Leonardo Sodré
Jornalista
Mamãe havia acabado de chegar de sua caminhada diária no Parque das Dunas com a sua comadre Ieda, quando o telefone tocou. Ela atendeu e do outro lado uma voz feminina gritava:
- Mãe, fui seqüestrada e estou toda machucada!
Aos 76 anos minha mãe tem uma rapidez de raciocínio de fazer inveja aos mais novos. Percebeu de pronto que nenhum dos seus filhos a chama de “mãe”, sempre de “mamãe”, e perguntou a dona da voz:
- Como é seu nome?
Ela não respondeu. Continuou a gritar chorosa que estava desmaiando, que iria ser morta pelo seqüestrador, etc. Mamãe permaneceu calada, até que um voz de homem - o seqüestrador telefônico - disse:
- Alô
Mamãe então respondeu:
- Pode falar.
- Estou com a sua filha muito machucada, ela está desmaiada sem puder falar... Como é o nome dela?
Nesse ponto, mamãe já estava com um olhar divertido, preparando o golpe para o meliante.
- Diga você. Respondeu. Se você está com uma das minhas filhas, você também está com os documentos dela...
- Olhe. Disse o seqüestrador impacientemente. Não sei se ela vai acordar, se acordar... Mamãe interrompeu, rindo, porque já havia falado com as duas filhas por outro telefone.
- Bom, se ela acordar, diga a ela que venha jantar comigo hoje à noite. Ah! Procure, outra ocupação, talvez uma lavagem de roupa, porque você é péssimo como seqüestrador. E desligou o telefone.
Isso me fez lembrar de uma História parecida, ocorrida com um conhecido hoteleiro de Natal, que recebeu telefonema similar. Ele estava no Bar Azulão quando o seqüestrador ligou pedindo R$ 30 mil para libertar sua esposa, pretensamente seqüestrada.
- O quê? Esse dinheiro todo? Pode matar essa jararaca! Respondeu, desligando o telefone.
Depois ligou para a mulher morrendo de rir, contando o desfecho da seqüestro telefônico, sem omitir nada. Ela passou um mês sem falar com ele quando soube que havia sido classificada como uma cobra jararaca.
Bom demais, Leo! kkkkkk É, sempre, uma delícia te ler!
ResponderExcluirParabéns, amigo!
Abração
Cláudia