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sábado, 28 de março de 2015

MONARK PEPITA


Fernando Lins
Músico e professor

Há coisas que nós não esquecemos, quando menos se espera, lá vem aquela recordação de dentro dos mais profundos alfarrábios da mente, muitas vezes sem ter nem porque, apenas você lembra-se de algo e começa a recordar de detalhes.
Pode ser uma música, um perfume ou um brinquedo, aí vem atrelado á recordação fatos paralelos que marcaram aquele tempo, você passa alguns minutos com o olhar fixo em um ponto qualquer e deixa o pensamento viajar, tentando retroceder a fita da vida e ver alguns flashes do passado.
No meu aniversário de sete anos, quando eu morava em Santos Reis, ganhei de presente dos meus pais uma bicicleta Monark Pepita, era branca com detalhes azuis e o símbolo da Monark com detalhes dourados, apesar de pequena, pois era apropriada para o meu tamanho, era muito robusta e meu pai Antônio, vez ou outra, mesmo com seus 75 quilos, fazia uma fita e dava umas voltas pelo quarteirão e soltava seu lado menino e extrovertido, que foi sua característica até sua precoce partida.
Eu acordei pela manhã e lá estava ao lado da minha cama a bicicleta novinha estalando, poucas vezes na vida senti tanta emoção, a alegria invadiu meu coração, a primeira atitude foi levar a bicicleta para a rua que era de areia e junto com meu pai ensaiar as primeiras pedaladas.
Na época em que mundo fervia com a Primavera de Praga, mulheres francesas queimando sutiãs em praça pública, guerra do Vietnã, assassinato do Prêmio Nobel da Paz Martin Luther king, morte do cosmonauta Yuri Gagarin, do piloto da F1 Jim Clark, quando Dr. Zerbini fez o primeiro transplante de coração aqui no Brasil.
 1968 ano que não terminou; o grande marco da contracultura, a pleno vapor e em um bairro pacato e praiano de uma pequena cidade, um menino com sua bicicleta a pedalar, embalado pela canção Alegria, Alegria, do Caetano que naquele mesmo ano no dia 1° de maio lançou o Movimento Tropicália. 
Nesse mesmo dia Abreu Sodré governador de São Paulo é apedrejado em palanque na praça da Sé por trabalhadores contra a Ditadura Militar.
No Recife a casa de Dom Hélder Câmara é metralhada e em meio a visita da rainha Elizabeth ao Brasil o famigerado AI5 é editado pelo Congresso e sancionado pelo presidente Costa e Silva.
Aos 13 dias de outubro, o poeta Manuel bandeira deixa a nossa terra e vai de vez embora pra Pasárgada.
Richard Nixon é eleito presidente dos U.E.A.
Carlos Lacerda é preso no Rio de janeiro e tem seus direitos políticos cassados por dez anos.
Poderia me estender mais sobre esse e outros anos de chumbo, mas prefiro voltar para minha singela Santos Reis com suas areias brancas seu cheiro de maresia, sua claridade ofuscante, e meu pai e minha mãe no alpendre do sobrado a me ver pedalar minha Monark Pepita em perfeita harmonia com a natureza.

sábado, 16 de agosto de 2014

DIREITO AO DELÍRIO

Fernando Lins
Professore músico.

Ao assistir em entrevista no Programa Singular o ensaio Direito ao Delírio do Escritor uruguaio Eduardo Galeano, autor dos clássicos, A Escola do Mundo Avesso e As Veias abertas da América Latina, entre outros, me senti um ser privilegiado por ter acesso a um material tão rico e tão simples de ser entendido, um homem que prega a igualdade e a justiça sonhada por Cristo, Gandhi, Buda, Sócrates, sem nenhum teor de cunho religioso, vendo tão somente o ser humano despido dos vícios capitalistas.

Paradoxalmente vejo o juiz americano Thomas Griesa, integrante de uma corte que tem poder bélico, decretar que se a Argentina não pagar até o dia 30 de julho  de 2014 os 1,3 bilhões de dólares que deve aos  dois fundos especulativos, também chamados de fundos abutres, que não concordaram com o plano de reestruturação de dívidas, dos portenhos;  “pessoas vão sofrer”.

É uma decisão que viola o direito de autodeterminação de qualquer nação. “Tiraram de nós a justiça e nos deixaram a Lei.” É exatamente assim que a América pobre se sente em relação, a Lei do mais forte que manda no mundo. Lei essa, que as agencias de classificação de riscos, Standard & Poor’ s e Moody’s & Fitch, também conhecidas como a Santíssima Trindade, nos impõe de maneira despótica e tirânica.

Enquanto isso na terra santa, conflitos de cunho religioso, disputas por uma faixa de terra árida presumidamente rica em petróleo, culminando com a morte de inocentes e os UEA, mantém uma postura de apoiar os semitas israelenses em seu ódio mortal aos palestinos.

A indústria bélica é a única atividade financeira no mundo orçada em trilhões, e os UEA são o maior representante desse nefasto ramo, logo é confortável para eles apoiarem esse confronto belicoso sem fim que serve tão somente a interesses escusos, à custa de um povo já tão sofrido.

Agradeço ao Sr. Eduardo Galeano, a maneira limpa e clara de ver um mundo tão confuso que nos é imposto pelos judeus capitalistas.

sábado, 2 de agosto de 2014

DESPROPORCIONAL

Fernando Lins
Professor e Músico

Enquanto eu escutava nessa noite (quinta feira, 24), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel o Sr. Yigal Palmor, que se derramava em ironias, fazendo analogias entre a quantidade de palestinos civis abatidos entre crianças, idosos e mulheres e a derrota da seleção brasileira de 7x1 contra a Alemanha, fiquei pensando na infelicidade do comentário proferido pelo Sr. Yigal.

