Jornalista
Existem frases que ficam marcadas para a sempre e tomam o rumo da eternidade. Uma dessas é aquela de Ataulfo Alves que um dia disparou: “Eu era feliz e não sabia”.
É claro que para alguns essa frase não venha a ter o efeito por ele desejado. Muito casaram, tiveram filhos, melhoraram de vida e o passado, para estes, é algo para esquecer. Mesmo assim, eles jamais poderão dizer o inverso, ou seja, “Fui infeliz e não sabia”, pois estariam, dessa forma, vivendo seus piores momentos.
Quando Ataulfo falou aquilo, ele se referia apenas à inocência que ainda habitava nossos corações. Assim como uma bola de futebol ou uma boneca eram motivos para noites em claro de tanta felicidade. Como esquecer a família unida em torno de uma mesa comemorando o Natal, com direito a peru assado e ervilhas? E os afagos dos pais e irmãos mais velhos que nos deixavam com a certeza de tudo aquilo seria para sempre? O desconhecimento da dor, da solidão, da tristeza, fazia de nós os próprios heróis das revistas em quadrinhos. Isso era felicidade!
A vontade que me dá neste exato momento é de me embriagar e tentar, pela embriaguês, voltar ao passado. Aos colos de Emilio e Martha Salem, meus pais, ao convívio com Emilinho, meu irmão, e a desfrutar da doçura de Bebete, minha irmã.
Gosto de beber whisky, mas amargo como estou, só entra Campari.

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