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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Irresponsabilidade e rombo das contas públicas


Rogério Marinho
Deputado Federal

O governo do PT inovou e tornou transparente a sua incompetência e inapetência para equilibrar as contas do Estado. A confissão acanhada de descontrole veio por meio da peça orçamentária de 2016. Nunca antes na história deste país vimos tanta irresponsabilidade e descuido com as contas públicas. Eles quebraram o Brasil.

Infelizmente, o cidadão pagará caro a lambança da gestão do governo federal. A conclusão é de que o governo causou um rombo sem precedentes e gastará mais do que arrecadará em 2016. Isto sem contar com o péssimo ambiente econômico, onde prevalecem desemprego, recessão, inflação, juros altos, falta de liberdade econômica e escorchantes impostos. O retorno para o crescimento sustentado parece ser completa utopia para este governo à deriva.

Patética, também, foi a investida pela volta da CPMF. O governo lançou o balão de ensaio e foi fortemente repelido pela sociedade e pelo mercado. Não deu outra: a famigerada retomada da CPMF foi arquivada. Até mesmo parlamentares do PT não a aceitaram.

Diante da desistência e da falta de caminhos e mesmo da falta de vontade de cortar na carne, o governo Dilma apresentou uma peça orçamentária com déficit primário de 30,5 bilhões de reais, que pode ser maior ainda e chegar, segundo as previsões, a 50 bilhões de reais, caso não seja aprovado o aumento de impostos constantes na proposta de 2016. Os cortes se concentraram nos investimentos, o que aprofunda a recessão.

O recado dado por meio da peça orçamentária é de que o governo desistiu de fazer ajustes ficais para reequilibrar as contas públicas. O sinal dado à sociedade é negativo e a situação pode caminhar para o caos. Estamos diante de um dos piores cenários econômicos da história nacional. O déficit primário deste ano e do próximo aumentam as chances do Brasil perder o grau de investimento junto às agências internacionais de classificação de risco. Este fato redundaria em mais dificuldades e deterioração dos fundamentos econômicos e da confiança do mercado.

As sinalizações de futuro são péssimas. A incerteza toma conta do ambiente econômico e político do Brasil. Os membros do governo da Dilma sequer podem sair às ruas. Quando o fazem, são repelidos pela população sem esperança e indignada com a clara falta de rumo imposta à Nação. Por um lado, o país não suporta mais aumentos de impostos e péssimos serviços públicos. Por outro, o governo insiste em não cortar de forma real gastos supérfluos e mantém o governo obeso e paquiderme.

A Folha de São Paulo informou que o setor de serviços encolherá pela primeira vez desde os anos 1990. O jornal ouviu diversos economistas sobre a questão. Eles projetam queda de 1,5% do PIB de serviços em 2015. O setor ora referido representa 61% do PIB e 71% do emprego no Brasil. É uma área da economia extremamente sensível. Qualquer turbulência afeta diretamente o povo com desemprego e queda nas atividades.

É evidente que a presidente Dilma perdeu as condições de governabilidade. Como as coisas estão não há perspectivas reais de superação da crise para o brasileiro. O governo acabou antes mesmo de completar um ano. Não há condições objetivas de recuperação. A saída menos dramática é a Presidente da República renunciar ao mandato. Caso ela não tenha a grandeza do gesto, está pavimentado o caminho constitucional do Impeachment, previsto no artigo 85 da Constituição Federal. 

sábado, 7 de março de 2015

Pelo fim do Blecaute Geral


Rogério Marinho
Deputado federal

Vendida para a população, principalmente a mais carente, como a mãe do PAC e a grande gerente da economia, a Presidente da República provou que não está e nunca esteve preparada para governar o Brasil. A nação de 200 milhões de habitantes encontra-se à deriva.

As crises política, ética e econômica são de extrema gravidade. A economia entrou em recessão e a inflação voltou. A corrupção espalhou-se como uma metástase. As contas geradas com o total descontrole serão pagas por meio de um aumento geral dos impostos e não por cortes na gigante máquina governamental. A Presidente não tocará nos cerca de 30 mil cargos comissionados e nos 39 ministérios, preferiu invadir o bolso do trabalhador para pagar a farra e o descontrole de seu primeiro governo.

No setor de energia, o governo do PT cometeu todos os pecados possíveis. Deu no que deu: blecaute e racionamento seletivo. Dilma determinou preços de forma totalitária, tentando superar a lei da oferta e procura; não planejou adequadamente o setor; fez demagogia tarifária; não deu transparência sobre as necessidades do sistema elétrico; não ouviu os inúmeros técnicos responsáveis por diagnósticos que antecipavam a crise; não fez as obras adequadas e no tempo certo, a exemplo das linhas de transmissão para distribuir a energia produzida por Parques eólicos, térmicas e hidrelétricas; e descasou o planejamento e gerou um enorme prejuízo que já está sendo bancado pelos consumidores. Ainda, submeteu o setor à irracionalidade verde ao construir hidrelétricas a fio d'água, que irão gerar no máximo 35% da energia potencial em função dos regimes intermitentes de chuva; e também desmantelou o setor sucroalcooleiro, cerca de 80 usinas de cana-de-açúcar foram fechadas nos últimos anos.

A conclusão é inevitável: o governo Dilma foi um completo fracasso na condução da política do sistema elétrico. O resultado de tanta incompetência já começa a se fazer sentir no bolso do setor produtivo e dos consumidores com aumentos sucessivos no preço da energia, gerando mais inflação e recessão.

Na Petrobras, a má gestão e a corrupção são notórias na administração do PT. A estatal foi escolhida como o palco do maior escândalo de corrupção da história mundial. O dinheiro público sangrou sem dó na montagem de um esquema de sustentação de poder. Novamente o resultado é estarrecedor: o valor da empresa foi diminuído em seis vezes e a dívida da Petrobras atingiu a incrível marca de 300 bilhões. Empresas de auditoria contratadas pela própria Petrobrás estimam, preliminarmente, perdas no valor de 88 bilhões, só com desvios de recursos e superfaturamento.

O petróleo não sai dos noticiários e mostra que a corrupção é o próprio método de agir destes que nos governam. Como aconteceu no Mensalão, o PT expõe sem pudor sua solidariedade e admiração pelos que roubaram do povo para a manutenção do poder do partido. Um poder que foi conquistado pela mentira e pelo engodo. O partido demonstra sem vergonha toda a sua solidariedade e fraternidade de quadrilha. Agora vem a público afirmar que defende a Petrobras, certamente deles mesmos que são os seus maiores predadores. O Brasil de hoje está submetido a um absoluto blecaute moral. A euforia do pré-sal saiu de cena para dar vez à depressão do Petrolão.

Na recente campanha para a presidência, a então candidata Dilma e seu marqueteiro mentiram sem pudor para os eleitores brasileiros. Simplesmente, esconderam a realidade da crise econômica, da crise contábil e da crise energética. Pintaram uma realidade inexistente. Mentiram e repetiram a mentira até a exaustão. A campanha do PT acusou seus adversários de tudo que o partido e sua candidata praticam e praticaram no exercício do poder nacional. Foi o suficiente para ganhar, por pouco, as eleições.

Entretanto, a realidade foi implacável em desmentir a fantasia construída de forma sórdida. A indignação do povo a toda essa tramoia armada contra o país já se mostra nos índices de rejeição à gestão da Presidente. A tendência é aumentar o desgosto nacional. A população exigirá providências nas ruas e clamará por Brasil sem impunidade, com desenvolvimento saudável, próspero e livre do caminho totalitário que o PT impôs à nação. Nas ruas, clamará pelo fim da corrupção, pela democracia e pela esperança por dias melhores.

sábado, 30 de agosto de 2014

O ontem do meu tempo no Grande Ponto


Odilon de Amorim Garcia

     Desde o tempo em que eu comecei a tomar conhecimento das coisas da vida que o ponto nevrálgico de Natal foi o Grande Ponto.
     O Grande Ponto era uma encruzilhada situada entre a Avenida Rio Branco e a Rua Pedro Soares que, depois da Revolução de 30, mudou o nome para Rua João Pessoa. Em cada esquina desta encruzilhada, existia uma edificação marcante. De um lado, ficava o “Café Avenida”, de Seu Andrade, local de encontros, de pequenos lanches, e onde se tomava um bom caldo de cana, e a casa residencial da viúva Dona Sinhá Freire. Do outro, o mais antigo e tradicional clube social da cidade, “O Natal Clube”, e a casa residencial do Dr. Alberto Roselli. Em frente ao “Café Avenida” e a casa “das Freire”, se reuniam os mais heterogêneos grupos de “habituês” para uma tradicional conversa de fim de tarde. Eram comerciantes, profissionais liberais, desembargadores, professores, etc...
     Por esta encruzilhada, passavam todas as linhas de bonde da cidade, único transporte coletivo existente na época. A linha do Alecrim, que subia a ladeira da Avenida Rio Branco em direção à Ribeira, retornando pela Praça João Maria e voltando ao Alecrim. Havia também a linha Circular, que descia a Rio Branco no sentido da Ribeira, voltando pela Praça João Maria, e retornando à Ribeira. Na esquina, defronte ao “Café Avenida”, depois “Café Grande Ponto”, era o ponto inicial das linhas dos bondes para os bairros de Petrópolis e Tirol, que se localizava, exatamente, junto à calçada de um prédio que na parte térrea tinha uma confeitaria de propriedade de um Sr. Guerra, e na parte superior, o consultório do Dr. Onofre Lopes. Estas duas linhas seguiam pela rua João Pessoa até a esquina da praça Pedro Velho, quando, então, se bifurcavam, tomando cada uma a direção do seu respectivo bairro. Os bondes de Petrópolis se caracterizavam por uma luz verde, de cada lado do nome do bairro, e os do Tirol, por uma luz vermelha. Era somente para esses quatro bairros que existia condução.
     Hoje, procurando recordar alguns momentos memoráveis daquele local tão vivenciado por muitos companheiros da juventude, fazemos uma viagem no tempo, um evocar melancólico dos dias idos. Nunca se deve mexer em coisa antiga, mas, às vezes, é bom trazer de volta um passado que alegrou a nossa mocidade.
     No Grande Ponto, vivenciei muitos fatos e momentos interessantes da minha vida, nesta nossa belíssima cidade de Natal.
     Quando da Revolução de 30, houve um movimento da mocidade estudiosa, que pensava em transformar o mundo, liderado pelos alunos do Atheneu, que arregimentou alunos dos vários Colégios da cidade para uma passeata pelas ruas, como um protesto pelo assassinato do presidente João Pessoa (os governadores de Estado eram chamados de presidente), um dos líderes revolucionários. Nesta época, eu tinha uns 10 anos e estudava no Colégio Santo Antônio, dos Irmãos Maristas, que funcionava ainda na Rua Santo Antônio, junto à igreja, que também era incluída como estrutura do colégio. Todos nós, do colégio, fomos arrastados com o restante dos estudantes dos vários estabelecimentos, Atheneu, Marista, Colégio Pedro II (do memorável professor Severino Bezerra) e de alguns grupos escolares, pelas principais ruas da cidade, num sonho utópico de contestação de liberdade e de conquista do poder, terminando em pleno Grande Ponto, cantando, ajoelhados, o hino que tinham composto em homenagem a João Pessoa:

João Pessoa, João Pessoa,
Bravo filho do sertão
O teu vulto varonil
Faz vibrar o coração do Brasil
Tua glória espera um dia
A tua ressurreição.