Ele esbravejava a respeito das criticas feitas pelo governo brasileiro, do uso desproporcional das forças israelense na faixa de Gaza. Quase 800 palestinos incluindo crianças e mulheres e 30 israelenses dos quais 29 eram soldados, foram mortos em duas semanas de ataques de Israel contra a faixa de Gaza.

Quando me refiro ao infeliz comentário do dissoluto representante israelita, penso nos 6 milhões de judeus dizimados pelos alemães na segunda grande guerra mundial, acredito que alguns alemães também tenham sido mortos pelos judeus envolvidos no sangrento holocausto, mas de acordo com premissa do porta-voz não houve desproporcionalidade.

Esse Holocausto de mangas curtas patrocinado pela fatia judaica que comanda a economia mundial, não deve passar impune; a questão não é se o Brasil é ou não um anão diplomático, como foi dito pelo Sr. Yigal.

Num imbróglio que já se estende por mais de três mil anos, realmente não cabe a um país do outro lado do oceano e que vive em paz há 140 anos com seus vizinhos, tomar partido ou dar razão a qualquer uma das partes, porém a chacina promovida por Israel contra inocentes, chegando a explodir uma escola pública onde havia mulheres e crianças, é em meu ponto de vista e de brasileiro, inadmissível.

Ainda de acordo com o porta-voz, o motivo para o número reduzido de baixas no exercito israelita é um moderno sistema antimísseis, ora, ora; isso soa como o motivo do impasse não fosse somente a controle da faixa de Gaza, mas um ódio mortal a cada palestino ou criatura viva do outro lado da mal fadada faixa.


Numa terra adubada com sangue de inocentes, pode nascer a árvore da paz? E se nascer pode frutificar? Que os palestinos de joelhos roguem a Alá e os Judeus em seu pináculo perguntem a Maomé! Amém!

sábado, 21 de junho de 2014

Corpus Christi

Fernando Lins
Professor e músico

Desde que me entendo de gente, os feriados são motivos de alegria para adultos e para criançada em geral e a não ser nas festas em que a comemoração é explícita, quase não se dá uma explicação de o por que do feriado.
No São João os fogos e as fogueiras dão o tom da festa, simbolizando o nascimento de João Batista, profeta filho de Zacarias um sacerdote de Jerusalém e Izabel que era parente da mãe de Jesus.
Já São Pedro, irmão de santo André, era um pescador da Galileia, que foi chamado por Cristo para se tornar “Pescador de Homens.” Tinha originalmente o nome de Simão; Jesus deu-lhe o título Kephas que na língua aramaica tem significado equivalente no grego a “Pedra".
Há porém, feriados em que as datas são móveis, tais como a Páscoa o Carnaval o Corpus Christi, que leva em conta algumas vezes as fases da lua, a ascensão de Jesus, O Pentecostes que significa a decida do Espírito Santo sobre os apóstolos, celebrado 50 dias após o domingo de páscoa.
A festa de Corpus Christi, (Corpo de Cristo), instituída pelo Papa Urbano lV através  da bula Transiturus de Hoc Mundo de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta feira após a festa da Santíssima Trindade é celebrada 60 dias após a Páscoa, entre os dias 21 de maio e 24 de junho.
Para impor maior pompa à solenidade o Papa Urbano lV desejou que um Ofício fosse composto, tendo como compositor São Tomás de Aquino, cujo título era Lauda Sion (Louva Sião). Esse cântico é executado até hoje nas celebrações de corpus Christi.
Cada feriado trás um ônus ao erário público, então procurar se informar e meditar porquê de os nossos ancestrais render homenagens a certos homens e datas, é uma maneira de preservarmos o nosso passado e vislumbrar o nosso futuro.
Hallellujah.
Natal, quinta feira 19 de junho 2014 (corpus Christi).

sábado, 31 de maio de 2014

A ARENA E O POBRE
















Fernando Lins
Professor e Músico

Desculpem-me, mas dizer que os estádios de futebol, agora chamados de arena,  construídos para  a Copa do Mundo FIFA a ser realizada no Brasil, são um legado para todos, não é uma verdade absoluta.

Quem conhece a sanha do lucro fácil dos envolvidos na promoção do evento, sabe que um jogo de futebol do seu time predileto custa no mínimo 50 reais. Multiplicando esse valor por oito, que corresponde ao número de vezes que um time joga em um mês, na maioria dos campeonatos, só aí seriam gastos 400 reais em um mês.

Quem ganha salario mínimo de 724 reais dificilmente poderia ir a todos os jogos. Consequentemente a grande maioria dos assalariados teria dificuldade de acompanhar o seu time.  As opiniões daqueles que estão diretamente ligados ao evento esportivo, fazem de seus comentários uma elegia as benesses sociais que esse legado trará ao povo.

Vejam só essa pequena estatística, na Copa de 2002: o  Japão e Coréia do Sul gastaram 10 bilhões de dólares e a FIFA, após pagar os impostos, teve um lucro de 3 bilhões.

Em 2006, a Alemanha gastou 9 bilhões de dólares e a FIFA após pagar os impostos, lucrou 5 bilhões. Em 2010 a África do Sul gastou 11 bilhões e a FIFA, após pagar os impostos lucrou seis bilhões.

