domingo, 16 de maio de 2010

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Cartéis mexicanos: Poder, drogas e armas de ouro


Paulo Correia
Jornalista

No começo de maio, a polícia mexicana apreendeu em um bar em Jalisco, no Oeste do país, 31 pistolas e metralhadoras pertencentes ao narcotraficante Oscar Nava Valencia, o Lobo Valencia, braço direito de Joaquín Guzmán, o traficante mais procurado do México. Na prisão do armamento, um dado chamou a atenção de todos os policiais envolvidos: as pistolas eram banhadas em ouro puro, e outras em prata com pequenos diamantes fixados nas peças. Uma extravagância que mostra todo o poder da 6ª maior máfia do mundo.

Nava Valencia é apenas o elo mais chegado aos holofotes da mídia de um cartel que não gosta muito de aparecer, mas que comanda com mãos de ferro o tráfico de entorpecentes nas cidades mexicanas. O cartel de Sinaloa, do poderoso Joaquín Guzmán, domina 17 estados e vende cocaína colombiana, marijuana mexicana e heroína asiática para diversos países. Exibem dinheiro, poder e controlam muita gente nas forças de segurança do México. Seus bandos armados são notórios por empregarem, com o uso de armas de grosso calibre, um reino de violência nas cidades e estados que dominam.

De 2007 para cá, o México sofre com uma intensa guerra contra o narcotráfico. As lutas de traficantes pelo gerenciamento do maior número de localidades destinadas a produção e venda dos entorpecentes, fez com que o presidente Felipe Calderón promete-se uma ação enérgica contra esses grupos. Com essa decisão, uma escalada da violência explodiu no país e quadrilhas rivais começaram a lutar não apenas contra as forças do governo, mas também entre si.

Em todo o México, mais de 6 mil pessoas foram mortas em assassinatos ligados ao tráfico de drogas em 2008, e há o receio de que o governo esteja perdendo o controle da situação. Nos primeiros meses de 2009, calcula-se que mais de mil pessoas já tenham morrido no país por causa da violência ligada ao tráfico.

Os principais cartéis mexicanos estão divididos em sete, e colocam toda a sua força no imenso território de cerca de 2 milhões de Km². São eles: o do Golfo, que controla as atividades de narcotráfico no Nordeste do México; o Zetas, grupo paramilitar originalmente formado para trabalhar para o Cartel do Golfo, mas que hoje atua de modo independente; o Beltrán Levya, organização criminosa das mais fortes do México; Sinaloa, que age nos estados de Baja California, Sinaloa, Durango, Sonora e Chihuahua; La Familia, pequeno grupo baseado no estado de Michoacán; Tijuana, organização que leva o nome da cidade mexicana localizada na fronteira com os Estados Unidos; e o cartel de Juárez, baseado na cidade de Juárez, no estado de Chihuahua.

Todos esses bandos armados são a maior dor de cabeça dos gestores públicos de cidades e estados mexicanos, e as suas guerras pelo poder não poupam ninguém. Um exemplo claro de toda essa problemática é a questão das mortes de mais de uma centena de mulheres em Ciudad Juárez, assassinadas brutalmente durante a década de 1990, e nunca esclarecidas na sua totalidade.

Até quando os países agüentarão esse poder paralelo, essa afronta a sociedade?

Fica a pergunta no ar.

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