     Os anos se passaram, e, um dia, volto eu de Recife, formado em Odontologia, e depois de uns anos com consultório na Ribeira, verifiquei que o progresso da cidade estava se desenvolvendo na Cidade Alta. Imediatamente, abandonei o Edifício Aureliano e me mudei para a Cidade. Montei, então, meu consultório na Rua João Pessoa, no “Edifício Rian”, que foi construído pelo comerciante Amaro Mesquita, junto ao antigo “Café Avenida”, agora já com o nome de Grande Ponto. O nome “Rian”, dado ao edifício, significava o contrário a Nair, esposa de Amaro Mesquita.
     Eram meus companheiros, com consultório no Edifício, as grandes e saudosas figuras humanas do meu colega e amigo Sílvio Tavares, uma ausência marcante, e o médico Dr. João Tinoco Filho.
Na parte térrea do Edifício, funcionava a “Confeitaria Cisne”, de Múcio e Rossine Miranda, cujo garçom era o antológico José Américo, que chegou a ser candidato à Câmara Municipal.
     A “Confeitaria Cisne” era o local preferido pelos amantes de um bom e necessário drinque, para acalmar os espíritos. Ali, se reunia a nata da boemia natalense e de todos aqueles que, homens de espírito, sentiam a alegria de uma conversa, mesmo sem a necessidade de uma cerveja ou uma dose de uísque. Existia tempo para todas as conversas do mundo dos nossos horizontes, naquela época, inatingíveis. Era um tempo sem angústia, sem medo e, principalmente, sem pressa.
     O comércio da cidade fechava geralmente às 17 horas e, logo depois, começavam a se formar as diversas rodas para o bate-papo até o horário do jantar, e restabelecido por volta das 19:30 até às 21:00 horas. Nesta hora, se dizia na época, “se soltavam as feras”. Era a hora que todos tinham que deixar as suas namoradas, retornando ao Grande Ponto.
     Passei a conviver, diariamente, com a intensa movimentação do Grande Ponto. Só trabalhava até às 17 horas, pois neste horário começavam a chegar os freqüentadores assíduos, amigos e conhecidos, para as conversas e as novidades do dia. Havia tempo para tudo. Principalmente o encantamento por uma cidade e os delírios de uma mocidade cheia de sonhos, que se tornava grande aos nossos olhos. Estavam sempre presentes as figuras mais expressivas de uma geração: Armando Fagundes, Rossine Azevedo, Rômulo da Fonseca Miranda (Rômulo Minha Gata), Genar Wanderley, Alvamar Furtado de Mendonça, Humberto Nesi, Protásio Mello, Luiz Tavares, Carlos Bengne, João Cláudio Machado, Zé Herôncio, Djalma Maranhão, João Alfredo Pegado Cortez (o conde de Miramontes), Luiz Maia, Alínio Azevedo, Marito Lira, Dácio Azevedo, Ernani Lyra, Veríssimo de Mello, Ebenezer Fernandes, Paulo Pires, Paulo Lira, Alberto Moura, Osman Capistrano, Lauro Bacelar, e alguns de uma nova geração, como José Alexandre, meu irmão, Jahir Navarro e outros.
     Outro grupo, composto por figuras mais ilustres e com mais idade, discutiam problemas mais complexos. Gonzaga Galvão, Edgar Barbosa, Antônio Soares Filho, Otto de Brito Guerra, Alfredo Lira, e outros que a memória começa a falhar...
     Um grupo de notívagos, comandado por João Cláudio Machado e Djalma Maranhão, varava a madrugada em intermináveis conversas, grupo que era conhecido como os freqüentadores da ”Universidade do Grande Ponto”.
     Infelizmente, a grande maioria destes personagens já empreendeu a grande viagem, mas continuam presentes nas estórias que costumam resgatar a nossa memória.
     Existiam grupos para conversas de todos os assuntos: futebol, política, religião, até de safadeza.
    Também um pequeno grupo, formado pelos “artistas”, rapazes de uma geração bem mais nova, que se preocupavam em se vestir na última moda e sempre com o cabelo muito bem penteado. Eles chegavam ao cúmulo de ensaboar os cabelos e ir para a Praia do Meio, para que o sol endurecesse o seu ondulado.
     Deste grupo, recordo-me de Mozart Romano, Milson Dantas, José Garcia da Câmara, Wellington Muniz, Wilton Pinheiro, Milton Fernandes, Mozart Silva. Existia um outro elemento, que era filho de Seu Andrade, dono do “Café Avenida”, mais que não me lembro do seu nome. Ele era chegado a uma briga e uns amores perigosos.
     O Grande Ponto era divertido. Apareciam figuras de todos os tipos. Havia esmoler impertinente, como Maria Mula Manca, personagem que, andando de muletas, percorria, incessantemente, todo aquele quarteirão, atazanando e insultando todo mundo. Na época da política, então, se revelavam figuras excepcionais, como Capote Molhado, candidato eterno e avulso em todas as eleições, que fazia discursos homéricos, em cima de uma cadeira, sempre na calçada da Sorveteria e Restaurante Cruzeiro, e era efusivamente aplaudido pelo público gozador.
     Os carnavais, que se realizavam até então na Ribeira, na Av. Tavares de Lyra, na época de 40, passou para a Cidade Alta, realizando o seu corso num grande circuito, indo pela Av. Rio Branco, Ulisses Caldas, Av. Deodoro e rua João Pessoa.
     Este fato tornava o Grande Ponto um dos locais mais animados da cidade, pela convergência dos vários bares existentes: “Confeitaria Cisne”, “Casa Vesúvio” (de Maiorana), “Sorveteria e Restaurante Cruzeiro”, “O Natal Clube”, o Restaurante de Seu Gaspar, a Sede do Santa Cruz Football Club, que ficava em cima da Farmácia de Cícero, esquina com a Rua Princesa Isabel, e algumas pequenas barracas que eram armadas improvisadamente.
     Eu, da sacada do meu consultório, juntamente com a minha família e alguns amigos, assistíamos, de camarote, toda essa movimentação. Sílvio Tavares, com seu constante espírito brincalhão, lançava mão das bisnagas que se usava antigamente nos consultórios odontológicos, enchia-as de água e, lá de cima, molhava os foliões que passavam nos carros fazendo o corso. Os foliões, sentados nas capotas arriadas dos carros abertos, aturdidos, não sabiam de onde vinha aquele jato d’água.
     Os corsos dos carnavais de antigamente eram animados, principalmente, porque os carros favoreciam que os foliões se sentassem em suas capotas, dando ensejo que se atirasse serpentina e confete de um carro para outro, unindo os carros, numa verdadeira brincadeira carnavalesca. As luxuosas e variadas fantasias usadas pelos foliões embelezavam de uma maneira destacada o carnaval. Eram os Pierrôs, as Colombinas, os Palhaços, Chinesas, Japonesas, Índias, Marinheiros, Bailarinas, Ciganas, e uma infinidade de outras fantasias, algumas até com aspectos exóticos.
     Curioso no carnaval eram as pessoas que apareciam, inesperadamente, se lançando em plena folia, a exemplo do comerciante Júlio Cézar de Andrade, um homem sóbrio, austero, ponderado, mas, às vezes, de respostas implacáveis quando se sentia insultado. Pois não é que Júlio, pai do meu amigo Dalton, num carnaval, montou o bloco da ”Manteiga Garça” (produto que ele representava), e saiu no corso, fantasiado, tentando apresentar ares carnavalescos, em cima de um caminhão, cuja ornamentação era uma enorme lata da tal manteiga, e ainda com a animação de uma orquestra de cordas, dirigida por Augusto Dourado no pandeiro?
     Existiam, também, figuras que, isoladamente, pela sua irreverência, extrapolavam alegria. Era o sempre extrovertido e brincalhão Zé Herôncio, que vestido de mulher, tendo na mão um pinico cheio de salsicha, ostensivamente, com caretas como de nojo, fazia que comia o verdadeiro conteúdo que geralmente existe num pinico. E Yoyô Barros, um senhor já com certa idade, que, tocando um reco-reco, era acompanhado, espontaneamente, por um grande grupo de pessoas, cantando, insistentemente, uma canção onomatopéica: “Olha o cão, olha o cão, olha o cão do Jaraguá”.
     A animação do carnaval daquele tempo deu ensejo a que as gerações seguintes seguissem a tradição dos blocos daquela época, como o “Aí Vem a Marinha” e criassem alguns outros blocos com a mesma tendência carnavalesca. Os “Kafajestes”, “Jardim da Infância”, “Puxa-saco”, “Bakulejo”, “Saca-Rolha”, “Elite”, “Ressaca” foram os blocos representativos de uma rapaziada da classe mais abastada, que faziam o corso em carros alegóricos, e costumavam, tradicionalmente, “assaltar” as casas residenciais antecipando o período momesco. Este costume dos anos 50 e 60 de assaltar uma casa, significava uma visita do bloco a uma residência, de comum acordo com o seu dono, e eram regados de muita bebida e tira-gostos, confetes e serpentinas.
     E, logo depois, o tradicional local do corso mudou-se para a avenida Deodoro.
    O Grande Ponto sempre foi palco de grandes acontecimentos. Durante a II Grande Guerra, começou a funcionar o “Serviço de Alto Falante”, de Luiz Romão, cujas caixas de som eram fixadas em um poste, exatamente na esquina da João Pessoa com a avenida Rio Branco, defronte ao “Café Grande Ponto”. Todos os dias, às 19 horas, o Serviço transmitia músicas, e, às 21 horas, re-transmitia o noticiário da BBC de Londres. Os freqüentadores do Grande Ponto se deslocavam para aquela esquina para ouvir as últimas notícias sobre a guerra.
     Outro acontecimento da época foi o “blackout”. Durante a guerra, por um grande período, as luzes das ruas eram apagadas, ficando a cidade quase totalmente às escuras. Somente as residências tinham o direito de manter alguma luz acesa, mas com todas as vidraças cobertas com papel escuro para não passar luz.
     Assim mesmo, as reuniões do Grande Ponto continuavam concorridas. Ficávamos todos conversando na penumbra, olhando, embevecidos e apreensivos, os holofotes que cruzavam o céu na busca dos aviões da esquadrilha alemã, que diziam vir bombardear Natal, por ser o ponto mais próximo de Dakar, no continente africano, onde os alemães já estavam quase dominando.
     O vestuário usado tradicionalmente por toda a população da cidade era paletó e gravata, e alguns usavam chapéu, como eu, que procurava esconder a minha precoce careca. Podia ser sábado, domingo ou dia da semana, era esta a maneira de vestir. Mesmo durante o “blackout”.
      Humberto Nesi não foi sempre aquela figura sisuda, circunspeta, introspectiva, como quando foi durante quase toda sua vida como Inspetor Seccional da Receita Federal. Humberto era um gozador, gostava de fazer umas estripulias, um verdadeiro “moleque”, na expressão brincalhona da palavra. Morava numa casa, ainda com seus pais, no segundo quarteirão da João Pessoa, bem perto de onde nos reuníamos. Numa noite de “blackout”, quando estávamos todos reunidos, conversando, esperando o noticiário da BBC, inesperadamente, chega Humberto, vestido somente de pijama e com chinelos. Foi um verdadeiro escândalo.
     Havia casas de comércio que marcaram época, como “O Café Maia”, de Chico Azevedo, que era dirigido pelo seu filho Rossine Azevedo, nosso grande amigo. O “Café Maia”, que se especializava em moer café, era um ponto permanente de encontros do nosso grupo de amigos. Tinha a Fotografia de Namorado, fotógrafo da elite da cidade. A “Confeitaria Vesúvio” também era destaque, não só por duas mesas que existiam por trás de um grande armário cheio de bebidas, e era assiduamente freqüentada por alguns fregueses, como Joaquim Luz, Otto Júlio Marinho, Paulo Pires e outros, e sempre servidos pelo próprio proprietário, Francisco Maiorana, mas também pela presença do seu filho, Rômulo Maiorama, um rapaz metido a “dândi”, muito apreciado pelas mocinhas casadoiras. Anos depois, Rômulo foi para Belém do Pará, tornando-se um homem rico, até dono de jornal. Infelizmente, desapareceu muito cedo.
     Ainda hoje permanece, no chamado pé de escada do consultório do Dr. Onofre, um senhor desta época, com mais de 80 anos, que tem o ofício de gravador. O senhor, religiosamente, pode ser encontrado neste local, todos os dias, das 8 às 18 horas, gravando medalhas, placas de metal, relógios, etc.
Assim era o Grande Ponto.
     Velhos tempos. Quanta coisa a ser lembrada e relembrada num mergulho que, quase sem querer, damos no passado das nossas memórias. Quanta saudade desses dias, que, infelizmente, é inteiramente impossível, no tempo e no espaço, voltar atrás.

