Augusto Coelho Leal
Engenheiro
“Visionário é aquele que possui a rara habilidade de aliar a visão à competência. Ele não enxerga apenas o presente: enxerga também o futuro. É capaz de prever tendências e de antecipar mudanças, em vez de ser simplesmente atropelado por elas Um profissional assim é extremamente valioso para qualquer negócio. Tanto que as empresas à frente de seu tempo já têm até um nome para ele: CVO - chief visionary officer.”
Tive a honra e o prazer de trabalhar com um visionário. Homem simples, educado, alegre, bom pai de família. Sertanejo no bom sentido da palavra, um homem tranqüilo e trabalhador, acordava cedo, chegava às vezes no expediente pela manhã muitas e muitas vezes primeiro do que qualquer outro funcionário que não fosse o vigia, seu nome, Vauban Bezerra de Faria. Foi prefeito da cidade de Natal no período de 1975 a 1979. Um homem que trabalhou muito por Natal, mas são poucas as pessoas que reconhecem isto.
Vejo hoje se falar muito nas obras de drenagem e pavimentação do prolongamento da Av. Prudente de Morais. Pois bem, na administração Vauban Bezerra ele deixou projetos de viabilidade e construção do prolongamento da Prudente, previu e deixou projetos para alargamento das Avenidas Hermes da Fonseca e da própria Prudente, que juntamente com as Ruas Jaguararí e Olinto Meira iam ate o município de Parnamirim, na época chamado de Eduardo Gomes. Essas ruas funcionavam duas a duas com sentido único do trânsito, ou seja, mão única e com o fluxo de veículos contrários para as ruas paralelas, As Avenidas Bernardo Vieira e Antonio Basílio funcionavam da mesma maneira. Neste mesmo projeto previa o alargamento da Rua Mário Negócio e Felizardo Moura e muito outros projetos.
Vauban teve a coragem de fazer uma equipe quase de jovem. Na Secretaria de Planejamento (época) o economista Antonio Ferreira de Melo que com sua equipe fez um excelente trabalho. A Superintendência de Obras, Sumov (época) comandada pelo jovem e competente engenheiro Clóvis Veloso freire tinha uma equipe de engenheiros jovens e competentes da qual me orgulho de ter feito parte, juntamente com os engenheiros Jovelino Marques Campos, Janilson Carvalho, Maurício Coelho Maia, Hiran Paiva, esses na direção daquele órgão, e outros colegas auxiliares que não recordo de memória seus nomes.
Vauban teve a coragem de indenizar dezenas de imóveis para poder executar suas obras. Criou uma comissão de avaliação e indenização de imóveis, que com um bom trabalho fez tudo sem desagradar uma só pessoa, todos receberam os valores justos dos seus imóveis e as obras foram realizadas.
A importância da administração Vauban foi tão grande para o desenvolvimento de Natal, os prefeitos que lhe sucederam (José Agripino Maia e Marcos Cesar Formiga) que também fizeram um bom governo, aproveitaram parte dos seus projetos.
Não citando as pequenas, entre as obras de Vauban Bezerra podemos destacar:
• Primeiro Plano Diretor de Drenagem de Natal e Projeto executivo Aqua-Plan, do Recife que foi acompanhado de perto pela equipe técnica da Sumov
• Projeto e execução da pavimentação e drenagem da Avenida Prudente de Morais no trecho entre a Rua Apodi e a Avenida da Integração. Projetos elaborados pela empresa Humberto Santana Engenheiros Consultores Ltda, e execução da empresa EIT – Empresa Industrial Técnica.
• Projeto e execução da Avenida de Contorno, ligando os bairros da Ribeira e Alecrim sem passar pelo centro da cidade. Vale salientar que na época a Ribeira era importante bairro comercial
• Projeto e execução da Avenida Beira Canal e do Viaduto do Baldo que a exemplo da Avenida de Contorno objetivava também desafogar o trânsito do Centro da Cidade, ligando a Ribeira com a Avenida Prudente de Morais, e dai direto com as zonas oeste e sul da nossa cidade. Nesta época já se projetava melhorias para o Porto de Natal.
• Projeto e execução do alargamento da Avenida Getulio Vargas e duplicação da Ladeira do Sol, com a contenção das Encostas da Getulio Vargas, sendo esta a primeira obra de contenção em concreto atirantado executada em Natal.
Olhem o volume de obras e a magnitude dessas obras. Isto há trinta e oito anos Era realmente uma equipe jovem, idealista e competente, com um detalhe, nenhum de nós foi indicado por político qualquer, à escolha foi dele. Ele nos tratava como filhos e nós tínhamos o maior respeito aos seus ensinamentos de vida.
Hoje vejo o serviço publico esfacelado, com pessoas sem a menor capacidade exercendo cargos de chefia. A competência é ser amigo de político, que na sua maioria são uns irresponsáveis e poucos estão ligando para o bem comum.
Natal deve e deve muito a memória de Vauban Bezerra de Faria. Mas infelizmente até a maioria de nós engenheiros, já esqueceu quem ele foi.
