segunda-feira, 14 de março de 2011

Encontros e despedidas com Zeus e Luna*


Muriu de Paula Mesquita
Jornalista em Natal.

*Esta é uma crônica de evocação pela memória de dois queridos animais de estimação que agora estão no céu dos bichos

A chegada de um filhote encheu nosso lar de alegria. Zeus era o cãozinho Rotwailler mais meigo da ninhada. Toda a suposta ferocidade da raça era esquecida pelos que chegavam perto para acarinhá-lo, encorajados pelo olhar dócil, que retratava fielmente a lealdade canina. O nome do nosso belo animal, inspirado na mitologia grega, se encaixava perfeitamente na imponência e elegância de Zeus, deus do céu e da Terra, senhor do Olimpo, a divindade suprema do Universo. Criado com carinho pelo meu irmão Surya - que também significa deus do sol em sânscrito, uma língua hindú – Zeus protegeu como um guardião celestial três de nossas residências em pouco mais de oito anos de existência terrena.

Assim como na canção de Milton Nascimento, “O trem que chega é o mesmo trem da partida”. E a Roda Viva do reino animal girou. Em ritmo de Encontros e Despedidas, Zeus nos deixou e se foi para o além.

Em meio à saudade de Zeus, Luna surgiu como um astro para iluminar nossas vidas. A cadelinha filhote de Golden Retriever carregava um brilho radiante em seu pelo dourado e até no próprio nome astral. Mas Luna não era deste mundo. Sensível, arisca e curiosa, La Bella Luna brincava no jardim. E ingeriu algo como o fruto proibido de Adão e Eva. Atendida por uma médica veterinária, ela não resistiu à intoxicação e regressou ao paraíso celeste prematuramente aos quatro meses de vida.

A efêmera Lua espanhola nascida em Natal deixou uma semente de alegria, melancolia e saudade. Quem gosta de pássaros admira o cântico do Rouxinol. Já os sertanejos aplaudem o canto dos aboiadores. E eu ouço amiúde os latidos inconfundíveis de Zeus e Luna, que ecoarão eternamente pelos quatro cantos do universo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário