domingo, 14 de março de 2010
O último helicóptero de Saigon
Embora a senadora Rosalba Ciarlini (DEM) tenha minimizado a participação do ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves na corrida pelo governo do Estado em 2010, ele, agora no PDT, vem surgindo como uma opção para os descontentes e os eleitores mais esclarecidos. Pesa o fato de ter sido bem avaliado durante o período em que esteve à frente da Prefeitura de Natal, principalmente pelos setores ligados a cultura, setor onde ele trabalhou intensamente e com desprendimento.
A senadora mossoroense chegou a dizer que esperava disputar o governo com muitos candidatos. “Para o povo escolher“, disse. “Não me preocupo com segundo turno, penso apenas nas minhas propostas e não estou ansiosa com quem está vindo”, afirmou, deixando a impressão de enxergar essa possibilidade, materializada na terceira opção representada por Carlos Eduardo. “Vejo pesquisas e elas nos orientam”, completou, deixando, também, a impressão de que o clima de ‘já ganhou’ realmente ronda o seu grupo político.
Carlos Eduardo tem surgido como uma luz para os descontentes e para os que têm o voto livre, carregando com ele a opinião favorável de formadores de opinião. As conversas na capital giram exatamente em torno dessa opção, diante dos nomes colocados, que representam grupos que estão há décadas dirigindo os destinos do Rio Grande do Norte.
Não se pode dizer que Carlos Eduardo Alves é diferente das pessoas que fazem parte dos grupos políticos tradicionais. Ele é ‘Alves’ e surgiu na política exatamente por ter esse sobrenome. Mas, diferentemente de outros políticos com o mesmo sobrenome, preferiu optar por se aliar a atual governadora Wilma de Faria (PSB) na condição de candidato a vice-prefeito de Wilma, rompendo com a família. Esse arroubo de independência deixou-o mal perante os ‘Alves’ até hoje, mas também serviu para lhe dar maturidade política, tanto que conseguiu ser reeleito prefeito da capital.
Instado a apoiar o projeto político da deputada federal Fátima Bezerra (PT) pela governadora Wilma e pelo Partido dos Trabalhadores, que almejava fazer Fátima prefeita de Natal em 2008, esperou o cumprimento da promessa de ser apoiado pelo PT e pelo PSB para concorrer em 2010 ao governo do Estado, mas o apoio, como a maioria dos analistas políticos já esperava, foi negado publicamente. O nome para disputar o governo, pelo Palácio do Planalto, já estava escolhido: o vice-governador Iberê Ferreira de Sousa (PSB), que não tem, até agora, emocionado o eleitorado do Rio Grande do Norte.
Essa negação não foi surpresa para o ex-prefeito, que já havia sido avisado de que a escolha viria de cima para baixo e que repetiria o episódio protagonizado pelo deputado tucano Rogério Marinho, que também tinha a promessa e a expectativa de ser apoiado pelo seu partido - na época o PSB - para concorrer a Prefeitura de Natal e que foi atropelado pelo ‘acórdão de 2008’.
O filme de 2010 está igual ao de 2008, com o cineasta Lula da Silva seguindo o mesmo roteiro, lá de Brasília, como se os eleitores não tivessem memória. Ninguém fique surpreso se Carlos Eduardo significar para muitos eleitores o último helicóptero de Saigon. (LS).
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Com certeza muitos eleitores que não têm memória curta deverão optar em embarcar no "último helicoptero de Saigon".
ResponderExcluir