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sábado, 5 de abril de 2014
domingo, 29 de dezembro de 2013
O velho catador de lixo
Augusto Coelho Leal
Engenheiro
Estava sentado no alpendre de minha casa, olhando o mar e o nascer do sol, sentido a orquestra tocando a canção da vida, com os acordes do vento, das ondas do mar, o abanar das folhas dos coqueiros. Quando procurava conversar com Deus, lembrando que este ano perdi a convivência material de muitos amigos, espiritualmente eles continuam comigo. Como estarão suas famílias, nesta época de festas – Natal e Ano Novo- muitas, acho consoladas com a Paz de Cristo, outras talvez não. Senti uma tristeza, mas procurei entender os passos da vida, todos nós seguiremos o mesmo caminho.
Um pouco distante, vejo um senhor velhinho,já com a sua coluna vertebral se curvando, fazendo com que a sua aparência seja de uma pessoa que sempre olha para o chão e com passos lentos revirando o lixo, procurando ali o seu sustendo e provavelmente dos seus dependentes. Lembrei-me que aquele cidadão que é brasileiro igual a mim, faz este triste percurso há mais de trinta e oito anos e nada ou quase nada foi feito neste lugar para que as pessoas melhorem sua posição social, para que se viva com um pouco mais de dignidade, que já é hora para os políticos tomarem vergonha na cara e parar de ser hipócritas, para que pelo menos as crianças que nasceram nas próximas décadas não vejam cenas tristes como eu estou vendo.
O velho homem passa por mim lento e triste, em um esforço físico procura levantar o rosto e me dar bom dia, para minha surpresa deseja-me Feliz Natal. Olhei para a minha consciência, os olhos lacrimejaram. Como eu que venho há trinta e oito anos neste local, nunca dei um grito de alerta para que me poupassem daquela cena, ao contrário, sempre assisti calado. Eu uma pessoa que tive bem mais oportunidades na vida, eu uma pessoa que pude estudar, não fiz nada e como a maioria dos veranistas da Praia de Cotovelo, não fez nada por aquelas pessoas que tanto poderiam ter sido ajudada por nós. Erramos sim, só olhamos do portão das nossas casas para dentro, até para o lado, não olhamos, para dar um alô ao o vizinho. É difícil, esta é a nossa sociedade consumista, “venha a nós o vosso reino.” Vivemos em uma sociedade, que pensamos em ter um super carro, sem termos uma boa casa, que temos uma boa casa, mas vendemos para comprar uma em um condomínio de luxo, pois lá estão as pessoas ditas ricas. Não vamos aos hospitais fazer um pouco de caridade, não passamos nos bairros humildes para levarmos um cobertor aos que não tem roupas, não levamos uma ceia para os que mendigam nas ruas, para os que tem fome, e ainda falamos que somos Cristãos.
De longe no imaginário ouvi uma valsa que minha tia Cristina tocava muito em seu piano na casa de meu avô, Fascinação – Os sonhos mais lindos sonhei /De quimeras mil/Um castelo ergui. Pensei comigo, quais foram ou são os sonhos deste velho homem, quais são os seus castelos? Será que foi ou é justo ele ter passado a sua vida assim? Não sei, talvez se Charlie Chaplin tivesse visto este senhor e esta cena, ele fosse um dos seus personagens nas suas tristes comédias. Embora tenha aprendido cantando: “Que na vida a gente tem que entender que um nasce pra sofrer, enquanto o outro ri,” não me sentia confortável, para mim era triste.
Mas o ato daquele simples homem mostrou-me que podemos viver cordialmente, aprender que ao passar por outro devemos pelo menos dar um bom dia, uma boa noite, de sentir a dor alheia, de falar com Deus e pedir perdão das nossas omissões, dos nossos pecados, de procurar amar o próximo. Que mesmo tendo as adversidades da vida é possível olhar para o seu semelhante e desejar pelo menos um Feliz Natal.
“Este ano quero paz no meu coração, quem quiser ser meu amigo, me dê à mão.” Vamos fazer um novo ano mais caridoso, vamos compartilhar amor e amizade, vamos procurar amenizar a dor dos mais carentes, vamos procurar valorizar a família, vamos não só ir aos cinemas, teatros, boates, restaurantes caros, vamos também aos hospitais, as casas de caridades, aos lares mais carentes. Esses são meus desejos de um Feliz Ano Novo.
Engenheiro
Estava sentado no alpendre de minha casa, olhando o mar e o nascer do sol, sentido a orquestra tocando a canção da vida, com os acordes do vento, das ondas do mar, o abanar das folhas dos coqueiros. Quando procurava conversar com Deus, lembrando que este ano perdi a convivência material de muitos amigos, espiritualmente eles continuam comigo. Como estarão suas famílias, nesta época de festas – Natal e Ano Novo- muitas, acho consoladas com a Paz de Cristo, outras talvez não. Senti uma tristeza, mas procurei entender os passos da vida, todos nós seguiremos o mesmo caminho.
