O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) informou hoje que mais de 300 mil pessoas já deixaram a Líbia por causa da violência interna no país e anunciou que está preparando um plano de contingência para responder a um possível fluxo massivo em direção ao Egito.
Das cerca de 300 mil pessoas que já deixaram a Líbia, quase 160 mil
cruzaram a fronteira com a Tunísia e outros 130 mil saíram pela
fronteira com o Egito. Outras cruzaram as fronteiras com Níger e
Argélia.
“Os eventos nos próximos dias serão cruciais em relação a um possível
fluxo massivo de deslocados no leste da Líbia”, disse em Genebra a
porta-voz do ACNUR, Melissa Fleming. Ela acrescentou ser possível que
outras de saída do país estejam sendo bloqueadas - o que tornaria a
fronteira da Líbia com o Egito um destino natural das pessoas que querem
deixar o território líbio.
Fleming disse que as equipes do ACNUR verificaram, nos últimos dias, um
número crescente de líbios fugindo para o Egito. Foram cerca de 1.490
na última quarta-feira, de um total de 3.163 pessoas. “A maioria dos
entrevistados na fronteira com o Egito disse que deixaram a Líbia pelo
medo de serem atingidos no conflito. Muitos mencionaram as recentes
ameaças feitas pelo governo de bombardear Benghazi”, acrescentou
Fleming, mencionando uma cidade ainda dominada pelas forças
anti-governamentais.
O ACNUR ouviu relatos consistentes das novas chegadas de todas as
nacionalidades sobre os numerosos postos ao longo da estrada de Trípoli
a Rad Adjir, na fronteira com a Tunísia. Eles descreveram abusos por
soldados pró-governo na rota, incluindo um confisco contínuo de
celulares, cartões de memória e câmeras.
“Refugiados e solicitantes de refúgio em contato com o ACNUR via
telefone relatam que fugir para a fronteira tem se tornou mais perigoso,
principalmente para os homens solteiros, que correm o risco de
recrutamento forçado pelo Exército líbio”, ressaltou a porta-voz do
ACNUR.
Centenas de refugiados permanecem escondidos na Líbia, sendo que muitos
relataram ao ACNUR que estão sem comida e vivendo sob medo constante. O
ACNUR Trípoli e seus parceiros locais continuam a oferecer assistência
aos refugiados e aos solicitantes de refúgio com quem mantêm contato.
ACNUR e OIM - O ACNUR e a Organização Internacional para Migrações
(OIM) informaram hoje que seu programa conjunto de retiraras de
trabalhadores migrantes que fugiram da Líbia para o Egito e a Tunísia já
beneficiou mais de 50 mil pessoas.
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