Mostrando postagens com marcador COLUNA Minervino Wanderley. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador COLUNA Minervino Wanderley. Mostrar todas as postagens
sábado, 18 de abril de 2015
Se Lampião fosse vivo...
Minervino Wanderley*
Cheguei no consultório médico na hora prevista. Prevista de besta. Isso não existe. Quando chega a nossa hora o cara nem aparteceu ainda. Ninguém conhecido para uma prosa. Peguei uma revista e era a IstoÉ, de 10.11.2010. Na página 72, uma matéria chamou-me a atenção. Assinada por Wilson Aquino, tem o seguinte título: “A influência estética de Lampião”. No texto, Aquino quase que chega chamar Capitão Virgulino de gay. Vejamos alguns trechos:
- “Mas, quando não estava praticando crimes, o cangaceiro se atracava com agulhas e linhas para costurar e bordar, lindamente, roupas e lenços que usava ao estilo Jacques Leclair.”
- “Ele não era apenas o executor do bordado. Era também um estilista.”
- “FRESCURAS NO CANGAÇO. O lenço dos cangaceiros era feito de seda inglesa ou de tafetá francês. A jabiraca de Lampião era em seda vermelha e contava com 30 alianças de ouro.”
- “Se tivesse escolhido a profissão de costureiro, Lampião (até hoje constantemente revisitado pela indústria fashion) certamente teria tido uma carreira brilhante.”
Durma-se com um barulho desses! Esse camarada não sabe que Lampião era tão hábil com a espingarda que conseguia dar tantos tiros consecutivos que clareavam a noite. Por isso, Lampião. Se essa figura dissesse essas coisas há 80 anos ele iria ver que o Capitão Virgulino costurava mesmo era com uma 44 Papo Amarelo.
Aquino com certeza não conhece a história da quadrilha junina que o Capitão organizou numa fazenda e que seu bisavô (De Aquino) participou. Só que esse fuzuê, além de ter Lampião como marcador, era diferente num aspecto: todo mundo nuzinho. Agora, quem conta a história é um dos participantes dessa “festa”:
O Capitão mandou fazer as fileiras e mandou todo mundo tirar a roupa. Ordem rapidamente obedecida. No meio da quadrilha, Lampião gritou:
- Todo mundo com um dedo na boca e outro “lá” (vocês sabem aonde). Ordem imediatamente obedecida. - Daqui a pouco ele disse:
- Trocar de dedo! O dedo que tava na boca vai pra “lá” e o outro vai pra boca.
Foi aí que o bisavô de Aquino caiu na besteira de dizer:
- Mas isso, Capitão?
O Capitão deu um olhar de matar cobra venenosa e gritou:
- Isso o quê, cabra?
O camarada afroxou e, gemendo, disse:
- Isso é bom demais, Capitão!
Esse recado é pra você, Wilson Aquino.
*Jornalista
sábado, 10 de janeiro de 2015
Ano novo, ano velho...
Por Minervino Wanderley*
Todo final de ano é a mesma ladainha: “Ano que vem vou mudar. Serei mais compreensivo, mais caridoso...”. Ou: “Vou emagrecer, deixar de implicar com meu marido...”, e por aí vai. Só papo furado! Sabem a razão? Ora, amigos, não muda rigorosamente nada! É um dia igualzinho ao que passou e a tantos que virão. Quem pode mudar é cada um de nós. Sim, nós que escrevemos nossas vidas tendo Deus como corretor. Ele que diz: “Não! Isso não pode.”, “Vá trabalhar e pare de sonhar com loteria, rapaz!”, entre outras coisas.
Acredito que ao acordar, na hora de cada um, devemos olhar para cima, agradecer por mais um dia e planejar o modo de ação que será aplicado ao seu planejamento. Todos devem ter feito isso, né? Pois bem. Afora as coisas do cotidiano, podemos incluir outras. Por exemplo: e aquele pedido de desculpas que nunca foi dado e que, por falta de coragem de assumir o erro, transformou-se num verdadeiro incômodo? Procure a pessoa e peça hoje. E aquela visita? Você não disse que ia aparecer? Arranje tempo, vá hoje. O curso de francês que você tanto quer e nunca tem tempo? Claro que tem. Veja quantas horas você ficou no WhatsApp ou Facebook? Hein? Só curtindo e compartilhando, né? Levante-se e vá lá. A melhora interna é imediata. Acredite.
Mas, voltando às “promessas”, sabemos que muitas delas são ditas para alívio da alma. A pessoa que abusa do álcool e que tem consciência disso promete que vai diminuir. Esse está no rumo certo, pois é reduzindo que se chega ao ponto ideal. É ou não é? Aliás, permitam um alongamento, esse é um ponto crucial na vida. O álcool, por ser uma droga lícita, termina levando muita gente boa para o cruel caminho da embriaguez. Inúmeras vezes sem volta. Decreta muito fim de relacionamentos que poderiam ter sido ótimos, acaba com a família e com a própria dignidade. É jogo duro, brother! Triste!
Bom, tem os glutões. Essa turma é fogo! Quem sabe bem disso é Ivone Freire. Também, quem manda preparar aquelas delícias? Assim dificulta a promessa dos caras, amiga. Pois bem. Eles começam o ano na salada e depois de quinze dias acende aquela luzinha e ele pensa: “Rapaz, vou deixar esse regime para depois do carnaval. Tranquilo. Como, bebo e, na quarta-feira, termina tudo.” Esse não volta nunca ao regime. Sempre haverá uma data para que ele prolongue seu “prazer”.
Vige! Os fumantes! Eita!!! Aí é peso-pesado. Todo mundo conhece alguém que já disse que ia parar “no ano que vem.” Puxa vida! Não é por falta de informação dos malefícios do fumo. Tem cara que até brinca com as advertências que vem nas carteiras de cigarro:
- Me dá um daqueles que o cara fica broxa. E justifica: - É melhor ficar broxa do que perder uma perna.
É verdade. Eu já vi essa cena.
Tem até gente prometendo que no final do ano não fará promessas! Hoje, mais experiente, fico calado, seguindo as palavras de Dona Martha Salem, minha mãe: “Isso é besteira. Todo dia é dia de comemorar algo, de dar um presente ou de fazer algo de bom na vida, Esse negócio de ano novo é só desculpa.” Concordam com ela?
*Jornalista
sábado, 4 de outubro de 2014
Aconteceu comigo!
Minervino Wanderley
Jornalista
Surgiu um problema na trava do meu carro e entrei no site da Renault para ver questões sobre garantia, o que cobre, etc. Enquanto navegava, vi que a fabricante disponibiliza à venda uns adesivos para o carro ficar mais "moderno". Gostei e liguei para 0800. Quando fui atendido, por uma pessoa com voz feminina (não sou doido de dizer que é mulher. (depois não é...) esqueci o papo da garantia e perguntei sobre os adesivos. Ela respondeu-me:
- Que "ADESÍVEL"?
Estranhei e achei que tinha sido um deslize qualquer. Tornei a indagar já com a voz de ajuda:
- Esse ADESIVO que tem aqui no site. Sabe qual é?
Ela mandou:
- Tem vários "ADESÍVEL" !
Não aguentei e disse:
- Senhora, o nome é ADESIVO!
E ela:
- Eu sei. Mas quando tá no plural...
Jornalista
Surgiu um problema na trava do meu carro e entrei no site da Renault para ver questões sobre garantia, o que cobre, etc. Enquanto navegava, vi que a fabricante disponibiliza à venda uns adesivos para o carro ficar mais "moderno". Gostei e liguei para 0800. Quando fui atendido, por uma pessoa com voz feminina (não sou doido de dizer que é mulher. (depois não é...) esqueci o papo da garantia e perguntei sobre os adesivos. Ela respondeu-me:
- Que "ADESÍVEL"?
Estranhei e achei que tinha sido um deslize qualquer. Tornei a indagar já com a voz de ajuda:
- Esse ADESIVO que tem aqui no site. Sabe qual é?
Ela mandou:
- Tem vários "ADESÍVEL" !
Não aguentei e disse:
- Senhora, o nome é ADESIVO!
E ela:
- Eu sei. Mas quando tá no plural...
sábado, 2 de agosto de 2014
Se Lampião fosse vivo...
Minervino Wanderley*
Folheando a revista IstoÉ, de 10.11.2010, p. 72, uma matéria chamou-me a atenção. Assinada por Wilson Aquino, tem o seguinte título: “A influência estética de Lampião”. No texto, Aquino quase que chega chamar Capitão Virgulino de gay. Vejamos alguns trechos:
l “Mas quando não estava praticando crimes, o cangaceiro se atracava com agulhas e linhas para costurar e bordar, lindamente, roupas e lenços que usava ao estilo Jacques Leclair.”
l “Ele não era apenas o executor do bordado. Era também um estilista.”
l “FRESCURAS NO CANGAÇO. O lenço dos cangaceiros era feito de seda inglesa ou de tafetá francês. A jabiraca de Lampião era em seda vermelha e contava com 30 alianças de ouro.”
l “Se tivesse escolhido a profissão de costureiro, Lampião (até hoje constantemente revisitado pela indústria fashion) certamente teria tido uma carreira brilhante.”
Durma-se com um barulho desses. Esse camarada não sabe que Lampião era tão hábil com a espingarda que conseguia dar tantos tiros consecutivos que clareavam a noite. Por isso, Lampião.
Se essa figura dissesse essas coisas há 80 anos ele iria ver que o Capitão Virgulino costurava mesmo era com uma 44 Papo Amarelo.