Um pouco distante, vejo um senhor velhinho,já com a sua coluna vertebral se curvando, fazendo com que a sua aparência seja de uma pessoa que sempre olha para o chão e com passos lentos revirando o lixo, procurando ali o seu sustendo e provavelmente dos seus dependentes. Lembrei-me que aquele cidadão que é brasileiro igual a mim, faz este triste percurso há mais de trinta e oito anos e nada ou quase nada foi feito neste lugar para que as pessoas melhorem sua posição social, para que se viva com um pouco mais de dignidade, que já é hora para os políticos tomarem vergonha na cara e parar de ser hipócritas, para que pelo menos as crianças que nasceram nas próximas décadas não vejam cenas tristes como eu estou vendo.
O velho homem passa por mim lento e triste, em um esforço físico procura levantar o rosto e me dar bom dia, para minha surpresa deseja-me Feliz Natal. Olhei para a minha consciência, os olhos lacrimejaram. Como eu que venho há trinta e oito anos neste local, nunca dei um grito de alerta para que me poupassem daquela cena, ao contrário, sempre assisti calado. Eu uma pessoa que tive bem mais oportunidades na vida, eu uma pessoa que pude estudar, não fiz nada e como a maioria dos veranistas da Praia de Cotovelo, não fez nada por aquelas pessoas que tanto poderiam ter sido ajudada por nós. Erramos sim, só olhamos do portão das nossas casas para dentro, até para o lado, não olhamos, para dar um alô ao o vizinho. É difícil, esta é a nossa sociedade consumista, “venha a nós o vosso reino.” Vivemos em uma sociedade, que pensamos em ter um super carro, sem termos uma boa casa, que temos uma boa casa, mas vendemos para comprar uma em um condomínio de luxo, pois lá estão as pessoas ditas ricas. Não vamos aos hospitais fazer um pouco de caridade, não passamos nos bairros humildes para levarmos um cobertor aos que não tem roupas, não levamos uma ceia para os que mendigam nas ruas, para os que tem fome, e ainda falamos que somos Cristãos.
De longe no imaginário ouvi uma valsa que minha tia Cristina tocava muito em seu piano na casa de meu avô, Fascinação – Os sonhos mais lindos sonhei /De quimeras mil/Um castelo ergui. Pensei comigo, quais foram ou são os sonhos deste velho homem, quais são os seus castelos? Será que foi ou é justo ele ter passado a sua vida assim? Não sei, talvez se Charlie Chaplin tivesse visto este senhor e esta cena, ele fosse um dos seus personagens nas suas tristes comédias. Embora tenha aprendido cantando: “Que na vida a gente tem que entender que um nasce pra sofrer, enquanto o outro ri,” não me sentia confortável, para mim era triste.
Mas o ato daquele simples homem mostrou-me que podemos viver cordialmente, aprender que ao passar por outro devemos pelo menos dar um bom dia, uma boa noite, de sentir a dor alheia, de falar com Deus e pedir perdão das nossas omissões, dos nossos pecados, de procurar amar o próximo. Que mesmo tendo as adversidades da vida é possível olhar para o seu semelhante e desejar pelo menos um Feliz Natal.
“Este ano quero paz no meu coração, quem quiser ser meu amigo, me dê à mão.” Vamos fazer um novo ano mais caridoso, vamos compartilhar amor e amizade, vamos procurar amenizar a dor dos mais carentes, vamos procurar valorizar a família, vamos não só ir aos cinemas, teatros, boates, restaurantes caros, vamos também aos hospitais, as casas de caridades, aos lares mais carentes. Esses são meus desejos de um Feliz Ano Novo.
domingo, 15 de dezembro de 2013
Ri é o melhor remédio?
Augusto Coelho Leal
Engenheiro
Engenheiro
As coisas mudaram. Sou tão antigo, que sou do tempo em que fumar era bonito e ser gay era feio. Hoje é exatamente o contrário, ser gay virou até orgulho nacional. Por isso mesmo, dentro desde meu conceito de antiguidade, lembrei-me do tempo de jovem e das brincadeiras de colégio, e para o meu grupo de amigos nem sempre ri era o melhor remédio, às vezes dava uma tremenda confusão.
Estudei no início do curso ginasial no Ginásio sete de Setembro. Eram meus diretores: Professor Fagundes e sua esposa Dona Maroquinha e o professor Nogueira. Um belo dia estava eu subindo nas mangueiras para tirar as mangas e jogar nos colegas, quando ouço o grito do professor Fagundes com a voz rouca e estridente - Êpa, êpa, Seu Leal, Seu Leal, já lhe vi, não adianta se esconder vai de castigo lá para o Auditório. Tive que descer e ir direto para ficar trancado. Chegando lá encontrei Chop Chop, um colega doido, que parecia um chinês alto e gordo com grandes bochechas. Ficamos trancados, em silêncio. De repente, nada mais que de repente Chop olha para mim e diz – Tive uma grande idéia, vou tocar piano (não sabia onde era o dó) e fazer uma música. Abriu a tampa do piano, tirou um feltro verde que protegia as teclas, enrolou no pescoço, sentou-se nas teclas e com as mãos dando murro nas outras teclas gritando – Corocococó, corocococó vi Fagundes de pijama Maroca de paletó. Eu era o maestro e o som invadiu os corredores do Ginásio. Ouvindo aquilo professor Fagundes e Dona Maroquinha correram até o local do “show”. Fomos convidados a ir para casa, sentenciados com três dias de suspensão e meu pai chamado para comparecer a Diretoria.
