Angelina Jolie, embaixadora da Boa Vontade da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), viajou nesta terça, 05, para a fronteira entre Tunísia e Líbia para pedir maior apoio internacional às pessoas fugindo deste país.
Mais de 400 mil pessoas já escaparam da violência na Líbia no mês
passado e se dirigiram a países vizinhos como Tunísia, Egito, Níger,
Argélia, Chade e Sudão. Somente a Tunísia recebeu mais da metade
deste fluxo e mobilizou uma excelente operação de ajuda humanitária.
“A demonstração de generosidade por parte da população tunisina diz
muito sobre o futuro do país”, afirmou Jolie. “É um sinal da
abertura que está ocorrendo na região”.
No final de fevereiro, acampamentos temporários foram construídos ao
longo de sete quilômetros na Tunísia para oferecer abrigo temporário. Ao
mesmo tempo, o ACNUR e a Organização Internacional para Migrações (OIM)
começaram ajudar os migrantes a voltarem para suas casas por meio de um
programa de retirada humanitária por via aérea. Atualmente, mais de 70
mil pessoas já foram levadas a suas casas em segurança com a ajuda do
ACNUR e da OIM, mas mais pessoas continuam chegando. Cerca de 11 mil
nacionais de terceiros países ainda devem ser enviados a seus países de
origem.
“A comunidade internacional contribuiu bastante para fortalecer o
esforço de ajuda humanitária da Tunísia”, disse a Embaixadora do
ACNUR. “Mas com duas mil pessoas chegando ao país diariamente, o ritmo
da doações precisa ser mantido”.
Durante sua visita, uma contribuição importante foi feita pela Fundação
Jolie-Pitt para apoiar as retiradas humanitárias que estão sendo
realizadas. A Fundação cobriu os custos de um vôo para 177 pessoas
retornarem a seus países de origem e da aquisição de uma ambulância para
apoiar os esforços tunisinos de assistência humanitária na fronteira.
“Nós encorajamos indivíduos e governos a continuar ajudando e
assistindo as necessidades daqueles que estão no terreno”, disse
Jolie.
Enquanto migrantes compõem a maioria das novas chegadas ao país,
existem aproximadamente 2,5 mil pessoas líbias que não podem retornar às
suas casas e precisam de proteção internacional.
Para a Embaixadora de Boa Vontade, “Eles estão esperando aqui sem
muita esperança, incapacitados de voltar para suas casas e sem saber o
que o futuro lhes prepara. Este constante ciclo de deslocamento deve
terminar”.
Nesta terça, em conversas com pessoas que deixaram a Líbia
recentemente, a Embaixadora do ACNUR escutou relatos de confrontos
violentos dentro do país. Ela ouviu histórias angustiantes sobre os
pontos de entrada nas fronteiras, assédio e agressões. Jolie pediu
medidas que permitam que ONU e ONGs tenham acesso à Líbia, para
distribuir assistência de emergência, incluindo alimentos e suprimentos
médicos.
Jolie também escutou histórias dramáticas de africanos orientais e
subsaarianos sendo deliberadamente agredidos dentro da Líbia. Muitos
permanecem escondidos em situações desesperadoras, impossibilitados de
se mover por medo da violência. A Embaixadora pediu que um corredor
humanitário seja construído para facilitar o acesso seguro dessas
populações a locais de refúgio.
Sem esse corredor, milhares de africanos orientais e subsaarianos estão
fugindo da Líbia por via marítima, confiando em embarcações inadequadas
oferecidas por coiotes. Nas últimas semanas, várias embarcações chegaram
à pequena ilha italiana de Lampedusa e várias outras foram interceptadas
na costa da Tunísia. Há relatos, também, de que algumas pessoas não
estão sobrevivendo à dura travessia através do mediterrâneo.
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