quarta-feira, 9 de março de 2011

ACNUR teme que civis estejam sendo impedidos de deixar a Líbia

O número de civis que estão fugindo da violência na Líbia em direção à Tunísia caiu significativamente deste a última quarta-feira, e o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) considera que estas pessoas estão sendo impedidas de deixar o país. “Estamos preocupados que medidas de segurança na Líbia possam estar impedindo estas pessoas de deixar o país”, afirmou em Genebra a porta-voz do ACNUR, Melissa Fleming.

Na semana passada, entre 10 e 15 mil pessoas estavam cruzando
diariamente a fronteira da Líbia com a
Tunísia. Desde ontem, o número caiu para menos de duas mil pessoas por
dia. “A fronteira do lado líbio está sendo controlada por forças
pró-governo fortemente armadas. Aqueles que conseguiram cruzar a
fronteira nos disseram que telefones celulares e câmeras foram
confiscados, e muito estão apavorados e não querem falar”, ressaltou
Fleming. “Se o controle militar da fronteira e das rodovias reduzirem,
acreditamos que um fluxo massivo de pessoas voltará a acontecer”,
completou a porta-voz do ACNUR.
Segundo a agência da ONU para refugiados, está progredindo a operação
de retirada humanitária das pessoas que cruzaram a fronteira com a
Tunísia, principalmente os de nacionalidade egípcia. A operação é
realizada de forma conjunta pelo ACNUR e a Organização Internacional de
Migrações (OIM). Países como Egito, Tunísia, França, Alemanha, Itália,
Espanha e Reino Unido ofereceram transporte aéreo e marítimo para a
retirada dessas pessoas. O governo egípcio já repatriou dezenas de
milhares dos seus nacionais. Entretanto, cerca de 12,5 mil pessoas ainda
aguardam repatriação, sendo mais de 10 bengaleses. Hoje, dois vôos estão
previstos para Bangladesh.
Fleming informou que Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Comissão
Européia, Dinamarca, Espanha, França, Luxemburgo e Polônia já ofereceram
fundos ao ACNUR para apoiar a resposta da agência à crise líbia. Doações
privadas também estão ocorrendo.
Em Benghazi, no leste da Líbia, uma equipe do ACNUR que participa de
uma missão inter-agencial de avaliação encontrou um acampamento no porto
da cidade com cerca de oito mil estrangeiros esperando para serem
retirados do país. A maioria espera ser retirada nos próximos dias.
“De acordo com nossas equipes, a organização Vermelho Crescente da
Líbia está muito ativa na prestação de assistência humanitária,
inclusive ajudando nacionais de outros países e refugiados a chegar à
fronteira”, afirmou Melissa Fleming. Segundo ela, o principal problema
em Benghazi é a falta de médicos, uma vez que a grande maioria de
estrangeiros profissionais de saúde já foi retirada da região. Há também
uma preocupação com a falta de combustível e de comida, o que poderá
acontecer nos próximos dias.

Nenhum comentário:

Postar um comentário