Fui transferido para o Atheneu e logo nos primeiros dias, ouço um reboliço dentro do colégio, os alunos correndo e olhando para o primeiro andar. Vou me aproximando, quando vejo meu bom amigo professor Sebastião Cunha, nosso querido Tião, correndo atrás de um aluno que estava andando de bicicleta dentro do Colégio. Vou ver quem é. Nisto o aluno desce as escadas de bicicleta, Tião com a sua varinha de dar aula atrás, batendo nas costas dele e a mundiça gritando. Parei e o aluno passa por mim e fala – Guga corre que o pau está catando de novo. Era Chop que tinha chegado ao Atheneu primeiro do que eu, eu não sabia.
Em uma bonita manhã de sol, estávamos na aula de português, quando começa uma discussão entre Carlos Limarujo e a professora. Os ânimos foram se exaltando, de repente eu peço a palavra e digo – Professora eu acho que Limarujo tem razão. Então ela para um pouco e já nervosa, diz. – Agora o senhor vai explicar por que é que Limarujo tem razão. Aí eu respondi. –É simples professora, é porque eu sou amigo dele e não sou da senhora. Ouvindo isto, Antonio Ferreira de Melo nosso colega Toinho Miniatura que estava sentado la na frente (eu e Carlos lá atrás) levanta-se abre os braços e grita – Bravo, bravo amigos e caminha em nossa direção. A professora não aguenta, cai no choro, nos coloca para fora da sala de aula, e vai fazer a nossa cama com Dona Olindina que era a Diretora Geral. Fomos chamados a Diretoria e no final do sermão, depois de alegar que a nossa permanência no colégio era só e somente pela amizade que ela tinha aos nossos pais vira-se para Limarujo e diz- Vocês já estão na idade de se comportarem melhor, principalmente o senhor Seu Limarujo que veio de fora. Limarujo pede à palavra, que lhe é concedida- Dona Olindina me desculpe, mas todo mundo vem de fora que aqui não tem primário.
Ela coçou a cabeça, levantou-se, mordeu os lábios e disse pausadamente: - Seus moleques desapareçam da minha frente, antes que eu me arrependa e coloque vocês no olho da rua, FORA. Acho que ainda hoje estamos correndo.
Henrique Mario Lira Carreras era nosso colega de classe no velho Atheneu, e também fazia parte no nosso grupo. Um belo dia, ele leva uma camisinha (preservativo) para o colégio. Vai para o primeiro andar enche de água, ela ia quase ao térreo, quase batia na cabeça das pessoas que iam entrar na porta principal. Foi à vez do Cônego Luiz Wanderlei passar, Henrique sem querer soltou a camisinha que molhou o padre que puto da vida olhou para cima, viu Henrique e gritou – Fela da puta vou lhe pegar. E foi atrás, Henrique que é branco e galego ficou vermelho olhou pra mim e disse - Corre que lá vem merda.
domingo, 19 de maio de 2013
O Corno
Augusto Coelho Leal
Engenheiro
Não sei por que eu tenho uma atração por cornos, aliás, não são bem os cornos que me atraem e sim suas mulheres, pois as pobrezinhas vêem seus maridos constantemente em gozações. Por isto, estou sempre disposto a confortá-las, acho que é um ato de humanidade. Para tal atividade social, faço uma coleção dos telefones delas, venho fazendo isto, desde dezoito anos. O ruim, é que cheguei à conclusão que a tal coleção nunca vai ter seu final, sempre aparece mais um número.
O Corno geralmente (não é regra) é um sujeito falante, bem vestido, gosta de mostrar seus dotes financeiros e dotes físicos de suas esposas. Mas, existe corno de mulher feia (o que é pior) e também na classe menos abastadas, mas, desses conheço pouco porque não fez parte da minha tese de doutorado apresentada na Universidade de Berlim. Acho que quando mais abastado for o individuo maior a sua chance de ser corno.
Existem histórias e estórias de corno, umas tristes que não vale apena contar e outras alegres, estas sim merecem ser contadas, para que se veja como o corno é necessário a nossa sociedade. Embora eu ache que já tem corno demais nessa terra de meu Deus.
Existia um cidadão, fazendeiro que era muito respeitado por toda nossa sociedade e respeitador. Por isto os seus trabalhadores tinham por ele muito respeito e afeição. Um belo dia (toda história tem isso), chegando a sua fazenda notou que tinha um morador muito calado e cabisbaixo. Chamou o cidadão e perguntou o que estava havendo. Chiquinho magrinho e franzino contou-lhe que o Pedrão havia carregado sua mulher. Então, o fazendeiro, homem disposto e cumpridor dos seus deveres, ouvindo Chiquinho disse.
- Ô Chiquinho, me diz uma coisa, por acaso ele deixou a mulher dele em casa?
- Sim Coroné ele adeixou sim e pru riba, a pobrezinha ainda ficô cuma eu, com dois fio pra criá
- Pois vá lá e fique com a mulher do Pedrão para você, diga a ela que foi eu quem mandou.
