Paulo Correia
Jornalista
ph-correia@uol.com.br
Esses dias estava dando uma passada nos canais da TV e me deparei com o seriado Na Forma da Lei, da Rede Globo, e resolvi parar para ver um pouco. Fora a estonteante beleza da Ana Paula Arósio, que de cabelo curtinho ficou mais gata, e da sensualidade da Luana Piovani, o programa despertou minha atenção por conta dos temas: política, justiça e corrupção. Na série, as duas atrizes interpretam uma promotora e uma agente da Polícia Federal que, juntamente com outros personagens, tentam levar para a cadeia um assassino confesso, filho de um importante senador.
No capítulo que assisti de passagem, uma cena ficou marcada na minha cabeça. O momento era a prisão do assassino, interpretado pelo ator Márcio Garcia, depois de agredir um juiz em um estacionamento. Na cena, o bandido estava na delegacia e ironizava os policiais e os promotores que ia sair da detenção o mais rápido possível, pois agora era suplente de senador. Em seguida, aparece o seu advogado e o liberta. A cena deixou todos atônitos com a saída e com o desrespeito do assassino com a lei.
Mudei de canal, mas fiquei pensando no episodio e na questão da Lei da Ficha Limpa, aprovada recentemente no Brasil, e pergunto aos leitores: será que fatos, não tão extremados assim, com a participação de um assassino no contexto, não são mais corriqueiros como se imagina? Será que nossos promotores públicos, juízes, policiais, já não passaram por esse vexame algum dia em suas vidas profissionais, prendendo políticos enrolados em esquemas de corrupção e tendo que soltar o meliante?
Sei a resposta de todos e é por isso que não confio na total eficácia da Lei da Ficha Limpa. Os exemplos já começam a aparecer nos jornais e nos noticiários da televisão, exibindo casos de políticos que conseguiram se safar da lei e que estão com suas campanhas de vento e popa nos seus estados.
Uma pena que um projeto tão importante, idealizado pela sociedade civil, caminhe a passos largos para o esquecimento pleno. Uma lei para inglês ver.
Até quando esses senhores, armados com sorrisos falsos e ternos bem cortados, ficarão impunes, e até quando os que fazem a Justiça no Brasil ficarão com caras de bobo, impedidos de levarem seus trabalhos até o fim?

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