Ao ocupar a Tribuna do Senado nesta quinta-feira, 7 de abril, o senador Paulo Davim lamentou o assassinato das crianças em Escola do Rio de Janeiro, externando sua profunda tristeza e mais absoluta indignação com o fato. "Pequenos brasileiros perderam as suas vidas hoje, num assassinato brutal", lamentou.
Em seguida, reportando-se aos colegas senadores e à presidente da Mesa, naquele momento, a senadora Marta Suplicy, Davim reiteirou discursou de apoio ao movimento médico nacional que hoje paralisou suas atividades em protesto aos baixos honorários pagos à categoria, por parte das operadoras de planos de saúde.
"Os médicos do Brasil inteiro, capitaneados pelo Conselho Federal de Medicina, pela Associação Médica Brasileira e pela Federação Nacional dos Médicos, desencadearam um movimento de paralisação do atendimento aos usuários de plano de saúde por entenderem que há uma relação desgastada e desrespeitosa por parte das operadoras de plano de saúde com os médicos que lhes prestam serviço", iniciou ele.
O senador levou aos colegas informações que dão conta de que
existem atualmente, registrados no Conselho Federal de Medicina 347 mil médicos, dos quais 160 mil atuam na saúde suplementar, ou seja, atendendo usuários de plano de saúde. Segundo ele, existem no Brasil atualmente, 1044 operadoras de plano de saúde que prestam atendimentos a 45,5 milhões de brasileiros, o que corresponde a 24% da população. "Essas operadoras faturaram, no ano de 2010, a bagatela de R$64,2 bilhões. O fato é que, de 2000 a 2009, esses planos de saúde tiveram os seus serviços reajustados em 133%, embora a inflação acumulada, ao longo desse período, tenha sido de apenas 106%", disse ele, continuando: "No entanto, não conseguem praticar o pagamento de honorários obedecendo à mesma proporcionalidade, e os médicos percebem, por consulta, de R$25,00 a R$40,00, o que é um absoluto desrespeito à atividade médica no Brasil. Por isto, os médicos cruzaram os braços: por não aceitarem o aviltamento dos honorários, por não aceitarem a ingerência dos planos de saúde sobre o ato médico, sobre a atividade médica propriamente dita. Não podemos permitir que o plano de saúde diga qual é o dia e qual é o tempo em que nós poderemos internar e manter o paciente internado no hospital, nem, muito menos, que tipo de exame o médico deve realizar para diagnosticar os problemas dos seus pacientes", argumentou.
Projeto de Lei do Senado
No discurso dessa tarde de quinta-feira, o líder do PV no Senado, também falou sobre o PLS que dispõe sobre a jornada de trabalho e concessão de férias diferenciada para trabalhadores de urgência e emergência de todo o país. Nesse projeto de lei, o senador propõe que as férias sejam divididas em 20 dias, a cada seis meses, por entender que os profissionais urgentistas são submetidos a uma grande carga de estresse diário. "Sobre eles abate-se uma maior incidência de doenças cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais, distúrbio do sono, gastrite, e uma grande incidência de etilismo. Enfim, todas doenças caracterizadas como doenças do estresse se abatem mais frequentemente sobre esse segmento. Inclusive, detecta-se a maior mortalidade por profissão exatamente nesse segmento de servidores que trabalham na urgência e emergência médica. Pensando nesses servidores, pensando em economizar a saúde física e mental deles apresentei esse projeto de lei permitindo dois períodos de férias por ano, dois períodos de férias de vinte dias, intercalados com 180 dias trabalhados. Essa é uma forma de preservar a saúde de quem cuida. Não poderemos jamais dar as costas a esses servidores que atendem, que convivem diuturnamente com a dor, com o sofrimento e com a morte. Por isso mesmo pagam um preço muito alto, um preço da saúde física e mental", justificou no Senado, finalizando que espera a sensibilidade dos colegas e a aprovação da matéria na Casa.

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