Grande Ponto

Luís da Câmara Cascudo

   O Grande Ponto tem uma história bem diversa da que suponhamos existir. É, incontestavelmente, a situação geográfica mais popular da cidade. Localiza, fixa, delimita. Todo natalense conhece o Grande Ponto. Nada recorda o nome. Entretanto, é inegável para toda população - "Você se encontra comigo no Grande Ponto", "Vamos chegar no Grande Ponto". Contudo, o que era denominado de Grande Ponto desapareceu há mais de meio século. Era uma casa comercial, de duas portas para a Rio Branco e três para a Pedro Soares, que, depois de 30, tomou o nome de João Pessoa. Essa mercearia era de propriedade do português Custódio de Almeida, mercearia afreguesada, com algumas mesas para se tomar cerveja; no salão ao lado, dois bilhares utilizados pelos devotos dos divertimentos. Não era o lugar freqüentado por meu grupo, que, nessa época, década de 20/30, preferia o Bar Majestique, antes chamado de Potiguarânia, o grande bar da minha geração, situado na rua Ulisses Caldas, e freqüentado por jornalistas, professores, literatos. Também freqüentamos o Bar Delícia, na Praça Augusto Severo. Estes eram os dois pontos mais freqüentados em Natal, na época. A minha geração toda passou por lá: Othoniel Meneses, Jorge Fernandes, etc.; era o bar - o Majestique - da bebida, da classe média, da intelectualidade. O Grande Ponto, ao contrário, era um lugar de passagem, uma fixação puramente topográfica. Era, na geografia da cidade, ponto fixo. Grande Ponto foi denominação daquela esquina e aquela esquina se tornou imóvel e catalisadora nas memórias. Havia, porém, uma outra esquina - para quem estuda trânsito, a posição das esquinas tem uma grande função delimitadora de bairro e fixadora de local - a qual Djalma Maranhão denominou-a de "esquina do mundo", a esquina da Tavares de Lira com a rua Dr. Barata. Ele a chamou de "esquina do mundo", pois era a Ribeira o bairro socialmente mais conhecido, e a esquina o ponto, além de um dos mais conhecidos também, o de mais fácil indicação. Dizia-se: "Você se encontra comigo na esquina do mundo." Era a esquina  da Tavares de Lyra.
   Quanto ao Grande Ponto, eu, muito acidentalmente, passava por lá; e quando isto ocorria, bebia-se cerveja assistindo ao jogo de bilhar - aí por volta de 23, 24, 25. O português Custódio de Almeida, dono da mercearia e casado com uma filha do Capitão, mais tarde Coronel Toscano de Brito, era exatamente relacionado, simpático, grande conservador, conversava muito, sempre vestido de branco, baixo, grosso; depois de 30, mudou-se para o Recife, onde abriu uma mercearia diante do mercado São José.
   Mas o nome Grande Ponto permanecia na fachada de seu edifício, que dava para a Rio Branco. E era também um grande ponto. Por ali cruzavam-se os bondes elétricos. Pela rua Pedro Soares, então João Pessoa, vinham os bondes de Tirol e Petrópolis. Pela Rio Branco, chegavam os da Ribeira e Alecrim. Cruzavam-se todos no Grande Ponto. Era o ponto de encontro. Depois de 30, ficou famoso pelos políticos, partidários, eleitorado, que se reuniam no Grande Ponto. Era o chamariz. Os comunistas tentaram pôr o nome de Praça Vermelha, em 35. Djalma Maranhão chegou a chamar-lhe Praça da Imprensa. Mas o povo defendeu sua preferência, que era Grande Ponto. E o Grande Ponto marcava a situação topográfica da cidade. Todo mundo sabia as tabelas de táxis e o pagamento de bonde da Ribeira ao Grande Ponto, do Alecrim ao Grande Ponto, de Petrópolis ao Grande Ponto, do Tirol ao Grande Ponto. Não tinha outra localização. Não se falava na casa de Ângelo Roselli, onde está, hoje, o Hotel Ducal, que era um palacete, habitado por um parente dele, deputado e um dos primeiros advogados da cidade.
   Também existia, nessa época, o Natal Clube, maior centro social da cidade, situado na outra esquina. À tarde e à noite, jogo de pôquer, copas. Porém o nome que de fato subsistia era o da mercearia de Custódio de Almeida, o Grande Ponto, que ficou.
   Grande Ponto. Há 50 anos não se escutava a sua história. Mas o próprio Aldo Pereira aludia à situação topográfica dizendo, "Grande Ponto", e não existe, em Natal, topônimo mais conhecido que ele, mesmo nas gerações posteriores, e que não alcançaram aquele edifício de Custódio de Almeida - cujo caixeiro, Amaro Mesquita, trouxe outro episódio emocional: caixeirinho moreno, pobre, humilde, varrendo a calçada, parava o movimento da vassoura e dizia: "Nesse lugar vai ser o meu sobrado" ou "eu farei aqui o meu sobrado". E fez. Construiu um edifício de vários andares, botando abaixo a mercearia da esquina na época, o maior sobrado de Natal, e que ainda hoje está aí. O caixeirinho Amaro Mesquita chegou a ser um grande comerciante de Natal. Mesmo o sobrado, ninguém dizia: "Você se encontra comigo em Amaro Mesquita".    Os cafés, os bares já existiam na rua João Pessoa. Também ninguém se referia a eles. Só se falava: "Você se encontra comigo no Grande Ponto". E o Grande Ponto não existia mais. Contudo, era uma presença e continuação. Este é o meu depoimento.

Natal, 11 de junho de 1981
Luís da Câmara Cascudo

In Grande Ponto - Antologia do Laboratório de Criatividade/UFRN - 1981

sábado, 16 de agosto de 2014

Vladimir Putin desafia a elite banqueira

Por Ariadna Theokopoulos

Os banqueiros internacionais querem a cabeça de Putin, e eles têm $20,000,000,000 motivos dolorosos para tal. Uma recente revelação por parte duma fonte Francesa detalha o incrível golpe duplo que fez com que Rússia ganhasse $20 bilõ​es no espaço de alguns dias, e recuperasse a maioria das acções nas maiores companhias de energia Russas que eram propriedade de investidores Americanos e Europeus ocidentais.

O facto de ​ os donos da maior parte das acções da indústria energética Russa serem Europeus e Americanos significava que quase metade de todas as receitas da indústria do gás e do petróleo iam para os bolsos dos "tubarões" financeiros Ocidentais, e não para os cofres da Federação Russa, afirmou o comentador Francês.

No princípio da crise na Crimeia, o rublo começou a cair mas o Banco Central da Rússia nada fez para conter essa queda. Começaram a surgir rumores de que a Rússia simplesmente não tinha as reservas necessárias para suster o rublo.

Estes rumores e as declarações de Putin feitas com o propósito de apoiar a população Russa da Ucrânia levaram a uma queda nos preços das acções das companhias energéticas Russas; isto fez com que os "tubarões" se apressassem a vender as suas acções antes que perdessem todo o seu valor.

Putin esperou uma semana inteira, aparentemente não fazendo outra coisa senão sorrir durante as conferências de imprensa (o que foi interpretado como alguém a tentar manter uma postura valente), mas quando as acções atingiram o ponto mais baixo, Putin deu instruções para que elas fossem rapidamente compradas dos donos Europeus e Americanos.

Quando os "tubarões" se aperceberam que eles haviam sido enganados, era tarde demais: todas as acções já se encontravam em mãos Russas.

Não só Rússia ganhou $20 biliões em alguns poucos dias, como trouxe também para casa as quotas de mercado das suas indústrias. Agora, as receitas do petróleo e do gás ficarão na Rússia e não no estrangeiro, e o rublo foi restaurado sem que fosse necessário tocar nas reservas de ouro (para além do facto dos planos dos "tubarões" terem sido frustrados).

Putin está muito longe de ser um democrata, mais longe ainda de ser um Cristão, para não falar no seu neo-conservadorismo altamente suspeito. Mas ​ ,​ no entanto, uma coisa ele parece ter que o distingue da maioria dos líderes Europeus: quer o bem para a sua nação, não quer que a Rússia seja mais uma vítima do império Rothschild (FMI, etc), tal como aconteceu com a Rússia durante a presidência de Ieltsin.

É precisamente por isso - ou também por isso - que a Rússia tem recebido um ódio especial por parte dos ​ ​ média Ocidentais (controlados pelas mesmas pessoas cujas acções foram compradas pelos Russos), que tentam com todas as suas forças usar a cultura (P---y Riot, activismo homoerótico, etc) para fazer na Rússia o que já foi feito na maior parte dos países da Europa Ocidental - isto é, destruir a sua espinha dorsal conservadora.

Resistir aos banqueiros internacionais é uma declaração de guerra (algo já demonstrado pela História) mas resta saber se o exército armado dos banqueiros internacionais (o ​ E​ xército americano) estará disposto a dar inicio a uma confronto bélico com a Rússia como forma de esmagar a petulância do seu líder de não deixar que financiadores estrangeiros lucrem com o sangue e suor dos Russos.

sábado, 26 de julho de 2014

A irreverente Gardênia Lúcia

Edgar Allan Pôla 

Gardênia é personagem das mais conhecidas no Beco. Quem a chama de Edmilson, tem resposta imediata:

- Gardênia Lúcia.

Falando, é apressado, cospe, e pouco se entende do que diz. Barriga proeminente, sua gesticulação parece toda estudada, mãos quase sempre em L.

Ano passado, para tornar mais alegre a parada gay, as meninas da turma do Beco resolveram investir em Gardênia.

Arranjaram vestido, compraram sapatos de salto e bolsa combinando, e levaram-na para o Café Salão Nalva Melo, na Ribeira, para a devida produção. Unhas pintadas, peruca bem escolhida, nem a própria Gardênia acreditava no milagre obrado.

