Uma dúvida dominou a arena política potiguar nos últimos dias – os PSBistas, da cozinha de Vilma, indicados e já nomeados pela prefeita Micarla de Sousa para duas secretarias municipais, Claudio Porpino (Semsur) e Vagner Araújo (Segelm), aceitaram o convite com a anuência daquela que se intitula guerreira, ou sem estabelecer um diálogo com a ex-governadora? Vilma, ao criticar os seus (ex)liderados, estaria apenas fazendo jogo de cena, já que havia um entendimento prévio, ou, de fato, demonstrou o seu descontentamento? Alguns se posicionaram a favor da primeira versão, enquanto que outros tentaram fundamentar as suas argumentações em consonância com a última tese.
Ora, a visão unitária (ou é uma coisa ou outra) não ajuda a capturar a multiplicidade que caracteriza a disputa política. Neste sentido, as duas análises têm elementos explicativos importantes, mas são, quando pensadas isoladamente, falsas.
Vilma sabia da jogada e foi informada da articulação vermelho e verde. Os dois vilmistas não iriam para o borboletário sem manter a possibilidade de um retorno para o grupo vilmista. Com os históricos índices de impopularidade que a prefeita apresenta, seria uma loucura. A política é a arte de multiplicar os feixes de ação. É a arte de manter várias portas abertas para fazer uso daquela que, no momento oportuno, se mostrar como a mais interessante. A ida dos filhotes pode, quem sabe, representar também uma porta para a própria ex-governadora. Porque não?
No entanto, Vilma – esta que é a sacada – não concentra, hoje (não sei amanhã), força suficiente para vetar a aproximação dos PSBistas da administração da borboleta. Ela sabe que não teria a condição de dizer e sustentar um definitivo “Não”. Poderia aparecer como uma liderança enfraquecida e teria o inconveniente de se ver obrigada a mexer no seu capital político e, quem sabe, entrar no cheque especial.
Neste sentido, os PSBistas combinaram-informando. Não informaram, pedindo a anuência dela. O gordinho e o twitteiro perceberam que não precisavam da autorização dela para fazer o que produziram. Sabem que Vilma, hoje – importante sempre lembrar –, não está com essa bola toda.
Porém, porque, mesmo sabendo da manobra e não tomando uma iniciativa mais enérgica, Vilma, se fazendo de doida, condenou o fato? Ora, porque ela sabe que o PSB não é composto por apenas uma platéia. Era preciso jogar também para outra torcida, que é justamente aquela formada pelos vereadores, reunidos recentemente na casa da governadora para fazer uma oposição de faz de conta, e outros membros do partido que se sentiram ameaçados por um possível fortalecimento dos vilmistas, micarlistas de última hora. 2012 já bate a porta.
Ao agir desta maneira, Vilma atuou com o faro político que lhe faltou durante o final do seu governo – manteve e afirmou a liderança do partido, não criou uma situação de rompimento com Claudio Porpino e Vagner Araújo, construindo, inclusive, uma ponte com a gestão municipal e, de quebra, arrefeceu os ânimos dos descontentes da legenda que comanda. Uma jogada de mestre.
Daniel Menezes - Sociólogo, Professor da UFRN e Responsável pelo Instituto Seta
84-8809 7897
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