Flávio Rezende
Jornalista
Quem recebe os Emails do Bem está sempre tendo a oportunidade de ver tudo que fazemos. Pôde acompanhar nossos passos para construir a Casa do Bem, o nascimento dos projetos e os apoios que recebemos, além das ações que realizamos. São muitas coisas, praticamente cotidianas, envolvendo pretos e brancos, ricos e pobres, crentes e ateus, numa mistura divina que tem proporcionando a todos, a emoção e o prazer de servir e de ser servido com amor e carinho.
Quem me conhece de perto sabe o quanto coloquei energia nisso tudo, sem querer nada em troca a não ser o sorriso de todos. Esse é o projeto de uma vida. A Casa do Bem está finalmente pronta, tão cheia de atividades que nem podemos mais receber nada. Algumas aulas começam a acontecer fora das salas, em ambientes improvisados. Junto com esta enorme atividade cresce uma demanda por matéria prima e dinheiro para manter tudo funcionando. O que tenho até agora não cobre as despesas, todo mês o dinheiro que consegui juntar diminui, gerando estresse dentro do meu ser.
Procurei alguns empresários e pessoas mais aquinhoadas financeiramente. Todas educadamente respondem que já ajudam algumas instituições. Quando viemos ao mundo, já existiam maravilhosas entidades atuando e, competentemente foram conseguindo a boa vontade dos que podem. Acredito que hoje cerca de 6 ou 7 entidades conseguem captar 90% dos recursos disponíveis através de doadores ricos ou convênios diversos. Procurei os amigos de juventude, parentes e todos vocês que recebem os Emails do Bem. Quem lê lembra que repetidas vezes fiz apelos para que pudessem realizar depósitos tipo mesada via Banco do Brasil em nossa conta. Confesso que recebemos isso de duas ou três pessoas.
Não estou conseguindo sensibilizar nem os mais chegados.
A Casa do Bem nunca vai deixar de funcionar, como é uma questão de honra para meu ser, venderei tudo que tenho para que possa estar sempre aberta e com tudo em dia. Continuo recebendo muita ajuda, alimentos, roupas, violões e algum valor monetário da Apurn, Natal Cap, Shopping Cidade Jardim, Rede de Postos São Luiz e Prefeitura do Natal mas, como afirmei, insuficiente para nossa demanda mensal.
Todos os dias preciso conseguir muitas coisas para que tudo funcione, os cursos precisam de matéria-prima, estou esgotado, os amigos já não atendem mais as ligações, pensam que vou pedir algo, alguns se afastam ao me ver chegando para evitar algum outro pedido, algumas pessoas internamente vampirizam minha energia com futricas e problemas menores, pedidos de toda ordem estressam diante da impossibilidade de atendê-los mas, apesar de tudo, o foco é ajudar e servir a todos, instruí-los, dar um norte, amar, alimentar, dar a mão para que possam caminhar com mais confiança e, movido por este amor incondicional, todas as dificuldades são passageiras e não me destroem.
Preciso de pessoas que ajudem na captação dos recursos, na manutenção da entidade, que venham para somar sem querer nada em troca pessoalmente. Precisamos servir de maneira correta, ficando feliz em sermos úteis e podermos fazer a diferença na vida de um outro alguém.
Não deixarei a peteca cair apesar de em alguns dias ficar pensativo. Passo meus dias fazendo ofícios, passando e-mails, usando o Twitter, Facebook, telefonando, documentos, cartório, trânsito, entrevistas, textos, reuniões, esperanças, muita audição, paciência, problemas de toda ordem chegam, o tempo não para...
Apesar de tudo as crianças estão lá aprendendo capoeira, balé, informática, inglês, reforço escolar, comendo, jogando bola, surfando, karatê, hip hop, os idosos aprendendo a ler, fazer artesanato, alimentos, todos juntos estão indo conhecer os hotéis da cidade, os pontos turísticos, levamos para shows, peças, nos apresentamos em todos os lugares possíveis, publicamos livros, fazemos espetáculos lindos, não temos idéia de quantas pessoas ajudamos e de quantas ações já realizamos. A Casa do Bem é UMA ONG que na verdade tem dentro de si umas 50 outras ONGs, somos um mundo de atividades, tudo com uma ajuda mensal de pouco menos que 3 mil reais, somando tudo que conseguimos receber de pessoas individualmente e dos parceiros citados.
Vou continuar tocando o barco pois neste mar revolto da criminalidade, das drogas, onde os valores humanos decaem cotidianamente, preciso estar firme e forte para que o barco siga seu caminho, mesmo que em alguns momentos possa sentir náuseas, vomitar, achar que vou desmaiar de tão cansado e exausto, mas, pouco à frente o céu fica azul, o vento se acalma, o barco se apruma e com a gostosa brisa da boa vontade a me refrescar levanto a cabeça, miro no horizonte e sigo feliz, pois minha missão é levar essas muitas almas para um porto seguro.
Se alguém puder nos ajudar, nossa conta no Banco do Brasil é 26847-X - agência 1668-3.
Luz, paz e perdão pelo desabafo do bem.
Flávio Rezende - Presidente da Casa do Bem
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