Oito olhares se mostram em vídeo e fotografia. São temas variados e polifônicos, vão do sertão ao urbano, da religião ao profano, do humano a arquitetura, da estética clássica à contemporânea.
Porém linhas subjetivas costuram todos os ensaios através da paixão de cada um pela fotografia e pelas imagens que nascem do pensamento, da emoção e da técnica.
Hugo Macedo vislumbrou a “ PEGA DE BOI”
Uma espécie de ritual que acontecia nas antigas fazendas do sertão, onde os vaqueiros da região se reuniam para pegar o gado que vivia solto para enfim ferrá-los e conduzi-los as áreas de maiores pastos. Hoje, na fazenda Pitombeira ( Acarí/RN ) se retoma esse ritual e foi lá que o fotógrafo desenvolveu o seu trabalho.
Porém esse ensaio não fala só disso, o fotógrafo como que imbuído do espírito dos vaqueiros, corre com eles, ultrapassa os espinhos, se fere e nesse deserto de homens traz nas mãos as melhores imagens. Imagens que retratam a coragem de cada um deles, o sorriso após ter alcançado o boi, a luz forte que banha os rostos , as marcas na pele desenhadas pelos espinhos, nada fica indiferente ao fotógrafo que parece querer descobrir a alma ou a ferida secreta de cada um deles para no final iluminar.
Silvia Batistuzzo
Fotógrafa que busca ver o mundo com outros olhos, do lado de fora da corrida maluca do dia a dia e assim perceber a essência e a beleza da vida. Seu trabalho INTERIORES é uma coletânea de imagens que refletem diferentes níveis de interiores, desde o geográfico até o da alma ( do sentimento). Com estas imagens ela pretende favorecer uma introspecção que permita levar a uma reflexão sobre o nosso tempo.
Simone Sodré
Médica e acima de tudo fotógrafa, gosta de falar de sentimentos, imagens e música. No ensaio O OLHAR DA GENTE ela procura afastar os olhares comuns, rápidos, para trazer a tona os olhares que restam dos homens quando as máscaras caem e permanece o magnífico, o deslumbrante. Ainda acrescenta: “Não busquei, mas me veio nas imagens capturadas um sentimento. Encontrei palavras que também são códigos. Senti uma melodia. Pedi ajuda ao músico Wigder Valle, que sentiu as imagens antes que eu falasse de qualquer transcendência e fez música”.
Ricardo Junqueira
Traz aqui fotografias de detalhes, recantos e formas da arquitetura do castelo de Zé dos Montes ( Sítio Novo) que entre sombras, luzes e formas estabelecem vínculos visuais que ocultam e expõem intenções estéticas entre o antigo e o contemporâneo, quebrando quaisquer limites. São fotografias que se expõem como processo, como um não acabamento, deixando tudo fluir a flor das superfícies e isso é com certeza a sua assinatura.
Josuá Carlos
Foi buscar a obra modernista genuinamente norte-riograndense a inspiração para o seu ensaio POÉTICAS DA SOLIDÃO, enaltecendo a poesia de Jorge Fernandes, Homero Homem, Auta de Souza e Ferreira Itajubá.
Raimundo Neto
Um mergulho no inconsciente, retratando a exaltação de uma nação derivada da umbanda e candomblé, conhecida como jurema, presente nos terreiros cultuando mestres, catimbozeiros, índios e negros ameríndios, é a proposta do ensaio OJUBÓ- LUGAR DE ADORAÇÃO assinada pelo fotógrafo que argumenta: “Busco com isso inspiração nas imagens de Pierre Verger, Mario Cravo Neto, Adenor Galdim e José Medeiros.
Angela Almeida
Denomina seu ensaio de “RIOBALDOS- HOMENS IMAGINÁRIOS”,como fotografias de vaqueiros do sertão do Rio Grande do Norte, porém podem ser vaqueiros de qualquer sertão, homens de qualquer lugar imaginário, porque são imagens que viajam entre o real e o fantástico, o mítico e o festivo, o lírico e o poético, a terra seca do sertão e o verde exuberante quando nela brota. Além da referência ao personagem Riobaldo de João Guimarães Rosa no livro Grande Sertão: Veredas.
São fotografias próximas da abstração, relatam um tempo não linear, um tempo do acaso, das incertezas, da suspensão do tempo, das coisas inacabadas, de um sertão talvez sonhado. Imagens em síntese e ao mesmo tempo expandidas, próximas do processo da pintura, porque foram construídas a partir de fotografias de retratos, de paisagens, texturas e de obras plásticas. Elas carregam a intenção de trazer á superfície os sonhos talvez um dia sonhados.
Tássio Ribeiro
O corpo suspenso é a base da fotografia de Tássio, que explora lugares, janelas, ruas como cenários para esses corpos flutuantes. Parece brincadeira infantil de magia, porém por trás tem uma técnica, um jeito particular de narrar pequenos gestos pelas imagens fotográficas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário