquele momento. A impressionante vitória de Rosalba, quando todas as pesquisas apontavam

Fernando Bezerra, em 2006, também acabou por gerar a composição de um poderoso grupo político para 2010. Garibaldi, que havia subestimado Vilma em 2006, perdendo a eleição no primeiro turno e não no segundo, soube depois da traumática derrota jogar como ninguém. Conseguiu a façanha de estabelecer uma ponte com os duas ilhas em que se encontravam as principais lideranças políticas do RN.

2. O segundo governo Vilma também ficou bem aquém do esperado e não adianta citar números. As pessoas precisam ter a sensação de melhora, o que não foi sentido.
3. Lembro de uma entrevista publicada pelo correio da tarde lapidar de Fernando Mineiro em que o mesmo afirmava que a segunda gestão de Vilma não estava seguindo a contento e que era necessário mudar os rumos da administração estadual. Apontou várias fraquezas da administração, tais como segurança, saúde e educação. A auto-crítica (Mineiro faz parte até hoje do governo) foi desconsiderada e fortemente atacada por um batalhão de jornalistas. O PTista cantou a bola e ninguém quis ouvir. E se existe uma qualidade imprescindível para um bom político é o dom de saber escutar o que os outros tem a dizer, pesar os interesses em jogo e a força dos argumentos.
4. Outro fato marcante foi o modo como os governadoráveis foram tratados. A disputa foi pessimamente conduzida, o que aumentou a rachadura já existente no navio governista.
5. Não concordo, além disso, com a história de dizer que Vilma pagou pelo desgaste natural de duas gestões seguidas. Muitos governadores já lideraram os seus estados por oito anos e conseguiram obter um resultado diferente. Isso é argumento de quem não quer ou não tem interesse em enxergar a verdade dos fatos.
6. Existiu um nítido enfraquecimento das bases sociais do vilmismo e, como já dizia Noberto Bobbio, nenhum governo se sustenta sem ter os pés fincados em parcelas significativas da sociedade. Vilma não parecia mais aquela política da década de 70 que, quando secretária de ação social, soube fazer um brilhante uso do movimento comunitário e ganhar os corações daquelas pessoas. Até hoje não compreendi quem Vilma representava socialmente na eleição. Parecia uma candidata desfigurada e o discurso da "luta contra os poderosos" não surtia mais o efeito de antigamente - o norte-riograndense já havia se acostumado com a idéia de que Vilma era uma das principais forças políticas do RN.
7. A estratégia eleitoral não foi boa. Qualquer manual de ciência política mostra que a capacidade de influência e transferência de votos entre esferas diferenciadas tende a ser bem menor do que a gente imagina. Acreditaram que Lula, que goza de boa aprovação popular, poderia interferir no processo eleitoral local. Ora, os eleitores costumam separar muito bem as áreas de governo. O fato bisonho disso tudo foi que, por mais que Iberê tenha lutado para colar seu nome no de Dilma, seus eleitores eram mais simpáticos a candidatura de Serra. Rosalba, que era sempre apontada como serrista pelos membros da marola vermelha, foi vitoriosa entre os eleitores da candidata do Lula.
8. O sentimento de mudança se impôs e Rosalba soube muito bem encarnar o idéia de “novo”.
9. A lógica do segundo voto desempenhou lá o seu papel. Era necessário reconstruir o inconsciente coletivo da sociedade, que tinha a idéia de voto casado em Garibaldi, Agripino e Rosalba fortemente estabelecida.
No entanto, o PT local, em mais uma de suas trapalhadas já tradicionais, ofereceu Hugo Manso como parceiro de Vilma e Iberê. O que ele conseguiu agregar a candidatura destes últimos além do forte voto de legenda do partido dele?! Praticamente nada... Faltou ousadia para colocar alguém de cara nova, com a possibilidade de trazer a idéia de renovação e até ajudar a amolecer a noção de continuidade, que já era do conhecimento de todos que a população rejeitaria.
O resultado está aí e cabe ao grupo vilmista deixar de chorar e procurar culpados e começar a atuar para re-articular os seus líderes sob a idéia de um projeto de oposição.
Depois de quase 20 anos no poder, Vilma precisa aprender que há o outro lado também. Faz parte da vida. Faz parte da democracia.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

TRANSIÇÃO E ESTRATÉGIA POLÍTICA

Daniel Gonçalves de Menezes
Sociólogo e Professor
(www.cartapotiguar.com.br)