Assim feito, assim cumprido. Meses depois, cavalgando pela sua fazenda, o Coronel se encontra com Chiquinho todo contente trabalhando na lavoura e perguntou – E aí Chiquinho como está de mulher nova?
- Aaaah Coroné ta bom qui ta danado, o Pedrão voltou para distrocar a mulé, butou uma vaca e uma jumenta no negócio, mas eu num aceitei não, eu vou é ficá cum essa mulé trepadeira qui o negócio ta muito bom.
O pai de um amigo meu já com noventa e quatro anos de idade, viúvo, inventou de casar com uma jovem mulher de vinte e três anos. Foi um reboliço na família, os filhos tentaram de todas as maneiras tirar aquela idéia da cabeça do bom velhinho. Como não conseguiram, um dos filhos afobou-se e disse para o velho
- Papai o senhor não está vendo que isto não vai dar certo? O senhor vai levar chifre, muito chifre.
O velhinho com seu olhar angelical, quase de uma criança, fitou o filho e com a voz cansada disse.
- Tem nada não meu filho, é por pouco tempo, não se preocupe... É por pouco tempo.
Lá pras bandas do Seridó, um bancário começou a sair com a mulher de um médico, A mulher do bancário descobriu e avisou ao médico o que estava acontecendo. Os dois combinaram de pagar com a mesma moeda. Começaram um namoro, gostaram e passaram a frequentar o mesmo motel. Um belo dia (novamente) o bancário também descobre que está sendo traído. Como não podia pagar na mesma moeda, pois já vinha utilizando as benesses da mulher do médico resolveu se armar e esperar os dois na saída do motel. O casal estava saindo do motel, o bancário sacou do revolver e disse – Fela da puta vou matá-lo. Sem afobar-se, o médico olhou para o bancário e disse.
– Guarda essa porra desse seu revolver porque se revolver de corno matasse, eu já tinha atirado na sua cara há muito tempo. Os dois continuaram usando diadema de vaca por muito tempo e foram felizes para sempre. Vejam que ser corno não é tão ruim,
Eu quero avisar aos mais afoitos, que embora estas historias sejam verdadeiras, não confiem muito não, pois tem revolver de corno que mata, e como mata.
domingo, 24 de março de 2013
Já não ouvimos esses acordes
Augusto Coelho Leal
Engenheiro
Natal para mim deixou de ser aquela cidade poema. O ar bucólico desapareceu, os edifícios tomaram os lugares das residências, deixamos de ser aquela cidadezinha quase interiorana, aquela cidade dos namorados, dos brinquedos na rua descalça, das serestas pela madruga, de paz e irmandade entre as famílias.
“Olho a rosa na janela, sonho um sonho pequenino/Se eu pudesse ser menino. eu roubava esta rosa/E ofertava toda prosa, a primeira namorada/E nesse pouco ou quase nada/ Eu dizia o meu amor”. Não ouvimos mais esses acordes pelas madrugadas silenciosas, onde os sons de um pinho acompanhado pela voz de um seresteiro apaixonado ouviam-se pelas madrugadas, as moças acordavam para ouvir os seus amados, pelas brechas das janelas.
Não se ouve mais a voz e o violão de Cezimar Borges cantando os sucessos de Altemar Dutra, Guaracy Picado, Gil Barbosa, José Leal, Antonio Sete Cordas, Fernando e Carlos Lira, Aldair Soares (Pau de Arara), Vicente Barbosa, Eimar Vilar, Jahyr Navarro, Airton Ramalho, Salvador Galego, Efraim e outros que amavam as madrugadas. Muitos já não estão mais aqui, mas as vozes e seus acordes ficaram pelas madrugadas.
Lembro-me bem das serestas do veraneio na Praia da Redinha todas as madrugadas. A energia elétrica desligava ás dez horas da noite e um pouco antes, as moças saiam das reuniões ou namoros no clube, e se recolhiam em suas residências. A rapaziada se dirigia ao bar de Geraldo e Dalila ou de Dona Severina e ali ficava tomando uma e esperando a madrugada chegar, para despertar com belos acordes as suas amadas, e até se possível, dentro do roteiro ofertar uma rosa.
“Um namoro acabado, ou uma briga mais séria, o rapaz apaixonado corria a procura de um violão e um seresteiro, e quando menos esperasse a moça, nas primeiras horas do dia, ouvia –” Ninguém me ama/ Ninguém me quer/Ninguém me chama/De meu amor. Ficava acordada e muitas vezes pensava com ela mesma, ou comentava com uma amiga ou uma irmã – Tadinho está sofrendo tanto! No outro dia, na hora do banho de mar ou nas reuniões no Ridinha Clube (era assim mesmo o nome do clube, Ridinha com “i”) o namoro estava renovado.
Quase não havia bandidos, podíamos andar pelas madrugadas levando o nosso violão, e nessas andanças tinha um companheiro inseparável, Jovelino Marques Campos. Era tranquilo, e quando não havia seresta programada, muitas vezes visitávamos os bares noturnos para lá cantarolar, entre eles, a Confeitaria Delícia, Acácia Bar, Chico Chopp, Dia e Noite, Confeitaria Atheneu, Iara Bar, Bar do Candão, O feijão Verde, Café Nice, O Teco Teco, O Postinho, Bar da Pitombeira, A Palhoça e outros.