Na porta do salão, num Jeep amarelo e sem capota, o motorista de Hugo Manso já esperava pela grande atração da tarde.

Não precisa dizer que Gardênia arrancou aplausos da multidão; foi fotografada por Diário, Tribuna; concedeu entrevistas a emissoras de televisão; distribuiu simpatia.

O séquito da grande atração era inumerável: Help, Wadia Massud, Assunção, Ceiça, todas as mulheres do Beco.

Fim de festa, todos para o bar de Pedrinho com festa prolongando-se noite adentro, com todos resenhando os acontecimentos, quando resolvem fazer à diva do dia a pergunta fatal:

- E aí, Gagá? Gostou da festa?

Gardênia retorceu-se de um lado para o outro, gaguejou, pediu cigarro, demonstrando grande inquietação.

- Mas, e aí, Gardênia? Gostou ou não da festa?

- Gostar, gostei. Só não gostei mesmo foi de ter de usar toda essa roupa que me arranjaram.

- Mas, Gardênia, que é isso? Você foi a mais bonita da festa; a mais festejada...

- Quer saber mesmo, quer? Eu não sou nem gosto de ser travesti. Eu sou e gosto é de ser viado mesmo.

sábado, 19 de julho de 2014

O sileque

José Alexandre Garcia
Jornalista e escritor

Enéas Reis há de entrar um dia na história dos costumes da cidade por ter abolido paletó e gravata como trajes obrigatórios para se frequentar casa de diversão no burgo, permitindo-se o sileque, até então desconhecido ou inaceitável.

E a adoção se fez de modo imprevisto, em plena Grande Guerra, idos de 42/43. Quando Natal era Trampolim da Vitória e pela Base de Parnamirim aterrissavam, abasteciam-se e decolavam rumo à África centenas de aeronaves, transportando tropas, levando munições e víveres para abastecer os exércitos aliados.

Os my friends, então, pululavam na cidade. Encontradiços nos bares da Dr. Barata. No U.S.O., nas pensões alegres, nos bailes do Aero Clube.

Pois, numa tarde, quando faltavam poucos minutos para o início da vesperal, um transporte militar estaciona na calçada do "Rex" e dele desembarcam uns sessenta a setenta gringos, todos esportivamente trajados com o tal de sileque, para assistir Jeanette Macdonald e Nelson Eddy na opereta "Oh, Marieta!", passando pela 13ª vez em Natal, sempre garantindo casas cheias.

E a confusão se formou. Entra, não entra. É proibido, é um atentado à moral pública, pouca vergonha permitir-se galegos semi-nus assistirem cinema ao lado de nossas esposas e filhas - verberavam os puritanos.

Chamaram Enéas, gerente do cinema, para dirimir a questão. Enéas ouviu um lado e outro. E enxergou o futuro. Entendeu, antes que ninguém, que a guerra traria profundas modificações na vida e nos costumes.

E dono e senhor da situação, decretou o fim do traje formal.

- A partir de hoje, está abolida a obrigatoriedade do uso de paletó e gravata para se assistir cinema em Natal.

Foi a vitória do sileque, corruptela de slack, a camisa de manga curta, fechada a frente por botões e bolso ou bolsos nos peitorais, que ficou como indumentária do dia-a-dia masculino mais leve até hoje em Natal.

sábado, 12 de julho de 2014

Fotografia na Copa

Alex Gurgel*

Essa é a Copa das imagens. De acordo com estatísticas da própria Fifa, circulou mais de três milhões de fotografias somente nas redes sociais, na primeira fase do mundial. O famigerado “selfie” – autorretrato no bom Português – se tornou febre em todos os níveis, de chefe de estado, torcedores, jornalistas e jogadores também, que usam seus smartphoes para projetar as imagens.

Fotógrafos do mundo inteiro apontaram suas câmeras para tudo que aconteceu dentro das Arenas esportivas, onde jogadores fizeram poses na hora do gol e os torcedores vêm fantasiados das figuras folclóricas dos seus países para chamar a atenção das lentes dos fotógrafos. Há também a estonteante beleza das “musas da arquibancada”, lindas mulheres das mais diversas etnias.

As grandes lentes brancas são da Canon, que parecem se espalhar em torno do campo. As lentes pretas são das outras marcas como Nikon e Sigma. Todas são teleobjetivas muito claras, com abertura média de 2.8 e com distância focal de 300 mm em diante. É necessário um monopé para apoiar a câmera e a lente, que pesam mais de 5 kilos as duas juntas. Quando o fotógrafo quer fazer uma foto na vertical, o corpo se movimenta e a lenta fica parada no monopé.

Para os fotógrafos credenciados ficar no melhor lugar do campo, eles têm que chegar mais cedo no Centro de Imprensa e “pegar uma ficha” para os melhores lugares. Os últimos ficam com os lugares mais inóspitos para fotografar, dentro do campo ou próximo a Tribuna de Imprensa, nas arquibancadas. No campo, o fotógrafo já foi pré-determinado para as laterais do gramado ou atrás das traves, espremidos entre os demais.

Copa em Natal


Na Capital Potiguar, a “musa” dos fotógrafos foi a Arena das Dunas, iluminada em dias de jogos, ao sabor do pôr-do-sol. Poucos fotógrafos locais conseguiram a credencial da Fifa para fazer a cobertura foto-jornalística da Copa do Mundo em Natal. Um dos principais fotojornalista potiguar, Canindé Soares, ficou de fora durante o mundial. Mesmo sendo o fotógrafo que acompanhou toda a trajetória do estádio, desde a demolição do antigo Machadão até a inauguração da nova Arena das Dunas.

As pessoas que foram assistir aos jogos na Arena das Dunas também fizeram selfies adoidado e colocaram as imagens nas redes sociais. A Fifa Fan Fest, realizada na Praia do Forte, também atraiu muitos fotógrafos que foram registrar a festa entre os estrangeiros e os natalense, numa confraternização única que somente uma Copa do Mundo poderia proporcionar. O pior dia para os fotógrafos foi durante o jogo México e Camarões, que caiu uma chuva torrencial em Natal, molhando equipamentos e prejudicando a narrativa visual da partida.

As Câmeras e a foto do jogo

Os fotógrafos sempre carregam duas câmeras: uma equipada com uma objetiva grande-angular, para usar quando a jogada acontece próximo à ele; e a outra câmera com uma teleobjetiva, que ele vai buscar as cenas em qualquer lugar do campo. Quando acontece um lnace próximo ao fotógrafo, não dá tempo de trocar as lentes. O fotógrafo assiste aos jogos pelo visor de sua câmera para não perder um só lance.

Cada fotógrafo fez, em média, 1.200 imagens por jogo. Como a quantidade aproximada de fotógrafos por jogo era 150, cada partida chegou a ter 180 mil registros, só na primeira fase. Alguns fotógrafos instalam câmeras atrás da trave, com objetivas grande-angulares de 10 mm e claras, sendo disparada por controle remoto ou por cabos.

No final do jogo, fotos que conta toda a história da partida não é, necessariamente, a foto do gol que vai para a primeira página do jornal. Pode ser uma imagem comemorando um gol ou a dor de um jogador atacante, depois de um choque com um zagueiro feroz que defende sua pátria. Ou mesmo o choro dos torcedores que voltaram para casa mais cedo, sem o sonho de conquistar o mundo do futebol e sair bem na foto.

* Alex Gurgel é fotógrafo, professor de fotografia, mestrando em Antropologia Visual e presidente da Associação Potiguar de Fotografia.

sábado, 14 de junho de 2014

Sobre as Crônicas do Beco da Lama








Por Lucina Guerra

Oi Léo. Numa expectativa danada pelo seu novo livro, li seu presente CRÔNICAS DO BECO DA LAMA. Mais rápido que rapidamente, li, de orelha a orelha. Da orelha de Eugênio meio-quilo à de Alexandro Gurgel.

A de Eugênio meio-quilo, que não escuta, mas fala mal e somente a verdade, porque como ele, todos nós sabemos que você, Léo, é previsível. Quem não quiser ser malhado que não lhe conte nada. Nada que possa comprometer ou constranger.  Se contar, você frita. Nas crônicas ou nos desenhos. Mas uma fritura saudável e carregada de humor com exclusividade.

A Dedicatória ao seu amor maduro, Mércia Carvalho, porque ela existe pra lhe fazer feliz. Seu amor maduro em crônica, com texto poético e contagiante, faz-nos acreditar que realmente é possível para outros mortais.

A Apresentação de Plínio Sanderson que expõe a alma da lama do Beco, em plena nobreza do Principado de Tirol.

O Prefácio de Dunga, é o Beco! Seu cenário e seus personagens são vividos até mesmo por aqueles que não frequentaram ou frequentam. Eu mesma sinto-me à vontade porque você sabe bem como nos colocar no meio da Alma do Beco da Lama. Da boemia.

Agora me diga: como é que você ia dormir sem essa informação?

O banheiro quente do Bar de Nazaré, que produz informações que não se pode dormir sem ouvir.

Porque tudo faz sentido no Beco, até os abraços depois das arengas.

O MPBeco que deixou Dunga em 3º lugar!

O Clube maldito! Ou Troca de líquido?

Uma carona no automóvel de Dunga! Serve até para qualquer direção, porque dando risada do jeito que eu fiquei, vale muito mais do que uma carona no Che-vro-let novinho, branquinho, nem de longe uma Ferrugem.

O pé frio do Carnaval que não foi frustrado totalmente porque as aventuras sobraram.

O exílio contemplativo de Carlos Barba e a revolta das mulheres.

A foice voadora não identificada. Um disco voador ou uma pizza de abacate em city tour?        

A festa de aniversário de Dunga com direito à velas incendiárias!

As falsas flatulências. (Sinto que essas já alcançaram a Barra Pequena Barreta).

O ateu amigo e desesperado em promessa que só deu lucro a você.

As lágrimas nos olhos do pescador apaixonado nos dizem que no Beco não tem só alegria. Mas o humor prevalece em suas “estórias” e histórias, até mesmo na despedida de Chulepa.

São muitas estórias e histórias, Leo. As economias de Alex Gurgel. O poema de João Gualberto. Ao causos Kunestros. As galinhas da Fazenda Beatles Rock e seus, delas, ovos de ferro. O charme insubstituível de Hugo Macedo. Os desenhos “fesceninos” no banheiro quente. A chamada atendida traiçoeira. Julinho no país de Mossoró, ainda sem balas e com chuva, com o amor pegando fogo da cabeça aos pés.

E agora, meu Deus? Qual é a minha? A minha é correr atrás do outro. Calma Léo. Do outro livro! Porque morri de rir com esse! E o outro certamente é o Céu por derradeiro e o sucesso garantido! . Bjs vizinho.

terça-feira, 10 de junho de 2014

A redução do Parque das Dunas é inconstitucional


Rafael César Coelho dos Santos
Advogado (OAB/RN 6286) e Professor Mestre em Direito Constitucional. 

O projeto de lei em tramitação na Assembleia Legislativa, que objetiva reduzir a área do Parque Estadual das Dunas do Natal Jornalista Luiz Maria Alves, é inconstitucional. Ele viola o art. 151 da Constituição do Estado do Rio Grande do Norte, que diz o seguinte: “Art. 151. O Pico do Cabugi, a Mata da Estrela e o Parque das Dunas são patrimônio comum de todos os riograndenses do norte, merecendo, na forma da lei, especial tutela do Estado, dentro de condições que assegurem a preservação e o manejo racional dos ecossistemas”.

