Outro dia um amigo, cronista, que escreve semanalmente para um jornal impresso de Natal, reclamava sobre a falta de inspiração. Dizia que estava tendo dificuldade para encontrar assuntos e que, às vezes, duvidava da validade de uns que imaginava.Discutimos o assunto e eu cheguei a dizer que as pautas de um cronista vinham pelos ares e entravam no coração. Crônica é emoção, mesmo sendo analítica. E, muitas vezes a crônica nasce de um fato, de uma situação inusitada, triste ou alegre.
Eis que quando terminei de escrever os dois primeiros parágrafos a inspiração para uma crônica chega na pessoa do corretor de automóveis “Patu”, figura conhecidíssima em Natal. Eu estava sozinho com o meu bloco de anotações numa mesa do Restaurante e Bar 084, em Petrópolis, quando ele sentou e foi logo reclamando dos altos preços do verão.
- Léo, você não vai acreditar. Fui neste final de semana para Jenipabu, sentei num barzinho e pedi uma cerveja. Cobraram-me quatro reais. Assim nem turista agüenta...
E continuou.
- Eu estava com meu menino e minha mulher e eles queriam comer caranguejo. Eu pedi ao garçom, mas tive o cuidado de perguntar o preço. Sabe quanto? Sabe não? Sete reais cada um, meu amigo! Ai eu pedi um caranguejo, mas tive o cuidado de dizer ao garçom:
- Não esqueça o controle!
O garçom, sem entender nada, perguntou a Patu:
- Que controle senhor? O da despesa é feito no computador da casa...
Aí, Patu respondeu ligeiro:
- Eu quero o controle remoto do caranguejo. Um bicho deste por sete reais somente pode ser para a gente brincar com ele na praia e tem mais, se for chinês ainda vem com a pilha!
Quando Patu terminou a História da sua ida a hoste turística mais cara do litoral norte, eu contei a ele o que estava começando a escrever e disse:
- Pronto Patu, você escreveu a minha crônica.
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