sábado, 9 de outubro de 2010

No reduto de Nazaré

Novela de Eduardo Alexandre
Capítulo I


Na quarta-feira passada, Huguito Macedo aprontou por aqui. Convocou para uma discussão pósprimeiroturno, conversa de reiá o cano no reduto de Nazaré. Leozito apertou o nó e enviou pauta, pontos mais costurados que os bolsos de Alex, confidenciou mais tarde a Ricardo, balcão do Bardalos.
Na bike que custa mais que a limosine de Dunga, Plínio encosta derramando suores pelo corpo inteiro para anunciar presença de Volontê. E como de repente vem, vai, dobrando a esquina da Vigário.
Paulinho, de mau, chega e pergunta, de chofre, como dizia papai:
- Meninos, vocês não estão trocando de dia, não? Bia só vem amanhã...
Hugo levanta seu olhar fulminante, raios reflexos das águas das acauãs e depara vulto vindo envolto à escuridão.
- É Alex! Vai passar a noite falando de Macau, defendendo a Borboleta e coçando os ovos... Se abaixa para não bater a cabeça no celular de Tásia, toma os caminhos do balcão.
- Chegando e já saindo para outra reunião, aff!
Claudinha, doida alvoroçada do juízo, só chega assim: vapt!
- Cadê Dunga? Vou telefonar pra ele. Cadê Plínio? Retenticia na indagação, enquanto a cabeça vai rapidamente de um lado a outro como se a querer encontrar o povo da noite toda naquele exato instante.
- Crys vem?
- Respondeu nada, não. Mas Zé me ligou e disse que vinha. Informou Hugo.
No pesadão prateado, Tourinho chega à Coronel Cascudo, 130, descendo vidro lateral esquerdo do carango:
- Civone está terminando uns detalhes para a noite de Glorinha e Waldemar Ernesto no Tam, mas vem.
Barbeado, cara mais lisa que a do índio Serron de las Ribas dos Manguezais do Nordeste depois de noite inteira de aplicação de pepinos fatiados sobre cútis faciais, chega Leozito esfregando as mãos:
- Ermano a gente emplacou!

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