sexta-feira, 3 de maio de 2013

Contra a degradação


Cassiano Arruda Câmara
DO NOVO JORNAL

Fernando Bezerril, secretário municipal do Turismo, tem uma característica indispensável para quem quer viver nesta querida cidade do Natal: a persistência. Há mais de seis anos que ele tem tentado resgatar um marco na história do crescimento da cidade, o Hotel Internacional dos Reis Magos.

Inaugurado no dia 7 de Setembro de 1965, no meio do maior comício até então realizado por essas bandas (pelo governador Aluízio Alves), era o primeiro hotel de porte erguido na orla nordestina. Construído pelo Estado e arrendado à Companhia Tropical de Hotéis, subsidiária da Varig (nossa maior companhia aérea), o HIRM não conseguiu atrair o número de turistas que se esperava, mas contribuiu para educar os natalenses, que ficaram livres do vexame de recorrer ao Hospital Miguel Couto (atual Hospital Universitário Onofre Lopes) para alojar os seus hóspedes mais ilustres. Com o Reis Magos, eles passaram a frequentar um primeiro restaurante de cardápio internacional, sem falar na sua boate, a “Bambelô”, que ajudou a mudar os hábitos da província numa aldeia de menos de 200 mil habitantes.

Pouco mais de dez anos depois, numa das primeiras ondas de privatização, o Reis Magos foi comprado por um grupo pernambucano que não teve sensibilidade para entender o real papel daquele hotel, que terminou descaracterizado pela transformação das áreas comuns em quartos, na expectativa de que, com isso, se tornaria um negócio mais rentável. Aí surgiram os primeiros hotéis da Via Costeira, num padrão muito superior e o hotel pioneiro foi transformado num favelão, até fechar de vez, descaracterizado e decadente.

Bezerril – de forma correta – tem provocado os seus proprietários a realizarem novos investimentos, e anuncia a possibilidade de uma joint venture para viabilizar os investimentos indispensáveis à sua ressurreição, contando com incentivos do município.

Como as crises são parteiras das mudanças, pela geração de oportunidades que terminam criando, é possível que Natal esteja encontrando uma oportunidade muito maior, se pensar grande e usar esse problema pontual numa alavanca capaz de impulsionar uma onda de progresso em toda uma área degradada, que tem tudo para ser valorizada, mas virou uma zona abandonada que envergonha a todos que amam e vivem nesta cidade.

Está na hora de a prefeitura criar mecanismos capazes de mudar o panorama da sua orla urbana, da Ponta do Morcego até o Forte dos Reis Magos, começando por fazer o seu dever de casa, desenrolando a questão da ZPA 7 (Santos Reis/Praia do Forte), que continua há mais de dez anos sem regulamentação (e sem uso), além de definir a questão de instalação de uma marina, equipamento indispensável ao turismo de alto nível, que, aliás, foi um objetivo perseguido pelo mesmo Bezerril, há seis ou sete anos e que terminou barrado por uma falsa visão, encampada pela Câmara Municipal de que altos investimentos são poluentes. Um tipo de enxergar o mundo que classifica a instalação de campos de golfe como sendo causadores de impacto ambiental a ser combatido pelos fundamentalistas da nossa ecologia...

Natal não pode continuar submissa a uma malta de eco-picaretas, eco-chatos, fundamentalistas da ecologia e inocentes úteis, barrando os caminhos para o desenvolvimento sustentável pela imposição de dogmas imutáveis pela visão estreita de quem é incapaz de enxergar o todo, que não conhece as políticas compensatórias como existe em todo o mundo civilizado para permitir o uso dos recursos naturais.

Para uma administração municipal que chega ao seu quarto mês, conquistando o reconhecimento da população pela tentativa de restabelecer os serviços essenciais sob sua responsabilidade, mas que sabe de que esse reconhecimento está próximo do seu prazo de validade, a reconquista das praias dos Artistas, do Meio e do Forte para o desfrute da população, pode ser um marco importante.

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