Paulo Correia
Jornalista
Quem utiliza o transporte público já deve ter ouvido essa turma. Já deve ter sido obrigado a compartilhar a trilha sonora dessa moçada. Eles são conhecidos em Natal ou em qualquer outro lugar. Eles são os chatos que teimam em escutar suas músicas preferidas em alto volume nos ônibus da cidade. Estão por toda parte, e aí de quem reclamar.
Faz certo tempo que acompanho a trajetória dessa turma. Estão em todos os horários e em todos os coletivos. São onipresentes. Estão sempre munidos com os seus celulares de última geração e uma playlist de fazer inveja a qualquer DJ de Madri ou Londres.
Das caixinhas dos celulares sai de tudo, mas o forte por aqui é o insuportável forró eletrônico de bandas como Aviões do Forró ou Garota Safada. Um Grafith uma vez ou outra também é ouvido nos coletivos da cidade. Na esmagadora maioria das vezes, é uma turma muito jovem que observo com esse comportamento altamente individualista e desrespeitoso com o restante dos passageiros. Quanto mais alto o volume e pior a letra da música, melhor para essa gurizada.
Também já vi muito marmanjo armado com o seu celular e, apontando Luan Santana ou Calcinha Preta para o restante do ônibus, que sem muito que fazer, atura essas bobagens até o seu ponto final.
Fora esses chatos de plantão, ainda existem os apaixonados por uma música só. E ai meus amigos, é o fim da picada. Imagine o senhor ou senhora ter que ouvir várias e várias vezes a mesma canção? É Meteoro do Luan Santana entre Lagoa Nova e a Cidade Alta umas dez vezes.
O que leva essas pessoas a ouvirem música desse jeito? Será que elas sentem a necessidade de exibir para os outros a sua falta de educação? Acredito que é algo maior.
Essa falta de respeito pelo outro é um fenômeno, que dentro dos transportes públicos, é observado com mais clareza. Um exemplo clássico é o negar assento a idosos ou mulheres gestantes. Nos ônibus que cobrem Natal e Região Metropolitana, um verdadeiro festival de grosserias e má formação social são vistos a todo o momento.
Quando o respeito pelo vizinho entrará nas cabeças dessas pessoas? Será que já estão tão poluídas por besteirol que não conseguem aprender mais nada?
Quero acreditar que não.
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