terça-feira, 21 de junho de 2011

Collor e Sarney: Os cínicos da Nação

Paulo Correia
Jornalista
paulo.correia@r7.com


Esses dias, os ex-presidentes e atuais senadores da República, José Sarney e Fernando Collor de Mello, resolveram mostrar mais uma vez ao Brasil o asco que ambos possuem com a História e com a opinião pública. Resolveram, descaradamente, pedir a presidente Dilma Rousseff que barrasse qualquer iniciativa para disponibilizar para o grande público os documentos sigilosos do Brasil.

Os dois senadores, mestres na arte de ludibriar a Nação nas oportunidades em que governaram o país, agora exigem da administração Dilma que os documentos secretos de nossa História sejam trancafiados em porões e que somente daqui a 50 anos possam ser apresentados ao resto da sociedade.

E o pior é que a presidente Dilma resolveu, por hora, embarcar na conversa mole dos dois nobres. De acordo com os jornais, ela acatou o pedido de Sarney e Collor, e decidiu rever o projeto de lei de acesso a informações públicas. Um passo errado que suja a trajetória política da presidente, ex-militante de movimentos contra a ditadura militar no Brasil.

Com essas notícias, fica evidente o caráter desses dois ratos que ainda assombram o país. Fernando Collor de Mello e José Sarney fazem parte da banda podre que ainda se alimenta da falta de interesse dos brasileiros em discutir política. Uma falha grave que acaba deixando esses coronéis de antigamente no poder. E isso em pleno século XXI, que em tese deveria ser um tempo de modernidades. Não só de aparelhos eletrônicos, mas de idéias e atitudes.

Por que os nobres senadores não querem que documentos sigilosos do Brasil sejam abertos para futuras consultas públicas? Qual o medo desses dois em arquivos que remontam a Guerra do Paraguai ou aos porões do regime militar? E por que eles acham que são os donos da verdade, ignorando historiadores, professores e população em geral que gostaria de estudar o seu país em profundidade?

O pensamento de Sarney e Collor de Mello é idêntico ao dos grandes ditadores mundiais. Pessoas que possuem ódio mortal da liberdade e do conhecimento pleno. Facínoras que desejam que suas populações somente conheçam aquilo que é conveniente a eles. O estado do Maranhão, feudo da família Sarney, é prova incontestável desse pensamento retrógado. Naquelas terras, tudo é comandado com mãos de ferro pelo clã do bigodudo presidente do Senado Federal.

Somente vislumbro um paralelo no Iraque administrado por Saddam Hussein ou na Arábia Saudita da família Saud. Ditaduras que não admitiam opiniões divergentes e que caçavam os opositores na base da bala e da tortura. No Maranhão, a perseguição é feita com ameaças veladas e censura para os jornais e os seus repórteres que escrevem algo contrário aos familiares do velho Sarney.

Em Alagoas, o mesmo modus operandi é promovido pela família Collor de Mello. Um clã que soube como poucos aproveitar as benesses do poder.

No estado, a família é proprietária de um dos maiores complexos na área das comunicações do Norte-Nordeste do Brasil, composta por emissoras de rádio, pela TV Gazeta (afiliada da Rede Globo), e pelo jornal Gazeta de Alagoas, entre outros. Uma tchurma que, irmã gêmea da família Sarney, não mede esforços para monopolizar as notícias locais e somente divulgar aquilo que lhe convém.    

Uma pena que a presidente Dilma caiu na lábia dessas duas raposas.

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