No Brasil a FIFA vai lucrar 15 bilhões de dólares e governo deu ao órgão gestor do futebol mundial, isenção total dos impostos, mesmo tendo uma despesa orçada oficialmente, pasmem de 35 bilhões de reais.

Algumas dessas obras, com certeza trarão benefícios públicos, mas o gasto do erário foi absurdamente alto, de tal forma que a grande maioria dos estados envolvidos com as obras “padrão FIFA” não as terminarão a tempo .

A situação aviltante da saúde, educação, segurança, moradia, aqui em Natal, faz eclodir a cada instante uma greve na cidade. É como se aplicasse um piso de mármore de Carrara na sala de estar e outro de barro batido na cozinha e nas dependências de empregados.

Espero realmente que eu esteja errado e ser testemunha de uma Natal melhor.
Houve tempos que pobre só entrava em arenas, pra ser mordido por leões, mesmo sem que fossem contribuintes.

Quem viver verá.

VANDALISMO OFICIAL















Fernando Lins
Professor e Músico.

Realmente estou pasmo. Acabei de assistir no Bom Dia Brasil, que o IBAMA incendiou algumas carretas em Cachoeira das Serras, distrito de Altamira, na região sudoeste do Pará, sob suspeita de extrativismo ilegal de toras de madeira. De acordo com o Instituto as carretas estavam estacionadas próximas a uma reserva indígena. Que absurdo!

Não importa os motivos que o órgão governamental tenha. Foi destruído um patrimônio privado que em últimas consequências poderia ser confiscado e usado em prol da sociedade.

Foi alegado pelo IBAMA que existe uma lei que dá apoio legal a esse ato predatório. Fico aqui pensando se o dinheiro achado na cueca do mensaleiro foi cremado, se a genitália do estuprador foi extirpada, se a o jornal e o haras de Pimenta Neves, assassino de Sandra Gomide, foram também incendiados. Lógico que não!

Depredar um patrimônio de qualquer espécie é algo absolutamente abominável. Mesmo nos primórdios das civilizações havia por parte dos integrantes das guerras a prática do confisco. Uma carreta, com ou sem toras de madeira, não é uma carga de maconha ou cocaína, que devem sim, ser incinerada por representar uma ameaça à sociedade e a seus cidadãos.

Segundo o superintendente em exercício do IBAMA/PA, Leandro Aranha, havia madeira em uma esplanada em terras indígenas prontas pra ser retirada. De tão truculenta e desastrosa, a ação provocou a revolta dos habitantes toponímicos, tendo eles fechado a rodovia como forma de protesto contra esse ato de vandalismo oficial.

Como pode o governo federal combater os vândalos que queimam e depredam os ônibus e saqueiam lojas e terminais de atendimentos bancários se seus institutos promovem da mesma forma o vandalismo gratuito e irascível.

Existe realmente uma lei que dá amparo legal ao incineramento de um bem particular como forma punitiva ao transgressor ou infringente?

Ou será que o governo vai usar o velho ditado que diz “Faça o que digo, mas não faça o que eu faço".

Chega a ser um ato revanchista do Estado contra o cidadão, um “modus operandi” não condizente com a democracia e seus princípios.

Deixo aqui meu veemente protesto e minha repulsa pelo lamentável ato institucional, graças a Deus sem os números 1, 2, 3,4, 5, como soube arbitrar a ditadura.

sábado, 26 de abril de 2014

Quanta eficiência














Fernando Lins
Professor e Músico.

Diante desse caos urbano, um problema recorrente, agravado pelas obras de mobilidade da copa. Descobri algo nessa minha querida cidade que funciona perfeitamente.

Pois não é que em pleno domingo de páscoa, às 10h00minhs da manhã, venho trazer meu filho acometido de uma virose ao Hospital da Unimed e nessa ensolarada manhã, com alguns poucos carros e um trânsito tranquilo, eu me vejo protegido por uma viatura da SEMOB, com os devidos servidores vulgarmente chamados de “Amarelinhos” a inspecionar àqueles que ousaram estacionar junto ao canteiro central.

Realmente é motivo de orgulho para o cidadão que sem o devido amparo da saúde pública, com suas constantes e intermináveis greves, saber que a fiscalização do transito é tão fiável e austera.

Seria melhor vir de ônibus, pois algum meliante levaria apenas meus R$ 80,00, que trago em minha carteira e não teria que onerar ainda mais a minha renda familiar com os R$ 127,00, e mais cinco pontos na habilitação.

Parabéns, a SEMOB, gostaria que todas as outras secretarias, inclusive as não têm caráter meramente arrecadatório, fosse tão eficaz quanto.

Por falar nisso, o canteiro tá parecendo um aterro sanitário, lixo em frente a um hospital, é um convite a nefasta infecção hospitalar que age sem dó nem piedade em nossas crianças e idosos, desprovidos de um sistema de defesa eficiente, causado pela enfermidade.


Parabéns a SEMOB, pelo senso de dever cumprido.

domingo, 17 de novembro de 2013

Como é seu nome?

Fernando Lins
Professor e músico.

Existe um repórter na Rede Globo, chamado Ismar Madeira, quando pronunciado, seu nome causa um certo desconforto auditivo por causa da cacofonia gerada pelos dois nomes, sinceramente eu não entendo porque uma mãe ou um pai registra um filho ou filha com certos nomes ou sobrenomes que no futuro lhes trarão transtornos.

Já imaginou, quando alguém se apresentar dizendo; muito prazer Caio Pinto; dá vontade de responder na hora.

