domingo, 16 de maio de 2010

.

Piloto de rali potiguar continua sem patrocínio para o “Sertões”

Roberto Guedes
Por e-mail

Um dos melhores pilotos que já atuaram no “Rally Internacional dos Sertões”, o contabilista natalense Reynaldo Iglesias, volta a experimentar este ano a mesma falta de perspectivas que terminou por imobilizá-lo diante da edição 2.009 do evento, uma das maiores competições “off road” de longo curso em todo o mundo, perdendo somente para o “Dakar” e alguns ralies disputados na Ásia e no norte da África.

Falta-lhe um patrocínio capaz de cobrir os custos de sua atuação no certame, onde brilhou algumas vezes. Na prova de 2.008, ele chegou em quarto lugar na classificação geral, quando atraiu a atenção de competidores do centro-sul do país e até do exterior para suas habilidades.

“Reynaldo Iglesias é um dos melhores pilotos do Brasil”, declarou na ocasião o cearense Riamburgo Ximenes, considerado o nordestino que melhor se tem saído em competições do gênero.

TUDO PARA CRESCER

Integrante da comunidade jipeira do Rio Grande do Norte, “Mané Luiz”, como ele é conhecido, começou a competir em provas do tipo “in door”, que utilizam pistas fechadas, e surpreendeu muito positivamente quando migrou para o rali e começou logo a conquistar troféus, a princípio em certames locais e adiante nos regionais para terminar quase subindo ao pódium do “Sertões” de 2.008.

Acreditava-se, então, que dali por diante a expansão de seu papel no mundo nacional dos ralis seria coisa natural, mas houve o contrário: os poucos incentivos com que contou para participar daquela prova lhe foram negados em 2.009. Reynaldo tem tudo para crescer no automobilismo “off road” brasileiro se não tiver que contar somente com o que produz em seu escritório de contabilidade, situado entre o conjunto Candelária e a avenida Jaguarari, em Lagoa Nova.

NOMES NACIONAIS

Várias vezes automobilistas natalenses tentaram conquistar para Reynaldo o apoio do governo do Estado e de empresas de porte nacional dirigidas por norte-rio-grandenses, como a associação entre Confecções Guararapes e rede de lojas Riachuelo, controlada pelo potiguar Nevaldo Rocha.

Partiram do princípio de que são corporações de nome nacional que pela força telúrica poderiam apostar num nome local que tem tudo para subir a pódiuns de competições de porte continental. E, avaliando os custos enfrentados pelas equipes do centro-sul do país, acham que uma escuderia local custaria bem menos. Principalmente no caso de Reynaldo, porque este vive da contabilidade e precisaria de ajuda somente para a atividade a que se dedica em paralelo. Avaliações de alguns praticantes potiguares de rali sugerem, com base no que Reynaldo gastou para brilhar no “Rally dos Sertões” de 2.008, que seu patrocínio termina sendo relativamente muito menor do que o aplicado a motociclistas de São Paulo e Rio de Janeiro que também competem no certame.

Mais recentemente, eles cogitaram de pedir o aval da Ale, quarta maior distribuidora de combustíveis do país, que é presidida pelo administrador de empresas natalense Marcelo Alecrim. No entanto, frustraram-se por não chegarem a ele.

Curiosamente, enquanto não vê o potencial de Reynaldo, a Ale investe num motociclista paulista, Thiago Fantozi, projetando-o como se fosse norte-rio-grandense. Ele está para esta unidade federativa assim como a atual miss Rio Grande do Norte, Priscila Costa, está para Serrinha dos Pintos, a cidade da região serrana do Oeste potiguar que figurou como sua terra natal porque patrocinou financeiramente sua candidatura aos títulos de mais bela do Estado e do país.

Outra opção que os raliseiros gostariam de viabilizar seria um apoio da Companhia Hipotecária Brasileira (CBH), corporação natalense, dirigida pelo engenheiro Álvaro Alberto Souto Filgueira Barreto, que nos últimos três anos se fez presente em vários outros estados do país.

GOVERNO

Quanto ao governo do Estado, auxiliares da então governadora Wilma de Faria que foram instados a propor que ela autorizasse o patrocínio oficial a Reynaldo, responderam que o poder público não poderia bancar iniciativas como esta, a despeito de em contra-partida o competidor ajudar a projetar a imagem do Rio Grande do Norte, no mínimo como destino turístico. A argumentação se revelou contraditória quando Wilma resolveu patrocinar a participação de times locais de futebol nos campeonatos estadual e brasileiro.

Como lembram os automobilistas, o governo de Rondônia patrocina no centro-sul do país uma equipe de rali que aceitou ser batizada com o nome dessa unidade federativa. Em tempo: sem patrocínio, Reynaldo Iglesias também não tem nem um nome para sua equipe, a ser montada através de parceria com seu co-piloto, que normalmente é o corretor de seguros Rogério Medeiros, mais conhecido no segmento, aqui e lá fora, como “Oi de Brecha”. Isto significa que sua escuderia está apta a receber uma denominação eventualmente proposta por patrocinador.

Nenhum comentário:

Postar um comentário