Minervino Wanderley*
O povo brasileiro vem dando mostras de que prefere conviver, e até mesmo se acostumar, com irregularidades que, se ocorressem em outras terras teriam, com absoluta certeza, outros desfechos. Não vemos mais a indignação popular. Parece que ninguém acredita mais no cumprimento das nossas – inúmeras e desrespeitadas – leis.
Há alguns dias, depois de descobertas as invasões à privacidade da filha de Serra e de seu marido, nos arquivos que julgávamos “blindados” da Receita Federal, o ministro Mantega diz, com a maior naturalidade, que isso acontece “com regularidade”. Para piorar, amigo leitor, imagine um país no qual a Polícia Federal investiga o próprio Governo. Em que ou aonde isso vai dar? Acredito que o assunto vá cair na vala-comum dos escândalos que já ocorreram e foram para a “Terra do Faz de Conta”.
Trazendo para o nosso âmbito, fomos bombardeados pela vereadora Sargento Regina – não adianta dizer que não disse – falando das das falcatruas existentes na Câmara Municipal dessa cidade que, mais uma vez prova, não merece alguns desses representantes. Compra de votos, roubos, negociatas, “arrumadinhos”, entre outros, ilustraram a “entrega” da Sargento Regina.
Se o que a vereadora disse é verdade, devem entrar em campo o Ministério Público, Polícia Federal, Comissão de Ética da Câmara para, com o respaldo do anseio popular, fazer uma autêntica “limpeza” nesse segmento. Assim, teriam que se defender, por ordem de hierarquia política, o senador Agripino, o presidente da Câmara, Dickson Nasser, os vereadores Ranieri Barbosa e George Câmara. Isso sem esquecer que a Sargento seria, no mínimo, cúmplice e omissa com relação às denúncias.
Caso contrário, esses acusados deverão adotar as providências cabíveis e colocar em pratos limpos as denúncias e enquadrar a denunciante na forma da Lei.
Mas, sinceramente, não me vem a sensação de isso vá ter um final justo e seguido à luz da Lei. Digo isso porque vejo o candidato a vice-governador, Álvaro Dias, dizer que “tudo foi espionagem e que o material deve ser analisado”. Ora, ora, Álvaro! O que vale é o que você menos valoriza, que é o conteúdo das filmagens. Nada contra o desejo – legítimo - de Álvaro querer ser vice-governador do Estado, mas, dizendo o que disse, acho que ele deve repensar seus anseios políticos.
Enfim, amigos, Sargento Regina fez exatamente o que Roberto Jefferson. Ele acusou, ficou cara-a-cara com os acusados e não me lembro de alguém ter ido ver o “sol quadrado”. É uma pena.
Isso tudo mostra que ainda não demos nosso verdadeiro grito de independência.
*Jornalsita

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