terça-feira, 12 de abril de 2011

Maior valorização


Paulo Correia
Jornalista

Esses dias foi divulgado que a classe dos empregados em supermercados e os seus patrões entraram em debate para definir questões relacionadas ao aumento salarial e outros pontos que afetam todas essas pessoas no ambiente de trabalho. Nada mais correto. Nada mais justo.
O que chamou a atenção desse pobre jornalista de canto de página foi o tratamento dispensado pelo advogado do patronato, não lembro o nome agora, que disse em uma matéria de jornal que os seus clientes não poderiam dar folgas para os funcionários que trabalham durante o domingo porque a sociedade se acostumou com os supermercados abertos nesses dias. Segundo esse nobre, seria um retrocesso.
Acredito que isso é uma tremenda falta de respeito para com essas pessoas. Homens e mulheres que passam o dia correndo de lá para cá, atendendo clientes pé no saco, e ainda tendo que aturar uma declaração estapafúrdia como essa. Dita por um polido homem do direito.
Tenho plena consciência da importância de supermercados para o desenvolvimento econômico de uma cidade. Sei do seu papel de gerar empregos e de rodar a catraca do capitalismo. Mas esses tratamentos pouco humanos com funcionários, muitos deles com mais de 15, 20 anos de casa, é inadmissível. Já não basta a carga horária pesada ao qual essas pessoas enfrentam todos os dias?
Já passou da hora de algum órgão responsável ou alguma entidade de classe tomar partido dessas pessoas. Defendendo os seus direitos legais. Uma maior valorização para com os funcionários de supermercados é imprescindível para quem almeja uma sociedade mais humana e justa.
O respeito que todo patrão cobra dos seus empregados deve também partir dele. Não vivemos mais no tempo da escravidão, onde um homem trabalhava até cair doente ou morto. As leis trabalhistas existem. Boas ou ruins, elas devem ser respeitadas e cumpridas.
Sem isso, estaremos caminhando para um capitalismo louco, brutal, e que não respeita nem as leis constituídas.

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