Aquino com certeza não conhece a história da quadrilha junina que o Capitão organizou numa fazenda e que seu bisavô (De Aquino) participou. Só que esse fuzuê, além de ter Lampião como marcador, era diferente num aspecto: todo mundo nuzinho. Agora, quem conta a história é um dos participantes dessa “festa”:
- O Capitão mandou fazer as fileiras e mandou todo mundo tirar a roupa. Ordem rapidamente obedecida. No meio da quadrilha, Lampião gritou:
- Todo mundo com um dedo na boca e outro “lá” (vocês sabem aonde). Ordem imediatamente obedecida. - Daqui a pouco ele disse:
- Trocar de dedo! O dedo que tava na boca vai pra “lá” e o outro vai pra boca.
Foi aí que o bisavô de Aquino caiu na besteira de dizer:
- Tem mais isso, Capitão?
O Capitão deu um olhar de matar cobra venenosa e gritou:
- Isso o quê, cabra?
O camarada afroxou e, gemendo, disse:
- Isso é bom demais, Capitão!
Esse recado é pra você, Wilson Aquino.
*Jornalista.
Folheando a revista IstoÉ, de 10.11.2010, p. 72, uma matéria chamou-me a atenção. Assinada por Wilson Aquino, tem o seguinte título: “A influência estética de Lampião”. No texto, Aquino quase que chega chamar Capitão Virgulino de gay. Vejamos alguns trechos:
l “Mas quando não estava praticando crimes, o cangaceiro se atracava com agulhas e linhas para costurar e bordar, lindamente, roupas e lenços que usava ao estilo Jacques Leclair.”
l “Ele não era apenas o executor do bordado. Era também um estilista.”
l “FRESCURAS NO CANGAÇO. O lenço dos cangaceiros era feito de seda inglesa ou de tafetá francês. A jabiraca de Lampião era em seda vermelha e contava com 30 alianças de ouro.”
l “Se tivesse escolhido a profissão de costureiro, Lampião (até hoje constantemente revisitado pela indústria fashion) certamente teria tido uma carreira brilhante.”
Durma-se com um barulho desses. Esse camarada não sabe que Lampião era tão hábil com a espingarda que conseguia dar tantos tiros consecutivos que clareavam a noite. Por isso, Lampião.
Se essa figura dissesse essas coisas há 80 anos ele iria ver que o Capitão Virgulino costurava mesmo era com uma 44 Papo Amarelo.
Aquino com certeza não conhece a história da quadrilha junina que o Capitão organizou numa fazenda e que seu bisavô (De Aquino) participou. Só que esse fuzuê, além de ter Lampião como marcador, era diferente num aspecto: todo mundo nuzinho. Agora, quem conta a história é um dos participantes dessa “festa”:
- O Capitão mandou fazer as fileiras e mandou todo mundo tirar a roupa. Ordem rapidamente obedecida. No meio da quadrilha, Lampião gritou:
- Todo mundo com um dedo na boca e outro “lá” (vocês sabem aonde). Ordem imediatamente obedecida. - Daqui a pouco ele disse:
- Trocar de dedo! O dedo que tava na boca vai pra “lá” e o outro vai pra boca.
Foi aí que o bisavô de Aquino caiu na besteira de dizer:
- Tem mais isso, Capitão?
O Capitão deu um olhar de matar cobra venenosa e gritou:
- Isso o quê, cabra?
O camarada afroxou e, gemendo, disse:
- Isso é bom demais, Capitão!
Esse recado é pra você, Wilson Aquino.
*Jornalista.
sábado, 28 de junho de 2014
(Quase) Tudo passa!
Minervino Wanderley*
Riso franco, tristeza, alegria, angústia, prazer, solidão, amizades, abandono, amigos, saudades, boas lembranças, arrependimento, retidão, ilusão, certeza, dor, gozo, falta de amor, paixão, sofrimento, felicidade, vazio, perda, melancolia, frio na alma, sonho, amor, ciúmes, traição, companheirismo, etc., etc., etc. Tudo passa! É uma das certezas da vida. Não importa a dimensão do sentimento ou situação, isso passa.
Digo isso, caro amigo, não só baseado em momentos meus, como também nas histórias da vida. Já chamei o ritmo dela de eletrocardiograma, tantos são os altos baixos pelos quais passam os que trafegam por ela. Há dias que acordamos felizes ou tristes e um simples telefonema muda tudo. Acredito que muitos – ou quase todos – já se encontraram nessa situação.
Uma promoção no trabalho, um "up grade" no visual, um carango novo, tudo é motivo pra tocar a vida. Numa boa!!! Ora, Jesus!, lá vem meus netos. É um baita motivo pra se dizer feliz. Assim como a perda de ente querido, o fim de um romance, ser despedido, acordar naqueles dia em nada dá certo, são motivos pro cara dizer: "Essa vida é uma merda!". Que nada, companheiro! Amanhã é outro dia e tudo aquilo passou. Temos que ter em mente que a vida é feita de momentos. Eles são felizes, tristes, e, às vezes, nem um nem outro.
Sexta-feira de carnaval é bom demais, não é, amigo? E a quarta-feira de cinzas não é pra morrer? Calma! Logo vem o fim de semana e aquela folia toda vai ser apenas uma das muitas lembranças que vamos levar conosco. Passou! Pode até ser que, nesse caso, algo fique. Quem sabe um amor surgido entre goles de bebida, cantorias, fantasias não seja o amor definitivo? Casamento que levou a sério o que o padre disse: "Até que a morte os separe." Pode ser. Por que não? Aí cairia por terra a teoria do "tudo passa". Cai não. Como diria minha mãe, Dona Martha: "Nesse mundo nada regula". Ou seja, na vida, nada é preciso.
Por essas razões, amigos, vamos viver a vida na sua plenitude. Sem medo de ser feliz.
*Jornalista
Riso franco, tristeza, alegria, angústia, prazer, solidão, amizades, abandono, amigos, saudades, boas lembranças, arrependimento, retidão, ilusão, certeza, dor, gozo, falta de amor, paixão, sofrimento, felicidade, vazio, perda, melancolia, frio na alma, sonho, amor, ciúmes, traição, companheirismo, etc., etc., etc. Tudo passa! É uma das certezas da vida. Não importa a dimensão do sentimento ou situação, isso passa.
Digo isso, caro amigo, não só baseado em momentos meus, como também nas histórias da vida. Já chamei o ritmo dela de eletrocardiograma, tantos são os altos baixos pelos quais passam os que trafegam por ela. Há dias que acordamos felizes ou tristes e um simples telefonema muda tudo. Acredito que muitos – ou quase todos – já se encontraram nessa situação.
Uma promoção no trabalho, um "up grade" no visual, um carango novo, tudo é motivo pra tocar a vida. Numa boa!!! Ora, Jesus!, lá vem meus netos. É um baita motivo pra se dizer feliz. Assim como a perda de ente querido, o fim de um romance, ser despedido, acordar naqueles dia em nada dá certo, são motivos pro cara dizer: "Essa vida é uma merda!". Que nada, companheiro! Amanhã é outro dia e tudo aquilo passou. Temos que ter em mente que a vida é feita de momentos. Eles são felizes, tristes, e, às vezes, nem um nem outro.
Sexta-feira de carnaval é bom demais, não é, amigo? E a quarta-feira de cinzas não é pra morrer? Calma! Logo vem o fim de semana e aquela folia toda vai ser apenas uma das muitas lembranças que vamos levar conosco. Passou! Pode até ser que, nesse caso, algo fique. Quem sabe um amor surgido entre goles de bebida, cantorias, fantasias não seja o amor definitivo? Casamento que levou a sério o que o padre disse: "Até que a morte os separe." Pode ser. Por que não? Aí cairia por terra a teoria do "tudo passa". Cai não. Como diria minha mãe, Dona Martha: "Nesse mundo nada regula". Ou seja, na vida, nada é preciso.
Por essas razões, amigos, vamos viver a vida na sua plenitude. Sem medo de ser feliz.
*Jornalista
sábado, 14 de junho de 2014
A chaga de Marinho
Por Minervino Wanderley*
O sucesso e o fracasso andam de mãos dadas. Assim, como se namorados fossem, tamanha é a proximidade. Não são raras as histórias que ouvimos sobre pessoas que conheceram a glória e foram merecedores de respeito, muitas vezes pelo mundo inteiro, e que depois, num átimo, desaparecem. Ninguém fala nelas, ninguém sabe onde andam, sequer sabem se ainda estão vivas, tamanho é o desinteresse.
Com Marinho ocorreu esse fenômeno. Surgiu do nada e se transformou no melhor lateral esquerdo da Copa do Mundo de 1974. Foi endeusado pelos homens, adorado e desejado pelas mulheres. Sua fama corria o mundo e a mídia não lhe poupava elogios. Digo isso com certeza porque minha mãe, Martha Wanderley Salem, era professora de alemão e Jair Paiva, então o “padrinho” de Marinho, levava revistas alemães para que ela traduzisse as matérias sobre o “Diabo Louro” – como na Alemanha era conhecido. Isso tudo porque houve uma negociação com Shalke 04 e o fato virou notícia principal nos jornais e revistas germânicas especializadas em esporte.
Marinho foi cidadão do mundo. Jogou nos Estados Unidos, ganhou dinheiro e lá sentiu a sensação de ser rico e poderoso. Mas Marinho era simples e não tinha a exata ideia do que agora representava para o esporte. Continuou jogando seu futebol e esbanjando o dinheiro que ganhava. Não se preocupou em fazer investimentos, pé de meia, essas coisas, porque, como todo ídolo, se julgava imortal. Imune às mazelas da vida. Infelizmente, veio a conhecer e conviver com isso quando parou de jogar: roda de aproveitadores, biriteiros e por aí vai.