Os edifícios de grandes alturas, já não permitem mais este tipo de comportamento, as baladas noturnas, as músicas panks, onde as mulheres fazem questão de destacar as suas nádegas, como se estivesse em ato sexual, os forrós e músicas bregas com letras sem nenhum conteúdo artístico, apenas servem, para aumentar a baixaria que mudaram completamente aqueles hábitos que hoje desapareceram.
O romantismo da minha geração jovem era diferente, a Lua era dos namorados. Hoje não se canta mais a beleza amorosa da lua. “Lua bonita/Se tu não fosse casada/Eu pegava uma escada/Pra no céu ir te beijar/E se juntasse seu frio com meu calor/Pedia a Nosso Senhor/Pra contigo casar.
O tempo passou, ficou a lembrança de velhos e bons costumes, de velhos e bons amigos, muitos deles presentes e muitos deles ausentes. Disse Fernando Pessoa “Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidades às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens”.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
A gente já não fala de amor.
Augusto Leal
Engenheiro
Engenheiro
Gosto das escritas nesta página de Dalton Melo, Valério Mesquita, Anísio Augusto, Jahyr Navarro, Armando Negreiros e outros que escrevem sobre a vida, sobre o passado, histórias do nosso povo, sobre os amigos, alguns já falecidos. Amores perdidos, amores achados, ”causos,” coisas gostosas que mexem com os nossos sentimentos, a gente se sente bem quando lê.
Hoje as leituras dos jornais e revistas são em sua maioria sobre corrupção, politicagem sem escrúpulos, crimes de morte e outros tipos de violência, tornando para mim uma leitura desinteressante. O pior que as pessoas que fazem parte deste noticiário em sua maioria, são pessoas que tiveram condições de estudar e até fazer curso superior, de ser uma pessoa do bem.
A gente já não fala mais de amor, acho que o amor é a primeira condição para a felicidade. Passou o tempo do romantismo, das serenatas pelas madrugadas, de levar flores para uma dama, do namoro sério e carinhoso, do telefonema amigo, da espera ansiosa por uma carta, do andar de mãos dadas pelas calçadas pelos namorados, de um casamento duradouro.
Estamos na era do ter, quanto mais temos mais queremos. A nossa sociedade vive hoje uma luta frenética em buscar do “ter mais”. Lembro-me que quando me casei meu sonho era ter: uma mulher que fosse só minha, uma família, uma casa com um bonito jardim, um carro mesmo que fosse um modesto fusca, um gordini ou um DKW.
Hoje é diferente, o homem imbuído pela carreira pelo ter, se preocupa em chegar pelos lugares mostrando seu potente carrão, mesmo que more em um minúsculo apartamento de cinquenta metros quadrados. Para ele o mais importante é desfilar pelas ruas com seu possante como fosse o mais poderoso. A troca de parceiros ou casamentos desfeitos passou a ser fato rotineiro, não se casa mais por amor e sim por sucesso, quando este não vem o casamento é desfeito.
O homem perdeu a vergonha, e os poucos homens de bem, a sua capacidade de se indignar. Estamos vendo hoje políticos corruptos tomando conta do poder, não é só em Brasília não, aqui, se não tem corrupção, tem os desmandos administrativos sem nenhuma reação conjunta da nossa sociedade. Perdemos o amor próprio, aceitamos tudo calado. Absurdo, gestantes e crianças recém-nascidas morrendo em portas de hospitais sem assistência medica, e os mais aquinhoados não protestam, não dão apoio moral, apenas um ou outro protesta. Vejo nas casas ou templos religiosos os pregadores que dizem – Amai ao próximo como a se mesmo. Será que fazemos isto? Ou só estamos ali querendo justificar a Deus a nossa presença. Quantos pratos de comida repartimos por dia? Quantas roupas e remédios doamos? Não, não temos amor ao próximo e quiçá nem a nós mesmos.
Sei não, mas estou desiludido com muitas coisas, e aqui penso nas palavras do cantor Cazuza. “Eu sou poeta e não aprendi a amar.” Não sou poeta, gostaria de ter sido, mas será que aprendi a amar? Sempre digo que meu coração é como Rexona, “Sempre cabe mais um”, mas isto é o suficiente? Talvez tenha resposta nas palavras do Padre Zezinho “O amor é um bem maior, difícil de encontrar é joia de valor que a vida faz mudar”.
Acho que vou ser um eterno caçador dessa joia, e se alguém encontrar o amor verdadeiro, o amor infinito, me avise, serei eternamente grato.