A transição é o momento propício inicial do exercício daquilo que era apenas expectativa, como também para a continuação da concorrência política por outros meios. Isto ocorre principalmente quando o grupo vencedor conseguiu derrotar aqueles que antes capitaneavam a gestão do estado em disputa.
Há quem defenda que é o período adequado para liquidar a fatura, abrir as contas públicas e, para a possibilidade de encontrar algo questionável, enfraquecer ainda mais o grupo perdedor. A atividade de auditoria, aliada ao discurso da transição, não se resumem, portanto, a uma questão técnica. Se configura também como o prolongamento da atividade política.
É importante, no entanto, que o grupo vencedor exerça a crítica no processo de transição aos ex-gestores com bastante cuidado, pois aquilo que aparentemente significa apenas empurrar um bêbado ladeira abaixo, pode tornar-se uma grande dor de cabeça.
Micarla de Sousa, após ter triunfado contra as principais lideranças da cidade, não perdia a oportunidade de apontar a gestão anterior de Carlos Eduardo mesmo depois de empossada. A tentativa de enfraquecê-lo se mostrou desastrosa. Ao invés de deixar Carlos Eduardo “morrer politicamente”, como se diz, a atual prefeita o colocou firme e forte na oposição. O ex-prefeito, que iria ficar dois anos de molho sem disputar cargos públicos, o que representa uma eternidade em matéria de política, foi jogado num cenário favorável que lhe garantiria a sobrevivência.
A líder do PV, ao empreender a estratégia, criou uma polarização inoportuna com Carlos Eduardo, aglutinou uma oposição contra ela (numa região em que, nos últimos anos, não vem apresentando sólidas formações de oposição locais e estaduais – vereadores, prefeitos e deputados são facilmente cooptados pela máquina pública) e, ainda de quebra, antecipou a disputa para a prefeitura de Natal em 2012.
Modéstia a parte e para não me apresentar como “especialista de última hora”, “cantei a bola” em fevereiro de 2009 com o envio de alguns artigos para alguns jornais da cidade.
Agora é a vez de Rosalba Ciarlini. Com a aprovação das urnas, começa a sua gestão gozando de grande legitimidade. Não é nada fácil, num estado em que os prefeitos estão sempre com o pires na mão, parte da sociedade depende de benefícios do governo e os empresários têm as secretarias públicas como suas principais clientes vencer uma eleição ainda no primeiro turno contra um candidato com a caneta cheia de tinta para assinar. Porém, já ensaia um movimento parecido (guardadas as devidas diferenças) com o que foi empreendido por Micarla em 2008 – transição, auditoria e continuação da eleição por outros meios.
Se a intenção de Rosalba Ciarlini, ao propor a auditoria das contas públicas, é conhecer a situação do RN, ponto para ela. Ninguém pode assumir a gestão do estado sem conhecer a sua real situação.
No entanto, é preciso cuidado para não retirar da UTI quem está agonizando politicamente.
Getulio Rego e José Dias, dois deputados experientes, já perceberam o perigo da situação. Disse, acertadamente, o deputado eleito pelo PMDB – “auditoria não pode ser revanchismo”.
Rosalba Ciarlini tem que cuidar de construir uma base política de apoio, fortalecer suas bases sociais de sustentação – já que um governo não vive sem sociedade –, cooptar os desgarrados do grupo derrotado e deixar os demais convalescerem com a própria falta de oxigênio que a ausência do uso da máquina acarreta. Se sem cargos um grupo político não sobrevive, como já vaticinou o sociólogo alemão Max Weber ainda no início do século XX, para quê conversar com os mortos?
A borboleta tem só dois anos de mandato, mas também pode procurar o mesmo caminho. É difícil, mas não impossível.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

PORQUE AS PESQUISAS FALHAM

Daniel Menezes
Sociólogo e Professor
(www.cartapotiguar.com.br)