Para piorar sua situação, Marinho foi procurar num amigo o ombro e os conselhos para a vida. Pobre Marinho. O amigo que ele escolhera era o seu pior inimigo, pois se fazia de amigo e quando era usado deixava nosso jogador mais perto do buraco que, sem saber, tinha começado a cavar. Esse amigo, que é facilmente encontrado em qualquer birosca é conhecido por muitos nomes: Branquinha, Água que passarinho não bebe, Caninha, etc. Seu nome mesmo era Álcool. E Marinho abusou de fazer uso dele.
Várias internações, visitas nobres, como Platini, Beckenbauer, nada fez com que ele criasse forças e driblasse esse inimigo. Foi inapelavelmente batido pelo álcool. O mundo do esporte perde um gênio. Os pais perdem um filho. Os verdadeiros amigos já choram de saudade. O RN perde seu maior nome do meio esportivo. Nós, que gostamos de futebol, ficamos órfãos.
Tem nada não, Marinho. Lá em cima você encontrará amigos de verdade e a bola rolará outra vez. Para a alegria de Garrincha, que era como você. Tudo sob o olhar complacente Dele, que era, sem dúvidas, seu fã.
*Jornalista
"O vacilo do armário"
Por Minervino Wanderley
Era um domingo como outro qualquer e fui para o Clube de Engenharia assistir ao jogo Flamengo X Corinthians, na espera de uma vitória do rubro-negro. Cheguei e fiquei numa mesa na qual estavam, entre outros, Léo Sodré, Wilson Cardoso, à época presidente do Clube, Mário Galvão e Josué Teixeira.
Como estava sem beber, o papo foi ficando chato pra danado ecomo o jogo só começaria às 18h, resolvi dar uma navegada na net, pra ver o que estava acontecendo, consultar e-mails, redes sociais, esses babados.
Acontece que, ao sair do computador, deixei aberta, num grave vacilo, minha página do Facebook. Vocês não imaginam o que me aconteceu por este erro.
Léo Sodré, como sempre brincalhão, percebeu o descuido e, fazendo-se passar por mim, postou um novo perfil para este inocente usuário. Neste novo Minervino, constava que eu “Tinha assumido minha preferência sexual e ia sair do armário.” Até aí, sem saber de nada, assisti ao jogo e, depois, fui ao Kopenhagen do Midway Mall encontrar a namorada que demonstrava, pelos momentos vividos entre nós, estar apaixonada. Assim como eu, confesso.
Ao chegar, estranhei sua frieza quando me sentei ao seu lado. Recusou um carinhoso beijo e inventou uma esfarrapada desculpa para ir embora. “Que porra é essa?”, pensei. Ora, tínhamos combinado de ir jantar num motel, como tinha sido no domingo passado. Eu tinha gostado muito do slogan COMA DUAS E PAGUE UMA. Fiquei com aquela cara de idiota frustrado e fui pra casa.
Convenhamos: domingo à noite, sozinho em casa, é de lascar. Fui direto para o computador me distrair e pensar sobre a atitude da minha ainda amada.
Amigos, quando abri o meu correio fiquei pasmo, desorientado, e com saudades de mamãe. Tinha um monte de mensagens de homens (?) me elogiando e me fazendo convites nada agradáveis, tipo “Parabéns por sua coragem”, ou “Unidas jamais seremos vencidas” e outras mais. Mas, o que me deixou boquiaberto foi o fato de que algumas mensagens vinham de conhecidos meus que eu julgava serem machos até a alma. Tudo querendo marcar encontro, convidando para festas “alegres”, etc.
Foi aí que me deu o estalo. Lembrei-me do Clube e de que tinha saído abruptamente do computador e não havia fechado todas as páginas. Quando vi, o estrago estava feito. Tive que refazer o perfil, responder aos e-mails relatando o fato e jurando que jamais contaria a ninguém os emissores e seus respectivos teores.
Ficou chato pra caramba isso. Até hoje, quando passo por um “daqueles”, vejo em seus olhares a pergunta: “Arrependeu-se?”. A namorada só voltou pra mim depois que Léo confessou de joelhos a ela o que tinha feito e eu, à custa de um Cialis, tive que provar, numa mesma noite, várias vezes que gostava da fruta.
Fica o conselho: ao sair de um computador, deixe tudo fechado, sob a pena de passar o que passei. Principalmente se Léo estiver por perto. Você corre o risco de receber uma mensagem dele. (MW)
sábado, 17 de maio de 2014
MARTHA WANDERLEY SALEM ˜29/08/1911 - U 28/08/2009
Por Minervino Wanderley Neto
Jornalista
Martha de Sá Leitão Wanderley. Assim se chamava a menina que nasceu numa terça-feira, 29 de agosto de 1911, no vilarejo do Açu, sertão do Rio Grande do Norte, filha de Minervino Wanderley e Carlota de Sá Leitão Wanderley.
Já na infância, Martha mostrava seu espírito através da doçura do olhar e o sorriso franco. Inquieta e simpática encantava a todos, o que deixava os pais com a certeza de que daquela diminuta criatura muita coisa boa viria. Martha ficou como filha única até seus doze anos, quando nasceu sua única irmã, Bertha de Sá Leitão Wanderley, em 11 de dezembro de 1933.
Martha começou a ter as suas primeiras aulas no Colégio Nossa Senhora das Vitórias, administrado por religiosas austríacas, que logo descobriram naquela menina um grande desejo de aprender. Tamanha avidez por conhecimento ficou evidenciada nos bancos escolares, quando fez parte da primeira turma de alunas do tradicional Colégio, trazendo na precoce bagagem o aprendizado de três idiomas, o alemão, o inglês e o francês.
Moça de muitos dotes, encontrou no comerciante Emílio Salem Dieb, de descendência árabe, o seu amor, casando-se em 17 de dezembro de 1938, passando a chamar-se Martha Wanderley Salem. Após suas núpcias, fixou residência em Mossoró, local no qual Emílio tinha negócios. Ficou até 1947, quando passou a residir em Natal, na Ribeira, numa bela casa ao lado da praça que hoje leva seu nome: Praça das Mães Professora Martha Salem. Morou também na Rua Princesa Isabel, Trairi, Rodrigues Alves, Coronel Estevam e Praça Marechal Deodoro. Teve seis filhos: Emilio Filho (falecido), Marta Maria(falecida), Caio, Margarida, Elizabeth (falecida) e Minervino.
Em meados da década de 1950, Emílio começou a ter sérios problemas coronarianos. Ela, como era do seu feitio, ficou ao lado do seu amado até sua partida, em dezembro de 1960.
Começava, então, uma nova era para Martha. Com seis filhos, o mais velho, Emílio, com vinte anos, ela tomou as rédeas da casa e, para colocar comida para os filhos e mantê-los em bons colégios, passou a dar aulas de pintura. Sua veia artística se destacava a cada pincelada. As alunas se fascinavam e, logo, formou uma grande turma que se transformou em um enorme grupo de inseparáveis amigas.
E assim, Martha foi tocando a vida. A casa sempre cheia de amigos. Fossem dela ou dos filhos, formavam uma turma grande, unida e, inspirados por ela, sempre dispostos a praticar o bem. Sua alegria e disposição para a vida, refletida nos gestos, cada vez arrebanhava mais admiradores. E nesse misto de esforço e prazer, Martha formou os filhos para vida.
Tinha cumprido seu dever de esposa e de mãe. Mas a história de Martha não ficaria por aí. Muita coisa ainda estava por vir. Martha mostrava que, além de sua enorme bondade, simpatia contagiante e do seu espírito solidário, era uma apaixonada pela vida.
Nesse momento, já sem a obrigação de angariar fundos para a manutenção da casa e dos filhos, iniciou uma atividade singular: com receio de esquecer os idiomas aprendidos, já que, naquela época, não era comum encontrar pessoas poliglotas, ela resolveu dar aulas de línguas de forma gratuita. “Eu não esqueço e as pessoas aprendem”, justificava.
Em 1980, em meio a essa nova missão, Martha sofreu dois grandes abalos com as mortes de dois filhos, Elizabeth, em janeiro, e Emilio Filho, em novembro. Parecia que o mundo desabava sobre Martha. Porém, sua fibra falou mais alto e ela se reergueu. Concentrou-se nas artes e, contando com a ajuda do seu inumerável grupo de amigos, retomou o prazer pela vida. Os percalços serviram de molas para que ela saltasse à frente e, mais uma vez, olhasse a vida de forma serena e com perspectivas. Era de uma força admirável!
Com o tempo, ficou evidenciado que sua grande paixão era o alemão. Estudou o país e especializou-se naquele idioma. Para que se possa ter ideia do seu conhecimento, passou a ensinar português a alemães que por aqui passaram. Essa troca de experiências culturais tomou conta de muitas conversas entre intelectuais e culminou com a publicação de inúmeras reportagens nas diversas mídias, tanto daqui, quanto da Alemanha. Para coroar essa estreita relação, o governo alemão, num gesto de reconhecimento, condecorou-a com uma comenda pelos serviços que prestou na difusão da cultura daquele país. Paralelo a isso, foi-lhe concedido o título de Cidadã Natalense pela Câmara Municipal.
Foi uma vida marcada pelos mais puros sentimentos. Uma mulher digna, honrada, querida, solidária, amiga, cúmplice, irmã, filha, esposa e mãe sem igual. O Rio Grande do norte precisa de mais pessoas da estirpe de Martha Wanderley Salem.
Abaixo, alguns depoimentos de amigos.
