Insurgentes líbios afirmaram nesta sexta-feira que, apesar de o ditador Muamar Kadafi ter decretado um cessar-fogo imediato, as tropas do governo estão atacando a cidade de Misurata e pelo menos 12 pessoas, incluindo quatro soldados de Kadafi, foram mortas. Segundo o Wall Street Journal, os insurgentes em Misurata afirmam que as tropas de Kadafi iniciaram o assalto contra a cidade à 8 horas da manhã, horário local.
O governo líbio negou que esteja violando o cessar-fogo, anunciado um dia depois de o Conselho de Segurança da ONU aprovar resolução que abre caminho para uma ação armada contra Kadafi. Com abstenção do Brasil, foi aprovada a criação de uma zona de exclusão aérea, medida que proíbe voos sobre a Líbia.
Mas testemunhas em Misurata disseram à rede Al Jazeera que pelo menos 25 pessoas foram mortas hoje em Misurata. Abdulbasid Muzairik, um morador da cidade, disse à Al Jazeera que as tropas de Kadafi bombardeiam o centro de Misurata. "O cessar-fogo não está vigorando. Ele [Kadafi] continua a atirar e a matar as pessoas na cidade", afirmou. Misurata é a terceira maior cidade da Líbia e a última que os insurgentes controlam no oeste do país.
Pressão internacional
Enquanto União Europeia examina os detalhes do anúncio do cessar-fogo do regime líbio, a comunidade internacional aumenta a pressão sobre o ditador. O chefe da diplomacia francesa, Alain Juppé, afirmou nesta sexta-feira que tudo está pronto para uma ação militar no país árabe.
Já a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, reiterou a exigência norte-americana para que o líder líbio deixe o poder e disse que as declarações de cessar-fogo de Trípoli serão julgadas pelas "ações" e não por palavras.
"Esta é uma situação instável e dinâmica. Nós não seremos suscetíveis ou ficaremos impressionados com palavras. Teremos de ver ações", disse Hillary aos jornalistas. "Vamos continuar a trabalhar com nossos parceiros e com a comunidade internacional para pressionar Kadafi a sair e apoiar as legítimas aspirações do povo líbio", afirmou.
O presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, engrossou o coro e advertiu que "a comunidade internacional não se deixará enganar pelo regime líbio, e vai verificar por todos os meios o cumprimento estrito da resolução" da ONU.
Ante as ameaças, Kadafi intensificou a retórica beligerante. Em entevista à televisão lusa nesta sexta, prometeu criar um "inferno" sobre quem atacar o país, afirmando que um conflito como esse acabaria com a segurança no Mediterrâneo.
"Se o mundo atua como um louco, nós faremos o mesmo. Vamos responder. Também faremos de sua vida um inferno. Nunca terão paz", disse o dirigente líbio. "A região do Mediterrâneo ficaria danificada, destruída, não haveria nenhuma circulação segura nem marítima nem aérea", previu o coronel ao ser perguntado pela possibilidade de uma operação internacional contra seu regime, concretamente com a participação da França.
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