sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Novo método de estudo das células-tronco neurais

Professor Marcos Romualdo Costa, pesquisador do Instituto do Cérebro: método pode ajudar no tratamento do AVC, Mal de Parkinson e Esclerose Múltipla 

Um novo método de estudo das células-tronco neurais está contribuindo para o desenvolvimento de pesquisas que podem ajudar a tratar Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC), Parkinson e Esclerose Múltipla com utilização de terapias celulares. O método está sendo investigado por pesquisadores do Instituto do Cérebro (IC) da UFRN, em parceria com o Instituto de Células-Tronco do Helmholtz Center Munich e com o Departamento de Fisiologia da Universidade de Munique (ambos da Alemanha).

Segundo o professor do IC, Marcos Romualdo Costa, o método associa uma nova técnica de cultura celular, diferente da que vinha sendo utilizada para o estudo das células-tronco neurais, com uma metodologia de vídeo-microscopia de tempo intervalado, permitindo a observação do comportamento celular em tempo real.


“Com esse novo método, há uma possibilidade de se partir de um pequeno número de células-tronco neurais, ampliar in vitro, e depois, in vitro mesmo, manipulá-las para gerar o neurônio que você deseja. Em uma rodada de experimentos, você pode testar dezenas de possibilidades diferentes, utilizando variados tipos de tratamento, e observar qual o mais benéfico para aumentar o número de neurônios gerados, induzir a geração de um fenótipo neuronal específico e melhorar a sobrevivência dos neurônios obtidos”, afirmou.

A ideia é utilizar o novo método para estudar o potencial das células-tronco neurais em gerar diferentes tipos de neurônios que seriam benéficos para tratar distintas doenças. O método é de grande importância, pois permite realizar tais estudos de forma mais rápida e em grande escala. Através dele, é possível um estudo em escala industrial das células, pois não só aumenta a velocidade, como também diminui a necessidade da realização de experimentos em animais e possibilita fazer tudo in vitro, a partir de uma fonte única de células.

“O método permite agora que possamos direcionar as células-tronco neurais para a formação de diferentes tipos de neurônios, por exemplo, os dopaminérgicos, que seriam utilizados em tratamento de doenças como Mal de Parkinson, ou ainda neurônios GABAérgicos variados, que seriam uma possibilidade de terapia em epilepsias”, explicou.

 A pesquisa fez parte do trabalho de pós-doutorado de Marcos Costa, quando ele estava no Instituto de Células-tronco em Munique, e foi continuada após seu ingresso como professor do Instituto do Cérebro da UFRN. O primeiro artigo mostrando essa técnica foi publicado em janeiro deste ano na revista Developement. Na ocasião, a publicação despertou o interesse dos editores da revista Nature Procotocols, dando origem a um novo material publicado agora na edição de novembro.

“Esse trabalho é uma colaboração que nosso grupo no Instituto do Cérebro mantém com dois grupos de pesquisa em Munique: um é o Instituto de Células-Tronco do Helmholtz Center Munich e outro é o Departamento de Fisiologia da Universidade de Munique (LMU)”, destacou.

Os pesquisadores Magdalena Götz e Benedikt Berninger colaboram com o estudo desde o pós-doutorado, tendo continuidade agora, com a participação de alunos da pós-graduação em Neurociências (PGNEuro) que estão fazendo parte dessa pesquisa utilizando os laboratórios também em Munique.

Marcos Costa ressaltou que esse método está sendo utilizado tanto no Instituto do Cérebro quanto nos laboratórios dos grupos envolvidos na Alemanha, e já existe um trabalho em andamento buscando induzir as células-tronco a formarem Oligodendrócitos, que são células do cérebro envolvidas na formação da Bainha de Mielina, primariamente destruídas na Esclerose Múltipla.

Para ele, as terapias celulares são um campo que estão em plena expansão e as perspectivas mais otimistas sugerem que em 10 anos já serão uma realidade clínica. Existem vários ensaios clínicos sendo feitos na Europa, Estados Unidos, e também na China e Brasil.

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