Roberto Guedes
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A disputa que o PR e o PV travam em torno da candidatura a primeiro suplente ao lado do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB) está na origem do fato que há poucas semanas anulou as chances de que o deputado estadual Paulo Davim (foto) desfrutava de coadjuvar o senador José Agripino Maia (Dem), que almeja passar mais oito anos no Senado.
Decido a não tentar a reeleição, Davim esteve candidato a suplente, quando o PV, seu partido, consolidava seu apoio à reeleição de José Agripino. Seu nome foi mencionado várias vezes na imprensa natalense e o Senador lhe disse textualmente que queria tê-lo a seu lado como candidato a suplente.
ACORDO SECRETO
O atropelamento deste projeto ocorreu quando, paralelamente, o comando regional do PV celebrou com o PMDB e com o PR um acordo visando formarem coligação na chapa proporcional.
Uma cláusula que na época não foi divulgada e agora está sendo esgrimida por colaboradores da presidente regional do PV, prefeita Micarla de Souza, explica o afastamento de Paulo Davim da corrida pelo Senado: à sua revelia, o PV negociou com o presidente regional do PMDB, deputado federal Henrique Eduardo Alves, também líder desta agremiação em sua casa congressual, no sentido de indicar o candidato a primeiro suplente que tripulará a candidatura de Garibaldi Filho.
Mencionado à boca pequena desde então, só na presente semana este acordo chegou a público, por intermédio de um dirigente do PV, nominando a contabilista Rosy de Souza, irmã de Micarla e ex-secretária municipal de Assistência Social, como o candidato a primeiro suplente. Ao optar pela presença de Rosy ao lado de Garibaldi Filho, o PV, que tende a eleger um deputado federal, o vereador Paulo Wagner, abria mão da candidatura ao lado de José Agripino, que continua a receber o apoio da legenda.
A referência à escolha de Rosy foi feita ontem, em entrevista a um jornal de Natal, como resposta ao surgimento, no âmbito do PR, de uma reivindicação em torno desta suplência.
WILMA PODE GANHAR
O pleito do PR foi verbalizado pessoalmente pelo presidente regional da agremiação, o deputado federal João Maia, que declarou já estar certa a indicação do advogado Robson Maia, um seu primo residente em São Paulo, no Estado homônimo. Imediatamente ocorreu a reação do PV, lembrando que o PMDB, patrono da candidatura de Garibaldi Filho, garantiu-lhe a vaga quando as três legendas estudavam o acordo na faixa proporcional.
Cardiologista que desfruta de ótimo conceito no Rio Grande do Norte, onde também se avultou como líder sindical, Paulo Davim reiterou ontem, quarta-feira 19, seu propósito de voltar a se dedicar somente à medicina quando concluir seu mandato, em fevereiro do próximo ano. Mostrando desencanto com a vida pública, ele não se anima a falar sobre sua retirada da candidatura a suplente de Senador. Segundo consta, José Agripino também se conformou, passando a examinar outras alternativas.
O PR, porém, não se conformou, e pode usar a candidatura a suplente para criar um “affaire” e romper unilateralmente o acordo na faixa proporcional, num processo que afastaria João Maia da candidatura de Garibaldi Filho, devolvendo-o à órbita da ex-governadora Wilma de Faria. Disputando o Senado pelo PSB, ela se surpreendeu recentemente ao saber que o Deputado só havia declarado apoio ao candidato do PMDB.
Segundo fontes do PR, é legitimo que João persiga a candidatura a primeiro suplente para alguém ligado a ele, como Robson, porque tem crédito na gênese do acordo relativo ao pleito proporcional. Foi ele quem o idealizou, tendo como premissa a necessidade de melhorar as chances de reeleição de Henrique Eduardo Alves.
MOTIVO PARA ROMPER
Lembrando que o acordo foi muito mal recebido pelo PSB, o acólito de João Maia afirma que na ocasião os três partidos só trataram da questão relativa a candidaturas da deputado federal. Hoje, diante da afirmação do PV de que na mesma ocasião Henrique Eduardo firmou um pacto em separado com esta agremiação, cedendo-lhe a candidatura a suplente de Senador, o PV sente que os dois parceiros o excluíram do entendimento completo. Esta exclusão pode lhe dar o direito de romper o acordo, largando Henrique Eduardo à própria sorte e abraçando os parceiros que achar mais indicados e, principalmente, leais.
Qualquer movimento neste sentido suscitará em Natal muitas especulações. Uma delas se refere à participação do governador Iberê Ferreira de Souza, candidato à reeleição pelo PSB, nas movimentações do PR. Ele tem interesse em fortalecer a candidatura de Wilma, mas seu alvo preferencial seria José Agripino, não exatamente Garibaldi Alves Filho, tendo em vista que o insucesso eleitoral deste poderia sacrificar também Henrique Eduardo, cujo êxito interessa ao Governador.
Em segundo lugar, pode expor uma vocação que João Maia teria desenvolvido nos últimos tempos para sugerir e firmar acordos que ele próprio romperia logo depois, como ocorreu este ano em relação ao deputado estadual Robinson Faria, presidente da Assembléia Legislativa e do diretório regional do PMN e candidato a vice-governador pela oposição a Iberê. O processo que aparentemente buscava fortalecer Henrique Eduardo poderá ser interpretado como jogada adredemente preparada com o objetivo exatamente oposto, de largá-lo mais adiante de sorte a deixá-lo eleitoralmente mais enfraquecido do que antes de pactuar com o PR e com o PV.
Enquanto as possibilidades são examinadas, silenciosamente, Paulo Davim pavimenta o caminho de volta ao consultório e aos hospitais em que atuava antes de voltar à Assembléia Legislativa, no início de 2.009, sucedendo a Micarla, logo depois de ela chegar à prefeitura. Sem ter conseguido se reeleger em 2.006, após seu primeiro mandato na casa, ele retornou ao parlamento como primeiro suplente da coligação que os dois compartilharam há quatro anos.

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