Em 1967 Gilberto Gil, compôs Lunik 9, ele já sentia a perda da poesia para coisas materiais, para a guerra fria, e termino aqui com parte de seus versos e um alerta. “Poetas, seresteiros, namorados correi. È chegada a hora de escrever e cantar. Talvez as derradeiras noites de luar”.
terça-feira, 15 de maio de 2012
O Antiquário
Augusto Leal
Engenheiro
Noite com lua, céu bonito, poucas nuvens, a janela do meu quarto servindo de tela para este bonito cenário. Pensei nas coisas da vida, pensei e tentei indagar porque nascemos bons e nos tornamos maus, por que tanta ambição e tanta maldade na criatura que deveria ser a mais perfeita do nosso mundo vivo. Pensei em Deus, pedi para ele aliviar a minha tristeza, então procurei dormi, sonhei. Sonhei que estava sentado no jardim de minha casa, aparecia um senhor de cabeça muito branca, barba branca, todo vestido de branco e disse-me – Vou acabar com sua tristeza, vamos viajar. Estirou-me a mão, eu a apertei e de repente entrei em um redemoinho de vento. Paramos em uma casa branca, janelas e portas azuis, toda alpendrada, piso de tijolo branco, encravada em um terreno cheio de fruteiras, com cômodos muito espaçosos. Notei que tinha uma placa “Morada da sexta felicidade.” Eu usava calças boca de sino, vi a nota de compra: Lojas Seta, no rodapé a propaganda. “Lojas Seta para homens. Famosas por venderem barato”, camisa de manga curta quadriculada, comprada na Formosa Syria, sapatos vulcabrás comprado na Sapataria Elite, meias finas de nylon e um suspensório, comprados na Loja Tic-Tac.
O senhor que me servia de guia, disse-me – Agora vamos entrar e vamos ver o que tem nesta casa, você certamente se sentirá muito feliz. Na primeira sala, tinha uma mesa com uma senhora engomando com ferro a carvão e abanador de palhas das folhas da carnaúba. Ao lado na outra sala uma radiola, um móvel em que tinha o toca discos e radio juntos, onde ouvíamos os velhos long-plays, discos de vinil, enormes, com 20 centímetros de diâmetro aproximadamente, das velhas gravadoras RCA e Columbia, as mais conhecidas. Tinha discos dos Beatles, Elvis Presley, Paul Anka, Jorge Goulart, Nelson Gonçalves, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Cely Campelo, Rita Pavoni e outros. A radiola foi comprada nas lojas de Gumercindo Saraiva, e as cadeiras da sala, nas Lojas Leonel Monteiro. Para iluminar eram usados os candeeiros ou lampiões a querosene. Ao lado do portal de madeira que separava as duas salas, um telefone preto fixo na parede, onde tinha um disco com números de zero a nove e girava quando fazíamos a ligação. No centro da sala um relógio a corda, de parede, de pêndulos, da marca Zaance, mais adiante a cozinha, uma geladeira General Eletric, com fogão a carvão, substituindo o antigo de alvenaria, que era a lenha, mas ainda estava no lugar. A torneira da pia foi comprada no “O Limarujo” de propriedade de Seu Limarujo.
Fomos até o pátio, lá encontramos duas motos da marca Lambretta e Vespa e junto os retratos dos amigos Klauss Nóbrega e Veca Brun, amigos de infância e fãs deste tipo de transporte. Em frente meus amigos Pedro Cavalcanti e Dudu, mostrando alguns carros: Studebcker, Dodge, Mercury, Gordine, Dauphine, DKW, Rural Willys, Jeep Willys, Simca, Aero Willys, Karmann Ghia. Na parede uma placa de financiamento desses veículos, pelo Bancaldo, estabelecimento de crédito do Sr. Aldo Fernandes.
Caminhamos mais e encontramos uma lanchonete com o nome “Dia e Noite”, um garçom cujo apelido era Gasolina. Lá servia milk shak, torradas, bauru, cartolas e outros, também a goiabada Ceci, feita na indústria Orlando Gadelha Simas e Irmãos. Adiante olhei e vi um anãozinho vendendo balas e chicletes, dropes etc., perguntei quem era, fui informado que ali era o Cinema e que o anão era Manoelzinho, vi um senhor muito parecido com o doutor João Rabelo, perguntei de novo e me disseram que era Odemar Guilherme gerente, que estava orientando o pintor Vilinha a pintar os cartazes que eram colocados nos postes anunciando os filmes. Lá tinha anúncios de filmes de Alfred Hitchcock, Carlos Ponti, Frederico Fellini, Stanley Kubrick, retratos de artistas como Oscarito, Grande Otelo, Ankito, Zezé Macedo, Mario Moreno (Cantinflas), James Dean, Clark Gable, Marilyn Monroe, Marlon Brando, Anthony Perkins, Charlie Chaplin e muito outros.
Já na saída ouvi uma musica baixinha. “Estrelas das Américas no céu azul/Iluminando de Norte ao Sul/Mensagem de amor e paz/Nasceu Jesus chegou Natal/Papai Noel voando a jato pelo céu/Trazendo um Natal de felicidades/E um Ano Novo cheio de prosperidade/ Varig, Varig, Varig.
Acordei feliz pensando naquele sonho, fui tomar banho, quando chego ao banheiro tinha um folder “LIFEBUOY É SABONETE DESODORANTE E SABONETE SE USA NO CORPO INTEIRO”. Olhei com espanto e sorri, agradecendo a Deus mais um dia vivido e por ele sempre está comigo.