O mencionado dispositivo constitucionalizou o Parque das Dunas. Mas o que significou constitucionalizar o Parque das Dunas?

Significou que a sua definição como unidade de conservação estadual passou a se revestir de uma nova roupagem jurídica, qual seja, da vestimenta constitucional estadual. Em outras  palavras, isso quer dizer sua condição de unidade de conservação deixou de advir da legislação infraconstitucional estadual e passou a decorrer diretamente da Constituição Estadual, que é o diploma normativo maior do ordenamento jurídico do Estado do Rio Grande do Norte.

Obviamente, a colocação do Parque das Dunas como patrimônio comum de todos os potiguares, pelo art. 151 da Constituição Estadual, traz uma série de conseqüências jurídicas práticas. Afinal de contas, não houvesse tais conseqüência, o trabalho do constituinte estadual teria sido em vão, sem sentido.

Para os objetivos do presente estudo, importa destacar especialmente que, ao elevá-lo ao patamar constitucional, o constituinte estadual constitucionalizou as feições do Parque das Dunas existentes na data da promulgação da Constituição do Estado Rio Grande do Norte (03 de outubro de 1989) – o que inclui, ressalte-se, seus limites geográficos definidos em detalhes na legislação estadual infraconstitucional –, tornando-as, portanto, insuscetíveis de qualquer modificação que venha desfigurá-las. Em outros termos, a Constituição do RN fixou um patamar mínimo de proteção ao Parque das Dunas e, assim, retirou dos Poderes Executivo e Legislativo a possibilidade de adotar qualquer medida que venha retroceder na sua proteção tal como “cristalizada” pelo Texto Constitucional do RN.  Naturalmente, podem – e devem -- esses Poderes Constituídos atuarem para ampliação do grau de tutela dessa unidade de conservação, mas jamais para sua diminuição.

Assim, a configuração espacial dessa unidade de conservação existente em 03 de outubro de 1989 – data de promulgação da Constituição do Estado do Rio Grande do Norte – não pode ser reduzida pela legislação infraconstitucional, mas só por Emenda à Constituição Estadual. Por essa razão, o presente projeto de lei, em discussão na Assembleia Legislativa, que busca reduzir as dimensões do Parque das Dunas padece de flagrante vício de inconstitucionalidade formal, não devendo prosseguir em seu trâmite legislativo.

sábado, 31 de maio de 2014

Governo que ficou na promessa















Por José Agripino Maia *

A presidente poucos êxitos tem para mostrar. Basta comparar os compromissos firmados por Dilma com o que realmente aconteceu.

Na campanha presidencial de 2010, a equipe de marketing do PT apresentava a candidata Dilma Rousseff como administradora inquestionavelmente consagrada. Sob o comando de Dilma, dizia a propaganda, o Brasil iria ver grandes obras concluídas, surfar sobre uma onda de crescimento com juros no chão, contas em ordem, saldo na balança comercial e inflação baixa. Seria um espetáculo. Acreditou quem quis.

Após quase três anos e meio, o que podemos perceber é quase fracasso sobre fracasso. A presidente muito poucos êxitos tem para mostrar. Basta comparar os compromissos firmados por Dilma com o que realmente aconteceu. A realidade é bem outra e nada favorável.

A presidente tem viajado pelo Brasil para prometer obras públicas que deveriam ter sido inauguradas há muito tempo. Alguns exemplos recentes: esteve no interior do Ceará para vistoriar um trecho da transposição do Rio São Francisco. A previsão de entrega do empreendimento era para 2010, quando Dilma era ainda chamada de mãe do PAC. Agora, a promessa é para 2015. Estava previsto um custo de R$ 4,5 bilhões, agora serão R$ 12,2 bilhões. Foi a Curitiba anunciar, pela terceira vez, recursos para o metrô que nunca saíram do papel. São muitos os exemplos. É o governo das ações inacabadas e dos anúncios que não se concretizam.

Na macroeconomia, a promessa era de um crescimento médio de 5,9% ao ano. O Brasil avança a apenas 2%, o último entre dez países da América do Sul. O inaceitável é que, por duas décadas, crescemos à mesma velocidade dos nossos vizinhos de subcontinente. Na era Dilma, as demais nações mantiveram a aceleração do final da última década (média de 5%) e nós ficamos para trás.

E a promessa de derrubar os juros, que, segundo o ministro Mantega, cairiam para 6%? A presidente recebeu a taxa Selic em 10,75%, hoje está em 11%, e Dilma deve entregar os juros em patamar superior ao que recebeu de Lula. Temos hoje as maiores taxas do mundo. E isso tudo para domar a inflação.

Só que aqui essa estratégia não funciona. Convivemos com uma perigosa e persistente alta de preços. A inflação média nos três primeiros anos do governo Dilma chegou a 6,08%. No mundo, no mesmo período, a média foi de 3,3%, e nos países emergentes, que crescem muito mais do que nós, de 5,4%. E veja que esse resultado só foi alcançado com o controle de preços administrados, que subiram cerca de 1% no ano passado, contra 7,5% de aumento nos preços livres. E o mais grave, as distorções se acumulam de forma temerária, com os ajustes sendo empurrados para depois das eleições.

Em 2013, a balança comercial brasileira registrou o pior resultado em 12 anos. O saldo caiu 86% em relação a 2012, para apenas US$ 2,56 bilhões e, mesmo assim, à custa de uma maquiagem do governo, que exportou via Petrobras US$ 7,7 bilhões em plataformas de petróleo que nunca saíram do país. No período, o déficit comercial da indústria foi o maior da história, acumulando US$ 105 bilhões. Este ano, nossa balança já acumula um déficit de US$ 5,3 bilhões.

Outro compromisso com o país era o equilíbrio das contas públicas. A economia do governo para pagamento dos juros da dívida pública, no entanto, caiu continuamente durante o governo Dilma, fechando 2013 em apenas 1,9% do PIB. Com isso, o déficit nominal elevou-se de 2,6% do PIB, em 2010, para 3,3%, em 2013. Hoje, a dívida pública do Brasil chega a R$ 2,08 trilhões e, para administrá-la, gastamos em juros R$ 249 bilhões no ano passado. Isso é o que estamos deixando de investir para fazer do Brasil um país competitivo.

Em suma, assistimos a um governo sem obras, com baixo crescimento e alta inflação, contas públicas deterioradas, desequilíbrio na balança comercial e juros incivilizados. Como um castelo de cartas, caíram as promessas que a presidente exibiria à população como bandeiras de campanha. Para não citarmos fracassos como o onipresente escândalo da Petrobras.

As falsas promessas ruíram por falta de planejamento e incompetência administrativa. Sem perceber melhorias na qualidade de vida, a população se cansa de tanta inépcia e clama por mudanças urgentes. A oposição faz o seu papel: fiscaliza, aponta os erros e apresenta as alternativas. O retrocesso, como se vê, é manter o governo como está.

* José Agripino Maia é presidente nacional do Democratas e senador pelo Rio Grande do Norte

domingo, 13 de abril de 2014

Procuram-se pilotos de dirigíveis













Por Marcelo Mirisola
Escritor

O custo médio de um estádio padrão Fifa gira em torno de R$ 600 milhões.  Até janeiro, o governo já havia torrado R$ 8,9 bilhões na construção e reforma de 12 estádios para a Copa.  Não dá pra começar esse texto sem comparar essa torrefação de bilhões de reais aos R$ 100 milhões que o BNDES emprestou a Airship do Brasil.

A Airship é sediada em São Carlos-SP, e tem como sócios a Engevix e a Bertolini. A empresa tem um projeto que pode revolucionar o transporte de carga no país e no mundo.

A revolução logística virá em forma de zepelins. Quem diria, os velhos e românticos dirigíveis, agora adaptados para o transporte de grandes volumes de carga.

Num primeiro momento, usados em situações especiais, os dirigíveis da Airship viabilizariam o transporte de turbinas de hidrelétricas e pás de geradores eólicos para locais de difícil acesso como, por exemplo, a Amazônia. Os dirigíveis também cumpririam a função de suporte para a instalação de torres elétricas em florestas, pois não precisam aterrissar, além disso, seriam de grande utilidade no acesso a áreas isoladas por catástrofes naturais. Os dirigíveis de menor porte cobririam locais de grande aglomeração, servindo como antenas móveis. E tem muito mais.

Hoje, um dirigível voa cerca de 500 metros do solo, alcança a velocidade de 120 quilômetros por hora e tem capacidade de carregar até 30 toneladas. No futuro, a promessa é de que alcance  até 200 toneladas, substituindo caminhões no transporte de grãos, voando em segurança diretamente do campo para os navios. Isso significa nada mais nada menos que desafogar o tráfego de portos, estradas e ferrovias. Calcula-se, por baixo, que os novos zepelins propiciem uma economia de 25% no custo do transporte, a ecologia também agradece.
 E eu, aqui, torço para que o fêmur de Neymar seja partido em dois lugares diferentes uma semana antes do início da Copa, e que todos os filhos que ele teve e terá, que todos sejam pernas de pau. Mas sobretudo desejo que iniciativas como a da Airship prosperem na mente de nossos empresários e governantes.
 Tô aqui na torcida pelos garotos do Brasil, na esperança de que eles atendam a solicitação de James Waterhouse, diretor técnico da Airship: "temos que pensar em criar uma rede de pilotos".

O Brasil não precisa de jogadores de futebol, precisa de pilotos de dirigíveis, engenheiros, médicos para reconstituir o fêmur do Neymar, e professores de cálculo para ensinar os netos do seu Neymar da Silva Santos (pai do Neymar Jr.) que é mais fácil um dirigível cair na cabeça do Felipão do que o futebol tirar do zero a zero a vida daqueles que não tiveram a sorte de nascer de um gol de placa do camisa 11 da seleção – isso antes de ele ter o fêmur partido em dois, claro.

sábado, 15 de março de 2014

CIRCULA NA INTERNET

Malandro Velho

Uma mulher decide fazer uma operação de estética aos 50 anos. A operação custou-lhe cerca de €10.000,00, mas ela ficou muito satisfeita com o resultado. Ao voltar a casa, para numa banca para comprar uma revista. Não se contém e pergunta ao empregado:

- Espero que não se importe que lhe pergunte: quantos anos me dá?

- Cerca de 32” - responde o homem.

- Engana-se, tenho exatamente 50 - disse sorrindo.

Pouco tempo depois, entra num McDonald’s e faz a mesma pergunta à empregada que a atendia. A moça responde:

- Talvez uns 29.

Com um grande sorriso ela responde:

- Nada disso, tenho 50.

Entra num café para beber uma xícara e, uma vez mais, faz a mesma pergunta. O empregado responde:

- Talvez uns 30.

Orgulhosamente, responde:

- Tenho 50, mas obrigado!.

Enquanto aguardava o ônibus para voltar a casa, ela faz a mesma pergunta a um idoso a seu lado. Mas ele responde:

- Minha senhora, tenho 78 anos e a minha vista já não é o que era. No entanto, quando era mais novo raramente me enganava sobre a idade de uma mulher. Não quero parecer abusador, mas se me deixar apalpar os seios posso dizer com exatidão a sua idade.

