sexta-feira, 18 de março de 2011

Vítimas de violência sexual no Congo pedem ajuda à comunidade internacional

Marie* foi estuprada pela primeira vez há três anos, durante um ataque a sua aldeia, que matou seu marido e seus 10 filhos- ela tinha cerca de 70 anos na época. Em janeiro, a avó congolesa foi estuprada novamente por homens armados quando, em uma tentativa de encontrar uma adolescente que tinha desaparecido enquanto procurava lenha na floresta, ela saiu do abrigo de Mugunga III - um campo para cerca de dois mil dos deslocados mais vulneráveis no leste da República Democrática do Congo.
"Eu lhes disse que era uma mulher pobre e que eu não estava interessada
em política. Eles então me perguntaram se eu preferia morrer ou ser
estuprada. Eu respondi, "Viole-me, então", contou Marie, visivelmente
abalada ao se lembrar do segundo incidente. "Eles eram seis. Quando um
terminava, outro tomava seu lugar. Eles me bateram e quebraram meu
joelho. Outras mulheres também estavam na floresta e, depois de terem
sido estupradas, os homens enfiaram pedaços de madeira dentro delas e
elas morreram", disse ao ACNUR. "Tive sorte, eles não me mataram".
Muitas outras mulheres da província congolesa de Kivu do Norte têm
sofrido abusos e perdas familiares semelhantes, o que as leva a sentir
que o mundo exterior tem feito muito pouco para ajudá-las ou para
resolver o amplo problema da violência sexual e de gênero nesta região
esquecida da África. No ano passado, cerca de 15 mil casos de violência
sexual foram relatados na RDC, principalmente nas províncias orientais.

Ela faz parte do grupo de 20 mulheres do campo que pediu aos
funcionários do ACNUR, no final de fevereiro, para contar ao mundo
suas histórias e pedir ajuda. "Estamos emocionadas ao ver que as pessoas
pensam em nós", disse outra vítima, Thérèse, "mas também precisamos de
ajuda para superar nossos problemas e sustentar nossas famílias, apesar
do nosso sofrimento emocional desde que fomos estupradas".
Enquanto isso, o ACNUR tem respondido com rapidez a uma importante
demanda de Mugunga III, ao lançar um projeto que fornece fogões de baixo
consumo a cerca de 500 mulheres, para que não tenham mais que buscar
lenha na floresta. Elas também aprenderão a fazer tijolos de serragem e
papel. O projeto beneficiará todas as famílias do campo.

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