Poucas pessoas sabem, até mesmo em famílias que cuidam de um paciente com o mal de Alzheimer, mas o verão é uma período do ano bastante problemático para quem sofre do distúrbio. Isso é causado principalmente pela mudança na rotina da família, o que é prejudicial para os doentes, que se apóiam em hábitos e lugares conhecidos para o exercício de atividades básicas.
O vice-presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), Nilton Genobie, explica que, com o verão, as famílias vivem situações atípicas como a ida para uma casa de praia, a chegada de visitas, ou a interrupção de atividades com o paciente, como caminhadas e natação. E é exatamente esta mudança que causa a desorientação temporal e espacial.
“É muito comum pacientes que desconhecem os familiares e peçam para ir para casa, estando na própria casa”, disse Nilton Genobie, que é terapeuta ocupacional, especializado no cuidado aos idosos. Outros sintomas apresentados são a ansiedade e a irritabilidade. Muitos pacientes acabam aumentando a dosagem dos medicamentos, em função dos distúrbios exacerbados.
Segundo uma estimativa do vice-presidente da Abraz, cerca de 80% dos idosos que sofrem de Alzheimer passam por uma regressão no tratamento durante o verão. Para evitar que isso aconteça, é necessário que a família crie uma espécie de adaptações à realidade que irá se manter durante o veraneio. “Sei que parece complicado, mas se por exemplo, a família for veranear, deve levar o idoso para visitar o lugar com antecedência, nos fins-de-semana”, disse Genobie.
Quando os transtornos atingem o paciente, é preciso estabelecer um novo tratamento, baseado em terapias de orientação à realidade e treinamento cognitivo. O mal de Alzheimer é causado por uma morte progressiva dos neurônios, o que atrapalha a comunicação cerebral, gerando distúrbios na capacidade de lembrar, pensar, organizar e sentir, entre outras.
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