Ignez Motta:
“Falar sobre Martha é muito difícil. Não só pela importância que ela teve na minha vida, mas pelo que ela representou para várias gerações. Foi uma amiga singular, confidente, uma professora da vida. Uma mãe na mais sublime definição. Aprendi muito da vida com ela. As lembranças ainda são vivas nos meus pensamentos. Obrigado, querida!”
Maria Luísa Medeiros:
[…] Não sou afeita a homenagem póstuma, mas, no caso de Dona Martha, é necessária. Seu estilo de vida precisa sempre ser lembrado. Quando pessoas como ela se vão, nossa responsabilidade aumenta.[...]
[...] Tenho em minha casa uma recordação, um presente, uma jóia. Meu quadro favorito de Renoir pintado por suas mãos: "La Première Sortie" ou "A Primeira Saída", de 1876. O original está em Londres, mas o de Dona Martha está sempre comigo. [...]
[...] Agora que termino esse texto, 15h47, toca na rádio universitária "Eduardo e Mônica", de Renato Russo, música que também me motivou a estudar alemão. Descanse em paz, Dona Martha. Você fez muito. Agora é com a gente, seus alunos.[...]
Franklin Jorge:
[…] Martha Wanderley Salém, assuense de velha estirpe, prima em segundo grau da Baronesa de Serra Branca, D. Belisária, primeira grande proprietária rural potiguar a libertar seus escravos e a recepcioná-los com um jantar em que, vestida de touca e avental, os serviu solenemente da mesma maneira como se acostumara a ser servida.[...]
[…] Ainda menina, o pai a levou para conhecer a prima baronesa em seu solar, atualmente a Casa de Cultura do Assu. Uns setenta anos depois, D. Martha me contava que ficara decepcionada, pois esperava encontrar uma grande personagem, luxuosamente vestida e coberta de joias, cercada de serviçais, e deparara com uma mulher simples, falando pouco e baixo, curiosa acerca dos familiares, modestamente vestida… Era D. Belisária uma dama ascética e piedosa, sendo o seu único luxo a carruagem puxada por duas imponentes parelhas de cavalos puro sangue que a transportava do Assu aos seus domínios de Serra Branca, em Santana do Matos. Dona Martha a descrevia como uma mulher “quase sem carnes, chochinha e sem graça…”[...]
Woden Madruga:
“Neste 29 de agosto de 2008 a professora Martha Wanderley Salem está fazendo 97 anos de idade. Beleza! Artista plástica, ensinou pintura e línguas, incluindo nesse cabedal o alemão. Recebeu comenda do governo da Alemanha pelos serviços que prestou na difusão da cultura daquele país. Viúva de Emílio Salem Dieb, dona Martha teve seis filhos: o sempre saudoso Emílio Salem Filho, médico, Martha Maria, Caio Salem, médico, Margarida, Elizabeth (falecida) e Minervino Wanderley, jornalista. Fazem um dos melhores quadros da paisagem natalense.”
sábado, 3 de maio de 2014
Eita!!!
Vem! Rápido! Toma conta deste coração vazio.
Vem! Mas vem com pressa porque a solidão invade.
Vem! Aplaca essa dor que enche meu peito e mal me deixa respirar.
Vem! Não sei de onde vais surgir, mas vem.
Vem! Chegue e não bata à porta. Ela está aberta há tempo.
Vem! Venha pra ficar. Deixe, pelo menos, a ilusão de que é para sempre. Vem! Não deixe mais que as lágrimas molhem minha face.
Vem! Não nasci para viver de saudade.
Vem! Vamos fazer um futuro do nosso presente.
Vem! Meu coração está ávido!
Vem! Antes que seja tarde e ele desista de amar.
Vem! Preciso desse combustível chamado amor.
Vem que eu prometo que, depois que você entrar, jogarei a chave no mais fundo precipício que possa existir.
Vem...
Minervino Wanderley
Jornalista
sábado, 22 de março de 2014
O trânsito de Natal nos leva a lugares inesperados!
Minervino Wanderley *
Ontem, por volta das 17h30,
estava em Petrópolis e
precisava resolver um
negócio em Capim Macio
Como era importante, fui, mesmo sabendo que a cidade passa por obras de mobilidade urbana (Eita nomes bonitos!) tocadas pela prefeitura e governo de Estado. Só isso já me garante que estamos em boas mãos. Duvidam?
Comecei minha viagem disposto a seguir as placas indicativas. Afinal, supunha eu, elas iriam me ajudar a chegar ao meu destino. Pois bem. Pegue desvios aqui, desvios acolá, ruas interditadas, ruas que iam e vinham gora não vem e nem vão e outros obstáculos naturais numa cidade em obras. E lá vai eu. Confiante nos técnicos que estão à frente das coisas.
Já passava das 19h30 e eu não sabia onde estava. Olhava prum lado e pro outro e nada! Tudo esquisito. Só comecei a me preocupar mesmo quando vi uma placa: "BEM-VINDOS A MAMANGUAPE". Aí, já com uma ponta de desespero, procurei a Polícia Rodoviária Federal que me trouxe de volta a...Mossoró! Se alguém estiver lendo isso, por favor avise à minha família que eu volto. Só não sei quando nem por onde.
Obrigado ou muchas gracias?
* Jornalista
Ontem, por volta das 17h30,
estava em Petrópolis e
precisava resolver um
negócio em Capim Macio
Como era importante, fui, mesmo sabendo que a cidade passa por obras de mobilidade urbana (Eita nomes bonitos!) tocadas pela prefeitura e governo de Estado. Só isso já me garante que estamos em boas mãos. Duvidam?
Comecei minha viagem disposto a seguir as placas indicativas. Afinal, supunha eu, elas iriam me ajudar a chegar ao meu destino. Pois bem. Pegue desvios aqui, desvios acolá, ruas interditadas, ruas que iam e vinham gora não vem e nem vão e outros obstáculos naturais numa cidade em obras. E lá vai eu. Confiante nos técnicos que estão à frente das coisas.
Já passava das 19h30 e eu não sabia onde estava. Olhava prum lado e pro outro e nada! Tudo esquisito. Só comecei a me preocupar mesmo quando vi uma placa: "BEM-VINDOS A MAMANGUAPE". Aí, já com uma ponta de desespero, procurei a Polícia Rodoviária Federal que me trouxe de volta a...Mossoró! Se alguém estiver lendo isso, por favor avise à minha família que eu volto. Só não sei quando nem por onde.
Obrigado ou muchas gracias?
* Jornalista
sábado, 15 de março de 2014
Tristes tempos de violência!
Minervino Wanderley*
É fato que a violência cresce a passos largos no Brasil e no mundo. É fato, também, que nós, neste antes tranquilo pedaço de rincão passamos por uma situação de criminalidade que beira o descontrole. Cenas de brutalidade só aconteciam em lugares distantes. Não passava pela cabeça de ninguém que essas coisas aparecessem por aqui. Quando ouvíamos – ou assistíamos – a qualquer noticiário, ficávamos arrepiados com os fatos narrados. “Ainda bem que não é por aqui”, pensávamos com alívio.
Porém, devagar e sem alarde, a violência se instalou entre nós. Hoje, assaltos, arrastões, assassinatos, tráfico, tudo está banalizado. Achamos até bom quando uma pessoa é assaltada e o marginal surrupia “apenas” seus pertences. Isso é muito ruim. É sinal de que a indignação está dando lugar ao “deixa pra lá”. Quase que dizendo: “Não foi comigo, tá bom demais”. É, amigos, estamos entregues aos marginais. Não temos gabinetes a nos proteger, nem casas cercadas por atentos vigilantes. Temo muito que a situação chegue ao ponto em que a população comece a pensar que a solução deverá ser a justiça com as próprias mãos. As ruas virarão campos de batalha. Cada um por si! Triste, isso.
Mas, o que nos levou a chegar nesse ponto? O governo apregoa que a vida dos brasileiros está melhor e que a pobreza está desaparecendo. Isso deveria baixar a criminalidade, não é? Pura balela! Na verdade, enquanto se distribui bolsa disso, bolsa daquilo, auxílio daqui, ajuda dacolá, os marginais afanam as bolsas dos trabalhadores. A impunidade motiva o crime e os “menores” agem com toda crueldade sempre protegidos pelo falso escudo da maioridade. Reforçando isso, ouvi no “Jornal da 96 FM”, um áudio sobre um assalto cometido por duas “menores”. A maneira como elas trataram o crime foi absurdamente chocante. Diziam: “Se não desse o celular era faca na caveira!” E tome gargalhadas. O repórter perguntou se elas não estavam preocupadas com as consequências e a resposta foi a mais revoltante possível: “Somos de menor, dotô. Depois nós vai para casa”. E vão! E nossa luta é em vão!
Diante desse quadro, defendo a adoção de uma medida radical! Tipo assim: TOLERÂNCIA ZERO! Ora, se deu certo em Nova Iorque, vai dar certo aqui também. Só há um porém e a fábula de La Fontaine serve de moldura para o caso: quem vai colocar o guizo no pescoço do gato?
*Jornalista
sábado, 8 de fevereiro de 2014
O meu (re) nascimento
Minervino Wanderley*
Quando nasci, meu pai, ansioso, perguntou ao médico:
- É macho?
O doutor, coitado, não pôde responder na hora. Primeiro ele queria saber o que era aquilo. Depois de muito analisar, disse:
- Acredito que sim, seu Emílio.
E assim foi o meu, digamos, nascimento.
Quando as visitas chegavam, minha mãe pegava aquele troço magro, seco, parecendo uma lambisgóia e perguntava às amigas:
- Ele não é uma gracinha?