Os institutos parecem estar vivendo um inferno astral. Suas pesquisas não se aproximaram do resultado saído das urnas. Em alguns casos, como foi com o Start, a disparidade chegou a mais de 10%. Este cenário, sem dúvida, alimenta todo um imaginário já existente com relação às sondagens eleitorais.
A depreciação do papel das sondagens eleitorais é tão forte que há quem aproveite a situação, inclusive, para propor a proibição da publicação dos levantamentos. Esquecem de perceber que o direito a informação é uma clausula pétrea constitucional em nosso país.
No entanto, esta visão com relação às pesquisas nem vem de hoje. Têm raízes profundas. O status negativo que goza as pesquisas eleitorais está intrinsecamente ligado a maneira como as sondagens foram tratadas na época da ditadura. Os militares, constrangidos com a divulgação dos baixos índices dos seus candidatos, empreenderam um conjunto de ações com o intuito de deslegitimar os levantamentos. Todo o prestígio inicial das pesquisas eleitorais, que chegaram no Brasil com o prestígio de já terem acertado vários resultados nos EUA e a improvável vitória do partido trabalhista inglês na década de 40, se esvaiu. Os militares, não apenas dificultaram a publicação das pesquisas, como também difundiram a noção de que os institutos sempre estavam atrelados a interesses obscuros.
O resultado foi à produção de uma legislação regulamentadora das pesquisas, mesmo depois do processo de democratização, extremamente retrógrada e que cria barreiras contra a produção de informação na sociedade. O fato concreto, em suma, é que a proibição da veiculação das sondagens não irá resolver o problema. Ao invés de propor a sua extinção, é relevante discutir as razões do seu (não) poder preditivo.
E para estabelecer um diálogo frutífero deve-se, antes de mais nada, afastar a visão conspiratória do mundo. Há institutos que se corrompem? Eles existem sim! Inúmeras artimanhas são largamente empregadas neste sentido: retirar o quantum de imparcialidade das perguntas do questionário e quebrar a proporcionalidade da amostra quanto ao tamanho das regiões e/ou das classes sociais estão entre as “estratégias” mais utilizadas. No entanto, assim como em outras áreas da sociedade, existem bons pesquisadores e outros ruins.
Outra questão a ser enfatizada é que a pesquisa é uma “fotografia do momento”. Ela apresenta a composição de um cenário. E não é incomum, principalmente com a internet e a rápida circulação da informação, surgir correntes de opinião que alterem rapidamente o arranjo eleitoral inicialmente capturado pelo levantamento. Com isso, deve-se entender que, por mais que a pesquisa seja eficiente, ela irá chegar com um determinado déficit de tempo. Não é possível sondar antes que um fenômeno social já tenha gerado todas as suas conseqüências e se torne conhecido. É como querer fechar a gaveta com a chave dentro.
A “onda verde” capitaneada por Marina Silva, em âmbito nacional, figura como um bom exemplo. Praticamente todos os institutos nacionais erraram porque não conseguiram apreender a migração de votos da candidata Dilma para a concorrente do PV. Ações e opiniões subterrâneas só foram aparecer com a abertura das urnas.
O resultado no RN também apresentou surpresas. Todos os institutos erraram o resultado para governador na capital do estado. Eles davam como certa a vitória de Carlos Eduardo sobre Iberê em Natal. No entanto, foi notório que a polarização entre Iberê e Rosalba, aliado a um gigantesco trabalho do candidato do PSB, enchendo as ruas da cidade de bandeiras, de decoração, a caixa telefônica das pessoas de mensagens sugestivas, além de outras iniciativas, trouxeram um resultado mais favorável para o atual governador entre o eleitorado da capital. As atividades dos últimos dias de campanha projetaram Iberê positivamente, fazendo com que as sondagens não conseguissem constatar o seu aumento.
Nos dois casos as pesquisas se mostraram incapazes porque simplesmente a operacionalização da sondagem eleitoral e de opinião tem limitações objetivas. Não se trata de tentar encontrar um pesquisador que se vendeu, ou um instituto que não soube operar a metodologia corretamente empregada. A explicação é bem mais complexa e exige raciocínio analítico e não suposições fantasmagóricas.
Mas como melhorar a relação dos levantamentos com a sociedade? Duas ações podem ser efetivamente propostas para minimizar os limites e possíveis inconvenientes das pesquisas. É imprescindível, primeiro, permitir que mais institutos produzam sondagens, pois assim o poder de tentar forjar realidades vai estar mais fortemente distribuído e não ficará nas mãos de poucas empresas. O poder controlador da competição entre as várias pesquisas irá, com o passar do tempo, manter os bons e retirar os ruins do mercado. Em Natal mesmo já há institutos, antes famosos, que perderam totalmente a credibilidade e suas pesquisas já viraram motivo de piada.
E é também importantíssimo conscientizar a população sobre as reais possibilidades dos levantamentos eleitorais. A sondagem eleitoral projeta perspectivas. Não advinha o que vai acontecer. Neste sentido, não poderemos mais ficar a mercê do profissional que diz já saber o futuro, como também não é possível abrir mão do direito a informação que a pesquisa promove.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Curiosidades da pesquisa: lógica do segundo voto trucida Vilma

Daniel Menezes
Sociólogo e Professor
http://www.cartapotiguar.com.br/

A ex-governadora do RN e candidata ao senado Vilma de Faria, para o delírio de muita gente, não consegue subir nas pesquisas. A lógica do segundo voto não a ajuda. As reiteradas pesquisas mostram que a coisa está difícil de reverter.

O motivo é que Garibaldi, mais votado no primeiro voto, tem o segundo voto de Agripino. Agripino, por sua vez, que tem votação inferior a Vilma em seu primeiro voto, arrebanha o segundo voto de Garibaldi e da própria guerreira. Vilma, em contrapartida, não tem o segundo voto expressivo em nenhum dos lados.

