domingo, 27 de janeiro de 2013

Rodolfo é fera!


--- Walter Medeiros – waltermedeiros@supercabo.com.br

Uma noite de música memorável. Um passeio numa trilha musical de surpreendente primor. Assim podemos definir em pequena parte o espetáculo liderado pelo cantor potiguar Rodolfo Amaral em 17 de janeiro de 2013 no Teatro Riachuelo. Um palco que não é para qualquer um, que foi ocupado em toda sua magnitude por ele e seus convidados Ângela Rô Rô e Glorinha Oliveira. Todos acompanhados por um grupo de músicos de alta qualidade.
A apresentação de Rodolfo Amaral envolve incontáveis gestos da história da nossa música, aliados a melodias que atravessaram épocas e se juntam a outras que têm menos tempo de compostas, porém trazem a impressão de que teriam vindo de priscas eras. Assim ele faz uma síntese de canções de repercussão universal, algumas do romantismo e da fossa, outras da saga popular, e finda sendo aplaudido de pé pelo teatro lotado de gente de todas as idades, inclusive meu sogro, de 96 anos, a quem observei várias vezes aplaudindo com entusiasmo.
Nova roupagem para “Súplica cearense”, bela performance com o fado “Casa das Mariquinhas”, estonteante interpretação de “Brasileirinho”, emocionante sutileza em “Ne me quitte pas” e a retumbante releitura de “Fera Ferida” surpreenderam a muitos que viram pela primeira vez o novo astro da música surgido em terra potiguar. Tudo isso somado aos momentos inesquecíveis em que cantou com Glorinha Oliveira, mulher de história ímpar no cancioneiro brasileiro, e Ângela Rô Rô, que comprova o sucesso que começa a fazer e sem dúvida fará no cenário nacional.
Por um momento ele teve de relatar a triste situação pela qual passou em 2012, quando foi a uma consulta médica e saiu de lá com uma paralisia facial, vítima de um erro médico que chocou, preocupou e ameaçou a sua carreira de cantor. O problema está no âmbito da Justiça. Quanto ao artista, as dúvidas foram tiradas na sua apresentação, que teve uma produção primorosa, digna dos grandes astros da música, dos grandes palcos e das grandes platéias.
Conhecia Rodolfo Amaral das suas apresentações e entrevistas na TV. Desde a primeira música que o vi cantando percebi que se tratava de um fenômeno. Apesar do contratempo acima referido, sua carreira será muito além do que almejam alguns iniciantes. Natal terá de aceitar a sua ida para outros centros, onde já se vislumbram portas que se abrem para ouvi-lo e encontrar nele uma nova voz digna do seu espaço no meio artístico.
Enquanto saía para o estacionamento, ouvia as opiniões espontâneas do público: “muito bom”, “ele é eclético”, “dinivo”, “maravilhoso”, “emocionante”. O próprio Rodolfo Amaral disse que considerava aquela momento o seu “réveillon”. Reveillon que vem depois de um período tão difícil de tratamento e que deságua nada mais nada menos que no maior palco que poderia encontrar em solo potiguar e, para sua maior emoção, com o casarão cheio e aplaudindo de pé.

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