As senhoras, muito educadas, olhavam-se e, com o mesmo pensamento (que bicho feio danado!), concordavam. Afinal, elas se queriam muito bem, embora ao saírem da Maternidade Januário Cicco conversassem entre si:
- Até agora eu não sei quando o menino tá de costas ou de frente! - Dizia uma.
- De que será que ele se alimenta? - Perguntava outra. E tome gargalhadas.
O tempo passou e a coisa nada de melhorar. Começava pelo nome: Minervino. Isso não é um nome, isso é marca de remédio ou de sabão em pó, me disseram uma vez. E eu calado. Também, o que é que eu ia dizer? Eu mesmo me olhava no espelho e pensava:
- Valha-me Deus, tô lascado. Qual vai ser a mulher que vai querer um xamego com cara feio desses? Só me restava fazer promessas. E não era para um santo só, não. Era para TODOS OS SANTOS.
Mas, como toda promessa que se faz com fé se alcança, um dia, já tinha uns 15, 16 anos, quando aconteceu o fenômeno Ojuara, aquele herói que nos foi apresentado por Nei Leandro. Eu tava na fila do cinema Rex, quando um engraçadinho disse:
- Ei, galera, tem um ET aqui fora. - E isso na frente das meninas, que deram aquele risinho de canto de boca. Foi a última coisa que o engraçadinho falou na sua vida, tamanha foi a porrada que lhe dei pegando boca, queixo e nariz. A última notícia que tive dele, foi que ele estava procurando emprego num circo.
Pois bem, desse dia em diante, os meninos passaram a me respeitar, transei com as filhas das amigas de mamãe que riram de mim, e ainda fui chamado para trabalhar numa peça no Colégio Marista. Tá legal, não era uma grande peça, mas já era um progresso descomunal.
Comecei, também, a explorar alguns dotes que vieram com a força das promessas. E que dotes! Basta dizer que quando fui fazer uma determinada cirurgia, a pele que sobrou serviu pra duas empanadas de circo, deu pra fazer 12 surdos, 16 pandeiros e 30 tamborins pra a Malandros do Samba, sem contar com dois tamancos, um pra Diva Cunha e outro pra Valéria Queiroz.
E hoje, minha vida é essa que vocês conhecem: um sucesso! Participo do Jet da terrinha, dinheiro não falta, vivo nas colunas e blogs sociais, e são incontáveis os convites para peças publicitárias. Mulheres à vontade e tudo o mais.
Sei não. Às vezes me dá vontade de ser um cara comum, tipo um Ronaldinho ou um Chico Buarque. Queria um pouco de sossego, passear pelas ruas, ir às boates, essas coisas que qualquer cidadão faz. Mas, fazer o quê? Foi assim que Ele quis e tenho que seguir essa sina até encontrar uma companheira do meu tope. Com fé eu vou conseguir!
Epa!!! O despertador tocou. Vou voltar à minha vidinha de sempre. Feliz por estar vivo e com saúde. É isso o que vale. O resto, o vento ou a vida se encarrega de levar.
*Jornalista
Quando nasci, meu pai, ansioso, perguntou ao médico:
- É macho?
O doutor, coitado, não pôde responder na hora. Primeiro ele queria saber o que era aquilo. Depois de muito analisar, disse:
- Acredito que sim, seu Emílio.
E assim foi o meu, digamos, nascimento.
Quando as visitas chegavam, minha mãe pegava aquele troço magro, seco, parecendo uma lambisgóia e perguntava às amigas:
- Ele não é uma gracinha?
As senhoras, muito educadas, olhavam-se e, com o mesmo pensamento (que bicho feio danado!), concordavam. Afinal, elas se queriam muito bem, embora ao saírem da Maternidade Januário Cicco conversassem entre si:
- Até agora eu não sei quando o menino tá de costas ou de frente! - Dizia uma.
- De que será que ele se alimenta? - Perguntava outra. E tome gargalhadas.
O tempo passou e a coisa nada de melhorar. Começava pelo nome: Minervino. Isso não é um nome, isso é marca de remédio ou de sabão em pó, me disseram uma vez. E eu calado. Também, o que é que eu ia dizer? Eu mesmo me olhava no espelho e pensava:
- Valha-me Deus, tô lascado. Qual vai ser a mulher que vai querer um xamego com cara feio desses? Só me restava fazer promessas. E não era para um santo só, não. Era para TODOS OS SANTOS.
Mas, como toda promessa que se faz com fé se alcança, um dia, já tinha uns 15, 16 anos, quando aconteceu o fenômeno Ojuara, aquele herói que nos foi apresentado por Nei Leandro. Eu tava na fila do cinema Rex, quando um engraçadinho disse:
- Ei, galera, tem um ET aqui fora. - E isso na frente das meninas, que deram aquele risinho de canto de boca. Foi a última coisa que o engraçadinho falou na sua vida, tamanha foi a porrada que lhe dei pegando boca, queixo e nariz. A última notícia que tive dele, foi que ele estava procurando emprego num circo.
Pois bem, desse dia em diante, os meninos passaram a me respeitar, transei com as filhas das amigas de mamãe que riram de mim, e ainda fui chamado para trabalhar numa peça no Colégio Marista. Tá legal, não era uma grande peça, mas já era um progresso descomunal.
Comecei, também, a explorar alguns dotes que vieram com a força das promessas. E que dotes! Basta dizer que quando fui fazer uma determinada cirurgia, a pele que sobrou serviu pra duas empanadas de circo, deu pra fazer 12 surdos, 16 pandeiros e 30 tamborins pra a Malandros do Samba, sem contar com dois tamancos, um pra Diva Cunha e outro pra Valéria Queiroz.
E hoje, minha vida é essa que vocês conhecem: um sucesso! Participo do Jet da terrinha, dinheiro não falta, vivo nas colunas e blogs sociais, e são incontáveis os convites para peças publicitárias. Mulheres à vontade e tudo o mais.
Sei não. Às vezes me dá vontade de ser um cara comum, tipo um Ronaldinho ou um Chico Buarque. Queria um pouco de sossego, passear pelas ruas, ir às boates, essas coisas que qualquer cidadão faz. Mas, fazer o quê? Foi assim que Ele quis e tenho que seguir essa sina até encontrar uma companheira do meu tope. Com fé eu vou conseguir!
Epa!!! O despertador tocou. Vou voltar à minha vidinha de sempre. Feliz por estar vivo e com saúde. É isso o que vale. O resto, o vento ou a vida se encarrega de levar.
*Jornalista
domingo, 12 de janeiro de 2014
A culpa é dos outros (?)
Minervino Wanderley*
Esse foi um lema que adotei durante grande parte da vida. A qualquer insucesso, qualquer tropeço, mais que depressa, atribuía a culpa a alguém. Não importava o que fosse, sempre era mais cômodo tirar a minha da seringa.
Se acontecesse no trabalho, a culpa era do chefe que “Não sabe de nada. Só sabe cobrar!” Partisse para o campo sentimental, usava o chavão: “Aquela mulher era chata demais! Uma incompreensiva!” No esporte, diante de qualquer fracasso, disparava: “O treinador não entende de porra nenhuma!”. Nos estudos, olhando um boletim que mais parecia um guarda-roupa de torcedor do América, dizia: “Meus Deus, até onde vai parar esse baixo nível de ensino?”, esbravejava. Assim era eu. Nem minha família escapou. Também pus culpa: “São uns ultrapassados. Não acompanham minha evolução”, me gabava. E por aí, ia.
Até que um dia, num raro momento de inteligência, pensei: “Porra, bicho, será há uma conspiração mundial contra você? Ou será que essa terrível culpa está em você?” Difícil de aceitar, mas havia uma brecha.
Pensando nisso, mas, ainda com certa relutância, resolvi mudar a estratégia. Procurei olhar para dentro de mim (sem ser endoscopista) e vi que talvez o caminho a seguir fosse outro. Assumir os erros, por que não? Conviver com as limitações? Posso. Admitir não ser o melhor numa porrada de coisas? Claro! Nem bonito, nem feio. Nem gênio, nem burro. Um cara normal, simplesmente.
Essa mudança de comportamento trouxe-me uma visão mais clara do mundo. Principalmente a de que eu não era o único a carregar esse transtorno. Percebi que muitas pessoas faziam uso dessa fuga. Uns, assim como eu, por pura ignorância. Outros, por esperteza. Esses, infelizmente, são aqueles que passam pela vida sem vivê-la, já que o erro nos transforma ou nos mantém como pessoas perfeitamente normais.
Cansamos de ver pessoas dizerem: “Porra, se não fosse Beltrano eu não estaria nessa situação”. Ou: “Se dependesse de mim a coisa seria outra, mas Siclano esculhambou tudo”. E por aí vai.
Melhor seria, para todos nós, que seguíssemos os ensinamentos de Jesus que nos mostrou a nunca omitir nossos erros nem muito menos negar nossos defeitos. Acreditem: são exatamente essas coisas que nos tornam mais humanos, mais pacientes, mais solidários e nos coloca, cada vez mais, perto Dele!
*Jornalista
Esse foi um lema que adotei durante grande parte da vida. A qualquer insucesso, qualquer tropeço, mais que depressa, atribuía a culpa a alguém. Não importava o que fosse, sempre era mais cômodo tirar a minha da seringa.