Outro fato curioso é que ela se vê amarrada sem poder atacar abertamente nenhum dos candidatos. Se errar na dose pode perder o segundo voto do candidato que ela criticou.
Quando direciona a sua mira é para derrubar José Agripino, pois o eleitor de Garibaldi, por mais que ela tente atingí-lo, não irá votar nela. Ela disputa o mesmo eleitor de Agripino.

Porém, se levarmos em consideração a análise de Ricardo Guedes, presidente do instituto Sensus, veremos que alteração eleitoral a essa altura do campeonato não é nada fácil. Mesmo em caso das denuncias-bombas, diz Guedes, porque apenas 3% do eleitorado admite alterar sua escolha.

Além do voto casado estar funcionando bem, Hugo Manso não consegue agregar nada a campanha da candidata do PSB. Está sendo utilizado como bala de canhão para criticar os demais candidatos, já que ela mesmo não pode bater e correr o
risco de perder o seu já minguado segundo voto, mas sem nenhum sucesso.

Se não rolar (assim eu dizia até pouco tempo atrás) um ministério, como algumas pessoas dizem, a guerreira parece que vai ter que começar a pensar em 2012.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Dois candidatos e nenhum carisma político

Daniel Menezes
Doutorando em Ciências Sociais

A (pré)eleição, resumida a publicação de pesquisas eleitorais e de processos judiciais, está um verdadeiro pé no ovo esquerdo. Se não bastasse o caldo de biloca, temos de aturar ainda dois candidatos sem nenhum tipo de carisma político. De um lado, Dilma, a candidata do homi, visivelmente inexperiente do ponto de vista eleitoral. Do outro, Serra, um candidato que tenta mostrar que não está no partido que está, não se aliou com quem se alinhou e não tem o passado que tem. Para a infelicidade da política, os discursos vão sendo dominados pela força divina das qualis.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Na Bahia, Paulo Souto parece estar bem posicionado e com chances reais de vitória. No entanto, a história das sondagens na terra de todos os santos já mostrou que é complicado levar as pesquisas à sério demais. Em 2006, Wagner, um dia antes da eleição, apareceu com 11% das intenções de voto, enquanto que o candidato do finado Toinho despontava com incríveis 70% do eleitoral. Ao abrirem as urnas, o PTista levou a parada.

sábado, 24 de abril de 2010

CURIOSIDADES DA PESQUISA

Entendo que o levantamento de opinião representa uma importante ferramenta de avaliação e legitimação das políticas públicas e dos serviços prestados pelos órgãos estatais. A chamada “nova gestão pública” incentiva o uso da pesquisa, inclusive, como meio de monitoramento da satisfação dos cidadãos. É neste sentido que fico me perguntando sobre o porquê da administração municipal ignorar tal possibilidade e se deixar pautar por parte de uma imprensa oposicionista. O “Via Livre”, por exemplo, tem 90% de aprovação. No entanto, a boa iniciativa ficou a mercê de uma verborragia aristocrática (típica de quem não sabe separar o público do privado) propalada por um punhado de pessoas. E o Plano de Cargos e Salários?! Uma inegável conquista histórica dos servidores não poderia ter passado por uma metrificação da satisfação do funcionalismo público? Adoraria também saber, quantitativamente, o que as mães dos alunos das escolas municipais acham do alargamento da merenda nas escolas. Será que não seria possível surgir apenas um dado sobre a avaliação das centenas de ruas calçadas na gestão verde?! Fui tomar a vacina de prevenção da gripe H1N1 e, para minha surpresa, fui muito bem atendido. Minha mulher foi em outro posto e também recebeu tratamento adequado. Uma pesquisa de satisfação dos usuários poderia desfazer parte das críticas e, de quebra, melhorar ainda mais o serviço prestado. Não estou querendo dizer que Micarla instaurou o reino do céu na terra. Minha preocupação é com as potencialidades das sondagens e seus usos estratégicos. Em resumo, acho que a gestão do PV apresenta iniciativas interessantes, mas que não recebem a devida valorização porque não são propagadas. Falta divulgação. E a veiculação de índices de pesquisa, puxando a sardinha para o lado do meu objeto de análise, poderia ser um dos caminhos para apresentar conquistas e responder democraticamente as críticas.

UM POUCO DE HISTÓRIA

No início do século vinte o Estado americano investiu maciçamente no melhoramento das técnicas de sondagem. Enquanto a gente ainda engatinhava, a atividade de governo nos EUA já era fortemente subsidiada pelos levantamentos de opinião.

Daniel Menezes – Doutorando em Ciências Sociais