segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Norte é desprezado por presidenciáveis
Paulo Correia
Jornalista
ph-correia@uol.com.br
Notícia postada no portal Folha Online, na sua edição de sábado, dia 7 de agosto, é emblemática para quem deseja saber a real situação dos estados e das populações da região Norte do Brasil. No texto, são mostradas quantas vezes os nossos presidenciáveis já visitaram a região nesse ano de eleições. Segundo o levantamento da Folha, Desde o começo da pré-campanha, em abril, Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV), somados, viajaram apenas quatro vezes à região, sendo que a candidata petista não foi nenhuma vez ao Norte. E ai caro leitor, será que essa importante e rica região do país não merece uma melhor observação dos futuros gestores? Será que questões como tráfico de drogas pela fronteira, biopirataria, grilagem de terras e outros problemas sérios que circulam naquela região não merece um maior cuidado?
Talvez por desprezar, durante décadas, aquela enorme região, o governo brasileiro sofra hoje com o aumento do tráfico de entorpecentes e da violência que ele gera em todo o território. Por esquecer aquelas cidades e suas populações, o governo do presidente Lula da Silva sentiu, por meio de relatórios internacionais, que é tão igual aos outros que o antecederam.
Segundo o jornalista Eric Nepomuceno, no seu brilhante livro O Massacre, o Pará, um dos estados que deveria receber as visitas dos postulantes ao governo, e que tem uma população de cerca de seis milhões e 600 mil habitantes, sofre até hoje com problemas agrários de séculos passados. Inclusive com escravidão. De acordo com dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), pesquisados por Eric
Nepomuceno, no Pará, como em nenhum outro estado do Brasil, existem tantos casos de trabalho escravo, e que em nenhum outro lugar do país se somam tantas mortes por causa de terra. Os estudos da OIT indicam que cerca de 40% de todos os casos de escravidão descobertos pelo Ministério do Trabalho desde 1995 se encontram no Pará.
Outro dado divulgado pelo jornalista em seu livro informa que em dezembro de 2005, um balanço da Pastoral da Terra registrou 16 assassinatos nos campos do Pará. Tudo por conta de questões que envolvem a disputa por terras e brigas entre grileiros e pequenos agricultores.
Isso são apenas informações de um único estado da região Norte. Um único tema. E os outros? A questão dos índios, do desmatamento desenfreado, da infraestrutura das estradas e cidades, das populações? Será que esses nobres candidatos ao governo central não enxergam nada além do que é sugerido por suas assessorias?
As baboseiras divulgadas pelos postulantes no primeiro debate na TV foi uma mostra do que vem por ai.
Pobre região Norte. Pobre Brasil.
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