Se acontecesse no trabalho, a culpa era do chefe que “Não sabe de nada. Só sabe cobrar!” Partisse para o campo sentimental, usava o chavão: “Aquela mulher era chata demais! Uma incompreensiva!” No esporte, diante de qualquer fracasso, disparava: “O treinador não entende de porra nenhuma!”. Nos estudos, olhando um boletim que mais parecia um guarda-roupa de torcedor do América, dizia: “Meus Deus, até onde vai parar esse baixo nível de ensino?”, esbravejava. Assim era eu. Nem minha família escapou. Também pus culpa: “São uns ultrapassados. Não acompanham minha evolução”, me gabava. E por aí, ia.
Até que um dia, num raro momento de inteligência, pensei: “Porra, bicho, será há uma conspiração mundial contra você? Ou será que essa terrível culpa está em você?” Difícil de aceitar, mas havia uma brecha.
Pensando nisso, mas, ainda com certa relutância, resolvi mudar a estratégia. Procurei olhar para dentro de mim (sem ser endoscopista) e vi que talvez o caminho a seguir fosse outro. Assumir os erros, por que não? Conviver com as limitações? Posso. Admitir não ser o melhor numa porrada de coisas? Claro! Nem bonito, nem feio. Nem gênio, nem burro. Um cara normal, simplesmente.
Essa mudança de comportamento trouxe-me uma visão mais clara do mundo. Principalmente a de que eu não era o único a carregar esse transtorno. Percebi que muitas pessoas faziam uso dessa fuga. Uns, assim como eu, por pura ignorância. Outros, por esperteza. Esses, infelizmente, são aqueles que passam pela vida sem vivê-la, já que o erro nos transforma ou nos mantém como pessoas perfeitamente normais.
Cansamos de ver pessoas dizerem: “Porra, se não fosse Beltrano eu não estaria nessa situação”. Ou: “Se dependesse de mim a coisa seria outra, mas Siclano esculhambou tudo”. E por aí vai.
Melhor seria, para todos nós, que seguíssemos os ensinamentos de Jesus que nos mostrou a nunca omitir nossos erros nem muito menos negar nossos defeitos. Acreditem: são exatamente essas coisas que nos tornam mais humanos, mais pacientes, mais solidários e nos coloca, cada vez mais, perto Dele!
*Jornalista
domingo, 3 de novembro de 2013
Viver o presente de olho no futuro
Por Minervino Wanderley*
Há, em todos nós, uma incurável doença chamada nostalgia. É fogo! À medida que o tempo vai passando, as pessoas mais ficam saudosas. É comum ouvir em rodas coisa do tipo “Naquele tempo é que era bom!”, “Se fosse antigamente vocês iam ver o que era um carnaval!”, “Os bons tempos voltaram! Teremos Colombinas, Pierrôs, tudo como antigamente!”, “Duvido que esse descaso do governo acontecesse na minha época!”. Tem umas assim: “Isso é uma vergonha! Aquele casal se beijando na frente de todo mundo. Por isso que os casamentos não dão certo. É tudo muito fácil!”. E por aí vai. Seria como se o passado fosse um mar de rosas, o presente uma completa desordem. E o futuro, uma mistura de Babel com Sodoma e Gomorra, à espera do Armagedon.
Mas é explicável. Essas pessoas ficaram presas a um passado que foi bom e não querem, sob nenhuma hipótese, dar esse passo à frente. “Era tão bom, pra que mudar?”, pensam elas, inseguras. Cá pra nós, tivemos momentos no passado que, se fosse possível “salvá-los” para vivermos outras vezes, nós o faríamos. Não tenho dúvidas. Porém, temos que ter em mente que a vida segue inapelavelmente na sua rotina e temos que acompanhá-la. Caso não o façamos, ficamos numa espécie de limbo. Nem lá, nem cá.
Por que não pensarmos no presente, que é algo que estamos vivendo agora e, a partir daí, construir nosso futuro? O ontem se foi. O presente está aqui, fazemos parte dele. O futuro, ao contrário do dito popular, pertence a Deus até certo ponto. Calma! Ele nos dá as ferramentas para que forjemos essa estrada, a inteligência para que a utilizemos nessa construção, a saúde para podermos levar à frente nossos projetos, enfim, Ele nos dá tudo. Isso de ficar flanando e deixar tudo por conta d’Ele é deixar de lado a sua vida. Nada disso. Mãos à obra!
O presente, se enxergado com bons olhos, pode proporcionar momentos deliciosos. Nada de se queixar de governo, de taxa de juros, do trânsito, isso é outra coisa. Tem a sua hora – ou quinze minutos, no máximo. Vamos viver um amor que está em plena ebulição! Isso é momento único! Vamos ver as coisas que a Mãe Natureza nos deixou. Não é frescura, não. Isso é sensibilidade. Vamos beijar nossas pessoas amadas. Vamos perdoar eventuais falhas. Vamos ser solidários. Vamos dar bom dia, boa tarde, boa noite, por favor, obrigado. Vamos sorrir, mesmo quando o tempo está carrancudo. Vamos ligar para os amigos. Vamos visitar nossos familiares com mais frequência. Vamos dar menos valor ao vil metal que a gente se liberta de muita coisa. Vamos ser felizes. Afinal, estamos aqui pra isso.
*Jornalista
Há, em todos nós, uma incurável doença chamada nostalgia. É fogo! À medida que o tempo vai passando, as pessoas mais ficam saudosas. É comum ouvir em rodas coisa do tipo “Naquele tempo é que era bom!”, “Se fosse antigamente vocês iam ver o que era um carnaval!”, “Os bons tempos voltaram! Teremos Colombinas, Pierrôs, tudo como antigamente!”, “Duvido que esse descaso do governo acontecesse na minha época!”. Tem umas assim: “Isso é uma vergonha! Aquele casal se beijando na frente de todo mundo. Por isso que os casamentos não dão certo. É tudo muito fácil!”. E por aí vai. Seria como se o passado fosse um mar de rosas, o presente uma completa desordem. E o futuro, uma mistura de Babel com Sodoma e Gomorra, à espera do Armagedon.
Mas é explicável. Essas pessoas ficaram presas a um passado que foi bom e não querem, sob nenhuma hipótese, dar esse passo à frente. “Era tão bom, pra que mudar?”, pensam elas, inseguras. Cá pra nós, tivemos momentos no passado que, se fosse possível “salvá-los” para vivermos outras vezes, nós o faríamos. Não tenho dúvidas. Porém, temos que ter em mente que a vida segue inapelavelmente na sua rotina e temos que acompanhá-la. Caso não o façamos, ficamos numa espécie de limbo. Nem lá, nem cá.
Por que não pensarmos no presente, que é algo que estamos vivendo agora e, a partir daí, construir nosso futuro? O ontem se foi. O presente está aqui, fazemos parte dele. O futuro, ao contrário do dito popular, pertence a Deus até certo ponto. Calma! Ele nos dá as ferramentas para que forjemos essa estrada, a inteligência para que a utilizemos nessa construção, a saúde para podermos levar à frente nossos projetos, enfim, Ele nos dá tudo. Isso de ficar flanando e deixar tudo por conta d’Ele é deixar de lado a sua vida. Nada disso. Mãos à obra!
O presente, se enxergado com bons olhos, pode proporcionar momentos deliciosos. Nada de se queixar de governo, de taxa de juros, do trânsito, isso é outra coisa. Tem a sua hora – ou quinze minutos, no máximo. Vamos viver um amor que está em plena ebulição! Isso é momento único! Vamos ver as coisas que a Mãe Natureza nos deixou. Não é frescura, não. Isso é sensibilidade. Vamos beijar nossas pessoas amadas. Vamos perdoar eventuais falhas. Vamos ser solidários. Vamos dar bom dia, boa tarde, boa noite, por favor, obrigado. Vamos sorrir, mesmo quando o tempo está carrancudo. Vamos ligar para os amigos. Vamos visitar nossos familiares com mais frequência. Vamos dar menos valor ao vil metal que a gente se liberta de muita coisa. Vamos ser felizes. Afinal, estamos aqui pra isso.
*Jornalista
domingo, 11 de agosto de 2013
Padrão FIFA? Balela!
Por Minervino Wanderley*
Muitos vibraram com a escolha de natal para ser uma da sub-sedes da Copa do Mundo FIFA 2014. "Natal é primeiro mundo!", gritavam uns. "Governo é isso! Só traz coisas boas!", bradavam os babões políticos. "Quero ver agora de que vão reclamar!", dizia o otimista. Mas, outros, mais sensatos e com a visão voltada para África do Sul, país do Terceiro Mundo que sediou o torneio e, que, até hoje, não sabe o que fazer com os estádios construídos a preço de ouro - li-te-ral-men-te - e na mesma penúria de vida sem as prometidas obras de viabilidade, viraram o rosto à escolha.
Parece implicância, pessimismo, falta de boa vontade, mas não é. Apenas a realidade exposta. Eles lá, como nós cá, caíram no conto da FIFA. Pior do que o do Vigário mil vezes. Nós, com um agravante: já sabíamos do golpe que tinha sido passado na África. Mas os políticos, sempre eles, com os cifrões gravados nos olhos, exergaram mais uma oportunidade de se locupletarem. Seja politicamente ou financeiramente eles vão tirar partido disso. Para isso, bastou jogar a velha conversa em cima do povão - como o sedutor em cima da inocente - e a coisa foi aceita. Em clima de festa, diga-se de passagem.
Hoje, faltando menos de um ano para o início da competição, só tem uma coisa pronta e é extamente a que menos importa para Natal e para o RN: o Arena das Dunas. Depois de dois ou três jogos da Copa, pra que danado ele vai servir? Quando ABC e América - que, por sinal, marcham firmemente para a Série "C" - colocarão 40.000 espectadores no estádio? Nunca! "Vai ser uma arena multiuso, vai servir pra isso, praquilo, blá, blá, blá!", afirmam os que estão à frente do projeto. Porra nenhuma! Não vai servir pra nada!