- De jeito nenhum, muito prazer levanta o pinto.

Vá lá que existam apelidos que também judiam do dono, mas apelidos não são usados em cartão de visita nem em convite de casamento, ao se apresentar com um nome que causa constrangimento e gera chalaças, o interlocutor pode até disfarçar, mas o clima da conversa já começa meio sem jeito.

Bernadeth Dinorah de Carvalho Cidade, mais conhecida como Baby Consuelo e depois como Baby do Brasil, uma belíssima cantora, só pode ter surtado ao batizar seus filhos, com certeza não pensou que eles iriam crescer, Zabelê, Riroca, que depois trocou o nome para, Sarah Sheeva, Nana Shara, Krishna Baby, Kriptus Baby.

É quase impossível que qualquer uma dessas crianças não tenha sofrido bulling em sua fase escolar, seus nomes quase que convidam para uma chacota ou uma brincadeira mais pesada.

Em um país de dimensões continentais, e com o choque cultural criado pelos seus colonizadores oriundos de todas as partes do mundo, é comum encontrar alguns sobrenomes que soem de maneira engraçada, principalmente quando juntos ao prenome.

Há uma infinidade de piadas e trocadilhos referentes à junção do nome e do sobre nome, é mister dos pais, cuidar para que no futuro o nome próprio ajude a identificar o portador para que o portador não dê identidade ao nome.

Agora, chamar o sétimo secretário geral da O.N.U, Kofi Annan de café pequeno, já é sacanagem.

Uma história para Paty

Fernando Lins
Professor e Músico

Patrícia minha filha, parabéns pelo seu aniversário, Agora mesmo aqui no escritório, o técnico em computação ligou a tomada um estabilizador de voltagem e o disjuntor disparou, fiquei me lembrando  da casa de papai, do tempo em que o “medidor”, ’ assim chamado o quadro de energia, era de porcelana e quando queimava um fusível, se cortava um pedaço de papel de cigarro, aquele da cor de alumínio e se envolvia o fusível com esse papel repondo o mesmo no quadro, então a energia era restaurada.

A instalação elétrica nos anos 60 era bem simples e precária, havia bem poucos equipamentos eletroeletrônicos, e aquele papel bem fininho conseguia suportar a corrente sem maiores problemas.

Porém com o tempo e a chegada das geladeiras, liquidificador, ventiladores, ferros elétricos, TVs, chuveiros etc., os fusíveis queimavam frequentemente, papai já deixava alguns pedaços de papel de cigarro dentro do quadro de energia para a pronta reposição, somente alguns dos irmãos mais velhos eram autorizados a realizar a tarefa; a permissão era um sinal de amadurecimento.

É fácil imaginar porque as crianças de outrora eram todas magrinhas, TV era artigo de luxo, todas as casas tinham quintal, e nossas mães e irmãs mais velhas diziam “menino, vá brincar lá fora pra não desarrumar a casa”.

Pronto, era só o que nós queríamos, corríamos tanto que o pé batia na bunda, lá fora eram somente brincadeiras de cunho lúdico, tais como Tica Tica, Esconde Esconde, Garrafão, Polícia e Ladrão, Melancia, Peia Quente, Bom Barquinho, Bandeirinha, 31 Alerta, Mandraque, Mão no Bolso, triângulo, Roladeira, Patinete, Carrinho de Rolimã, Perna de Pau, Ioiô, Pião, Coruja, são tantas que não dá pra lembrar de todas.

Isso sem contar as refeições à base de frutas colhidas diretamente das árvores das quais, não raramente se despencava e tome gesso nos braços e pernas. Era o dia inteiro de atividades físicas que só eram interrompidas pelos indefectíveis e indesejados banhos vespertinos, que quando eram aplicados por Tia Naquinho, tinha-se a impressão que o couro das costas tinha ficado dentro da bacia de alumínio.

É, hoje os fusíveis ou disjuntores estão mais fortes  a tecnologia invadiu a nossa casa trancando a criançada com uma grade ou rede invisíveis em seus quartos e salas,  hoje os fusíveis estão mais fortes e nossas crianças mais fracas e não raramente gordinhas.

Um beijo,

Seu Pai.

Natal, 14/11/2013.

domingo, 6 de outubro de 2013

MONARK PEPITA


Fernando Lins
Músico e professor

Há coisas que nós não esquecemos, quando menos se espera, lá vem aquela recordação de dentro dos mais profundos alfarrábios da mente, muitas vezes sem ter nem porque, apenas você lembra-se de algo e começa a recordar de detalhes.
Pode ser uma música, um perfume ou um brinquedo, aí vem atrelado á recordação fatos paralelos que marcaram aquele tempo, você passa alguns minutos com o olhar fixo em um ponto qualquer e deixa o pensamento viajar, tentando retroceder a fita da vida e ver alguns flashes do passado.
No meu aniversário de sete anos, quando eu morava em Santos Reis, ganhei de presente dos meus pais uma bicicleta Monark Pepita, era branca com detalhes azuis e o símbolo da Monark com detalhes dourados, apesar de pequena, pois era apropriada para o meu tamanho, era muito robusta e meu pai Antônio, vez ou outra, mesmo com seus 75 quilos, fazia uma fita, dava umas voltas pelo quarteirão e soltava seu lado menino e extrovertido, que foi sua característica até sua precoce partida.
Eu acordei pela manhã e lá estava ao lado da minha cama a bicicleta novinha estalando, poucas vezes na vida senti tanta emoção, a alegria invadiu meu coração, a primeira atitude foi levar a bicicleta para a rua que era de areia e junto com meu pai ensaiar as primeiras pedaladas.
Na época em que mundo fervia com a Primavera de Praga, mulheres francesas queimando sutiãs em praça pública, guerra do Vietnã, assassinato do Prêmio Nobel da Paz Martin Luther king, morte do cosmonauta Yuri Gagarin, do piloto da F1 Jim Clark, quando Dr. Zerbini fez o primeiro transplante de coração aqui no Brasil.
 1968 ano que não terminou; o grande marco da contracultura, a pleno vapor e em um bairro pacato e praiano de uma pequena cidade, um menino com sua bicicleta a pedalar, embalado pela canção Alegria, Alegria, do Caetano que naquele mesmo ano no dia 1° de maio lançou o Movimento Tropicália.

