sábado, 22 de maio de 2010

ALÉM DA ALDEIA GLOBAL, PEDALO...

Plínio Sanderson
Escritor


um óleozinho na corrente. acendendo as idéias entrescondido em mixórias, que gaia como maná, caia e abra os caminhos a ser pedalados, movido a suor e pensamentos. ..

na mira do sol, azimute sul. descendo a gerânios, dropando o arvoredo. circundo o campus universitário, anel de verdes dunas. oh! latifúndio inócuo doliva exército, quanto desperdício para a cidade do prazer. toda aquela área deveria se transformar num imenso espaço aberto para os cidadãos. a quem cabe a cidade?

roberto freire, calçadão de pedras portuguesas equivocado. invocado, driblo caminhantes e passageiros de ônibus, que se misturam em desordem. dois ou mais corpos no mesmo espaço e mais uma bike no meio. melhor arriscar no asfalto-perigo. no trânsito, quem é mais pesado é senhor da rodagem. meninas lindas, pacientes, esperam a condução na incerteza da volta ao lar. cruzo a rf espiando a cidade que dá certo - utopia dos habitam a periferia.

via costeira, a duplicação dá a impressão de ter diminuído – a prova dos nove fora, duplicar para diminuir. cadê os jardins de burle marx? a iluminação? por que a descontinuidade da ciclovia? única na city e tão necessária? começa, para, começa, para, e o inverso também é verdadeiro. falta a passagem de níveis em alguns hotéis. e o perigo mora ao lado, do lado dos carros na selva asfáltica. tão belo o côncavo-covexo dunar do parque das dunas. la luna, entre carecas de quartzo, em quarto crescente brinca de mostrar-se.. . ocultar-se.. .

o salitre nos lábios, oceânica trilha. farol, banguela no fim-começo da costeira. praias: miami, artistas, do meio... quebro pararalela, urubuservando as benditas putas – que ofício essencial! viro em busca de santos reis. a lua, ao oriente do oriente, emblemática, se mostra islâmica. praia da limpa, outrora, montagem, do condor nazista a panair - mesmo antes de ser pipeline of oil. canto do mangue, porto dos urubus. maruim das pedras, frei miquelinho ícone herói de 1817. doutor barata, pós-rodoviária- museu. alagado do salgado, beco do tecido. cascudo, ayres, disputo corrida imaginaria com bondes fantasmas. prefeitura eclética, dobro no magestic, rua da palha - da alegria. aceno para richard no foyer do bardallos.

hotel sol, heitor carrilho, ouço o galo de caetano sanches ao fundo. deodoro (estou em palumbo ou poliedrie?) jundiaí, abbey road, como dizia marcelus, o bruce. câmara municipal esquerda, campos sales, quartel, américa. rodrigues alves, lagoa em reforma (será que vão derrubar o muro da prudente e incorporar a lagoa a cidade?) castelo, aero clube, hermes, defronte ao câmara cascudo, de leve na contra-mão , 16 ri, vila militar...

rumo às alvuras do morro branco... nova descoberta, margeio o complexo do quase finado machadão – pra quê te quero memória? potilândia, escola de artes, adentro novamente no campus. cei, de novo na mira solar, teimo em chegar. o bom filho, a casa da mami (que agora me chamar de meu bebe!) retorna. bóio na piscina, placenta de cloro. mapeio estrelas, cadentes em cantares, pulsares, quasares...

só agora soube que a novela das oito, nove, acabou. estou me libertando da aldeia global. tenho viajado muito, mesmo de lugar para dentro deste mesmo lugar. pedalando, protelo a morte.

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