segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

UMA ARMA POLÍTICA

 Daniel Gonçalves de Menezes*

Tentando fazer uma retrospectiva sobre o uso estratégico da veiculação das pesquisas eleitorais e de opinião durante o último ano, para reunir material para a publicação do meu segundo livro sobre o assunto, nada me chamou mais atenção do que a sondagem divulgada pelo Instituto Consult/Portal Nominuto no dia 23 de Novembro de 2010.
Feita com o intuito de medir a intenção eleitoral e a avaliação da prefeita Micarla de Sousa, a pesquisa trouxe um impacto devastador para a administração da borboleta. Até então, o Partido Verde vinha tentando se aproximar do PMDB e de setores da esquerda com o intuito óbvio de fortalecer a governabilidade e, quem sabe, criar uma ampla frente política para a sucessão em 2012.
O movimento enxadrístico era claro. Se a aliança com o governo federal garantiria as verbas que andavam sumidas, o PMDB traria o plus político que estava faltando. A intrincada equação poderia ser o caminho para a reversão do quadro adverso pelo qual passam os verdes.
Como impedir a configuração deste cenário nada positivo para a oposição?! “Mostrando”, pensaram os oponentes, que a administração municipal não tem apoio popular e que caminha para o esquecimento.
Mas como? É aí que entra o papel estratégico desempenhado pelas pesquisas. O levantamento publicado, pouco antes da reunião em que os PMDBistas decidiriam se fariam parte da prefeitura ou se recusariam a proposta de aliança com a prefeita, trouxe um forte clima de opinião de que o acordo não era positivo.
Esquecendo que a pesquisa de opinião retrata apenas um cenário conjuntural e que a avaliação negativa da administração municipal pode ser perfeitamente revertida, os paquerados, assombrados com os números, rechaçaram a aproximação e encerraram o assunto.
Ora, quem difundiu os dados da pesquisa tinha dois objetivos definidos e que foram amplamente atingidos. O míssil teleguiado impediu a tentativa de reação da prefeita e ajudou a consolidar a sofistica idéia de que a atual gestão não tem mais jeito.
Foi, sem sombra de dúvida, um exemplo genial de como utilizar todas as potencialidades políticas que a pesquisa de opinião carrega em seu seio.
Os demais, destreinados no uso estratégico das sondagens, ficaram a mercê de uma arma política que ainda precisa ser melhor conhecida.

*Sociólogo

Nenhum comentário:

Postar um comentário