terça-feira, 16 de novembro de 2010

Milhões de Vasos Sem Flores

Monara Bittencourt de Amorim
Citologista Oncótica

Cogito, ergo sum! (Descartes)

Não é de hoje que se têm notícias, sobre um mal que ataca milhões de pessoas no mundo todo: o Mal de Alzheimer. Doença degenerativa do cérebro, caracterizada inicialmente por alterações da memória episódica, observada principalmente em idosos. Nestes, podem ser sinais da doença, as mudanças bruscas de comportamento e recordações emocionais mais do passado que do presente. É uma doença que ataca de forma silenciosa e ardilosa, tirando de nós as "flores" dos nossos vasos, que são as nossas recordações. Deixando as nossas memórias, preciosas flores, armazenadas e adquiridas durante toda a nossa vida, esquecidas ou desaparecidas devido às falhas no nosso cérebro, que atrofia lentamente com o desenvolvimento deste mal.

Armazenadas e não lembradas, estas memórias, fazem do nosso cérebro, um grande vaso, sem flores para embelezá-lo. Mas, o que fazer para tornarmo-nos jardineiros da nossa própria mente e lutadores contra este mal que triunfa sempre, infelizmente, sobre o bem?

Para reforçar a memória que teima em ir embora, pesquisas recentes em universidades renomadas atestam que usar a força da emoção e de tudo o que tenha forte significado emocional para o paciente ajuda no retardo dos sintomas. Além disto, foi visto que atividades cerebrais intensas, isto é, ler, estudar assuntos novos, ensinar, observar e escrever com frequência, ajuda na redução do desenvolvimento deste mal.

Observou-se também, que para as flores estarem sempre presente em nosso vaso, é preciso certos cuidados, principalmente aos relacionados a uma alimentação adequada, sendo as frutas, a grande aliada no combate a instalação deste mal. A Indústria Farmacêutica, bem como os estudos médico-farmacológicos, avançam com intensas pesquisas na área da neuro-psico-anatomia, visando melhores resultados nos tratamentos desta doença. Porém, infelizmente, a verdade deve ser dita: desde 2003, o mundo gasta cinco vezes mais com implantes de silicone e com a compra de medicamentos para disfunções eréteis, do que o montante que é investido nas pesquisas científicas em busca da cura do Mal de Alzheimer.

Daqui a trinta anos irá conviver-se com uma enorme população de idosas e idosos, ostentando seios enormes ou atingindo ereções espetaculares, porém incapazes de lembrar para que servem tais detalhes. Então, vem daí um conselho: Pratique-se já a "jardinagem cerebral". Leia muito, estude qualquer assunto novo para você, ensine aos seus filhos ou netos as tarefas escolares, assista filmes e conte-os aos seus amigos, com todos os detalhes que lembrarem, e acima de tudo, converse com seus amigos, relembre as aventuras antigas e conte as recentes.

Um lapso de memória repetitivo, não deve ser considerado stress, fadiga, estafa... Somente um médico é quem pode avaliar este problema e classificá-lo para você. Jamais menospreze sinais ou sintomas clínicos, principalmente os cerebrais. Faça uso do seu cérebro, consulte sempre um médico, oriente-se com um farmacêutico, consulte um profissional em nutrição. Não se automedique. O arsenal terapêutico é um grande aliado no reflorescimento do vaso, que ainda possuem rosas. Desconhecer sua doença é a arma forte para não combatê-la. Seja curioso e case-se com o tempo e o conhecimento: viva o presente, lembre-se do passado e aposte na informação para o futuro. Somente o futuro é quem realmente trará sabedoria e serenidade para tratarmos este Mal.

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