A mulher ficou atônita, mas cheia de curiosidade. Por fim, balbuciou:

- Vamos a isso!

Então ele deslizou as mãos por debaixo da blusa da “jovem” e começou a apalpar cada seio, beliscando os mamilos. Após alguns minutos de desconforto ela diz:

- Ok, já chega... que idade tenho?

Ele tira as mãos, abotoa-lhe a blusa e responde:

- A senhora tem 50 anos!

Espantada e até um pouco atordoada ela diz:

- Incrível, como conseguiu?

O velhote com ar malandro responde:

- Promete que não se zanga?

- Prometo que não - disse ela.

- Eu estava atrás da senhora na fila do McDonald’s...

sábado, 22 de fevereiro de 2014

COMO A MEDICINA DA DOENÇA FUNCIONA

Por Dr. Carlos Bayma

Aos 30 anos, você tem uma depressãozinha, uma tristeza meio persistente: prescreve-se FLUOXETINA.
A Fluoxetina dificulta seu sono. Então, prescreve-se CLONAZEPAM, o Rivotril da vida. O Clonazepam o deixa meio bobo ao acordar e reduz sua memória. Volta ao doutor.

Ele nota que você aumentou de peso. Aí, prescreve SIBUTRAMINA.

A Sibutramina o faz perder uns quilinhos, mas lhe dá uma taquicardia incômoda. Novo retorno ao doutor. Além da taquicardia, ele nota que você, além da “batedeira” no coração, também está com a pressão alta. Então, prescreve-lhe LOSARTANA e ATENOLOL, este último para reduzir sua taquicardia.

Você já está com 35 anos e toma: Fluoxetina, Clonazepam, Sibutramina, Losartana e Atenolol. E, aparentemente adequado, um “polivitamínicos” é prescrito. Como o doutor não entende nada de vitaminas e minerais, manda que você compre um “Polivitamínico de A a Z” da vida, que pra muito pouca coisa serve. Mas, na mídia, Luciano Huck disse que esse é ótimo. Você acreditou, e comprou. Lamento!

Já se vão R$ 350,00 por mês. Pode pesar no orçamento. O dinheiro a ser gasto em investimentos e lazer, escorre para o ralo da indústria farmacêutica. Você começa a ficar nervoso, preocupado e ansioso (apesar da Fluoxetina e do Clonazepam), pois as contas não batem no fim do mês. Começa a sentir dor de estômago e azia. Seu intestino fica “preso”. Vai a outro doutor. Prescrição: OMEPRAZOL + DOMPERIDONA + LAXANTE “NATURAL”.

Os sintomas somem, mas só os sintomas, apesar da “escangalhação” que virou sua flora intestinal. Outras queixas aparecem. Dentre elas, uma é particularmente perturbadora: aos 37 anos, apenas, você não tem mais potência sexual. Além de estar “brochando” com frequência, tem pouquíssimo esperma e a libido está embaixo dos pés.

Para o doutor da medicina da doença, isso não é problema. Até manda você escolher o remédio: SILDANAFIL, TADALAFIL, LODENAFIL ou VARDENAFIL, escolha por pim-pam-pum. Sua potência melhora, mas, como consequência, esses remédios dão uma tremenda dor de cabeça, palpitação, vermelhidão e coriza. Não há problema, o doutor aumenta a dose do ATENOLOL e passa uma NEOSALDINA para você tomar antes do sexo. Se precisar, instila um “remedinho” para seu corrimento nasal, que sobrecarrega seu coração.

Quando tudo parecia solucionado, aos 40 anos, você percebe que seus dentes estão apodrecendo e caindo. (entre nós, é o antidepressivo). Tome grana pra gastar com o dentista. Nessa mesma época, outra constatação: sua memória está falhando bem mais que o habitual. Mais uma vez, para seu doutor, isso não é problema: GINKGO BILOBA é prescrito.

Nos exames de rotina, sua glicose está em 110 e seu colesterol em 220. Nas costas da folha de receituário, o doutor prescreve METFORMINA + SINVASTATINA. “É para evitar Diabetes e Infarto”, diz o cuidador de sua saúde(?!).

Aos 40 e poucos anos, você já toma: FLUOXETINA, CLONAZEPAM, LOSARTANA, ATENOLOL, POLIVITAMÍNICO de A a Z, OMEPRAZOL, DOMPERIDONA, LAXANTE “NATURAL”, SILDENAFIL, VARDENAFIL, LODENAFIL ou TADALAFIL, NEOSALDINA (ou “Neusa”, como chamam), GINKGO BILOBA, METFORMINA e SINVASTATINA (convenhamos, isso está muito longe de ser saudável!). Mil reais por mês! E sem saúde!!!

Entretanto, você ainda continua deprimido, cansado e engordando. O doutor, de novo. Troca a Fluoxetina por DULOXETINA, um antidepressivo “mais moderno”. Após dois meses você se sente melhor (ou um pouco “menos ruim”). Porém, outro contratempo surge: o novo antidepressivo o faz urinar demoradamente e com jato fraco. Passa a ser necessário levantar duas vezes à noite para mijar. Lá se foi seu sono, seu descanso extremamente necessário para sua saúde. Mas isso é fácil para seu doutor: ele prescreve TANSULOSINA, para ajudar na micção, o ato de urinar. Você melhora, realmente, contudo... não ejacula mais. Não sai nada!

Vou parar por aqui. É deprimente. Isso não é medicina. Isso não é saúde.

Essa história termina com uma situação cada vez mais comum: a DERROCADA EM BLOCO da sua saúde. Você está obeso, sem disposição, com sofrível ereção e memória e concentração deficientes. Diabético, hipertenso e com suspeita de câncer. Dentes: nem vou falar. O peso elevado arrebentou seu joelho (um doutor cogitou até colocar uma prótese). Surge na sua cabeça a ideia maluca de procurar um CIRURGIÃO BARIÁTRICO, para “reduzir seu estômago” e um PSICOTERAPEUTA para cuidar de seu juízo destrambelhado é aconselhado.

Sem grana, triste, ansioso, deprimido, pensando em dar fim à sua minguada vida e... DOENTE, muito doente! Apesar dos “remédios” (ou por causa deles!!).

A indústria farmacêutica? “Vai bem, obrigado!”, mais ainda com sua valiosa contribuição por anos ou décadas. E o seu doutor? “Bem, obrigado!”, graças à sua doença (ou à doença plantada passo-a-passo em sua vida).

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Natal está preparada para a Copa do Mundo?


Por Rodrigo Cruz
Yahoo Contributor Network

O dia 26 de janeiro foi marcado pela realização dos primeiros jogos recebidos no novo Arena das Dunas, em Natal. O América venceu o Confiança pela Copa do Nordeste e o ABC bateu o Alecrim pelo Campeonato Potiguar, ambos pelo placar de 2 a 0. O estádio está lindo, com as suas funcionalidades a todo vapor. Mas e Natal, que vai receber quatro jogos da Copa do Mundo, como anda sua estrutura? Abaixo, listamos alguns pontos importantes que transcendem as fronteiras do estádio, mas que são importantíssimos para a realização do evento: segurança, saúde, aeroportos, transportes, vias públicas e hotelaria. Será que a cidade está realmente preparada para receber a Copa?
Segurança: A cada dia que passa a insegurança na cidade aumenta. Assaltos a ônibus, táxis, empresas privadas e bancos já não chamam a atenção da mídia por serem eventos corriqueiros. Turistas assaltados na praia de Ponta Negra também não vendem mais jornais. Além disso, o RN convive com greves constantes da Polícia Militar e Civil em busca de melhores condições de trabalho.
Saúde: A cidade também não é referência no que diz respeito à saúde. No maior hospital público do Rio Grande do Norte, o Monsenhor Walfredo Gurgel, se tiverem sorte, os pacientes conseguem uma maca para se "instalarem" nos seus corredores lotados. Nos postos de saúde da capital, em muitas oportunidades o atendimento é parado por falta de equipamentos. Se você quiser ser atendido com um certo respeito, tem que ter condições de pagar um hospital ou clínica privados.
Aeroportos: Natal não tem aeroporto. Isso mesmo. O aeroporto mais próximo fica na cidade de Parnamirim e dista 18 km da capital. O novo aeroporto que vai atender a demanda da cidade - Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves - fica situado na cidade de São Gonçalo do Amarante, a 40 km do Centro de Natal, e deve ficar pronto para a Copa. Por enquanto, apenas 30% das obras estão concluídas.
Transportes: As únicas opções de transportes públicos para o Arena das Dunas são ônibus e táxis. A cidade não conta com metrô - apesar de no projeto inicial apresentado à FIFA esse projeto existia - e as linhas de trem estão defasadas há anos e só atendem à periferia da cidade.
Vias públicas: Pode ter certeza de uma coisa: você não vai escapar do trânsito nos jogos da Copa do Mundo em Natal. As obras de mobilidade urbana para a cidade praticamente não saíram do papel. Apenas algumas poucas avenidas mudaram de sentido para procurar melhorar o escoamento de trânsito, e começaram essa semana a construir um túnel na av. Romualdo Galvão, próximo ao Arena das Dunas. Hoje, em horário de pico, para um trajeto de cerca de 10 km entre o Centro e os primeiros bairros da Zona Sul, você precisa de aproximadamente uma hora e meia para completá-lo. É apenas um ensaio para a Copa...
Hotelaria: Até que enfim uma boa notícia. A hotelaria natalense é uma das mais preparadas do Brasil para receber turistas de qualquer parte. O número de leitos - de econômicos a luxo - é um dos maiores do país e geralmente o turista é recebido por funcionários bilíngues. Grandes redes hoteleiras internacionais também estão presentes na capital potiguar.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Matam-se mais brasileiro em 5 anos que americanos em todas as guerras

Por Pedro Valls Feu Rosa
Em 23 jul 2013

Quem não se lembra do filme "Apocalypse Now", um clássico dirigido por Francis Ford Coppola retratando os horrores da Guerra do Vietnã? Eram cenas chocantes mostrando helicópteros sendo derrubados a tiros de metralhadora e pessoas morrendo como moscas.

Naquela guerra o exército norte-americano lutou ferozmente durante dez longos anos, perdendo 58.198 soldados. Enquanto isso, só no ano de 2003, o pacífico Brasil, que não estava em guerra, perdeu 51.043 filhos assassinados pelas suas ruas.

Há também a Segunda Guerra Mundial, reputada o maior conflito da história. O exército norte-americano lutou praticamente no mundo inteiro – desde os campos da Europa até o Oceano Pacífico. Enfrentou desde os tanques de guerra nazistas até os kamikazes japoneses. Nesta guerra, que durou uns cinco anos, os Estados Unidos perderam 291.557 soldados em combate. Enquanto isso, entre 2002 e 2006, 243.232 brasileiros morreram assassinados em nossas cidades, que vivem em paz.

E que dizermos da Primeira Guerra Mundial? Em uns quatro anos de conflito encarniçado pelas trincheiras da Europa, 53.402 soldados norte-americanos foram mortos em combate. Enquanto isso, só no ano de 2005, a população brasileira assistiu 47.578 homicídios, algo espantoso para um país que vive em paz!