Nesse mesmo dia Abreu Sodré governador de São Paulo é apedrejado em palanque na praça da Sé por trabalhadores contra a Ditadura Militar.
No Recife a casa de Dom Hélder Câmara é metralhada e em meio a visita da rainha Elizabeth ao Brasil o famigerado AI5 é editado pelo Congresso e sancionado pelo presidente Costa e Silva.
Aos 13 dias de outubro, o poeta Manuel bandeira deixa a nossa terra e vai de vez embora pra Pasárgada.
Richard Nixon é eleito presidente dos U.E.A.
Carlos Lacerda é preso no Rio de janeiro e tem seus direitos políticos cassados por dez anos.
Poderia me estender mais sobre esse e outros anos de chumbo, mas prefiro voltar para minha singela Santos Reis com suas areias brancas seu cheiro de maresia, sua claridade ofuscante, e meu pai e minha mãe no alpendre do sobrado a me ver pedalar minha Monark Pepita em perfeita harmonia com a natureza.

15 anos de prisão.

Fernando Lins
Músico e professor

Realmente não consigo entender muito bem a dosimetria das penas imputadas aos que supostamente cometem algum crime, tanto no direito exercido aqui no Brasil, baseado no direito romano, quanto no direito internacional, usado por países que fazem intercâmbio de valores éticos e morais.

Custa me crer que a bióloga brasileira ativista do Green Peace, Ana Paula Alminhana Maciel, possa ser condenada pela justiça russa, juntamente com seus companheiros ativistas, a quinze anos de prisão por crime de pirataria, por organizar um protesto na plataforma de óleo russa Prirazlomnaya, da estatal Gazprom.

Atente para o detalhe que são ativistas dos cinco continentes, brasileiros, argentinos, neo zelandeses, turcos, australianos, ucranianos, ingleses, canadenses, italianos, finlandeses, dinamarqueses, suecos, franceses, Poloneses, holandeses.

O mundo todo representado num clangor pacífico, sem armas ou qualquer artefato que ponha em risco qualquer vida, que não seja a própria, não se trata de um Ronald Biggs, que assaltou um trem postal pagador em 1963, fugiu para o Brasil em 1970 e permaneceu incólume e indene.

Ou em 1970, nos U.E.A, quando com o consentimento do presidente republicano Richard Nixon, eleito em 1968, cinco pessoas foram detidas no complexo de edifícios e apartamentos em Washington conhecido como Watergate, tentando fotografar documentos e instalar aparelhos de escuta na sede do Partido Democrata. Caso noticiado pelo Washington Post através dos repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein.

Por que um ativista se desloca da Argentina ou da Austrália, para o Ártico, do outro lado do mundo na costa do Mar de Pechora? Desculpe-me o trocadilho será só por “pachorra?” Claro que não, poderiam estar na costa do México em Acapulco, bebendo tequila ou na Redinha, comendo ginga com tapioca e uma  geladinha que ninguém é de ferro.

Mas eles estão nos mares gelados e bravios, na solidão das usinas nucleares ou nas escuras, úmidas e abafadas minas de carvão. Seria mais justo e sensato que qualquer uma autoridade ou magistrado antes de infligir qualquer tipo de pena, procurasse através dos protestantes e dos protestados o  real motivo do impasse? Ou elevar o caso para uma instância internacional, obviamente sem ferir a soberania russa.

A eterna disputa do poder com a consciência humana têm levado a humanidade a holocaustos e catástrofes, não se pode matar uma, duas ou cem formigas, pensando que se vai exterminar o formigueiro, outras formigas virão é uma questão de Hermenêutica.

domingo, 29 de setembro de 2013

Motocicletas e Motos.

