Equipes do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) que estão em campo afirmaram que, apesar da melhoria nas condições de segurança, a situação na Costa do Marfim continua preocupante para dezenas de milhares de civis.
“À medida que nossas equipes têm acesso a mais pessoas deslocadas,
percebemos que elas precisam de cuidados básicos”, disse o porta-voz
do ACNUR, Adrian Edwards, em entrevista nesta terça-feira em Genebra.
A equipe do ACNUR em Abidjan e arredores retomou o acesso aos
deslocados internos que a agência ajudava antes de ter suas operações
suspensas devido à crise pós-eleitoral na Costa do Marfim.
“O número de deslocados internos registrados anteriormente em 31
localidades passou de 35 mil, no fim de março, para 14 mil na semana
passada”, disse Edwards. O porta-voz ainda acrescentou: “As
condições de vida são extremamente precárias pois as pessoas
ficaram algumas semanas sem comida adequada. Em um lugar próximo a Abobo
Avocatier, um padre explicou que quatro deslocados morreram devido ao
stress, entre eles um adolescente de 14 anos.”
A maioria das pessoas mostram interesse em retornar a seus locais de
origem o quanto antes. Contudo, em boa parte dos casos, as casas e os
povoados foram parcialmente ou inteiramente destruídos, deixando as
pessoas traumatizadas. Em algumas cidades, os habitantes têm que se
esconder durante a noite.
Na cidade de Duékoué, no oeste da Costa do Marfim, as condições de vida
melhoram pouco a pouco com o retorno das agências humanitárias. No
entanto, os prédios da Igreja Católica continuam lotados, com
aproximadamente 27 mil deslocados internos.
A melhoria das condições de segurança e da liberdade de movimento
através da Costa do Marfim, graças à captura de Laurent Gbabgo no
último dia 11, foi saudada pelo ACNUR. Gbabgo, que já havia feito um
pedido pela paz no país, foi pego pelas forças leais a Alassane
Ouattara.
Entretanto, a agência para refugiados se mostrou preocupada com o alto
número de pontos de controle armados e solicitou ao novo governo
marfinense que reduza a quantidade dos mesmos, já que podem intimidar as
pessoas que desejam retornar a suas cidades de origem. “Nós também
pedimos que o governo dê garantias à população civil aumentando os
esforços para restabelecer a presença de autoridades locais”,
indicou Adrian Edwards.
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