terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A nossa classe política

Paulo Correia
Jornalista

Na sua edição do dia 05 de fevereiro, o Jornal de Hoje foi incrível no seu caderno de política. Nas páginas 02 e 03, duas matérias e uma notinha mostraram à incrível e cruel realidade de nossa classe política. Os textos eram sobre os pedidos de cargos por deputados estaduais ao governo de Rosalba Ciarlini; o patrimônio pessoal de alguns políticos do estado; e uma foto com três gerações de uma família política.
Na primeira reportagem do JH, a informação que deputados estaduais estão cobrando cargos para seus aliados à governadora Rosalba. Uma prática bastante comum por aqui e que parece, não terá fim nunca. Um loteamento da administração e uma fome voraz de poder. Os interesses do povo? ah, isso é besteira! As eleições já passaram. Povo agora só em 2012.

Na segunda matéria, publicada na página 03 de política, a notícia era o astronômico patrimônio pessoal de nossos deputados federais e senadores. Milionários que souberam muito bem onde aplicar os anos de bons serviços prestados as comunidades pobres do Rio Grande do Norte.

O último destaque foi a notinha publicada pelo jornalista Túlio Lemos na sua coluna. Na nota, uma foto mostra o atual ministro da Previdência do Brasil, Garibaldi Alves, o seu filho, o deputado estadual Walter Alves, e o seu neto Luiz Eduardo, filho de Walter. No texto escrito por Túlio Lemos, o jornalista imaginou a conversa de Garibaldi com o seu neto: “Meu netinho, cresça ligeiro pra assumir o lugar de seu pai e de vovô na política; já tô vendo um deputado, um prefeito ou futuro governador do RN nos braços do pai”.

E ai, essas duas matérias e essa notinha não são a realidade de nossa classe política? A busca incessante por cargos, por mais insignificantes que sejam, o rico patrimônio pessoal e a perpetuação de oligarquias são o retrato fiel de nossos nobres homens públicos.

É uma pena que vivemos em pleno século XXI e por aqui ainda se respira passado.

Poderia ser uma época em que outros valores permeassem a vida política e não esses traços de um Brasil velho e desrespeitoso com a sua população.

Quem sabe um dia essa realidade muda.

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