Fernando Lins
Músico e professor

Desde que nasci Lambretas, Vespas e motocicletas foram uma constante na minha numerosa família. Meu avô José Canuto no começo dos anos 1960 foi dono de uma loja de peças situada no edifício do IPASE no bairro da Ribeira.
O meu tio José Canuto Filho, participou de corridas aqui no RN e em outros estados e todos os seus irmãos e até algumas irmãs são motociclistas, inclusive meu pai Antônio Machado, foi proprietário de diversos tipos de ciclomotores e um exímio piloto.
Então eu me sinto á vontade pra dissertar sobre algo que vem causando transtornos a motoristas, transeuntes e a cidade em geral. É a modificação dos escapamentos desses ciclomotores feitas por seus proprietários, adulterando as características e especificações da fábrica, deixando a descarga livre ou aberta e com um nível de ruído bem acima do permitido por lei.
99 decibéis para motocicletas fabricadas até 31/12/1998 e a partir de 01/01/1999, máx. 3 decibéis acima do descrito no manual original do fabricante.
Com o tempo a motocicleta passou a ser chamada de moto e isso foi um divisor no trato do piloto com o veículo; chamar o motociclista que participa de algum grupo, clube ou associação de “motoqueiro” é um verdadeiro xingamento.
O motociclista cônscio do que representa a motocicleta no trânsito das cidades e nas estradas age para desfrutar da agilidade e da facilidade de sua locomoção e do prazer de pilotar em uma “highway.” Sentindo o vento no rosto e o contato direto com a natureza.
Perto de hospitais, escolas, repartições públicas e privadas e no próprio trânsito, o barulho ensurdecedor e irritante causado por motos com escapamento “aberto,” incomoda, atrapalha e causa transtorno a quem é obrigado a escuta lo.
As peripécias e manobras arriscadas feitas pelos jovens motoqueiros que culmina algumas em acidentes e quase sempre em sequelas, amputações, gastos financeiros, ocupação de leitos hospitalares e equipe médica é tão grave quanto dirigir alcoolizado.
Só no primeiro semestre de 2013 foram registrados 1502 acidentes no HWG em Natal e pasmem, 1000 foram com motos, é um assunto delicado, pois toda vez que se generaliza alguma estatística, alguns inocentes também são penalizados.
Vejo sempre no trânsito, jovens pilotando motos com o escapamento aberto, desligando e ligando a ignição, fazendo parte do combustível que não foi queimado dentro da câmara de combustão exploda ao contato com o oxigênio ao sair do escapamento aquecido.
Acredito que uma campanha para coibir essa prática de adulterar o escapamento, surtiria um efeito positivo, tanto na paz do trânsito quanto no incentivo a manobras radicais que são um prenúncio de acidentes.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Incêndio que destruiu o Mercado Público Municipal de Natal em 1967


Por Fernando Lins

Foto feita por João Maria Cortez Gomes, na manhã do domingo de carnaval de 1967, após o grande incêndio que destruiu o Mercado Público Municipal, localizado no terreno onde hoje é a agência do Banco do Brasil da Cidade Alta, centro de Natal. O incêndio destruiu totalmente o prédio que abrigava mais de 100 pontos comerciais no seu interior, além de levar a falência diversos comerciantes.

A Prefeitura vendeu o terreno ao Banco do Brasil e o comércio em mercados públicos entrou em decadência. Quase quatro anos depois surgiu o primeiro supermercado em Natal, o Nordestão, na avenida Dois, no Alecrim. As más línguas dizem que o incêndio foi criminoso, pois a prefeitura veio a arrecadar um bom dinheiro com a venda do espaço para o Banco do Brasil.

domingo, 15 de setembro de 2013

Triste constatação

Fernando Lins

Heródoto, o Pai da história dizia que em tempos de paz, os filhos enterram os pais, em tempos de guerra os pais enterram os filhos; hoje em dia com uma guerra civil não declarada, as grandes cidades do Brasil estão vivenciando o adágio do historiador, que nunca soou tão real.
Assistir TV ou ler jornais hoje em dia é como ver um filme de Al Capone ou da Cosa Nostra; penso até em por um pano de chão logo a abaixo da TV, com receio que pingue sangue no chão, Jornais  já não os amasso nem os uso para embrulho, pelo mesmo motivo.
Mas brincadeiras à parte, os meios de comunicação estão virando uma verdadeira universidade do crime para os jovens, principalmente da periferia (Infelizmente), que de uma maneira quase escatológica, agem sem escrúpulos, não importando se o fim do mundo para eles será amanhã ou depois.
Há uma verdadeira apologia à violência desde as lutas do Ultimate Fighter, até as insistentes e intermináveis coberturas dos crimes hediondos que assolam as grandes cidades.
É como que de uma maneira quase inconsciente mostrar aos que assistem  um modo de burlar a lei, tramar e executar crimes sabendo que não serão penalizados ou cumprirão uma pena reduzida, principalmente os menores de idade, que são aproveitados pelo crime organizado como mão de obra barata e inimputável.
Lembro-me de uma campanha da Rede Globo intitulada “MEXA SE”, que convocava os jovens a praticar esportes e atividades físicas, e não por coincidência, foi nessa época que a Geração Saúde ganhou espaço nas telas das TVs; sendo o marco desse tempo A séria Malhação em cartaz até hoje.
As tragédias estão sendo banalizadas pelos meios de comunicação e ler qualquer peça de Ésquilo ou Sófocles, já não nos causa impacto emocional. Electra, Ajax, Antígona, são como uma revista em quadrinhos, O que dizer de Édipo Rei, o garoto que ao nascer foi acorrentado pelos pés (Daí o nome Edipodos), e  que o pai mandou matar para se livrar de uma profecia.
Foi poupado pelo algoz recolhido por pastor e adotado pelo rei de Corinto, ao voltar a Delfos.
Já adulto, matou o pai, casou-se com a mãe furou os próprios olhos e foi morar com a filha em Colono.
A chacina da família Pesseghini em são Paulo, onde o menino Marcelo, supostamente  executou o pai, a mãe, a avó, a tia avó e depois se matou, não deve nada a qualquer uma dessas famosas tragédias Gregas; difundir de uma maneira midiática é dar incentivo a mentes desocupadas, que são geralmente a oficina do capeta.