Diante destes dados resolvi fazer umas contas. Verifiquei quantos soldados norte-americanos morreram em combate na Guerra do México, Guerra Hispano-Americana, I Guerra Mundial, II Guerra Mundial, Guerra da Coréia, Guerra do Vietnã, Guerra do Golfo, Guerra do Iraque e Guerra do Afeganistão. Cheguei a 666.056 baixas ao término de uns 34 anos de batalhas terríveis. Enquanto isso, em apenas 16 anos (1990 a 2006), 697.668 civis brasileiros morreram a tiros, facadas ou pauladas pelas ruas deste tranquilo país.

Já horrorizado diante destes números, fiz mais alguns cálculos e constatei algo assustador: o Exército dos Estados Unidos em guerra perde uma média de 53,67 soldados por dia. Já o Brasil, usufruindo de uma paz absoluta, perde 119,46 habitantes assassinados por dia – mais do que o dobro! Talvez devêssemos nos alistar nas Forças Armadas dos EUA – lá deve ser mais seguro e menos violento!

Voltei às planilhas. Constatei que nos cerca de cinco anos da Segunda Guerra Mundial, a pior de todos os tempos, o número de soldados mortos em combate dos exércitos da Bélgica, Bulgária, Canadá, Tchecoslováquia, Dinamarca, Grécia, Holanda, Noruega, Austrália, Índia, Nova Zelândia e África do Sul somados foi de 166.914. Nós não precisamos de cinco anos de guerra para tanto – só entre 2000 e 2003 enterramos, absolutamente em paz, 193.925 compatriotas!

Durante aqueles cinco anos de guerra a França, invadida pelos nazistas, perdeu 201.568 soldados. A Itália, sob Mussolini, 149.496.

E o Brasil, durante cinco anos de paz e sossego (2001 a 2005), viu serem brutalmente assassinados 244.471 civis.

Fico a lembrar da imagem de um helicóptero da Polícia abatido a tiros em pleno Rio de Janeiro. Dentro daquela frase de Victor Hugo, segundo quem "as ilusões sustentam a alma como as asas a um pássaro", ficamos a defender o orgulho nacional dizendo ter sido aquele um episódio isolado. Sustentamos, com o peito inflado por um falso patriotismo, que normalmente este imenso país vive em paz.
Em paz? Só se for aquela famosa "paz dos cemitérios".

* Pedro Valls Feu Rosa é desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Meia, Meia ou Meia?

A língua portuguesa é uma das mais difíceis do mundo, até para nós.

Na recepção de um salão de convenções, em Fortaleza

- Por favor, gostaria de fazer minha inscrição para o Congresso.
- Pelo seu sotaque vejo que o senhor não é brasileiro.
O senhor é de onde?
- Sou de Maputo, Moçambique.
- Da África, né?
- Sim, sim, da África.
- Aqui está cheio de africanos, vindos de toda parte do mundo.
O mundo está cheio de africanos.
- É verdade. Mas se pensar bem, veremos que todos somos africanos, pois a África é o berço antropológico da humanidade...
- Pronto, tem uma palestra agora na sala meia oito.
- Desculpe, qual sala?
- Meia oito.
- Podes escrever?
- Não sabe o que é meia oito? Sessenta e oito, assim, veja: 68.
- Ah, entendi, *meia* é *seis*.
- Isso mesmo, meia é seis. Mas não vá embora, só mais uma informação:
A organização   do Congresso está cobrando uma pequena taxa para quem quiser ficar com o material: DVD, apostilas, etc., gostaria de encomendar?
- Quanto tenho que pagar?
- Dez reais. Mas estrangeiros e estudantes pagam *meia*.
- Hmmm! que bom. Ai está: *seis* reais.
- Não, o senhor paga meia. Só cinco, entende?
- Pago meia? Só cinco? *Meia* é *cinco*?
- Isso, meia é cinco.
- Tá bom, *meia* é *cinco*.
- Cuidado para não se atrasar, a palestra começa às nove e meia.
- Então já começou há quinze minutos, são nove e vinte.
- Não, ainda faltam dez minutos.
Como falei, só começa às nove e meia.
- Pensei que fosse as 9:05, pois *meia* não é *cinco*?
Você pode escrever aqui a hora que  começa?
- Nove e meia, assim, veja: 9:30
- Ah, entendi, *meia* é *trinta*.
- Isso, mesmo, nove e trinta.
Mais uma coisa senhor, tenho aqui um folder de um hotel que está fazendo um preço especial para os congressistas, o senhor já está  hospedado?
- Sim, já estou na casa de um amigo.
- Em que bairro?
- No Trinta Bocas.
- Trinta bocas? Não existe esse bairro em Fortaleza, não seria no Seis Bocas?
- Isso mesmo, no bairro *Meia* Boca.
- Não é meia boca, é um bairro nobre.
- Então deve ser *cinco* bocas.
- Não, Seis Bocas, entende, Seis Bocas.
Chamam assim porque há um encontro de seis ruas, por isso seis bocas. Entendeu?
- Acabou?
- Não. Senhor é proibido entrar no evento de sandálias.
Coloque uma meia e um sapato...

domingo, 8 de dezembro de 2013

ZÉ AREIA, O ÚLTIMO BOÊMIO

José Alexandre Garcia

De repente, me deu uma saudade enorme de Zé Areia. De sua verve, de seu modo bom de ser, de seu conformismo com a vida, da sua boemia sem vintém, sem horizontes.
Mas rico de gestos. Milionário de frases. De piadas que fizeram rir uma cidade.
Desde os tempos da Guerra, tornara-se uma figura lendária, pelos golpes que aplicara nos americanos, na venda de papagaios, macacos, passarinhos, até corujas.
São por demais conhecidas algumas "transações".
A do macaco ferido na cabeça, ferimento que ele disfarçava, pregando dezenas de estampilhas de Educação e Saúde no cocoruto do bicho.
Ao americano que estranhava tanta selagem, esclareceu:
- Sabe Aduana? Muita fiscalização!

PAPAGAIO CEGO
A um my friend que viera reclamar a venda de papagaio cego, perguntou:
- Afinal, você quer papagaio pra falar ou pra assistir cinema?

CORUJA MUDA
Atribuem-lhe até a da coruja, embora acredite que não seja ele.
Quando o americano veio reclamar que o bicho não falava, ele consolou o comprador:
- Não fala, mas presta uma atenção!

A DO BIGODE
E pela vida afora, sucedem-se as piadas, os repentes, as respostas de espírito.
Ao trabalhar como barbeiro, num socavão de escada que dava para pensão de rapariga, um freguês entrou e, querendo fazer graça, aspirou o ar e tapou as narinas:
- Ô catinga danada de buceta!
E o barbeiro, a seriedade em pessoa:
- Quer que raspe o bigode?

A DO CARNEIRO
A do carneiro de Luiz de Barros, uma beleza de carneiro que rifara e que na tarde do sorteio, quando foi entregar o prêmio, Luiz, atarefado, não recebeu, pedindo para voltar na manhã seguinte.
No outro dia, Zé Areia apresentou-se com um bicho pequeno, magro, com ares de quem não comia há três dias.
- Espere - reclamou Luiz - este não é o carneiro de ontem.
- É, seu Luiz. É que ficou no relento a noite toda. Como choveu muito, o coitadinho encolheu.

A DO BURRO
Zé Areia rifava um belo cabresto, com arreios de prata, quando, se não me engano, o alto comerciante José Natal resolveu dar uma de gozador.
- Eu não compro. E justificando-se:
- Não tenho cavalo. Prá que quero cabresto? E Areia, com duplo sentido.
- Serve prá burro também.

A DO BONDE
De bonde superlotado, ao pedir parada:
- Motorneiro, pára aí que vai saltar um corno!
Depois de apeado, os pés firmes no chão, dando troca às risotas:
- Agora, leve o resto!

O AVALISTA
O aval fôra dado pelo deputado Djalma Marinho, seu amigo do peito, a empréstimo contraído em Banco.
Transcorridos os noventa dias regulamentares, Zé não passava nem na calçada do estabelecimento creditício.
Djalma encontra-se com ele e reclama, ressentido:
- Zé, o Banco já me telefonou três vezes!
E Zé Areia, cínico, com fingida indignação:
- Deputado, compenetre-se e pague. Era só o que me faltava! Pra que eu seleciono tanto meus avalistas? É pra não sofrer decepções como esta!

O EMPREGO DE JOÃO CAFÉ
A antológica.
Desempregado no Rio de janeiro, Zé resolve ir ao Catete pleitear uma boca a João Café Filho, seu colega de grupo escolar, então na presidência da República.
Café, morro dizendo, foi um mau presidente para o Brasil, péssimo para o Rio Grande do Norte, e, no poder, foi justamente o contrário do liberal que era nos tempos de deputado oposicionista, do "Lembrai-vos de 37!".
Nem o recebeu. Mandou oficial de gabinete oferecer-lhe lugar de Soldado da Borracha, o engodo governamental da época, para povoar a Amazônia.
Quando Areia soube que a colocação era para recolher o látex das seringueiras, deu altiva e memorável resposta.
- Diga a Café que quem tira leite de pau é boceta.

O VENDEDOR DE BILHETES
Zé Areia baixava na Delícia vezes sem conta por dia. Ora na faina de vender bilhetes de loteria, poules de bicho, ou suas famosas rifas; Ora para tomar um aperitivo para o almoço, se almoço houvesse naquele dia. E, à tardinha, convidado por amigos, guando destilava a sua verve, os repentes, as respostas na exata.
Deixem-me descrevê-lo, em pinceladas sumárias: feio, gordo, atarracado, mal vestido, maus dentes, sempre com barba por fazer, ele, Areia, a isto tudo superava pelo seu espírito. Aí, ninguém via o homem comum, e, sim, a inteligência privilegiada.

A DO CORONEL
Acontecidas na Confeitaria, eu me lembro de algumas.
Uma tarde, em fase melancólica, contava a sua desdita. Fora casado, tivera lar, esposa e filhos, mas a mulher ou não aguentara a sua vida boêmia e as incertezas dos dias sem ter o que comer, qual Amélia, ou nascera com o destino da lua - como naqueles versos de Lupicínio - não ia viver só pra um. Pra resumir a história, ao retornar uma madrugada, não encontra nem mulher, nem filhos, nem móveis, nada.
Zé Areia confessava que ficara como louco:
- Não, por ela. Pelos meninos - esclarecia.
Pergunta daqui, pergunta dali, termina por localizar a nova morada da ex-esposa. Agora tida e mantida por um tal coronel Teodósio, chefe político respeitável e pai de numerosos filhos.
Impando de alegria, Zé Areia larga-se para rever os meninos.
Estava brincando com eles, quando salta dum cavalo o tal coronel Teodósio, rebenque na mão e falando grosso.
- Boa tarde, "seu" Areia!
- Aí, eu... e passa nos peitos uma talagada de cachaça dessas de sargento.
Os companheiros da mesa esperavam calados e respeitosos a narrativa do violento bate-boca ou cena de feroz pugilato.
- Aí eu... prosseguiu Zé, voltando ao seu natural galhofeiro - desengalhei o chapéu da galhada dos chifres e respondi muito educadamente:
- Boa tarde, coronel Teodósio. Deus guarde Vossa Senhoria e suas excelentíssimas famílias!

