Paulo Correia
Jornalista
paulo.correia@r7.com
O jornal Folha de São Paulo na sua edição de domingo (29), publicou matéria, assinada pela repórter Sylvia Colombo, sobre os assassinatos de jornalistas no México a mando dos barões da droga. Uma reportagem que exibe os números da vergonha e que aponta o total descontrole governamental com a sangrenta guerra civil não declarada no país.
No texto da Folha, a informação que 10 dos 103 jornalistas assassinados no mundo em 2011 eram mexicanos. Na reportagem, o país foi considerado o mais perigoso para o exercício do jornalismo (à frente até do Iraque, com nove mortos). Na matéria, o Brasil é citado com cinco mortes. Empatado com o Chile e a Líbia de Muamar Kadafi em frangalhos.
No México, esses números são absurdos e já ameaçam até a linha editorial dos principais jornais. Uma prova desse descalabro foi à assinatura de um acordo entre o governo e as principais TVs, rádios e jornais do país. Em linhas gerais, o texto propõe critérios editoriais em comum, com o objetivo de não dar cartaz ao terror. Aos famosos narcos.
Mas não são somente os jornais e os seus repórteres que sofrem com a violência extrema dos cartéis das drogas. De 2006 para cá, o México observa uma intensa guerra contra o narcotráfico. As lutas de traficantes pelo gerenciamento do maior número de localidades destinadas a produção e venda dos entorpecentes fez com que o presidente Felipe Calderón promete-se uma ação enérgica contra esses grupos. Com essa decisão, uma escalada da violência explodiu no país e quadrilhas rivais começaram a lutar não apenas contra as forças do governo, mas também entre si.
Em todo o México, as ações de Calderón envolvem a Polícia Federal e as Forças Armadas, além do apoio dos EUA (treinamento, comunicações e inteligência). A resposta do crime à repressão vem na forma de execuções em massa. Segundo a Procuradoria Geral da República, em 2011 foram 12.903 mortes, ou 48 por dia. 48 por dia!
No país, os principais cartéis estão divididos em sete e colocam toda a sua força no imenso território de cerca de dois milhões de Km². São eles: o do Golfo, que controla as atividades de narcotráfico no Nordeste do México; o Zetas, grupo paramilitar originalmente formado para trabalhar para o Cartel do Golfo, mas que hoje atua de modo independente; o Beltrán Levya, organização criminosa das mais fortes do México; Sinaloa, que age nos estados de Baja Califórnia, Sinaloa, Durango, Sonora e Chihuahua; La Familia, pequeno grupo baseado no estado de Michoacán; Tijuana, organização que leva o nome da cidade mexicana localizada na fronteira com os Estados Unidos; e o cartel de Juárez, baseado na cidade de Juárez, no estado de Chihuahua.
Todos esses bandos armados são a maior dor de cabeça dos gestores públicos de cidades e estados mexicanos e as suas guerras pelo poder não poupam ninguém. Um exemplo claro de toda essa problemática é a questão das mortes de mais de uma centena de mulheres em Ciudad Juárez, assassinadas brutalmente durante a década de 1990 e nunca esclarecidas na sua totalidade.
Até quando o México aguentará esse poder paralelo? Essa afronta à sociedade e aos seus veículos e profissionais de imprensa?
Alguém responde?

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