domingo, 8 de setembro de 2013

Cross-dressing

Fernando Lins

Um dia desses li um artigo de um psicólogo explicando a escala de Kinsey, (entomologista dos USA), no qual descreve o comportamento sexual humano ao longo do tempo e em seus episódios em um determinado momento, numa escala que começa em 0,  que seria um comportamento exclusivamente heterossexual à 6,  sendo este último número um comportamento exclusivamente homossexual , e os números que permeiam a escala uma gradação de tolerância.
Há diversas formas de a sexualidade afluir nas pessoas, comumente nos grandes centros urbanos ocidentais, onde a sociedade é mais plural, é natural que as minorias se aglutinem e tenham mais espaço para expressar seus desejos e fantasias.
O que seria de J. Edgar Hoover, diretor do F.B.I e apontado como  cross-dressing . (Pessoa que usa vestes e aparatos do sexo oposto), se ao invés de morar em Washington D.C, vivesse na utópica Saramandaia, seria prontamente destituído do cargo e expulso da cidade, isso se antes, Zeca Diabo não desse cabo do mesmo.
Comum, comum, não é, mas também não é raro encontrar pessoas que algumas vezes praticam cross-dressing.
No carnaval de Olinda, no domingo imediatamente anterior ao sábado de Zé Pereira, há o desfile das Virgens de Olinda, um Magnífico desfile pelas ruas da cidade quadricentenária, com homens vestidos e travestidos de mulher, e em sua maioria são homens casados, que muitas vezes usam trajes de muito luxo feitos com bastante antecedência, quase sempre com a anuência da esposa, na verdade é uma grande farra, mas não deixa de depor a favor da libido que se encerra lá no ímo.
Diferentemente dos Amigos que se beijam cordialmente quando se encontram, num gesto de afeição e carinho; o cross-dressing introjeta no praticante todo o glamour que ele vislumbra no sexo oposto sem que necessariamente seja o desejo dele assumir aquela identidade indefinidamente.
Há um feeling pessoal em relação a tudo que faz bem a mente e ao corpo, julgar preferências alheias é dar espaço para que se ponham em xeque suas convicções.
É necessário porém, atentar para os extremismos; a água  não fura a rocha na primeira onda e nem o sorvete se acaba na primeira lambida.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Mário Barbosa

Fernando Lins

Os amantes de uma boa conversa regada a uma cerveja gelada ou outro drink qualquer, acordaram hoje, 02/09/2013, com um bar e um amigo a menos.

Natal amanheceu sem Mário Barbosa, sem seu largo sorriso e sua personalidade marcantes.

Figura pitoresca do bairro de Barro Vermelho, proprietário da famosa Cantina do Mário, tinha com a clientela e frequentadores do seu farto estabelecimento, uma relação de amizade e respeito, sempre criterioso e gentil, conhecia o jeito e o gosto de cada um deles e se gabava por tratar a todos, do mais humilde ao mais abastado, com a mesma deferência.

Dono de uma forte personalidade e um devotado marido e pai de família, Mário dedicou 30 anos de sua vida a sua cantina e a seus frequentadores, fazendo do seu ofício também uma forma de diversão e não raramente saboreava uma geladinha de uma maneira discreta.

Acredito que seja uma unanimidade, entre os que o conheceram a admiração que todos tinham pelo homem austero e honesto, sempre elegante e gentil; ao ver algum cliente chegar acompanhado da esposa ou de alguma criança, apressava se logo para oferecer algum mimo em forma de chocolate bombons ou outra guloseima qualquer.

Às vezes, quando viajava com a família e durante um ou dois dias seu bar ficava fechado, os frequentadores de alguma forma perdiam a rumo e o bairro ficava por assim dizer com alguns “bebuns” à deriva, sectários da tradicional esquina da Rua Jaguarari com a Segundo Wanderley.

Até quando discordava de alguma coisa ou atitude de algum cliente, fazia de uma maneira que normalmente não deixava arranhões ou sequelas morais no interlocutor.

Com fortes convicções, Mário Barbosa podia claudicar ao caminhar, porém, era firme como uma rocha em suas atitudes, opiniões e dono de caráter irretocável.

Com certeza Natal amanheceu mais pobre e uma verdadeira legião de amigos e fregueses do Bar do Mário, mais tristes.

Ao Meu Amigo Mario Barbosa, meu agradecimento e meu respeito.

domingo, 25 de agosto de 2013

Feijão com gosto de ovos

Fernando Lins

Menino, me lembrei por um momento do tempo em que chegávamos em casa vindo da casa da namorada, ou mesmo dos corriqueiros passeios noturnos,  à pé mesmo, pelo bairro; geralmente acompanhado de um ou dois amigos.
Ainda havia pessoas sentadas em cadeiras, tamboretes e até mesmo na calçada nua e crua, como se dizia; há uma aura nostálgica, e em minha mente passa como se fosse um filme em preto e branco.
 Naquela época tudo era mais valorizado, uma camisa nova, um perfume ou um tênis, tinham um valor e uma importância tão grandes que eram motivos de cobiça entre irmãos e ate é mesmo dos amigos, os quais não raramente pediam emprestados (às vezes emprestado para sempre), para fazer uma presença a um "affair" qualquer.
Pois bem, como eu ia dizendo, ao chegar a nossa casa, a fome era grande e em uma casa onde eram servidas todos os dias, refeições para vinte e tantas pessoas, não era fácil encontrar comida pronta às altas horas da noite.
Então era hora de fazer um pequeno assalto a geladeira e a dispensa, normalmente ligávamos a TV e um de nós ia fazer uma pesquisa alimentícia, se não encontrássemos ovos, tudo bem, tendo feijão já era o suficiente,  como dizia Tio Naquinho.
Era só picar umas cebolas e fritá-las  em uma frigideira com manteiga e quando começavam a ficar douradas era hora de adicionar o feijão, não esquecendo de um pouco de farinha e toda sorte de temperos disponíveis na cozinha. E esse groló foi batizado “Mutreta”; obviamente que tudo isso era regado a suco de manga, jenipapo ou qualquer outra fruta do nosso farto pomar do quintal.
E quer saber? 
Ficava realmente com gosto de ovos, até o efeito era real, pois numa casa com tantas pessoas, era comum dormir até cinco de nós em beliches e dá pra imaginar o que essa comida produzia, tanto no aspecto sonoro quanto no olfativo.
Ah! E nada disso afetava nossa saúde, aos quinze, dezoito anos, éramos de FERRO.    
Bons tempos.