O NOME DO CAIXEIRO
Areia vendia rifa dum carneiro à porta da Delícia, quando um filho do alfaiate Benvenuto começa a mexer com ele, botando mil e um defeitos no animal.
E Areia calado.
O rapaz, pressupondo que tinha chocado o vendedor, prosseguiu:
- Zé, este carneiro tem jeito de fresco! Como é o nome dele?
E o ex-barbeiro, em cima da bucha, sem levantar a cabeça, passando troco para um comprador.
- Benvenuto.

VIA URINÁRIA
Em tarde ensolarada, o nosso cambista chupava um picolé na calçada da Delícia, quando passa um conhecido e faz ares de reprovação.
- Zé, você chupando em plena via pública!
E Zé, tirando o picolé da boca:
- Melhor do que você, que chupa em via urinária.

A VISÃO DE BELA MULHER
Tomavam cerveja numa mesa, Alexandre, o compositor Dozinho e o cambista, quando entra na Confeitaria uma dona, tipo Marta Rocha, pra lá de boa.
Romântico, Alexandre falou:
- Essa mulher é um poema. Estou com o coração batendo. Dozinho, mais terra-a-terra, sensual e concupiscente, revelou:
- Eu estou é de pau duro.
E Areia traindo sua tendência para a felação:
- E eu estou com a língua trêmula!

O CAPITALISMO AMERICANO
Zé Areia era abecedista fanático. Numa segunda-feira, após ABC x América, em que o América vencera, divulgava-se, à boca pequena, que o zagueiro Toré teria sido "conversado" para facilitar o jogo.
Os americanos, sem dar bola aos comentários, tiravam o couro dos abecedistas, quando Zé Areia emite sua opinião:
- Não foi o América que venceu. Foi o capitalismo Americano...

CHORANDO NO MARACANÃ
E por falar em futebol, Zé Areia estava no Maracanã, para assistir Vasco x Flamengo no meio da patota cruzmaltina, quando o Vasco entra em campo e há aquela festa da torcida: papéis picados, palmas, bombas, gritos de guerra.
Nisso, Areia começa a chorar.
Um patrício sentado ao seu lado incomodou-se:
- Vossa Excelência, está a senteire alguma cousa? Areia sacode a cabeça negativamente. O patrício insiste:
- Mas Vossa Excelência está a choraire!
E o papa-jerimum Zé Areia, sem poder mais controlar-se, aos urros.
- Estou com uma saudade enorme do ABC!

O TRATO DO BILHETE
No fim da vida, depois de construir casa no pé do morro do Hospital das Clínicas, chega com uma novidade: lhe aparecera uma mulher. UMa joia de mulher. Nova, não era. Mas educada, carinhosa, limpa, cuidadosa.
Um mês depois, botam à porta um recém-nascido.
O casal, o coração de um maior do que o do outro, resolve adotar a criança.
Começa, então, para Zé, uma odisseia: a de alimentar o bebê; ganhar o leite do menino, como ele mesmo dizia. Uma batalha diária.
E multiplica-se, na faina de vender bilhetes, poules de bicho, rifas!
A mim, oferecia loteria a três por dois. Alérgico a jogo, nunca comprava. O que desgostava o vendedor.
Até que, devidamente industriado pelo velho Zé Alexandre, chegamos ao seguinte acordo: eu não compraria bilhete, contudo, no dia, que ele estevesse realmente precisando, apareceria no escritório e eu lhe daria o correspondente à comissão que ele teria direito se tivesse vendido o bilhete.
O acordo funcionou às mil maravilhas! Oportuno frisar a honestidade de Areia.
Ele só realmente aparecia quando, até às onze horas, não havia faturado nada.
- Alexandre, hoje preciso lhe vender um bilhete!
Eu tirava da gaveta o correspondente à sua comissão, digamos uns duzentos cruzeiros, e lhe passava às mãos, sem dizer nada.
Dia feliz para o vendedor era quando o velho Zé Alexandre igualmente se interessava.
- Hoje, eu quero um bilhete também, Areia.
Zé, que tinha admiração incontida pelo chefe do escritório, ficava radiante.
Uma tarde, estávamos na Delícia tomando umas, quando entra Areia, assobiando, feliz.
- Já lhe procurei no escritório três vezes. O velho Zé Alexandre me disse que você só poderia estar aqui.
- O que é que há? Perguntei seco, na defensiva, temendo uma "facada".
- É que venho da Casa Lotérica. E tenho a honra de lhe comunicar, oficialmente, que bilhete de loteria aumentou de preço.
- E eu com isso? Perguntei, sem atinar. E Areia, assumindo ar matreiro.
- É que, com bilhete majorado, consequentemente, aumentou minha "comissão"...

O ÓRGÃO
Lembrei-me agora de contar.
Nas horas de folga, Zé aparecia no escritório para conversar com o velho Zé Alexandre sobre passarinho e recordar os tempos de Natal nos anos 20. Lia todos os jornais, até o Órgão Oficial. E cochilava, invariavelmente.
Estava com o Órgão Oficial cai-não-cai da mão, quando um terceiro o previne:
- Zé, o órgão está de cabeça pra baixo. E ele, sem tirar a vista do jornal:
- E mole!

O CASTIGO
Tinha verdadeira aversão a certo governante. Na Confeitaria, em meio à discussão, perde o controle e vocifera.
- Eu só queria que o dr. A. fosse tomar na bunda.
Disse e recocheteou o olhar sobre os componentes da mesa, onde detectou um assumido e outro sobre quem pairavam suspeitas.
Cerimonioso, consertou:
- Peço perdão aos circunstantes dados a este dorido e emocional passatempo sexual. Vou pensar em castigo maior para aquele filho da mãe.

O TROVADOR
Numa sexta-feira, dia da Procissão dos Passos, Areia esperava que a imagem subisse a ladeira para molhar a garganta. A família Amorim Garcia, durante 90 anos, armou o primeiro passo da Via Sacra, inicialmente na Dr. Barata, no velho casarão de meu avô, Coronel Odilon, e, depois, na residência de meu tio Odilon, agente do Loide Brasileiro, na Duque de Caxias. Quando a imagem parou frente ao altar para as cerimônias litúrgicas de praxe, cutuquei o cambista.
- Zé, vai pedir o quê ao Santo?
E ele, em cima da bucha, salvo erro ou omissão da memória, de fato decorrido há mais de três décadas:
- Ó, meu Bom Jesus! Espero de Ti, Justiça! Transforme minha cruz, toda ela em cortiça!

A MORTE
Zé Areia soube usar sua verve até pra morrer. Na hora extrema, volta-se para a companheira que dourou os últimos dias com sua dedicação e chamou com meiguice na voz:
- Venha cá, minha velha, quero morrer em seus braços!
Contou-me ela, que, depois de morto, havia em seu rosto uma expressão de gaiatice, como se estivesse engabelando os vivos.

ENTERRO DE REI
Parecia enterro de gente muito importante. Firmino Moura correu e trouxe da sede a bandeira do ABC, o querido pavilhão, e, com ela, envolveu o caixão pobre.
Muita gente, não. Mas estavam presentes não apenas os boêmios e gente do povo, seus irmãos. Podiam ser encontrados intelectuais, políticos, magistrados, poetas, altos comerciantes, industriais, doutores, pessoas de alto gabarito, citados nas colunas políticas e sociais.
Ao passar o féretro pela esquina da Frei Miguelinho/Duque de Caxias, lá estavam enfileirados os seus colegas de profissão, os cambistas.
Os motoristas de praça, numa combinação de última hora, acionaram buzinas, numa homenagem.
Veríssimo de Melo começou discurso à beira do túmulo, anunciando:
- Desapareceu, hoje, o último boêmio de Natal.

O ÚLTIMO ATO
Era um rei que estava se enterrando ou um João Ninguém, na forma da lei?
Quando alguém queria se comover, vinha um amigo e contava uma anedota, uma passagem, uma frase espirituosa dele e desanuviava o ambiente.
- Lembram-se daquela do macaco com a cabeça cheia de estampilhas?
E ele parecia renascer em quantos lhe queriam bem.

domingo, 24 de novembro de 2013

Soneto

O poeta é um ser louco na razão
Que navega nos mares dos amores;
Faz mil voos como rápidos condores
E mergulha no fundo da paixão.

Muitas vezes prefere a solidão
Sem temer os punhais dos dissabores;
Faz a vida vencer terríveis dores
Quando o verso floresce da emoção.

Os seus braços estão sempre estendidos
Dividindo os afetos mais floridos,
Com as flores fraternas da união.

Solidário, sem grades nem conceito,
Tem as portas abertas do seu peito
Ofertando com amor o coração.

                               Gilmar Leite

Żegota

Durante a 2ª Guerra Mundial, Irena conseguiu uma autorização para trabalhar no Gueto de Varsóvia, como especialista de canalizações.

Mas os seus planos iam mais além... Sabia quais eram os planos dos nazis relativamente aos judeus (sendo alemã!).

Irena trazia crianças escondidas no fundo da sua caixa de ferramentas e levava um saco de sarapilheira na parte de trás da sua caminhonete (para crianças de maior tamanho).

Também levava na parte de trás da camioneta um cão, a quem ensinara a ladrar aos soldados nazis quando entrava e saia do Gueto. Claro que os soldados não queriam nada com o cão e o ladrar deste encobriria qualquer ruído que os meninos pudessem fazer.

Enquanto pôde manter este trabalho, conseguiu retirar e salvar cerca de 2500 crianças.

Por fim os nazis apanharam-na.

Souberam dessas atividades e em 20 de Outubro de 1943 Irena Sendler foi presa pela Gestapo e levada para a infame prisão de Pawiak, onde foi brutalmente torturada.

Num colchão de palha, encontrou uma pequena estampa de Jesus com a inscrição:

“Jesus, em Vós confio”, e conservou-a consigo até 1979, quando a ofereceu ao Papa João Paulo II.

Ela, a única que sabia os nomes e moradas das famílias que albergavam crianças judias, suportou a tortura e negou trair seus colaboradores ou as crianças ocultas.

Quebraram-lhe os ossos dos pés e das pernas, mas não conseguiram quebrar a sua determinação.

Já recuperada foi, no entanto, condenada à morte.

Enquanto esperava pela execução, um soldado alemão levou-a para um "interrogatório adicional".

Ao sair, ele gritou-lhe em polaco: "Corra!".

Esperando ser baleada pelas costas, Irena, contudo, correu por uma porta lateral e fugiu, escondendo-se nos becos cobertos de neve até ter certeza de que não fora seguida.

No dia seguinte, já abrigada entre amigos, Irena encontrou o seu nome na lista de polacos executados que os alemães publicavam nos jornais.

Os membros da organização Żegota ("Resgate") tinham conseguido deter a execução de Irena, subornando os alemães e Irena continuou a trabalhar com uma identidade falsa.

Irena mantinha um registo com o nome de todas as crianças que conseguiu retirar do Gueto, guardadas num frasco de vidro enterrado debaixo de uma árvore no seu jardim.

Depois de terminada a guerra tentou localizar os pais que tivessem sobrevivido e reunir a família.

A maioria tinha sido levada para as câmaras de gás.

Para aqueles que tinham perdido os pais, ajudou a encontrar casas de acolhimento ou pais adotivos.

Em 2006 foi proposta para receber o Prêmio Nobel da Paz...

mas não foi selecionada.

Quem o recebeu foi Al Gore por sua campanha sobre o Aquecimento Global.

(Autor não identificado)