O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) disse nesta sexta que o conflito no sul e centro da Somália, entre as forças do governo e a milícia Al-Shabaab, já deslocou 33 mil pessoas nas últimas seis semanas. Mais de 1.4 milhão de pessoas estão deslocadas dentro do país.
O ACNUR está monitorando a piora da situação no sul e centro da
Somália, onde enfrentamentos esporádicos continuam ocorrendo nas
cidades de Doolow, Bulo Hawo, Luuq, Elwaaq, Dhoobley, Diif e Taabdo”,
disse o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, aos jornalistas em Genebra.
“Estamos pedindo novamente a todos os grupos armados na Somália que
não incluam as áreas civis em seus alvos e garantam que os civis não
sejam colocados em risco”, acrescentou.
O ACNUR estima que quase metade desta população de 33 mil deslocados
estava em Mogadishu, capital da Somália. “Muitos estão em situações
desesperadoras, sem acesso a ajuda humanitária”, disse Edwards,
mencionando ainda que Mogadishu já abriga cerca de 372 mil deslocados.
Parte dos novos deslocamentos é de pessoas fugindo dos bombardeios em
Dhoobley, cidade fronteiriça com Liboi no norte do Quênia e que funciona
como última parada para os que fogem da Somália com esperança de
alcançar o complexo queniano de refugiados de Dadaab. Segundo fontes
locais, o clima na cidade e em suas redondezas continua tenso. As forças
que apóiam o Governo Transitório Federal têm aumentado seu controle da
cidade, que foi tomada no começo desta semana.
Em Buloi Hawo, cidade somali na fronteira com Mandera no nordeste do
Quênia, as pessoas estão precisando urgentemente de abrigo. “Nossa
equipe relatou que 150 abrigos permanentes e cerca de 400 a 500
estruturas temporárias foram destruídas durante os recentes bombardeios.
A área comercial também foi destruída e muitas pessoas estão dormindo ao
relento”, disse o porta-voz em Genebra.
Várias organizações não governamentais fizeram rápidas avaliações em
Elwaaq e Dhoobley. Quando as condições de segurança e acesso permitirem,
o ACNUR espera participar de uma missão conjunta para visitar estas e
outras cidades e vilas para planejar a distribuição de ajuda.
No final de março, o ACNUR conseguiu distribuir cerca de três mil kits
para pessoas que retornaram para Bulo Hawo após os recentes bombardeios.
Estes kits incluem lonas de plástico para abrigo, cobertores,
colchonetes, utensílios básicos de cozinha e sabões.
Enquanto isso, o número de chegadas de somalis ao Quênia tem crescido
gradualmente nos últimos três meses. Mais de 31 mil somalis chegaram ao
Quênia somente em 2011. Este país abriga mais da metade dos 680 mil
somalis que vivem como refugiados nos países vizinhos.
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