Reflexão natalina.

Fernando Lins

Quando estamos voltando pra casa e de repente caímos num buraco, ficamos então transtornados, pôxa, logo indo pra casa, se fosse pelo menos  a um lupanar, tudo bem eu mereceria, mas pra casa!
Porém no outro dia, tornamos a voltar pra casa, então tentamos tão somente  desviar do mal logrado buraco; a casa continua sendo um porto seguro.
Assim mesmo, acontece com os que você ama; por algum motivo, nós não  sentimos vontade de  voltar pra casa por causa do maldito buraco, ou seja, ficamos magoados com a"atitude  do ente," mas não do Ser.
Há em todos nós, a tendência de desenhar com traços fracos os nossos defeitos e carregar a  nanquim, traçado em papel transparente, o suposto defeito alheio. Só com a chegada longeva da idade, podemos depurar essa tendência, pois na verdade, não chega nem ser um defeito, é só um buraco.
Nós os homens temos muita dificuldade de amadurecer. Não porque, somos teimosos como muita gente pensa, mas porque recebemos uma cota muito grande de aprovação da sociedade e muito pequena de cobrança.
Podemos comparar os entes queridos (nem tanto certas horas), com as vias que nos dão acesso aos lugares onde precisamos ir. Reclamamos dos buracos, mas  no dia seguinte o sol nasce mais uma vez e lá estamos nós desviando de mais um buraco que apareceu na mesma via, sabe-se lá como, na noite anterior, talvez.  só uma boa reflexão pode nos ajudar certas horas.

Comentário

Fernando Lins
30 de março de 2012

Fico aqui pensando, recentemente uma jovem baiana de 24 anos, irmã de um ator que trabalhou em Tropa de elite 2 e também na Rede Globo, morreu ao fazer um voo de parapente partindo do deck da Pedra Bonita no Rio de Janeiro. O instrutor que fez junto com ela o salto foi indiciado por Homicídio culposo, aquele que não há a intenção de matar, pois muito bem; a jovem foi de livre e espontânea vontade, sem que houvesse nenhum tipo de obrigação; esporte radical, adrenalina pura. Ora essa, será que mesmo olhando pelo prisma de uma tragédia, essa jovem também não assumiu o risco de morrer?
Como nós que não temos o conhecimento dos termos jurídicos específicos, poderíamos proferir a "Mea culpa" dessa menina? tentativa de Suicídio culposo? ou seria doloso? ela pensou alguma vez na possibilidade de uma pane no equipamento ou numa eventual falha humana? 
É hora de o poder público parar de por a culpa no mais fraco, fazendo dos envolvidos nas tragédias em bodes expiatórios.
Uma fiscalização na rampa de salto seria de bom grado, ou então aquele que indubitavelmente se arrisca, arque com o ônus do perigo que se auto impôs.
O instrutor pode ter alguma culpa, mas isso não faz dele um homicida ou assassino, mesmo sem intenção.

domingo, 18 de agosto de 2013

A Força dos Opostos

Fernando Lins

Na literatura uma das definições do Barroco é o choque dos opostos, a antítese do claro e escuro, da luz e da sombra, enfim algo anacoluto.
No nosso cotidiano os opostos também estão presentes, embora de uma maneira mais sutil, é comum olhar para alguém e dizer, fulano é tão bom, a vida poderia ter lhe dado mais sorte, sicrano não vale nada e a vida está sempre a lhe sorrir.
Como fala a canção “o bem e o mal existem”, quando quiser enxergar bem alguma coisa, primeiro feche seus alhos por alguns instantes, e ao abri-los novamente haverá mais clareza.
Se a tela do computador ou celular, não está suficientemente clara, não adianta ilumina-la, pois quanto mais luz incidir sobre ela, menos você verá. A luz por mais forte que seja, não ilumina outra, é necessário a escuridão inversamente proporcional, para que aquilo que parece ser apenas uma pequena estrela, se torne um grande sol, a luz no final do túnel brilha mesmo que o céu esteja nublado.
E o que dizer dos genocidas, dos arrufos humanos que culminam em crimes brutais? O tempo todo aprecem estampados em jornais, emissoras de TV e rádios, o nosso ímpeto e fazer justiça com as próprias mãos aflora; não nego que às vezes me sinto apto a empregar as leis de Salomão, as leis do Talião, mas isso cortaria somente o efeito, um anátema, não a causa, não teria a força dos opostos, a Força Divina.
Tentar enxergar os opostos é um exercício diário, quando Raskólnikov (Crime e Castigo) vagou desesperado tentando entender o perdão histórico dado homens como Napoleão e César, esqueceu que apesar do poder, as vidas deles foram recheadas de angústias e atribulações.
O poder é bom, mas as consequências do seu uso são sempre caras, é a teoria da força dos opostos.