segunda-feira, 17 de maio de 2010

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Dirigente do Meios é sobrinha que justiça mandou Wilma afastar da Sethas

Roberto Guedes
Por e-mail
O noticiário que a imprensa de Natal veiculou nos últimos dias sobre desmandos na organização não governamental (ONG) Meios, mostrando, inclusive, que o ministério público especial de contas investiga irregularidades na gestão do órgão, terminou mostrando uma situação singular que a então governadora Wilma de Faria criou para proteger um parente.

A gerente social do Meios, assistente social Kátia Collier, que definiu a instituição como “uma perninha” da secretaria estadual de Trabalho e Assistência Social (Sethas), em entrevista ao matutino “Novo Jornal” deste sábado, 15, anteontem, é uma sobrinha que Wilma teve de afastar da cúpula desta pasta, no ano passado, em virtude de decisão judicial de primeira instância aplicada a uma ação relativa a má gestão de recursos governamentais.

DENÚNCIA NA MAÇONARIA

A decisão concluiu no âmbito do juízo monocrático uma ação em que líderes da Grande Loja do Rio Grande do Norte, uma das três entidades que compartimentam a maçonaria nesta unidade federativa, moveram contra o pai de Kátia, o empresário Wilson Collier, acusando-o de desviar recursos que esta recebia exatamente da Sethas.

Na época, Wilson era o grão mestre, ou seja, o principal dirigente da Grande Loja no território potiguar. A entidade promoveu investigações a respeito de denúncias contra o destino que dava a recursos que a Grande Loja recebia mediante convênio com a Sethas, para capacitação profissional de candidatos a trabalhador numa de suas empresas, situada à margem da rodovia BR 101, em São José de Mipibú.

O “impeachment” de Wilson foi pedido, através dos jornais de Natal, não apenas pelos outros líderes da Grande Loja. Subscreveram-no, também, os grão-mestres das outras obediências, a seccional local do Grande Oriente do Brasil (GOB) e do Grande Oriente Independente do Rio Grande do Norte (Goiern), homólogo da Confederação Maçônica Brasileira (Comab) no Estado.

PERDA DO EMPREGO

Sem prejuízo das sanções internas, que chegariam ao desligamento de Wilson, numa espécie de expulsão de todo espaço maçônico no mundo, os líderes das três obediências aconselharam o ajuizamento da ação. A denúncia que gerou a condenação, que há meses Wilson contesta em outro processo. Esta reação, inclusive, criou uma situação incomum, que o colunista registrou há poucas semanas: na justiça potiguar tramitam duas ações opostas. Numa, a maçonaria condena Wilson; noutra, este condena os órgãos maçônicos e os ex-irmãos que o levaram à primeira punição.

Acontece que a filha também integrou o pólo passivo da ação que atingiu seu pai, pois a inicial a apontava como o parceiro de Wilson no âmbito interno da Sethas. Segundo consta, ao punir Wilson a justiça levou o governo do Estado a afastar Kátia do cargo de confiança que exercia na Sethas e mesmo bani-la do serviço público.

Segundo consta, a exemplo de Wilson a servidora recorreu da decisão. Neste meio tempo, porém, ficou impedida de continuar a ocupar o cargo de confiança que exercia na secretaria de Estado e de receber salários do poder público.

Para mantê-la com “status”, em todos os sentidos, Wilma, irmã da mãe de Kátia, Paulininha, esta em nada ligada às causas das acusações, confiou à sobrinha o comando do Meios, sigla de Movimento Estadual de Integração e Orientação Social, instituição criada sob a orientação dos militares que assumiram o poder no país em 1.964. Esta migração, aliás, atendeu a outra conveniência da então governadora no âmbito familiar.

Kátia chegou à cúpula do Meios pouco depois de Wilma, digamos assim, “liberar” sua filha Ana Cristina da chefia da ONG, que se havia transformado em alvo de uma saraivada de denúncias sobre má gestão e mesmo malversação de recursos públicos. Estas nasceram no âmbito do Conselho Municipal da Criança (Comdica) e foram conquistando espaços em segmentos da sociedade que existem para defender o patrimônio público, até chegar à Procuradoria Geral de do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas do Estado.

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