quarta-feira, 15 de junho de 2011
Tóquio secreta
Paulo Correia
Jornalistapaulo.correia@r7.com
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Uma das boas surpresas lançadas em maio no mercado de livros foi Tóquio proibida – Uma viagem perigosa pelo submundo japonês, do jornalista norte-americano Jake Adelstein. No calhamaço de 456 páginas, publicado no Brasil pela Companhia das Letras, o autor conta sua história como o primeiro repórter estrangeiro a trabalhar em um grande jornal do Japão. No caso de Adelstein, o maior periódico do país, o Yomuri Shimbum. No livro ele também conta sua trajetória como repórter investigativo e a descoberta do underground de Tóquio.
Em meio às dificuldades culturais e uma rotina estressante no trabalho, Jake Adelstein descobriria nos 12 anos em que passou no Japão, as nuances de uma Tóquio sombria e perigosa, recheada de mafiosos da yakuza, pornografia infantil e tráfico de órgãos humanos. Uma cidade onde o trabalho da polícia muitas vezes é barrado por conta de pedidos secretos de altos membros ligados a máfia local.
Com os anos, Adelstein descobre que muito do que pensava sobre o Japão é pura ilusão. Descobre que no mundo da criminalidade não existe honra ou misticismos, mas a violência extrema e a corrupção que toma conta de vários órgãos oficiais. Observa o incrível poder da yakuza e o receio da imprensa em falar sobre a milenar organização criminosa.
Em um dos capítulos do livro, o jornalista conta sobre as ameaças de morte que sofreu dos membros da organização, irritados com uma matéria que citava Tadamasa Goto, um dos chefões da máfia.
Sem o apoio do jornal e de toda a mídia do país, que teme falar do mafioso, Adelstein deixa o emprego e passa uma temporada nos Estados Unidos, onde publica pela primeira vez os resultados da sua investigação. E é esse relato verdadeiro e corajoso que o leitor irá descobrir quando começar Tóquio proibida.
Vale cada centavo!
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