Engenheiro
Noite com lua, céu bonito, poucas nuvens, a janela do meu quarto servindo de tela para este bonito cenário. Pensei nas coisas da vida, pensei e tentei indagar porque nascemos bons e nos tornamos maus, por que tanta ambição e tanta maldade na criatura que deveria ser a mais perfeita do nosso mundo vivo. Pensei em Deus, pedi para ele aliviar a minha tristeza, então procurei dormi, sonhei. Sonhei que estava sentado no jardim de minha casa, aparecia um senhor de cabeça muito branca, barba branca, todo vestido de branco e disse-me – Vou acabar com sua tristeza, vamos viajar. Estirou-me a mão, eu a apertei e de repente entrei em um redemoinho de vento. Paramos em uma casa branca, janelas e portas azuis, toda alpendrada, piso de tijolo branco, encravada em um terreno cheio de fruteiras, com cômodos muito espaçosos. Notei que tinha uma placa “Morada da sexta felicidade.” Eu usava calças boca de sino, vi a nota de compra: Lojas Seta, no rodapé a propaganda. “Lojas Seta para homens. Famosas por venderem barato”, camisa de manga curta quadriculada, comprada na Formosa Syria, sapatos vulcabrás comprado na Sapataria Elite, meias finas de nylon e um suspensório, comprados na Loja Tic-Tac.
O senhor que me servia de guia, disse-me – Agora vamos entrar e vamos ver o que tem nesta casa, você certamente se sentirá muito feliz. Na primeira sala, tinha uma mesa com uma senhora engomando com ferro a carvão e abanador de palhas das folhas da carnaúba. Ao lado na outra sala uma radiola, um móvel em que tinha o toca discos e radio juntos, onde ouvíamos os velhos long-plays, discos de vinil, enormes, com 20 centímetros de diâmetro aproximadamente, das velhas gravadoras RCA e Columbia, as mais conhecidas. Tinha discos dos Beatles, Elvis Presley, Paul Anka, Jorge Goulart, Nelson Gonçalves, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Cely Campelo, Rita Pavoni e outros. A radiola foi comprada nas lojas de Gumercindo Saraiva, e as cadeiras da sala, nas Lojas Leonel Monteiro. Para iluminar eram usados os candeeiros ou lampiões a querosene. Ao lado do portal de madeira que separava as duas salas, um telefone preto fixo na parede, onde tinha um disco com números de zero a nove e girava quando fazíamos a ligação. No centro da sala um relógio a corda, de parede, de pêndulos, da marca Zaance, mais adiante a cozinha, uma geladeira General Eletric, com fogão a carvão, substituindo o antigo de alvenaria, que era a lenha, mas ainda estava no lugar. A torneira da pia foi comprada no “O Limarujo” de propriedade de Seu Limarujo.
Fomos até o pátio, lá encontramos duas motos da marca Lambretta e Vespa e junto os retratos dos amigos Klauss Nóbrega e Veca Brun, amigos de infância e fãs deste tipo de transporte. Em frente meus amigos Pedro Cavalcanti e Dudu, mostrando alguns carros: Studebcker, Dodge, Mercury, Gordine, Dauphine, DKW, Rural Willys, Jeep Willys, Simca, Aero Willys, Karmann Ghia. Na parede uma placa de financiamento desses veículos, pelo Bancaldo, estabelecimento de crédito do Sr. Aldo Fernandes.
Caminhamos mais e encontramos uma lanchonete com o nome “Dia e Noite”, um garçom cujo apelido era Gasolina. Lá servia milk shak, torradas, bauru, cartolas e outros, também a goiabada Ceci, feita na indústria Orlando Gadelha Simas e Irmãos. Adiante olhei e vi um anãozinho vendendo balas e chicletes, dropes etc., perguntei quem era, fui informado que ali era o Cinema e que o anão era Manoelzinho, vi um senhor muito parecido com o doutor João Rabelo, perguntei de novo e me disseram que era Odemar Guilherme gerente, que estava orientando o pintor Vilinha a pintar os cartazes que eram colocados nos postes anunciando os filmes. Lá tinha anúncios de filmes de Alfred Hitchcock, Carlos Ponti, Frederico Fellini, Stanley Kubrick, retratos de artistas como Oscarito, Grande Otelo, Ankito, Zezé Macedo, Mario Moreno (Cantinflas), James Dean, Clark Gable, Marilyn Monroe, Marlon Brando, Anthony Perkins, Charlie Chaplin e muito outros.
Já na saída ouvi uma musica baixinha. “Estrelas das Américas no céu azul/Iluminando de Norte ao Sul/Mensagem de amor e paz/Nasceu Jesus chegou Natal/Papai Noel voando a jato pelo céu/Trazendo um Natal de felicidades/E um Ano Novo cheio de prosperidade/ Varig, Varig, Varig.
Acordei feliz pensando naquele sonho, fui tomar banho, quando chego ao banheiro tinha um folder “LIFEBUOY É SABONETE DESODORANTE E SABONETE SE USA NO CORPO INTEIRO”. Olhei com espanto e sorri, agradecendo a Deus mais um dia vivido e por ele sempre está comigo.
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