Paulo Correia
Jornalista
O jornal Diário de Natal começou no domingo, dia 29 de novembro, uma série de reportagens produzidas pela equipe dos Diários Associados de todo o país. As matérias tratam sobre um dos maiores problemas de saúde pública do mundo: O consumo do crack, e o seu aparecimento em locais que antes não se ouvia falar dessa praga.
As reportagens iniciais, conduzidas pelos jornalistas Renata Mariz, Edson Luiz, Alana Rizzo e Samanta Sallum, exibem um retrato do Brasil que muitos preferem não olhar, um retrato de um país viciado na pedra maldita, que escraviza e mata ricos e pobres. Uma realidade que não mais está restrita aos grandes centros. Agora, essa onda suja invade pequenos municípios, de Norte a Sul desse imenso Brasil.
No total, as equipes de repórteres percorreram 6.792 Km de estradas, ruas, becos, e as periferias esquecidas pelo poder público. Descobriram usuários da droga em canaviais no interior de São Paulo, e em reservas indígenas, totalmente impregnadas pela pedra feita com os restos da cocaína.
Em Guayaramerín, na fronteira do Brasil com a Bolívia, terra que de 1907 a 1912 ficou conhecida como inferno verde, e foi cemitério de uma multidão de trabalhadores que tentavam construir a estrada de ferro Madeira-Mamoré, agora vive outro inferno: O vicio, cada vez mais freqüente, de sua população indígena no crack. Fora isto, a região é uma das rotas principais de entrada no Brasil da pasta de cocaína, a substancia que, refinada no Centro-Oeste e no Sudeste, dá origem a droga que prende mais rápido e mata mais rápido o usuário.
Nas matérias, boas iniciativas também são apresentadas, como é o caso da criação de um grupo dentro do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), que estudará planos para combater o consumo da droga no Brasil. Além disso, a Polícia Federal vai instalar postos especiais nos estados localizados próximos a fronteiras. Os primeiros serão no Mato Grosso do Sul, no Acre e no Rio Grande do Sul.
Outras alternativas estão sendo debatidas no Congresso Federal pelos nossos deputados e senadores. Tentando com isso, criar um mapa das regiões mais afetadas pela droga e buscando meios de enfrentar esse mal.
A luta é difícil e complexa, mas com trabalho sério, dureza contra traficantes e apoio médico aos dependentes, é possível enxergar um futuro promissor. Sem as ondas sujas do crack.
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