quarta-feira, 16 de março de 2011

Com 280 mil civis já tendo deixado a Líbia, o ACNUR teme pela segurança daqueles impedidos de sair do país

O Alto Comissariado da ONU para refugiados (ACNUR) informou hoje que mais de 280 mil pessoas já deixaram a Líbia. Esse dado inclui cerca de 150 mil pessoas que fugiram para a Tunísia, 118 para o Egito, 2,2 mil para o Níger e nove mil para a Argélia. Embora o número de pessoas deixando a Líbia continue
crescendo, a agência da ONU está preocupada com o fato de que o ritmo de saída do país esteja sendo mais lento do que o esperado.
“Normalmente, em situações de deslocamento massivo como esta,
esperaríamos ver um número significativo de pessoas feridas,
especialmente mulheres e crianças, mas até agora as nossas equipes na
fronteira com o Egito e a Tunísia relatou poucos casos”, a porta voz
do ACNUR, Melissa Fleming, disse aos jornalistas em uma conferência de
imprensa em Genebra na terça-feira.
“Nossas linhas telefônicas diretas continuam recebendo pedidos de
ajuda de refugiados e solicitantes de refúgio presos na Líbia. Houve
relatos de que refugiados eritreus estão sendo detidos tanto na região
leste quanto oeste do país” adicionou, apelando às partes envolvidas
no conflito que garantam a passagem segura de todos os civis que fogem
da violência na Líbia.
No Egito, das 2,2 mil pessoas que chegaram ontem à fronteira mil eram
líbios, incluindo famílias inteiras provenientes da cidade oriental
de Ajdabiyya. Muitos disseram temer que as rotas para sair da Líbia
sejam bloqueadas na medida em que aumente o cerco à zona de combate.
A maioria deixou a fronteira depois de ter seus documentos registrados.
Entretanto, ainda há cerca de 3,5 mil pessoas retidas na fronteira
egípcia, lutando para lidar com as baixas temperaturas e com abrigos
inapropriados. O ACNUR e seus parceiros têm distribuído cobertores,
colchonetes, alimentos e água. A maioria dessas pessoas é de Bangladesh,
embora 879 bengaleses tenham retornado ao país ontem na medida em que o
número de vôos entre Bangladesh e Egito aumentou.
Além disso, encontram-se presas em Saloum outras 141 pessoas de
responsabilidade do ACNUR, incluindo somalis, eritreus, etíopes,
darfurianos, marfinenses e palestinos. Especificamente, há um grupo de
80 eritreus que conseguiu cruzar a fronteira na segunda feira, após
fugir de Benghazi. Também continua na fronteira outro grupo de 35
somalis, cinco eritreus e três etíopes, que também estavam presos em
Benghazi, mas que foram retirados de barco para Alexandria e
transferidos em seguida para Saloum.
O ACNUR está realizando o procedimento de determinação do status de
refugiado para o grupo e pediu ao Governo do Egito que permita que
refugiados e solicitantes de refúgio entrem no país e se acomodem longe
da área de fronteira até que uma solução possa ser encontrada.
Na Tunísia, mais de 16 mil pessoas instaladas em um campo na fronteira
estão à espera de transporte ou outras soluções. Em média, cerca de três
mil pessoas têm chegado diariamente à região desde sexta-feira. Muitos
dos recém-chegados disseram aos funcionários do ACNUR que passaram
vários dias no aeroporto de Trípoli antes de vir para a Tunísia.
Desde o início da operação conjunta de retirada humanitária entre a
Organização Internacional para Migrações (OIM) e o ACNUR, no dia
primeiro de março, 25 vôos do ACNUR, na Tunísia e no Egito,
transportaram mais de 6 mil pessoas de volta para Egito, Bangladesh e
Mali. Outros 15 vôos estão programados para hoje, levando cerca de três
mil africanos sub-saarianos para Mali, Gana, Chade e Níger.
Outros 75 vôos transportarão aproximadamente 15 mil nacionais para seus
respectivos países na África Subsaariana durante a próxima semana. Essa
ação foi viabilizada a partir da decisão do Alto Comissário, Antonio
Guterres, de liberar cinco milhões de dólares adiciona
is, da reserva
operacional do ACNUR na segunda feira.

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