Cadê a duplicação da Roberto Freire? Aeroporto? Veículo Leve Sobre Trilhos (Nome bonito danado!)? Hospitais padrão FIFA? Ruas e avenidas dentro do padrão FIFA? Escolas olhando para o Primeiro Mundo? Viadutos? Túneis? Nada! Só conversa fiada! Tudo como antes. Para nós, é claro. Para outros, as contas bancárias deverão estar diferentes.
Amigos, mais uma vez esses salafrários passaram a perna no povo. Assim, não é possível que nas próximas eleições, esses eleitores que foram engabelados não usem suas armas contra esse câncer: SEU VOTO! Tome tento, povo!!!
*Jornalista
Muitos vibraram com a escolha de natal para ser uma da sub-sedes da Copa do Mundo FIFA 2014. "Natal é primeiro mundo!", gritavam uns. "Governo é isso! Só traz coisas boas!", bradavam os babões políticos. "Quero ver agora de que vão reclamar!", dizia o otimista. Mas, outros, mais sensatos e com a visão voltada para África do Sul, país do Terceiro Mundo que sediou o torneio e, que, até hoje, não sabe o que fazer com os estádios construídos a preço de ouro - li-te-ral-men-te - e na mesma penúria de vida sem as prometidas obras de viabilidade, viraram o rosto à escolha.
Parece implicância, pessimismo, falta de boa vontade, mas não é. Apenas a realidade exposta. Eles lá, como nós cá, caíram no conto da FIFA. Pior do que o do Vigário mil vezes. Nós, com um agravante: já sabíamos do golpe que tinha sido passado na África. Mas os políticos, sempre eles, com os cifrões gravados nos olhos, exergaram mais uma oportunidade de se locupletarem. Seja politicamente ou financeiramente eles vão tirar partido disso. Para isso, bastou jogar a velha conversa em cima do povão - como o sedutor em cima da inocente - e a coisa foi aceita. Em clima de festa, diga-se de passagem.
Hoje, faltando menos de um ano para o início da competição, só tem uma coisa pronta e é extamente a que menos importa para Natal e para o RN: o Arena das Dunas. Depois de dois ou três jogos da Copa, pra que danado ele vai servir? Quando ABC e América - que, por sinal, marcham firmemente para a Série "C" - colocarão 40.000 espectadores no estádio? Nunca! "Vai ser uma arena multiuso, vai servir pra isso, praquilo, blá, blá, blá!", afirmam os que estão à frente do projeto. Porra nenhuma! Não vai servir pra nada!
Cadê a duplicação da Roberto Freire? Aeroporto? Veículo Leve Sobre Trilhos (Nome bonito danado!)? Hospitais padrão FIFA? Ruas e avenidas dentro do padrão FIFA? Escolas olhando para o Primeiro Mundo? Viadutos? Túneis? Nada! Só conversa fiada! Tudo como antes. Para nós, é claro. Para outros, as contas bancárias deverão estar diferentes.
Amigos, mais uma vez esses salafrários passaram a perna no povo. Assim, não é possível que nas próximas eleições, esses eleitores que foram engabelados não usem suas armas contra esse câncer: SEU VOTO! Tome tento, povo!!!
*Jornalista
domingo, 4 de agosto de 2013
Invasão
Vem! Rápido! Toma conta deste coração vazio.
Vem! Mas vem com pressa porque a solidão quer tomar conta.
Vem! Aplaca essa dor que enche meu peito e mal me deixa respirar.
Vem! Não sei de onde vais surgir, mas vem.
Vem! Chegue e não bata à porta. Ela está aberta há tempo.
Vem! Venha pra ficar. Deixe, pelo menos, a ilusão de que é para sempre.
Vem! Não deixe mais que as lágrimas molhem minha face.
Vem! Não nasci para viver de saudade.
Vem! Vamos fazer um futuro do nosso presente.
Vem! Antes que seja tarde e ele desista de amar.
Vem! Preciso desse combustível chamado amor.
Vem que eu prometo que, depois que você entrar, jogarei a chave no mais fundo precipício que possa existir.
Vem...
Por Minvervino Wanderley
Vem! Mas vem com pressa porque a solidão quer tomar conta.
Vem! Aplaca essa dor que enche meu peito e mal me deixa respirar.
Vem! Não sei de onde vais surgir, mas vem.
Vem! Chegue e não bata à porta. Ela está aberta há tempo.
Vem! Venha pra ficar. Deixe, pelo menos, a ilusão de que é para sempre.
Vem! Não deixe mais que as lágrimas molhem minha face.
Vem! Não nasci para viver de saudade.
Vem! Vamos fazer um futuro do nosso presente.
Vem! Antes que seja tarde e ele desista de amar.
Vem! Preciso desse combustível chamado amor.
Vem que eu prometo que, depois que você entrar, jogarei a chave no mais fundo precipício que possa existir.
Vem...
Por Minvervino Wanderley
domingo, 16 de junho de 2013
Maioridade penal: um assunto que merece atenção
Por Minervino Wanderley*
Diante de recentes acontecimentos repletos de violência protagonizados por menores de 18 anos divulgados pela imprensa brasileira e internacional, a discussão sobre a redução da maioridade penal é merecedora da nossa maior atenção.
Penso eu que, se hoje uma “criança” de 16 anos comete verdadeiras atrocidades contra seus semelhantes, demonstrando requintes de crueldade e de conhecimento dos seus atos, é perfeitamente natural que ela venha a pagar pelos malefícios. Essa estória de que “ele só tem 16 anos, é um menino, não sabe o que faz” é balela. Papo furado! Sabe tudo e mais um pouco!
Já ficou claro que esses meninos/homens/bichos quando não destilam o mais letal dos venenos por iniciativa própria, são marionetes das mãos de marginais mais experientes e sabedores de que a Justiça está de mãos atadas no que se refere à legalidade de eventuais punições a serem aplicadas a esse tipo de bandido.
A nossa Justiça tem, urgentemente, que se debruçar sobre o assunto e trazer uma solução que satisfaça à sociedade. Não podemos mais ficar a mercê de bandidos travestidos de inocentes. Urge, portanto, uma decisão que iniba tais acontecimentos, antes que vire uma lamentável rotina nas nossas vidas.
Por que não realizar um plebiscito? Uma grande consulta popular sobre isto? Ninguém melhor para dar opinião do que aqueles que padecem ou já padeceram das ações desses marginais. Se o Estado não encontra a solução, deixe, então, que povo fale. Como se sabe: “a voz do povo é a voz de Deus”.
Com isso, não queremos eximir o Estado das suas obrigações, mas sim mostrar que é possível encontrar soluções para problemas crônicos que nos afligem. A maioridade penal é apenas um deles. Basta determinação, boa vontade e deixar soltar nossa mais antiga reação ante o perigo, que é nos defender quando atacados.
Somos um povo capaz disso O apoio popular ao STF no julgamento do “mensalão” deixa isso bem evidenciado. Ninguém aguenta mais tanta impunidade! Tenho certeza que a redução da maioridade poderia tornar sistema penal mais justo e isso já seria um alento para esse tão sofrido povo brasileiro.
* Jornalista
Diante de recentes acontecimentos repletos de violência protagonizados por menores de 18 anos divulgados pela imprensa brasileira e internacional, a discussão sobre a redução da maioridade penal é merecedora da nossa maior atenção.
Penso eu que, se hoje uma “criança” de 16 anos comete verdadeiras atrocidades contra seus semelhantes, demonstrando requintes de crueldade e de conhecimento dos seus atos, é perfeitamente natural que ela venha a pagar pelos malefícios. Essa estória de que “ele só tem 16 anos, é um menino, não sabe o que faz” é balela. Papo furado! Sabe tudo e mais um pouco!
Já ficou claro que esses meninos/homens/bichos quando não destilam o mais letal dos venenos por iniciativa própria, são marionetes das mãos de marginais mais experientes e sabedores de que a Justiça está de mãos atadas no que se refere à legalidade de eventuais punições a serem aplicadas a esse tipo de bandido.
A nossa Justiça tem, urgentemente, que se debruçar sobre o assunto e trazer uma solução que satisfaça à sociedade. Não podemos mais ficar a mercê de bandidos travestidos de inocentes. Urge, portanto, uma decisão que iniba tais acontecimentos, antes que vire uma lamentável rotina nas nossas vidas.
Por que não realizar um plebiscito? Uma grande consulta popular sobre isto? Ninguém melhor para dar opinião do que aqueles que padecem ou já padeceram das ações desses marginais. Se o Estado não encontra a solução, deixe, então, que povo fale. Como se sabe: “a voz do povo é a voz de Deus”.
Com isso, não queremos eximir o Estado das suas obrigações, mas sim mostrar que é possível encontrar soluções para problemas crônicos que nos afligem. A maioridade penal é apenas um deles. Basta determinação, boa vontade e deixar soltar nossa mais antiga reação ante o perigo, que é nos defender quando atacados.
Somos um povo capaz disso O apoio popular ao STF no julgamento do “mensalão” deixa isso bem evidenciado. Ninguém aguenta mais tanta impunidade! Tenho certeza que a redução da maioridade poderia tornar sistema penal mais justo e isso já seria um alento para esse tão sofrido povo brasileiro.
* Jornalista
domingo, 21 de abril de 2013
Martha Salem e a Vida: um "Caso de Amor"
"Porque a vida só se dá pra quem se deu, pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu". (Vinícius de Moraes)
Por Minervino Wanderley
A raça humana, por sua própria multiplicidade, guarda significativas diferenças entre si. Nesse rol, existem indivíduos que pertencem a uma classe que podemos denominá-la de especial. São aqueles que, apesar dos obstáculos surgidos ao longo das suas caminhadas, não se entregam e, às vezes, por suas proporções, podemos até dizer que até teimam continuar vivendo. São os obstinados pela vida, que extraem dessas adversidades suprimentos necessários para sedimentar seus passos.
Mas essa eutanásia às avessas tem uma razão de ser: dentro de cada um desses seres, bem lá dentro, bate um coração ávido pelo simples prazer de estar vivo. São os que sabem valorizar o nascer de um novo dia como se fosse um novo começo. São aqueles que, através de simples gestos, espontâneos e habituais, deixam brotar seu amor pelo próximo, injetando nos menos providos, por meio de sua sabedoria, doses de ânimo e coragem.
Martha Wanderley Salem foi um exemplo de uma pessoa especial. Ela não sucumbiu ante os entraves e tampouco debitou ao destino sua situação. Sua vontade de vencer os desafios colocou-a como participante do jogo da vida, não permitindo que ela fosse simplesmente uma espectadora. As desventuras solidificaram seus sentimentos, abrindo espaço para que seu espírito solidário emergisse, e que sua voz sempre fosse plena de entusiasmo e de incentivo aos necessitados. Uma pessoa, na sua mais pura essência, do bem.
Dona Martha foi, sem dúvidas, alguém que teve um verdadeiro "caso de amor" com a Vida.
domingo, 16 de dezembro de 2012
Manoel, o errante
Minervino Wanderley*
Manoel é que se pode chamar de “self made man”. Caçula de uma família de seis, ficou órfão de pai aos seis anos. A mãe, d. Hertha, teve que dar duro para sustentar a família, já que 'seu' Salim morreu sem deixar nada para a família. Aliás, deixou. Saudades, muitas saudades! D. Hertha trabalhava desde a manhã até à noite para colocar comida na mesa. Sobrou para Manoel, que cresceu sem ter os afagos e carinhos tão divinos e necessários de uma mãe.
E assim, Manoel encarou seu futuro. Sempre aprendendo na dura escola da vida. Como tinha uma certa habilidade para o futebol, as coisas se tornaram menos difíceis, pois havia um lugar na pelada e a diversão estava garantida. E ele seguiu em frente, pulando as barreiras que, com muita frequência, apareciam à sua frente. Conseguiu terminar o curso primário e foi para o ginasial com dez anos. Ginásio 7 de Setembro. Aí, amigo velho, a coisa empancou. Penou para sair do primeiro ano, e ficou no segundo um bom tempo. Perambulou por alguns colégios, mas não achava graça em nada. Até expulso foi. Manoel começava a mostrar seu desgosto com a vida.
Virou “hippie” e viajou em busca do sonho que ele criara em seus pensamentos. Nunca o achou. Voltou para casa, teve um acesso de lucidez, fez um supletivo e passou. O ginasial tinha ficado para trás. Empolgada, d. Elza colocou-o no Colégio Marista para fazer o científico e "pré". Chegou até o "pré', mas não suportou aquele ritmo “careta” que o levaria a fazer o vestibular, se formar e ser apenas mais um na multidão.
Ele queria mais e resolveu dar um passo maior. Botou na cabeça que seu destino era São Francisco, California, terra na qual tudo era permitido. E falou que iria caminhando igual ao cara do Johnnie Walker. Na verdade, ele queria mesmo era imitar os caras de "Perdidos na Noite", Dustin Hoffman e Jon Voight, no filmaço de John Schlesinger.
A decisão estava tomada. Mas, ("Mas" é de lascar! Tira a graça da coisa.) como não tinha uma prata no bolso, um cunhado o aconselhou a fazer um concurso, juntar dinheiro e, depois, partir para sua odisseia. Assim ele fez. Passou para os quadros do Banco do Brasil. Um glória pra todo mundo e uma chatice para Manoel. Tinha um porém nisso tudo. A grana que o BB pagava era respeitável, fato o que o colocava numa dúvida cruel: largar tudo e dar asas ao sonho ou ficar naquela de bancário? Mesmo a contragosto, optou por permanecer no emprego.
Um belo dia, já casado com uma moça de nome russo e de tradicional família, foi a São Francisco conhecer o seu sonho. Só que de avião. Primeira classe. Cheio de mimos. Tudo em ceu de brigadeiro. Depois, escolheu a Europa como seu destino de férias. Foi várias vezes. Tinha bom gosto, o cara. Parecia que a vida, já cansada de tanto flerte, estava abrindo os braços pra ele.
Mas Manoel não tinha jeito. Com quase 25 anos de serviço, pediu demissão e foi, mais uma vez, para a aventura da vida. Pena que ele tinha esquecido que os caminhos dessa vida que ele já conhecera eram muito tortuosos e cheios de armadilhas. E ele quase sucumbiu ante às adversidades. Ora, Manoel era um forte. Com a ajuda de amigos e parentes, refez-se das porradas, formou-se em Jornalismo e mostrou sua inteligência, o quinhão que lhe cabia na herança de d. Hertha.
Não tive mais notícias dele. O que se sabe é que ele estava morando em frente a um bar em Lagoa Nova que, por sinal, tem um nome muito sugestivo para uma clínica de proctologia, estava solteiro outra vez, ainda correndo atrás da bola com seus ex-colegas do BB e pensando em ser evangélico.
Gente boa, Manoel. Como dizem que ele parou de beber, espero que ele esteja tomando, no lugar de whisky, pelo menos um pouco de juízo.
*Jornalista
domingo, 18 de novembro de 2012
É solidão, nada mais...
Minervino Wanderley*
São duas horas de uma noite de segunda-feira. Madrugada alta. Deveria estar dormindo como um anjo à espera de uma nova semana, cheio de boas expectativas, bem disposto. Que nada! Estou desperto tal qual um soldado às vésperas de partir para uma batalha ferrenha. Mas, o que me faz ficar com os olhos e o coração acordados, é uma coisa que ainda não sei explicar. Só sinto. E como sinto!
Tristeza? É. Por quê? Não sei. Angústia? Tem. Por quê? Não sei. Saudades? Sim. De quem? Não sei. Aperto no peito? Sim. A causa? Não sei. Vontade de amar? Sim. Quem? Não sei. Arrependimentos? Sim. De que? Muitas coisas. Vontade de voltar ao passado? Sim. A que época? Não sei.
Chamam isso de sintomas de depressão. Não acho que seja. Para mim, tudo faz parte das nossas vidas. Principalmente nas daqueles que se metem a entender esse enigma que ela - a vida - é. Sei que os que agora dormem não sentem essas coisas. Ou são alienados – por opção ou não – ou, ainda, simplesmente são felizes.
Inveja? Sinto. De quem? Desses dois tipos de pessoas. De que custava dividir um pouco disso tudo com comigo? Só um pouquinho, nada mais. Pois é. Na ausência dessa partilha, busco nesse aperto do coração um "olho de lágrimas", igualzinho aos olhos d’água que a gente encontra mato adentro. Talvez uma enxurrada de lágrimas aliviasse. Assim pensei e assim tentei. Mas, a aridez interna, com sua força, esvaziou esse manancial. Tudo seco como secas estão as terras do sertão. Açude vazio. Cisterna que não tem água. Só poeira e terra batida. Tudo em preto e branco. Perfeito para Sebastião Salgado.
Sinceramente, nunca pensei em ficar assim. Sempre sonhei que a vida era colorida e cheia de coisas boas. Nem as pancadas que o mundo deu fizeram-me ficar assim. Por isso, questiono esses sentimentos.
Tenho, com consciência, um bocado de coisas que fariam qualquer cristão feliz. Vejam: sou uma pessoa fisicamente saudável. Fiz algumas cirurgias, é bem verdade, mas por praticar uma das coisas que gosto que é jogar futebol. Não sou bonito, mas namorei mulheres de A a Z. Amei e fui amado. Abandonei e fui abandonado. Gargalhei e me derramei em prantos. Um cara pleno de sentimentos.
Nesse momento, olho para a cama e ela está vazia. Não há um carinho e um corpo quente e desejoso a me esperar. Por falar em esperar, ESPERE AÍ! Nessa busca por razões, acredito, com temor, que descobri a causa dessa insistente dor na alma. Se estou certo, essa sensação provém de uma palavra que faz gelar o mais brabo dos homens e tremer a mais fria das mulheres. Inquestionável e que leva o ser humano a procurar seus semelhantes em busca de ajuda.
Essa tal palavra faz com que se repense os passos dados e, inconscientemente, foge dela como o diabo da cruz, tamanhas são as oportunidades dadas por Êle para que ela fique guardada dentro dos dicionários e procuremos o caminho certo.
Nunca fui bom nisso. A impulsividade sempre foi o veículo que me moveu na vida. Conselhos, conversas, demonstrações de companheirismo não foram suficientes para que eu guardasse a distância entre nós dois.
Mas, agora, sinto que ela teima em ficar comigo. Quer dormir comigo, trabalhar comigo e viver ao meu lado tal qual um esparadrapo que foi posto em cima de nosso pelos para cobrir uma ferida. Tirar dói. Tem que ser de uma vez. Continuo sem inspiração para tirá-lo.
No fundo, é um sentimento que, nós, sempre acostumados a ter alguém ao lado, quando nos sentimos solitários sentimos: É SOLIDÃO. Nada mais...
* Jornalista
Assinar:
Comentários (Atom)










